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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Crónica da Corrida de Beja

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Amadores de Beja triunfam em casa

Se muitos desconfiavam da antecipação da tradicional corrida de S. Lourenço de 10 para 7 de Agosto, as duvidas ficaram dissipadas com a resposta do publico, que aderiu em força e que preencheu cerca de ¾ fortes das bancadas da centenária praça de toiros José Varela Crujo em Beja.

Os toiros de Varela Crujo saíram bem apresentados, mas algo reservados, a adiantarem-se nas reuniões e a complicarem o trabalho aos seis cavaleiros em praça, e como curiosidade, todos eles a sofrerem toques nas montadas, uns com mais violência do que outros.

Os cavaleiros tiveram uma noite de muito trabalho, mas todos conseguiram dar a volta aos oponentes.

Luís Rouxinol, a deixar que as montadas fossem tocadas por diversas vezes, embora sem grande violência, mas depois de entender o toiro a lide subiu e Rouxinol voltou a deixar enorme ambiente em Beja. Terminou a actuação com o par a duas mãos e um palmito.

Vitor Ribeiro encontrou um “Crujo” que desde cedo começou a descair para tábuas, mas o cavaleiro de Almada, não se intimidou e com uma lide de entrega e de muito conhecimento dos terrenos que pisava acabou por assinar em Beja uma lide de triunfo.

Sónia Matias reaparecia em Beja depois da colhida que sofreu em Maio, voltou a apanhar alguns sustos com toiro que se adiantava nas reuniões, mas também ela não se intimidou e deu a volta por cima.

“Mia” Brito Paes, também começou por sofrer dois toques na montada, também cresceu e nas bandarilhas a montar o “Vinhas” chegou ao público com os ferros em sortes cambiadas.

Duarte Pinto, um cavaleiro que está a realizar uma grande temporada, andou recto para o toiro, a deixar os ferros ao estribo e foi uma agradável surpresa para quem ainda não o tinha visto tourear.

Fechou a corrida Tiago Carreiras, que como todos os seus colegas de cartel começou por sentir dificuldades em entender o toiro, mas acabou por resolver os problemas com ferros a surpreender o toiro, depois de uma passagem em falso, virava para dentro e deixava o ferro. Não utilizou nesta noite o “Quirino” para descontentamento dos aficionados bejenses.

Nas pegas noite dura para os forcados, onde os amadores de Alcochete que regressavam a Beja passado 13 anos foram quem mais sofreu na pele a dureza das investidas dos toiros. Abriu praça o experiente José Miguel Barbosa “Vinagre” que apenas à 4.ª tentativa e a sesgo conseguiu consumar a pega. O segundo que saiu em sorte para os Amadores de Alcochete foi pegado por Joaquim Quintela, à terceira tentativa e finalmente a fechar a noite, o cabo Vasco Pinto frente ao mais complicado da corrida também à terceira, e a sesgo com ajudas carregadas. Nota neste grupo para o primeiro ajuda João Angelo Rei, que é um verdadeiro exemplo de forcado amador, que esteve muito valente e sempre com a mesma vontade nas dez tentativas do grupo. Olé João Angelo!!!

Os Amadores de Beja tiveram uma noite de triunfo onde o destaque maior vai para a coesão das ajudas. Abriu praça o experiente Ricardo Soares numa pega toda ela perfeita, com o forcado a marcar todos os momentos da pega com eficiência, a encher a cara ao toiro e com o grupo a fechar bem. O segundo foi pegado por Hugo Santana “Moldavo”, o chamado “pega bombas” deste grupo que se fechou com decisão também à primeira tentativa. No último da noite Ricardo Castilho realizou duas tentativas, na primeira faltou uma “mãozinha” nas terceiras ajudas, depois, quando o grupo se preparava para ir para mais uma tentativa, o toiro aparentemente “congestionou” e acabou por cair fulminado para o lado.

Dirigiu a corrida acertadamente e com critério o delegado técnico tauromáquico Agostinho Borges.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Corrida da Nazaré pelos olhos de um 'não-crítico'

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Manuel Cunha Calado, mais conhecido por Manelito Caracol, autor do blogue com o mesmo nome, foi à corrida do passado dia 16 de Julho na Nazaré e escreveu especialmente para o Naturales a sua visão da corrida.

