
Era de festa e expectativa, o ambiente em torno da segunda corrida das Festas do Barrete Verde e das Salinas em Alcochete, na noite de dia 10 de Agosto. Manuel Jacinto dirigiu com sobriedade corrida que não foi fácil de o fazer, em nossa opinião pecou em não devolver o primeiro da função, sendo também certo que Luís Rouxinol rapidamente lhe cravou o primeiro comprido.
Era a festa comemorativa dos 45 anos do GFAABV Alcochete e logo num desafio de muita seriedade, com os pesos a oscilarem entre os 580 e 660 kg, cinco dos quais “cinqueños” e um Grupo que não tem tido nos últimos dois anos uma frequência de actuações, que lhe permita maior rodagem e sitio no momento. Este foi sem dúvida o maior atractivo para os ¾ que ocuparam as bancadas do carismático tauródromo ribeirinho.
Começamos pelos Forcados, antigos e actuais fardados (não compreendemos a exigência da direcção de corrida em separar os actuais dos antigos, quando na trincheira, se mais motivos não existissem, basta o da essência: Grupo, que se funde com união e não com distanciamento, divisão, separação, que é o que acontece. Estas corridas são sobretudo uma partilha de emoções, experiencias, de entreajuda na arena e na praça, numa data especial e entre gerações. Não faz sentido algum, a divisão verificada e que se tornou moda desde há uns tempos para cá. Que saiba o regulamento em vigor não o obriga).
Não iremos escalpelizar em pormenor as seis pegas, apenas dizer que em seis, quatro foram executadas por forcados retirados, de compêndio, à 1ª, as dos cabos por Luís Miguel Cebola e João Salvação e de Adriano Nunes, é certo que foram os mais “cómodos” (os Campos Peña), mas deu para mostrar, como se cita, se manda nas saídas e nas reuniões e como se torna mais fácil, algo que nunca o é, pegar toiros. Rui Gomes fez duas tentativas ao primeiro de Campos Peña, foi dobrado pelo já referido Adriano Nunes. Alguma precipitação em enviar para a cernelha o segundo da ordem, nunca conseguiu entrar a dupla Alcohetana, num toiro que se assenhorou de cabrestos, campinos e forcados. Valente e decidido, Pedro Medronheira, pegou de caras, á 2ª, já a resolver o primeiro dos complicados e duros Peredas. Diogo Timóteo pegou à 2ª outro Pereda, embora mal ajudado. Paulo Jorge, pegou à 2ª o seu último toiro (não mandou na reunião, valeu a vontade e o par de braços para ficar), também de Pereda. Atendendo ao comportamento dos toiros, merece o maior respeito o acto de pegar em solitário um curro destes. E porque ninguém se magoou…. a festa correu bem! Parabéns ao GFA do A. B.V. Alcochete.
No que tocou aos toiros foram mais colaborantes com os toureiros os da segunda parte. Dois Campos Peña e um Pereda, o inverso na primeira parte, que significa dizer que os Peredas foram os mais difíceis, tiveram sentido, pata e tornaram-se perigosos com o decorrer das lides, mostraram muita casta e poder. Os Peñas mais suavões, foram mais cómodos e permitiram melhor jogo (embora o primeiro tenha saído com inferioridade manifesta).
Rouxinol colocou apenas dois curtos no inválido primeiro e teve lide alegre, a ir de frente, com domínio e soluções, reveladora do momento que atravessa em mais uma temporada de alto nível do de Pegões, que terminou com o de palmo e o par com o Mustang, depois de acerto na brega, na escolha dos terrenos e na colocação da ferragem, em ambiente de êxito.
Vitor Ribeiro, esteve lutador com o difícil Pereda (2º da ordem) e em grande plano com o quinto de Peña. Está também ele num momento de confiança e em crescendo, nota-se pela forma como está a pontuar as suas actuações com maturidade, a arriscar, a pisar terrenos de compromisso e deixar a ferragem de alto a baixo ao estribo e com muita decisão. Jogou com o entendido publico de Alcochete e este correspondeu afirmativamente tributando-lhe justas ovações. Temos Ribeiro de volta.
Manuel Lupi, é outro da mesma linha de Ribeiro, toureiro sério de raça e que confiado ataca o que tiver por diante com confiança, assim o fez em ambos, no mais difícil de Pereda esteve à altura dos acontecimentos com um perigoso oponente que tudo fez para o “agarrar”.No de Campos Peña que fechou, deixou os ferros de melhor plástica da sua passagem, mas sem a eficiencia que lhe conhecemos, sobretudo a cravar, com ferragem dispersa e alguma dificuldade, fruto da convalescença em que ainda está de intervenção cirúrgica recente à mão direita.
Esta foi uma corrida para artistas de barba rija e para aficionados a sério. Sem grandes folclores nem floreados fáceis, agradou pela emoção, exigência e entrega e seriedade de todos. Quando assim é….ganha a festa de toiros!!
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