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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Uma reinauguração com bons augúrios

- Praça de Toiros: Carlos Relvas em Setúbal
- Data:
30 de Julho de 2011, às 22:00

- Empresa: Aplaudir
- Organização: Aplaudir
- Ganadaria: Conde de La Maza
- Cavaleiros: António Ribeiro Telles, Manuel Lupi e Duarte Pinto
- Grupos de Forcados Amadores: Amadores de Setúbal e selecção de Forcados do distrito de Setúbal, capitaneados por António Mirrado e João Pedro Bolota, respectivamente
- Assistência: meia casa forte
- Delegados da IGAC: director o senhor António Santos, assessorado pelo médico veterinário Dr. Patacho de Matos.
- Banda: Alcochete

Depois de alguns anos de abandono, em boa hora a Aplaudir, de João Pedro Bolota, meteu mãos à obra e recuperou a Praça Carlos Relvas, que agora se reinaugura, com uma corrida onde se pretende ao mesmo tempo, celebrar a sua 122ª época e a memória do aficionado José Pereira dos Santos, a quem a tauromaquia em geral e, a setubalense em particular, tanto ficaram a dever. Durante as cortesias foi guardado um minuto de silêncio em sua memória e no intervalo da corrida, descerrada uma lápide em sua homenagem.
Foi escolhida para a primeira corrida da Feira Taurina das Festas de Santiago, a ganadaria espanhola de Herdeiros de Conde de La Maza, onde corre sangue do encaste Nuñes em quase 90%, no dizer dos proprietários, mas que graças a uma selecção prolongada se pode dizer, que tem um encaste próprio. Possui antiguidade registada em 15 de Agosto de 1963, pastando nos campos de Morlon de La Frontera (Sevilha), em Cortijo “Arnales”.

Os toiros bem apresentados, estavam ferrados com os números 6 e 7, portanto, toiros com quatro e cinco anos e pesos entre os 480 e os.545 kg. À exceção do quinto que tinha mau comportamento, distraído e andarilho, com arreões de manso, todos os outros mostraram bravura, proporcionando um bom espetáculo.

A António Ribeiro Telles que, curiosamente, havia estado presente na última corrida que aqui se deu, coube-lhe o primeiro toiro da noite, o mais pesado e talvez o melhor de todo o curro. Não se cansou de investir, sempre com investidas alegres empregando-se nas sortes. Como é seu timbre, deu ao toiro a lide que ele pedia, sempre de frente e com ferros de grande qualidade; o público gostou e manifestou-lhe esse reconhecimento. No seu segundo, o quarto da ordem, também ele um excelente toiro, António esteve igualmente bem, com três compridos e quatro curtos, de nota superior.

Manuel Lupi teve pela frente dois toiros muito diferentes: no seu primeiro, um toiro muito bom, esteve ao seu nível, bregando e cravando com acerto e recreando-se pondo a praça em alvoroço, tal o modo como lidava e chegava às bancadas, sem concessões, sempre com verdade.
O seu segundo foi o pior da corrida. Aqui houve mesmo quinto mau! Distraido, sempre procurando uma razão para se desligar e quando investia era com arreões de manso. Sem fixação e andarilho. Lupi fez o que pode e mostrou como se pode dar a volta a um toiro sem qualidade. No fim, por exigência do público deu volta à arena.
O toiro que calhou em sorte a Duarte Pinto, parecia ter problemas nos quartos traseiros, manifestando vontade de investir, mas diminuído na sua locomoção, contudo, fruto de muita vontade de fazer bem feito, Duarte levou a água ao seu moinho, diga-se que por vezes com brilhantismo. O público reconheceu-lhe o labor e aplaudiu forte.

Na lide que fechou a noite, Duarte Pinto teve pela frente um toiro que começou por ser distraído, a quem o toureiro soube interessar e fruto da qualidade do hastado e da sua entrega e vontade, assistiu-se a uma lide de muito boa qualidade, com ferros ao estribo, especialmente a quarteio, sempre de frente com muita verdade, dando vantagens ao toiro.

Pela forcadagem, estavam presentes o Grupo de Setúbal e uma selecção de forcados dos grupos do Distrito. O cabo e dois forcados dos grupos da Moita – Amadores e do Aposento -, do Montijo – Amadores e da Tertúlia Tauromáquica – e de Alcochete – Amadores e do Aposento do Barrete Verde.