Numa altura em que críticos críticam críticos, o Naturales apresenta o primeiro NÃO-CRÍTICO!!! Imperdível...uma 'crónica' sem dúvida diferente, mas muito genuína...

Do alto da bancada, na última das filas, uma senhora embrulhada num xaile comentava com uma outra que a ladeava.
Olha-me aqueles, ali à chuva. Devem ter o rabo gelado.
Eu, que apenas a ouvi, não pude deixar de esboçar um sorriso quando me lembrei que “aqueles ali à chuva” tinham pago sessenta euros por um bilhete na barreira, enquanto as ditas senhoras se mantiveram quentes e secas com uns míseros dez tostões. Eu ainda vi jeitos delas se levantarem, acenarem com os bilhetes de dez euros e começarem ali aos gritos, chamando os ensopados espectadores da barreira…
Bem, verdade seja dita que a chuva também não era assim uma chuva tão intensa. Era uma chuvinha, vá. Miudinha. Coisinha pouca. Daquela a que a minha avó chama de chuva-molha-parvos. E eu, Deus me livre contradizer a minha avó.
Começava assim a corrida de abertura da temporada na Nazaré. Casa a três quartos, ou se calhar só a metade. Ou se calhar, talvez, só um terço. Ou então menos ainda. Já nada sei. Maldito nevoeiro, que me impede de ser rigoroso.
Anunciado durante semanas, coube à família Ribeiro Telles fazer as honras de estreia, daquela que seria também a primeira corrida da empresa do Campo Pequeno na castiça (gelada, chuvosa e desagradável) praça do Sítio da Nazaré.
Eu costumo olhar para a família Ribeiro Telles com a mesma desconfiança com que olho para a família Malhoa. Sempre me pareceu estranha essa passagem genética de dons e atributos artísticos. Ou se calhar até nem há dons nem atributos nenhuns (excluindo a Ana Malhoa cujos atributos já todos nós vimos esparramados em revistas picantes). Cá para mim há apenas um sobrenome. Malhoa. Ribeiro Telles. E assim está meio caminho andado.
António Ribeiro Telles apanhou o 43 (Santa Maria - Nazaré) com um peso equivalente a dois concorrentes do Peso Pesado (580 kg). Como de lides percebo pouco ou nada, deixem-me ir ali copiar um parágrafo de uma crónica de uma outra corrida, escrita por um entendido. Copy. Paste: um toiro bonito e com muito bom tipo, mas que foi manso e com muitas querenças em tábuas. Os ferros compridos foram cravados de forma regular; nos curtos o entendimento entre e toiro e cavaleiro foi quase nulo. (copiado). Serve como uma luva.
Bem sei que se trata de uma afronta, copiar excertos de crónicas de outras corridas e fazê-las passar por esta, mas eu não engano ninguém. Se quiserem culpar alguém, culpem o toiro. Aliás, para ser mais sincero ainda, os entendidos passam a vida a escrever a mesma coisa. Para quê então perder tempo a adjectivar? O António é um mestre, já toda a gente sabe.
Melhor sorte teve no seu segundo. Pelo menos a julgar para reacção do público que a determinado momento se levantou em aplausos e em pedidos de mais ferros. Mais um! Mais um! E venha de lá esse encore com um palmo de tamanho.
Manuel Telles Bastos pôde comprovar aquilo que todos sabem mas que ninguém admite. Existem toiros de morte em Portugal, e não só em Barrancos. Então se não está morto, o que está a fazer aquele toiro parado, ali no meio da praça? Bom seria se algum entendido da festa inventasse um sistema de entrada e reentrada do toiro em praça, uma vez que a bravura dos mesmos se esfuma em poucos minutos. Quando sai dos curros parece que vai matar cinquenta. Passados três minutos, está pronto para se estender, aninhado em algum bandarilheiro, com uma mantinha pelas patas, a olhar para o maluco em cima do cavalo. Ele goza. Basta olhar para a cara do toiro para se perceber que ele faz aquilo de propósito.
Inventem então um sistema em que o toiro recolhe aos curros de três em três minutos. Isso é que era de valor. Sai. Entra. Entra. Sai. Entra. Sai. Sempre pronto para matar cinquenta. E para ser ainda mais emocionante, até poderiam fazer várias saídas, só para acrescentar aquele factor surpresa determinante. De onde é que esse-filho-de-uma-égua vai sair agora?
Com o meu Ipad completamente embaciado pela cacimba que caía, tornou-se quase impossível tomar notas. A barreira estava deserta e as senhoras da fila oito mais quentinhas do que nunca, ladeadas, finalmente, pelos senhores dos bilhetes caros. O director de corrida era abrigado por um chapéu-de-chuva empunhado pelo veterinário e atrás deles, completamente encharcado, sem qualquer tipo de clemência, o mestre do trompete continuava imóvel, tentando abrigar o instrumento por debaixo das luvas brancas. Hoje aquele trompete não deve ser mais do uma peça de metal enferrujado. Devia ter seguido o exemplo dos retratistas, e ter envolvido o aparelho em sacos de plástico transparente num requinte técnico que só visto. Para completar a cena, triste por si só, até o vendedor da cervejinha fresquinha deixou cair o estaminé, espalhando os produtos num raio de cinco quilómetros. A festa estava ao rubro.