Abriu praça o grupo de Setúbal, cabendo ao seu Cabo, as honras da reinauguração da praça. António Mirrado citou calmo, deixou-se ver, o toiro arrancou sem fazer mal e o grupo fechou não complicando. Para pegar o terceiro da noite saltou Fábio Caeiro que brindou à selecção de forcados, seus alternantes nesta noite. Mandou na investida, o toiro arrancou sem derrotar, com a cabeça levantada, fez uma viagem bonita e o grupo ajudo coeso. Para fechar a sua actuação, estava guardada a fava! Para o pegar foi escalado Sérgio Espada. O toiro não parava, não dava sítio para a pega, arrancava mal via os forcados, mandava na arena. Arrancava e desbaratava o grupo e fugia. Nitidamente investia para se defender. Depois de um sem número de tentativas, tocou-se para a volta. O toiro encabrestava bem, mas os cernelheiros estavam mais interessados em justificar-se perante o público do que em ir ao toiro, não fazendo sequer uma tentativa. O toiro regressou vivo aos currais.

Pela seleção do Distrito pegou em primeiro lugar Rui Pragana. Perante um toiro bravo, o forcado não complicou e a pega foi vistosa, bem ajudado. Márcio Chapa, pegou o seguinte no que aos convidados dizia respeito. Mais uma pega vistosa, com o toiro a arrancar franco, pelo seu caminho, fechando o grupo com a propósito. No que encerrou praça, Isidoro Cirne, deixou-se ver, citou com garbo, o toiro tardou a investir, mas quando o fez, fê-lo franco com o grupo a ajudar sem dificuldade. De realçar o desempenho de Tiago Ribeiro a rabejar o segundo e o sexto da ordem.

O Mais e o Menos
+ A Empresa Aplaudir, que para além desta, já recuperou mais duas praças: Santo António das Areias e Idanha-a-Nova.
+ A qualidade do curro da ganadaria Conde de La Maza. À excepção do quinto, todos de excelente comportamento e alguns bravos.
+ A entrega dos artistas
- A conjugação da má qualidade do quinto e a falta de experiência do grupo de Setúbal
- Os vendedores que continuam nas bancadas durante as lides, distraindo os toiros algumas vezes.

Fotografia: D.R.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Em Azeitão, por uma tarde, os toiros tiraram o protagonismo às tortas e ao vinho


- Praça de Toiros desmontável de Ricardo Chibanga, em Vila Nogueira de Azeitão

- Data: 12 de Julho de 2009, às 18:00H

- Empresa: Comissão de Festas da Arrábida e Azeitão

- Organização: Comissão de Festas da Arrábida e Azeitão

- Ganadaria: Santa Maria

- Cavaleiros: Luís Rouxinol, António Maria Brito Paes e a praticante Isabel Ramos.

- Grupos de Forcados Amadores: de Alcochete e do Aposento da Moita, capitaneados por Vasco Pinto e Tiago Ribeiro, respectivamente

- Assistência: 3/4

- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr. António Garçôa, assessorado pelo médico veterinário Dr. Carlos Santos.-Banda: Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense.- Cornetim: José Henriques
Em boa hora a Comissão de Festas decidiu com a colaboração de taurinos conhecidos, levar a efeito uma corrida de toiros englobada nas suas festas anuais, "Festas da Arrábida e Azeitão".
Para esta corrida veio um curro de toiros da ganadaria Santa Maria, que à excepção do lidado em quarto lugar, vinham ferrados com o número 5 nas espáduas, portanto eram toiros. O segundo de Luís Rouxinol com o número 6 – era um novilho, não sendo visível o número no sobrero e como não estava afixada a ordem de lide, não foi possível esclarecer este pormenor.Esta ganadaria tem antiguidade de 07/09/86 em Cascais e provem de dois encastes que leva em separado, Murube - Urquijo e Parladé.Os toiros cumpriram, eram voluntariosos, suaves nas investidas, deixando os toureiros brilhar e muito bem apresentados de cara.
Como é da norma, o cavaleiro mais antigo de alternativa, neste caso Luís Rouxinol abriu a função. Coube-lhe lidar um toiro negro, bem apresentado como os demais, denotando dificuldades motoras que não impediram que se aplicasse. Foi recebido com três compridos regulares. Mudou de montada e cravou três curtos, um palmito e um par de bandarilhas a este bravo, que embora diminuído, estava sempre pronto para investir.O seu segundo trazia o número 5 nas espáduas. O novilho teve uma saída impetuosa, investia de cara alta, não humilhando. É parado e recebido com dois compridos à tira, crava quatro curtos e um palmito, sendo o quarto muito bem preparado e rematado em terrenos apertados.Não acede ao pedido do público para o tradicional par, deixando a praça com vontade de mais.
Brito Paes vinha para pedir meças e calhou-lhe um negro, também ferrado com o número 5, escorrido de carnes. É recebido com dois bons compridos à tira. Após mudar de montada tenta dois quiebros que não lhe saem bem, no primeiro ficou sem toiro e o segundo é cravado a cilhas passadas. Muda novamente de cavalo e crava mais dois ferros, um a quarteio e outro a sesgo, rematado no “corredor”, chegando ao público.O seu segundo, um castanho bragado, é devolvido aos curros por manifesta inferioridade física.Lida em último lugar o sobrero, também castanho, talvez o pior toiro da corrida. Era imperceptível o número com que esta rês vinha ferrada. Crava dois compridos, mas não se entende com este complicado. Já nos curtos, sofre alguns toques no cavalo, mexe no toiro, mas não consegue os terrenos que quer. De realçar o quinto curto, a sesgo, com remate apertado, que o público reconhece. No palmito que crava para fechar a tarde, o cavalo escorrega ao rematar o ferro, com o toiro a recargar, estando eminente algo de mau.Após o segundo curto, o público exige música ao director de corrida, ao que este acede.A música deve ser para premiar a actuação do artista e não para alegrar a festa, e até aí não tinha acontecido nada que a justificasse.
A praticante Isabel Ramos vinha para dizer que a festa também é evolução. Originalidade na casaca e no tricórnio, não convencionais, mas igualmente bonitos.Recebe o seu primeiro oponente, um toiro negro e gordo, com dois compridos muito bons, após falhar o primeiro.Nos compridos, com o toiro que se arranca de qualquer lado sempre com alegria e “som”, no primeiro cita de largo, encurta terrenos e crava com temple ao piton contrário; nos seguintes descobriu o filão. Com cites alegres provoca o público e o toiro e crava mais três curtos neste toiro que veio a calhar para o triunfo. Sempre muito ligada, com remates vistosos e ladeios que chegam ao respeitável e alegram o conclave.No seu segundo, um toiro negro bonito de tipo, embora escorrido, falha novamente o primeiro comprido, mas crava de seguida dois bons ferros no centro da praça.Nos curtos, com outro oponente sempre pronto a colaborar, crava de frente, com muito sentido de lide, temple e gosto, pondo a praça ao rubro com os seus cites e remates. Há a salientar nesta lide o primeiro, o quarto e o palmito com que se despediu debaixo de uma forte ovação.
Os Forcados Amadores de Alcochete abriram a tarde com Vasco Pinto a escalar Hugo Silva para a primeira pega. Citou sereno no centro da praça, encurtou terrenos, o toiro arrancou franco sem derrotar, com o forcado bem fechado; saiu do grupo, mas sem fazer mal e com ajudas eficazes consumou-se uma pega vistosa. Joaquim Quintela pegou o segundo do grupo sem dificuldade, com o toiro a entrar pelo grupo sem problemas.Para o fim estava guardado o melhor. Telmo Vasco fardou-se pela primeira vez e fez a pega da tarde. Desejamos-lhe daqui, muitas destas. O toiro arrancou ensarilhado, mas o forcado com muita calma recuou, escolheu o momento da reunião e aguentou a viagem de um toiro com muita pata e derrotando forte. O grupo com muita eficácia resolveu a papeleta.
Pelos Amadores do Aposento da Moita, começou Frederico Aragão Morais, que cita com galhardia no centro da praça, dando vantagens, com as ajudas junto às tábuas; o toiro com arrancada franca, proporciona uma pega vistosa em que o forcado não complicou.Francisco Capela foi escolhido para pegar o quarto da tarde. Em três tentativas, só por uma vez esteve na cara do toiro, nas outras, nem à voz o morlaco se fixava no forcado, passando ao lado no momento da reunião, tendo o artista saído lesionado. À quarta tentativa, José Maria Bettencourt, que dobrou o colega, com as ajudas carregadas em sorte sesgada, pegou sem dificuldade, porque o toiro ao sentir o forcado na cara parou sem fazer mal.Para terminar a actuação do Grupo Moitense, Vítor Epifânio brindou ao conclave, citou com garbo, mandou na investida, o toiro arrancou de largo, entrando pelo grupo, com pata, consumando-se uma pega plena de emoção, já nas tábuas.
Todos os artistas, à excepção de José Maria Bettencourt deram volta, tendo Isabel Ramos uma chamada especial aos médios.
O Mais e o Menos