Só João Ribeiro Telles Jr. conseguiu animar o público. Animar é o verbo e fica-se por esse verbo. Não sei como ele conseguiu, não sei como ele deu a volta, mas se houve alguém que levantou bancadas, foi ele. Os toiros eram do mesmo trapio. Fraquinhos, fraquinhos, mansinhos, mansinhos, mas ele conseguiu inventar o inventável (eu também inventei a palavra inventável, pois claro). O que é que se faz quando a coisa não nos está a correr bem? Disfarçamos e fazemos de conta que temos ali toiro para a guerra.
A empolgação foi tão grande que, num ataque declarado de guerrilha, no momento em que segurava num ferro, quase que tirou um olho a um seu bandarilheiro que se encontrava junto às tábuas. E logo agora que até já se usam os ferros de segurança, seria uma tragédia. Uma tragédia digna de capa daquelas publicações sensacionalistas da festa brava. Ó pra eles mortinhos por publicar.
O Jovem cavaleiro deu ao público aquilo que o público quer ver. Violinos, ferros de palmo, pares de bandarilhas, em pouco mais de trinta segundos. Se a coisa foi bem metida, se o fez com intenção e mestria, isso já não sei. Eu estava demasiado ocupado a limpar o Ipad com a manga do casaco.
Durante o intervalo teve lugar nos corredores da praça, uma homenagem ao grande Mestre David Ribeiro Telles, que apesar de baixinho, se apresenta e apresentará sempre como grande Figura do mundo do toureio.
Com a chuva-molha-parvos a não dar tréguas, poucas pessoas se moveram do seu lugar. Aliás, muitas nem sequer se aperceberam de que a homenagem estava a acorrer no interior da praça. Prova disso foi quando regressei ao meu lugar e a senhora do xaile me perguntou o que se tinha passado. Disse-lhe que haviam homenageado David Ribeiro Telles naquela praça, oferecendo-lhe uma placa.
A senhora franziu o sobrolho e acrescentou: “Uma placa?! Placa, placa?! (apontando para os dentes). Não! - Digo-lhe eu. É uma lápide!
Uma lápide? Já?! Então mas o homem ainda nem… – E assim continuou. (E o meu bom senso não me permite que aqui transcreva as palavras seguintes da senhora).
Nas pegas assistiu-se a uma noite sem grandes dificuldades.
João Gois, do Grupo de Forcados Amadores de Santarém, sem espinhas, fechou-se e pegou à primeira. Não foi uma pega bonita, mas culpem o toiro por isso. Quem não imaginava a dificuldade que teria, foi o António Imaginário (piada de fino trato, baseada num trocadilho barato, adquirido através do visionamento exaustivo do Fernando Mendes no preço certo). À primeira o toiro não o viu. À Segunda foi ele que não viu o toiro. Consegue à terceira tentativa. O último membro do grupo de Santarém, João-qualquer-coisa-terminada-em-eiro (culpem o microfone pelo lapso), desempenhou aquela que foi, talvez, a pega mais rápida de todos os tempos. Bastaram quatro segundos para que o manso avançasse e o outro o abraçasse.
Quanto ao grupo de Coruche, abriu a noite Pedro Galamba, que teve uma forma curiosa de se posicionar no momento da reunião, ficando uma perna por cima da cara do toiro, muito à rodeo de Texas-ville. No entanto, com a ajuda, conseguiu concretizar à primeira. Seguiu-se Alberto Timóteo, que, embora o tenha conseguido apenas na segunda tentativa, fez com que o público manifestasse o seu agrado, o que é um risco tremendo, não vão eles acordar o toiro. Finalmente, Luís-qualquer-coisa-terminada-em-alo (voltem a culpar o microfone pelo lapso), conseguiu pegar à primeira com menos dificuldade do que arranjar lugar para estacionar o carro no Sítio, em dia de corrida.
A festa foi cinzenta, sim. Fria, sim. Sem gracinha praticamente nenhuma, sim. Pobrezinha que deu dó, sim. Mas as senhoras dos bilhetes de dez euros não se queixaram. O veterinário e o director de corrida, debaixo do chapéu-de-chuva, também não. Já o mestre do trompete, bem, esse é que não deve estar para brincadeiras…
E pronto. Assim se passou. Foi a minha primeira vez no mundo da escrita sobre a festa brava. Todos nós sabemos que não há vez como a primeira e estou certo de que em breve serei uma Figura no mundo da escrita tauromáquica.
Uma figurinha triste, mas uma Figura.