+ O excelente curro de toiros, de apresentação e comportamento, enviado pela ganadaria Santa Maria; a exibição de Isabel Ramos e a pega de Telmo Vasco.A banda dde música da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense que, ao que soube, se estreava nestas lides, parecendo ser já traquejada nestas andanças.

- Continua a saga dos vendedores na bancada e o excesso de utilização da mão direita nas rédeas por parte dos cavaleiros.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Casa cheia e bom espectáculo no Pinhal Novo


- Praça de Toiros desmontável no Pinhal Novo

- Data: 13 de Junho de 2009 às 22 horas ( em ponto )

- Empresa: Associação dos Amigos da Festa Brava do Pinhal Novo

- Organização: Associação dos Amigos da Festa Brava do Pinhal Novo

- Ganadaria: José Samuel Lupi.

- Cavaleiros: Luís Rouxinol e Gilberto Filipe

- Matadores de toiros: Nuno Velasquez

- Grupos de Forcados Amadores: de Alcochete e Pinhal Novo, capitaneados por Vasco Pinto e Sandro Patraquim, respectivamente.

- Assistência: Casa Cheia “até à bandeira”- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr. António José Martins, assessorado pelo médico veterinário Dr. António Rita

Banda: Filarmónica União Agrícola
A Associação dos Amigos da Festa Brava do Pinhal Novo levou a efeito mais uma agradável noite de toiros, no Pinhal Novo, a que o público respondeu enchendo a praça.Os toiros eram da ganadaria do Eng. José Samuel Lupi, encaste Murube – Urquijo e antiguidade de 28/09/47 em Madrid, com boa apresentação e, dando de um modo geral, bom jogo. Com pesos estimados entre os 445 e os 470 kg, as reses vinham marcadas com o nº 6 nas espáduas, portanto tratava-se de novilhos. Por facilidade de expressão, na crónica utilizaremos o termo “toiro”.
Luís Rouxinol veio ao Pinhal Novo cheio de vontade de chegar ao público com o toureio alegre que se lhe conhece. O primeiro da noite foi recebido e parado superiormente. Após a cravagem de três compridos, de frente, Luís mudou de cavalo. Utilizando uma forma de lidar baseada em sortes frontais e remates vistosos, cravou quatro curtos, e um palmito a pedido do público.O público exigia um tradicional par de bandarilhas, mas o cavaleiro não acedeu, sendo despedido com uma ovação.O seu segundo, um toiro com arrancadas imprevisíveis e de mau génio, doeu-se com o primeiro ferro. Rouxinol teve que se esforçar muito com uma brega muito trabalhada para conseguir retirar partido do seu oponente. Cravou três compridos e, já com outro cavalo desenvolveu um trabalho aturado, conseguindo cravar a ferragem da ordem com ferros a quarteio, sempre de frente como mandam as regras. A pedido do público, cravou um palmito e um par de bandarilhas, de belo efeito, que face às características do toiro, saiu melhor do que o toureiro inicialmente teria pensado.
Para Gilberto Filipe, o segundo da ordem. Cravou dois compridos à tira e, depois de mudar de cavalo, quatro curtos bem preparados, com remates vistosos, mas algo exagerados. Voltou a mudar de montada e cravou mais dois, a quiebro, sem história.No quinto da noite, Gilberto, veio com o “gás todo”, cravou dois compridos à tira e após duas mudas de cavalo, desenvolveu uma lide com velocidade a mais, não conseguindo, por vezes, marcar os tempos da sorte, ficando alguns ferros a cilhas passadas, tendo cravado cinco curtos. No entanto o seu toureio alegre, chegou às bancadas e o público divertiu-se.
Para o matador de toiros, Nuno Velasquez, saíram os dois toiros mais pequenos da corrida.No primeiro, recebido à verónica, viu-se com agrado um quite por parons, depois de um tércio de bandarilhas executado a primor, pela quadrilha, o diestro desenvolveu a sua lide com séries de “derechasos” e “naturais” com pouco temple, não encontrando nem sítio nem distâncias.No que encerrou a corrida, Nuno Velasquez, recebeu com alguns lances de capote, sem expressão. Igualmente bandarilhado com excelência, realçam-se duas séries, uma pela direita e outra pela esquerda.
Estavam em praça dois grupos de Forcados Amadores, o de Alcochete e o da casa, Pinhal Novo.Como mais antigo, coube aos homens de Alcochete abrir a função, para o que foi escolhido Daniel Esteves que à primeira tentativa não se conseguiu fechar, mas na segunda, aguentou fortes derrotes, quando já na viagem, o toiro parou e derrotou, sem que ainda tivesse chegado ao grupo. Pega difícil mas que o público reconheceu.Ricardo Mota foi o escolhido para o grupo fechar a sua participação nesta noite. Citou com galhardia, fechou-se bem na cara do toiro, que humilhou. Bem ajudado, consumou sem problemas.
Pelos Forcados da terra, primeiro saiu Rudi Mota que citou com calma, esteve bem a receber e a fechar-se, consumou a pega bem ajudado.Para o quinto da noite foi escalado, por Sandro Patraquim, Rui Pragana. Na primeira tentativa, embora o toiro não fosse claro na investida, o forcado fechou-se na cara do toiro, mas o grupo não ajudou e a pega desfez-se. Na segunda tentativa o toiro não saía, após aviso de um borladero, mudou de terrenos e arrancando à voz, entrou pelo grupo, que se desuniu; aguentou Rui Pragana uma enormidade, só se recompondo o grupo, junto aos curros.Estava consumada a pega da noite.
Todos os artistas deram volta à arena, recebendo os aplausos do público, que se divertiu nesta noite onde houve um bom espectáculo de toiros, deixando bom ambiente com um até para o ano.
O Mais e o Menos+ O espectáculo. O público foi-se divertir e divertiu-se- Continua a falta de respeito para com os artistas, com o público a movimentar-se nas bancadas durante as lides.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Bom toureio e boas pegas em tarde de despedida da Praça


- Praça de Toiros da Azambuja

- Data: 31 de Maio de 2009

- Empresa: Aplaudir

- Organização: Aplaudir

- Ganadaria: 6 Herdeiros de Paulino da Cunha e Silva e 1 de Santo Estêvão

- Cavaleiros: Manuel Jorge de Oliveira, Vítor Ribeiro, o praticante Duarte Pinto e o amador Paulo d’Azambuja

- Grupos de Forcados Amadores: da Azambuja, capitaneados por Fernando Coração

- Assistência: 4/5 de casa

- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr Pedro Reinhadt, assessorado pelo médico veterinário Dr. Salter Cid

- Banda: Filarmónica do Centro Cultural Azambujense
Para a despedida da praça de toiros da Azambuja, que irá dar lugar a um pavilhão multiusos, também com valência de praça de toiros, a empresa Aplaudir contou com um curro enviado pela ganadaria de Herdeiros de Paulino da Cunha e Silva, todos ferrados com o número 5 nas espáduas, logo eram toiros e um de Santo Estêvão, para o amador Paulo d’Azambuja, que tinha o número 6, portanto um novilho.
Embora escassos de carnes, tamanho e forças, tiveram bom comportamento, proporcionando aos artistas actuações que o público sublinhou com fortes aplausos e chamada à praça do ganadero no segundo de Manuel Jorge de Oliveira. Os pesos estimados oscilavam entre os 425 e os 440 kg, para os toiros e 420kg para o novilho.
Por razões de ordem logística, às quais fui alheio, não me foi possível assistir à lide do primeiro toiro da tarde, pelo que peço desde já desculpa ao Mestre Manuel Jorge de Oliveira e ao Forcado André Miranda, um dos triunfadores da tarde.
Ao Manuel Jorge de Oliveira coube, também, lidar o quinto da ordem.O ditado que diz que não há quinto mau, aqui cumpriu-se. Não tinha força, mas investia de todo o lado.Ver montar e tourear Manuel Jorge de Oliveira, transporta-nos a outros tempos e a outros clássicos como Manuel Conde. Exemplo na forma de montar e não só, onde tudo era naturalmente feito com temple. O toiro ia embebido na garupa do cavalo e era deixado no sítio certo.Que pena que estes bons exemplos frutifiquem tão pouco.A lide começou com dois compridos à tira e continuou com um recital de bem tourear por mais cinco curtos, os dois últimos a sesgo. O respeitável gosta do filho da terra e não perde a oportunidade de lhe demonstrar isso. É despedido com uma forte ovação.
Vítor Ribeiro saiu à praça para lidar o segundo da ordem, pequenote, bonito de tipo, com uma saída alegre a proporcionar um princípio de lide agradável. Vítor recebeu-o com dois compridos à tira com boas preparações. Muda de montada e desenvolve uma das melhores lides que lhe vimos. Nos quatro curtos que cravou, primou pelas preparações cuidadas e os remates vistosos mas não exagerados, sempre devagar, muito templado, a aguentar e a chegar ao público com um toureio de verdade, sem “rodriguinhos”.No seu segundo, o sexto da tarde, continuou com inspiração, dois compridos bem conseguidos e a mesma receita nos curtos: temple, preparações e remates q.b.; para terminar, depois de mudar de montada, cravou um quiebro que foi a cereja no topo do bolo. Bem marcado, aguentou um nadinha para que o toiro se centrasse e reuniu ao estribo como mandam todas as regras; resultando daí o público de pé. Dá gosto ver o Vítor quando está inspirado.
Para lidar o terceiro da ordem, estava Duarte Pinto, praticante já rodado em busca da alternativa que aí vem. Duarte teve algum trabalho para interessar o toiro mais preocupado com o que se passava nas bancadas do que com o cavaleiro. Após dois compridos sem história, por falta de colaboração do hastado, Duarte muda de montada e com uma brega acertada interessa o morlaco, que vem de menos a mais, dando ao cavaleiro a possibilidade de cravar cinco curtos plenos de ofício, numa lide redonda.No sétimo da tarde, o seu segundo, esteve igualmente bem, começando com dois compridos à tira, ficando o segundo um pouco traseiro. Nos curtos, já com outro cavalo, tem excelentes pormenores, sempre toureando de frente, preocupado com as preparações e os remates, com o senão do uso excessivo da mão direita nas rédeas; no último dos curtos, já só aproveitou a mangada de dois passos que o toiro dava. O toiro já se havia acabado.