Manelito Caracol

domingo, 17 de julho de 2011

Crónica Campo Pequeno - 14 de Julho


FECHADA PARA MANUTENÇÃO

Há muito que ela dava sinais de si. A chave andava perdida, as dobradiças soltas não lhe sustinham o trinco e bastava um suspiro mais profundo para que abrisse as suas ‘asas’ a quem a quisesse cruzar.

Desde o dia em que ‘nasceu’ que a sua sina a confinava a ser problemática. Mas isso…mudou! Por incrível que pareça, a Porta Grande esta semana não abriu. Apareceu finalmente alguém que a meteu no seu lugar – manutenção. Até quando lá vai ficar? Isso depende da cabeça de cada um… ou de uma alteração do regulamento que a ‘comanda’.

Obviamente que a existência desta Porta no Campo Pequeno, pretende distinguir as actuações dos artistas, já que em Portugal, a ausência da corrida integral, impede o corte de troféus como por exemplo na Espanha, sendo por cá a palminha e as banais, exageradas e por vezes aborrecidas voltas à arena, o ‘troféu’ da praxe. Dirá alguém “ah mas lá fora, em muita praça, algumas das actuações vistas no Campo Pequeno seriam dignas de duas orelhas e saída em ombros”. Pois muito certo, mas a grande diferença entre a ‘nossa’ Porta Grande e as orelhas e rabo e saídas em ombros lá fora, é que o Campo Pequeno é a primeira praça do país! Daí, deveria ser mais exigente na concessão de tal feito. Mas como a maioria do público que vai à Praça desconhece o regulamento interno que dita “4 voltas – Porta Grande” e por tudo e por nada há palmas, então é ver a Porta tornar-se pequena de mérito…mas grande de largura, pois tem cabido lá tudo.

Da Corrida de Toiros da passada quinta-feira, no Campo Pequeno, o mais óbvio foi que toiros, não houve! Mansos, desencastados, a grande maioria sem cara (salvo o primeiro e o quinto), pouca ou nenhuma transmissão, os Vinhas condicionaram muito o espectáculo. E podem-se fazer omeletas sem ovos? Se calhar pode, mas não saberá de todo a omeleta.

No fundo, ‘omeletas sensaboronas’ é o que não tem faltado por aí. Sem toiros bravos no verdadeiro conceito da palavra, mas sim um gado bovino ‘telecomandado’, temos assistido nas nossas praças a muitos números que não toureio. Pior, é quando até há quem queira tourear, mas que sem toiros não o possa fazer.