O amador Paulo d’Azambuja, finalmente, como dizia o cartaz, actuava na sua terra. Estava-lhe reservado um novilho de Santo Estêvão que colaborou, por vezes com laivos de bravura, acudindo de todo o lado, sempre a investir.Talvez os nervos e a responsabilidade tenham traído o jovem no início da lide, tendo colocado os dois compridos traseiros e o primeiro curto descaído e quase na perna do novilho. Depois acalmou e nos restantes três curtos, mostrou melhores maneiras, conseguindo uma actuação de bom nível, reconhecida e aplaudida pelo público.
O Grupo de Forcados Amadores da Azambuja tinha, hoje, uma prova de fogo: aos pupilos de Fernando Coração cabia-lhe a tarefa de pegar as seis reses que saíram à praça e pode-se dizer que resolveram a papeleta a contento.A primeira pega, por André Miranda, como ficou dito, não vi.A segunda, coube a Luís Amador que esteve bem a citar, a mandar vir o toiro, a recuar, mas o Grupo não se conseguiu fechar, tendo o forcado sido desfeiteado já no meio do Grupo.À segunda, as ajudas foram mais coesas e tudo se tornou mais fácil.Para pegar o terceiro da corrida foi designado António Pedro Lourenço. Como o toiro se arrancava mal via o forcado e entrava com violência, o António não se conseguia fechar; só á terceira tentativa, a sesgo e com as ajudas carregadíssimas se consumou a pega.Ivan Batista foi o escolhido para pegar o novilho de Santo Estêvão. Bem a citar, deixando-se ver e a mandar na investida, recuou bem, a reunião foi boa, mas o toiro parou e derrotou forte tirando o forcado, sem dar hipótese do Grupo ajudar. Na segunda tentativa, aguentou enormemente, o Grupo voltou a ter dificuldade em se fechar mas a pega resultou emotiva.O quinto coube a Carlos Dias, que cita com alardes de galhardia, de meia praça; quando o toiro arranca, domina a sorte, recuando e reunindo como mandam as regras. Bem fechado aguenta os derrotes já no interior do Grupo, fazendo com que sintam dificuldades em consumar a pega, mas a mesma resulta vistosa.David Mouchão foi o “cara” a quem coube pegar o sexto da tarde. O toiro não queria sair das tábuas e nem o cite de David o demoveu. Depois de mudar de terrenos, mais fora, e avisado de tábuas arrancou pelo seu caminho a derrotar, mas o grupo ajudou e a pega resultou bem.Cabia a André Letra fazer a última pega nesta praça, não o quis o sétimo da tarde que o havia de lesionar.Foi dobrado por Eurico Lourenço que resolveu o problema a contento. Citando bem, definindo a reunião e bem ajudado, deu por encerrado o desempenho dos jovens da Azambuja.Excelentes as intervenções do rabejador Diogo Francisco, que sempre que foi chamado a intervir, o fez com a propósito e toureria, contribuindo para o espectáculo.Estavam em disputa troféus para a melhor lide e para a melhor pega.
O prémio para a melhor lide foi atribuído à primeira faena de Vítor Ribeiro e o da melhor pega foi entregue a André Miranda, que efectuou a pega ao primeiro da tarde.
O Mais e o Menos+ O ambiente que se viveu naquela praça. Viveram-se toiros. A primeira lide de Vítor Ribeiro.- O contínuo movimento dos vendedores durante as lides e o uso excessivo da mão direita nas rédeas por parte de alguns cavaleiros.
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terça-feira, 26 de maio de 2009