João Moura abriu funções numa corrida que do princípio ao fim ficou pautada pela falta de encaste do curro. Perante um primeiro toiro, com 550 kg, o cavaleiro de Monforte, que na minha opinião este ano tem pautado por um toureio de menos exageros e mais frontalidade, pôs em evidência o que os seus 33 anos de alternativa lhe sustentam. Andou bem desde a preparação à cravagem dos ferros, valendo-se dos ladeios com que rematou as sortes para fixar o toiro na montada. Mas não foi fácil, com a rês cedo a procurar as tábuas Moura não teve provavelmente a actuação desejada. Mas só para terem noção do quão mal andamos nas nossas praças, depois do melhor ferro de João Moura nesta sua actuação, a ovação do público soou mais vibrante e eufórica…quando o animal, devido ao estado do piso, caiu na arena. No segundo toiro do seu lote, com 588 kg, Moura voltou a não ver brilho na sua actuação com mais um animal que nada transmitiu. Sofreu alguns toques iniciais na montada, com a rês a adiantar-se. Depois começou por citar de tábuas, aguentando mas ao consentir demais na abertura do quarteio, a ferragem resultava pescada. Terminou com dois palmitos que não acrescentaram nada à lide.

Rui Fernandes foi a Lisboa moralizado e deu lição de moral a muitos. O seu primeiro toiro, sem cara, com 540 kg, saiu com pata e foi recebido com boa brega. Andou desacertado nos compridos, com um segundo ferro traseiro. Nos curtos a actuação foi assente em quiebros, que pos vezes por serem muito acentuados e expor tanto para fora o toiro, resultavam desajustados, mas a intensidade com que marcava o quiebro e os ladeios e recortes com que rematava, colmatavam a falta de som do animal, levantando as bancadas em euforia. No seu segundo toiro, com 546 kg, bonito, esperou-o à porta gaiola. Rematou o primeiro curto com piruetas na cara da rês que deliciaram as bancadas, mas deixou-se apanhar e ainda sofreu forte toque contra as tábuas. Cedo o toiro se desligou do que fazia o cavaleiro, fechando-se em tábuas. E tudo se passou a basear em quiebros, remates ‘floridos’ e um animal parado. Já no final da actuação, Rui Fernandes teve então o mérito de partindo de tábuas, aguentar, entrar pelos terrenos do animal, realizar um quiebro com batida pronunciada e cravar certeiro para delírio dos ¾ de casa presentes. Não foram duas lides perfeitas, que não foram. Mas foram duas actuações válidas para um cavaleiro que precisa de romper e se afirmar de vez como Figura em Portugal. Mas principalmente, Rui Fernandes foi a Lisboa triunfar para aficionados e não para uma Porta cujo valor há muito que já lá vai, quando tantas passagens pela mesma, a tornaram demasiado vulgar. O cavaleiro, ainda que muito ‘requisitado’ pelas ovações para as segundas voltas, não o fez. É preciso ter-se muita humildade para não se deixar ‘comprar’ por uma Porta Aberta só porque as palminhas pedem. Ter real noção do que se fez na arena, é o 1º passo para se ser Figura…

Tiago Carreiras tinha o peso de partilhar cartel com duas figuras. E isso notou-se um bocado. No seu primeiro toiro, com 560 kg, avacado, não convenceu. Se na brega parecia que levava o toiro por um cordelinho atrás do cavalo, as passagens em falso, o facto de cravar mesmo sem ter o toiro enquadrado na sorte, a precipitação que levou a ferro falhado, o desajuste na cravagem dos ferros, fez com que pouco sobressaísse nesta actuação. No seu segundo, com 590 kg, tentou valer-se do Quirino para convencer. Mas a verdade é que até o Quirino já não é que era. A prova foi quando no momento de ir à cara do toiro para o primeiro curto, o cavalo foge para o piton contrário. Depois lá se recompôs, aliviando-se na ferragem, o terceiro curto ‘traseiríssimo’, fazendo-se luzir nos recortes e ladeios com o Quirino, mas como também não havia toiro para isso, a ‘emoção’ transmitida foi pouca.

Para as pegas veio o distrito de Portalegre a Lisboa, encher as bancadas e dar ambiente de festa a uma noite insonsa. Pelo Grupo de Portalegre foram caras o novo cabo, Ricardo Almeida que quase viu a pega ser desfeita, mas aguentou e consumou ao primeiro intento; Nelson Nabiça que se ‘atirou’ ao toiro e de lá não saiu, aguentando-se muito bem também à primeira. Pelos de Alter, pegou Diogo Bilé à primeira sem problemas; e Elias Santos ao primeiro intento a consumar com o grupo coeso nas ajudas. Pelo grupo de Monforte foram à cara do toiro Fábio Derreado, que numa primeira tentativa o toiro colocou alta a cara e o forcado saiu, tendo consumado ao segundo intento com o primeiro ajuda muito em cima do forcado da cara no momento da reunião; e Rui Espiguinha à primeira, com o toiro a arrancar pronto ao cite, também metendo a cara alta mas com o forcado a aguentar.

Dirigiu sem problemas o sr. Lourenço Luziu, assessorado pelo veterinário Moreira da Silva, numa corrida onde faltou toiro e houve inteligência. Ainda contam anedotas de loiras…

Concurso de Pegas e Preços mais Baixos - dia 28 em Lisboa

No dia 28 de Julho no Campo Pequeno realizar-se-á uma Corrida de Toiros com o grande atractivo de ser Concurso de Pegas.

A ocasião servirá este ano também para uma homenagem à figura do forcado, que ficará assinalada pelo descerramento de uma lápide alusiva, nos corredores da praça de toiros.

Para disputa do prémio à ”Melhor Pega” estarão em praça os grupos de forcados amadores de Santarém, Montemor e Lisboa, capitaneados respectivamente por Diogo Sepúlveda, José Maria Cortes e Pedro Maria Gomes, perante um curro com peso e trapío de ganadaria Veiga Teixeira.

Os cavaleiros que irão actuar nessa noite serão Vítor Ribeiro, Manuel Lupi e o praticante João Salgueiro da Costa que surge nesta corrida por ter triunfado no dia 2 de Junho, no Campo Pequeno. Os preços dos bilhetes para esta corrida e para as de 4 e 11 de Agosto será 15 por cento abaixo da tabela normal, por se inserirem na habitual promoção de Verão.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Opinião



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“A verdade é como o Sol. Podemos esconder-nos dela por momentos, mas ela não desaparece”

Foi ontem dada à estampa, no blogue do 'jornal farpas', uma notícia dando conta que serei processada pelo cavaleiro Francisco Palha devido à análise que fiz da corrida de 30 de Junho, no Campo Pequeno.

Tenho dúvidas que essa notícia tenha algum fundamento.

Primeiro, porque é publicada num jornal que é conhecido e reconhecido por procurar o escândalo e a intriga ao invés de se preocupar em dizer a verdade.

Segundo, porque custa-me a crer que um toureiro queira calar alguém que se limitou a descrever o que viu. Ainda assim, e depois do que li nos últimos dias, se calhar devo é ter-me por sortuda por não ter sido alvo de ameaças físicas e de insultos directos. Infelizmente outros não tiveram a mesma sorte...

Enfim, a confirmar-se o teor da notícia, só posso é lamentar que os intervenientes da Festa não aceitem críticas, opiniões e, sobretudo, que não percebam que esta imprensa taurina, aquela que se confunde com uma agência publicitária, só os prejudica. Sim, porque quando só se fala de quem paga, e quando todos são óptimos, ninguém sobressai e não é dado qualquer valor a quem verdadeiramente triunfa!

Mas, na verdade, dou largas à pena por outro motivo:

Faz, no próximo dia 15 de Agosto, 10 anos que comecei a escrever sobre toiros. Fi-lo porque a Festa de Toiros era para mim a maior das paixões. Passava os dias e as noites a ver e a pensar em Toiros, ao ponto de tanta vez chorar porque os meus pais não me queriam levar às corridas. Achava eu, que este era um mundo intocável, onde só os eleitos conseguiriam entrar e eu, contentava-me com pormenores, como por exemplo, ter tirado uma fotografia com a camioneta de cavalos do meu ídolo da altura, o que para mim significou quase como ter ganho uma medalha. Ou o facto de um dia, alguém que na altura para mim já era um ‘herói’ deste meio - hoje é bem mais que um simples herói - me ter dado uma senha de trincheira que ele usara numa corrida e eu, ainda que aquilo mais não passasse de um simples autocolante que nem a mim tinha pertencido, guardei a senha até aos dias de hoje, como se de um tesouro se tratasse.