Na Moita, Grande pega de Nuno Carvalho


- Praça de Toiros Daniel do Nascimento na Moita

- Data: 24/05/2009

- Empresa: Top Toiros

- Organização: Top Toiros

- Ganadaria: 3 Rio Frio e 3 Eng.º José Lupi

- Cavaleiros: António Telles, Rui Fernandes e Vítor Ribeiro

- Grupos de Forcados Amadores: de Alcochete e Aposento da Moita, capitaneados por Vasco Pinto e Tiago Ribeiro, respectivamente.

- Assistência: Casa cheia com poucas clareiras

- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr. Ricardo Pereira, assessorado pelo médico veterinário Dr. Carlos Santos

- Banda: Musical do Rosário
Com um cartel de postim, montou a empresa Top Toiros uma corrida, que reunia todos os condimentos para uma tarde de toiros em grande.
Efectivamente, os artistas, à sua maneira procuraram os aplausos do conclave, o que em algumas situações conseguiram.
A família Lupi, enviou um curro composto por três Rio Frio e três José Lupi, com apresentação irrepreensível, pesos entre os 460 e os 515 kg e comportamentos que sem serem de bravura, de um modo geral se deixaram tourear. Todos vinham ferrados com o nº 5 nas espáduas, portanto tratava-se de toiros
Os toiros foram recolhidos a cavalo, à vez, ora campinos ora dois aficionados, João Paulo e José Manuel Pires da Costa.
Cavaleiros de escolas bem distintas iriam enfrentar estes toiros.
António Telles com o seu estilo clássico e de verdade veio pronto para medir forças com a escola moderna do toureio/rejoneio, que se vem afirmando em terras de Portugal e Espanha.Rompeu praça um Rio Frio de 480 kg para António Telles. Recebeu-o com dois compridos à tira, o primeiro algo traseiro.Após mudar de montada cravou cinco curtos a pisar os terrenos do toiro, sempre de frente, sendo os dois últimos de muita qualidade, que o público reconheceu e aplaudiu com força.O seu segundo, quarto da ordem, era um Lupi com 515 kg, o mais pesado da tarde. Recebido à porta gaiola, foi parado magistralmente. Cravou dois compridos à tira, com reuniões ao estribo. Mudou de montada e colocou quatro curtos, fruto de muito labor e de pisar terrenos de compromisso. O toiro veio a menos e o cavaleiro foi alegrando os cites com a voz que conseguiu a colaboração do hastado para terminar a sua função a contento, sempre com reuniões como mandam os cânones.
O segundo da tarde coube a Rui Fernandes. Era um Lupi com 460 kg, muito bem recebido e parado pelo cavaleiro, que cravou dois compridos, sendo o segundo aliviado na reunião.Durante a mudança de montada, era visível que o toiro não estava de posse de todas as suas faculdades. Desde então, encrençou-se nos médios e só dava dois ou três passos. Após muito porfiar, consegue fazer o toiro mudar de terrenos e com a mesma receita cravou dois curtos de frente, que chegaram ao público. Como o toiro já quase não andava e após mudar de montada crava dois ferros a quiebro, um deles praticamente com a saída tapada que chegou ao público em ambiente de triunfo. Não cedeu ao pedido do público para que cravasse mais um, saindo em clima de triunfo.O quinto da ordem foi recebido com dois compridos; o primeiro a abrir, para interessar o toiro e o segundo à tira, correcto. Para os curtos, Rui Fernandes mudou de montada e começou o espectáculo, com cites exagerados e remates vistosos com piruetas, tendo assim cravado três curtos. Mudou novamente de cavalo e vieram mais dois curtos com cites de praça a praça, quando o toiro já nem um passo dava. Deste modo coloca dois curtos a quiebro, com a saída quase tapada, criando uma situação delicada no último.
Vítor Ribeiro veio para tourear o terceiro e o sexto da ordem. No seu primeiro, cravou dois compridos para interessar o seu distraído oponente após o que mudou de cavalo para a série dos curtos onde crava quatro com leves batidas ao piton contrário, sempre com demasiada velocidade. Vai em crescendo e o público gosta. Entusiasma-se e vai buscar nova montada para fazer dois quiebros, muito abertos e a cilhas passadas pescados, mas que o cavaleiro remata com uma alegria incontida e algum público também aplaude.Ao que cerrou praça, Vítor Ribeiro, recebeu-o com dois compridos, ficando o primeiro um pouco traseiro. Nos curtos cravou quatro curtos, sendo o terceiro o melhor das suas duas lides com o senão do exagero dos remates.
Para as pegas estavam os Forcados Amadores de Alcochete e os do Aposento da Moita.A abrir a função, no respeitante a pegas, os Amadores de Alcochete, começaram com Nuno Santana. Citou de largo com calma, deixando-se ver. O toiro arrancou quando solicitado, á voz, o forcado recuou, reuniu quando quis, mas foi despejado já no interior do grupo. À segunda, o grupo foi mais unido e consumou a pega, mas notou-se algum atabalhoamento nas ajudas.O terceiro foi pegado por Ruben Duarte. O toiro não se arrancava, mesmo em terrenos de fora, pelo que a pega foi desmanchada duas vezes. Com o toiro noutros terrenos, junto ao sector 1, e após o forcado alegrar o cite, o toiro sai franco, o forcado fecha-se bem e consuma uma pega muito vistosa que põe a praça de pé.Quis o cabo, Vasco Pinto, ser ele a fechar a actuação do seu grupo. Com toda a calma e experiencia citou dando vantagens, com grupo bem lá atrás, mandou na investida do toiro, recuou e reuniu a gostou, o toiro não derrotou e consumou uma pega simples e vistosa.
Os Forcados da terra começaram com o cabo, Tiago Ribeiro a dar o exemplo, um cite de mais de meia praça, com serenidade encurtou distâncias, mas o toiro não saiu. Já com o toiro mais fora, arrancou quando o Forcado carregou a sorte, tendo as ajudas estado à altura, consumando assim a pega.Em boa hora Tiago Ribeiro escolheu Nuno Carvalho para pegar o quarto da ordem. Nuno, que só é pequeno por fora, trás dentro dele um forcadão. Citou alegre, sem exageros, o toiro arrancou de largo e entrou pelo grupo, com o forcado bem “alapado” aguentando derrotes fortes, desbaratou as ajudas, sempre com o forcado na cara, muito bem fechado a dar tempo ao grupo de se reorganizar e fechar. A ovação da tarde para este jovem com força e alma de FORCADO.Para terminar a corrida foi escalado José Broega. Bem a citar, bem a recuar, cuidando da investida do toiro, mas este já não tinha força. Quando o grupo se fechou para ajudar, o toiro caiu. Levantaram o toiro e consumou-se a pega.
Todos os artistas deram volta à arena. Nuno Carvalho deu duas voltas, a última, sozinho após António Ribeiro Telles o ter deixado no centro da praça para, também ele, o vir aplaudir da trincheira.
O Mais e o Menos

+ A pega de Nuno Carvalho dos Amadores do Aposento da Moita e a apresentação dos toiros,

+ A casa praticamente cheia de gente com muita vontade de ver toiros e o silêncio durante os cites para pegas.

- A pouca força da maioria dos toiros e comportamento de mais a menos em quase todos.

- Os excessos nos cites, nos remates e na utilização da mão direita nas rédeas por parte de alguns cavaleiros.