Para mim, tudo na Festa tinha encanto, sendo a maior das artes e o espaço onde, como disse Hemingway, ‘os homens revelam o que de melhor levam dentro’.

Nesse dia 15 de Agosto de 2001, prometi também a mim mesma que iria ser sempre fiel à minha paixão e que a Festa seria, sempre, a minha única preocupação.

Volvidos estes 10 anos, depois de tanta trica e intriga alguma coisa tinha de mudar… E não posso esconder que o que se tem passado nos últimos dias me enche de tristeza…

Mas engana-se quem pensa que me deixo vencer por aqueles a quem incomodo… Ao fim destes 10 anos a minha paixão pelos Toiros continua tão viva como no primeiro dia em que escrevi uma crónica!

Hoje percebo, é que este mundillo é um mundo de falsidades, de hipocrisias, de favores e de compadrios. Mas percebo também que há quem, como eu, ame a Festa e a queira eterna! Hoje percebo que há muita gente que tem medo de dizer o que pensa, de contar o que vê, de ser verdadeiro. Mas percebo também que há quem, como eu, prefira a Verdade, mesmo que isso traga problemas, processos em tribunal ou ameaças físicas. Hoje percebo que a Festa está de rastos. Mas percebo também que há quem, como eu, não se conforme com esse estado e esteja a dar tudo de si para o mudar. Hoje percebo que há muita gente que prefere ceder ao compadrio, à chantagem, à ameaça, à pressão. Mas percebo também que há quem, como eu, não se deixa abater. Hoje percebo que muitos, assim que têm que assumir uma posição que não agrada a todos, fogem. Mas percebo também que há quem, como eu, esteja cá para assumir e para apoiar quem tenta enfrentar alguns interesses instalados.

Com efeito, passados estes 10 anos, percebo que muito está mal, mas percebo também que continuo apaixonada pela Festa como estava há 10 anos e percebo que não estou sozinha! Porque há cada vez mais pessoas que também mantêm a sua paixão, e que essa paixão é genuína, desinteressada e verdadeira! E é comum! E hoje, mais do nunca, a Festa precisa de gente amiga, apaixonada, desinteressada e verdadeira!

Posso não saber muito de toiros, e não sei. Posso enganar-me às vezes nas análises que faço, e engano. Posso até às vezes ser injusta, e já fui. Mas o que nunca fui nem serei é uma vendida! Ao contrário de outras pessoas e de outros sites, o Naturales não recebe um único tostão de um único toureiro, empresário, forcado ou apoderado. E as pessoas do Naturales não são pagas para escrever nem andam a mendigar publicidade, bilhetes, almoços, jantares ou férias. E muito menos ameaçam quem não lhes faz a vontade com publicidade negativa.

E é por isto que o Naturales e as pessoas que o compõem se podem dar ao luxo de escrever as verdades, de dizer o que pensam e de falar, por igual, de todos os intervenientes da Festa.

E podem ameaçar-nos, podem boicotar-nos, podem insultar-nos, podem processar-nos, podem fazer o que quiserem mas, isso não vai mudar nunca!

Aqui, sempre se defendeu e vai continuar a defender a Festa de Toiros! Mas não a festa do mundillo, não a festa do triunfo comprado da figura A, B ou C. Aqui defender-se-á sempre a Festa da Verdade, a Festa de Hemingway, de Orson Wells, de Picasso, de Llorca, e de tantos outros poetas, músicos, pintores, cineastas e ainda mais aficionados anónimos para quem o Toiro de Lide é o animal mais belo do Mundo!

Como Oscar Wilde disse, “quem diz a verdade pode estar certo de que mais tarde ou mais cedo será descoberto”. Pois bem, com ou sem processo em tribunal, com ou sem ameaças, com ou sem reconhecimento dos nossos pares, o Naturales cá está e estará para ser descoberto e para ajudar a descobrir a verdadeira Festa dos Toiros e para a partilhar com todos aqueles que, como nós, amam esta Arte!

Patrícia Sardinha

domingo, 12 de junho de 2011

Crónica da corrida de Santarém da alternativa de Tomás Pinto


Tomás Pinto já é cavaleiro de Alternativa

Foi em Santarém, no dia 10 de Junho de 2011, tendo por padrinho de alternativa o seu tio Emídio Pinto e como testemunhas João Moura e Diego Ventura; lidou um exemplar da ganadaria de Cortes Moura com o nome de Huracan, no costado o nº 58, negro de capa e com o peso de 580 kg. Tomás Pinto recebeu o novilho na porta dos sustos, cravou dois compridos de praça a praça e quatro curtos de boa nota, com destaque para o quarto, rematando a lide com um violino e um palmo, mostrou bons pormenores toureiros. Alternativa muito conseguida para este novo cavaleiro.

6 Novilhos Telecomandados

Estavam bem apresentados os novilhos de Cortes Moura e eram novilhos, porque na espádua tinham o 8, ou seja, nasceram em 2008 logo com 3 anos, e pesaram entre os 575 kg e os 620 kg. Mas para serem bravos não podem só parecer, têm mesmo que ser e o que se viu em Santarém foi de uma falta de casta assustadora. Os animais pareciam telecomandados, acometiam a passo, investiam com medo, paravam quando o cavalo parava, procuravam tábuas e quase todos demonstraram falta de força. Podem dizer alguns: “os ideais para o toureio moderno”, se calhar sim, mas se calhar não, digo eu e mais alguns, graças a Deus!

O toiro bravo tem que ter vários condimentos para dar espectáculo: mobilidade; serem fixos; acomotividade; investidas, tanto aos cavalos, como aos capotes e forcados; fereza; nobreza; força; transmissão; e crescerem durante a lide. Pois disto pouco ou nada se viu ontem, e assim não pode ser.Quando falta o toiro, falta tudo e se falta tudo, também faltam os triunfos. Não me venham depois dizer que A esteve bem ou B esteve soberbo e C esteve sublime; com tourinhas destas ninguém está bem, ninguém triunfa o públíco sai saturado e farto de tanta doçura. Podem dizer que se viram coisas muito bonitas, é verdade, mas faltou toiro. Podem dizer que se cravaram ferros extraordinários, é verdade, mas faltou toiro. Não há emoção, verdade, pureza, não há nada mesmo caros amigos. Qualquer dia, se isto não muda, em vez de vermos toiros numa praça vimos uma tourinha telecomandada e aí já até lhe podem dar abraços e apertos de mão!!

Senhores ganaderos, não se pode deitar tanta água ao vinho ou fazer todas as vontadinhas às “figuras”, assim damos cabo disto.

João Moura andou como peixe na água, bregou como só ele sabe fazer, ladeou a duas pistas sublimemente com o oponente a passo ou parado e cravou bons ferros em ambos os novilhos. Boa passagem de Moura por Santarém, onde há 33 anos recebeu a Alternativa.

Diego Ventura andou aliviado em ambos os novilhos, com alguns toques e muitas passagens em falso. Com oponentes destes qualquer dia tem um cavalo que dá beijos aos toiros, já faltou mais!

Tomás Pinto, como já referi, teve uma boa passagem pela capital do Ribatejo no dia da sua Alternativa e isso voltou a estar patente na sua segunda actuação.

Mas para isto ser mesmo a sério e haver grandes triunfos faltou o principal, o TOIRO.

Os novilhos não causaram dificuldades aos forcados. Pelos Amadores de Santarém foram caras Luís Sepúlveda à 1ª, João Brito, que também consumou à 1ª tentativa, e João Goes à 2ª tentativa. Por Alcochete, Joaquim Quintela, Daniel Silva e Vasco Pinto, todos ao primeiro intento.

O troféu em disputa, instituído pela Santa Casa da Misericórdia de Santarém para a melhor pega, foi ganho por Vasco Pinto, dos Amadores de Alcochete.

Estavam preenchidos ¾ da lotação da Celestino Graça.

Dirigiu sem problemas mas dando música em excesso o Sr. César Marinho.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Arte & Emoção desta semana

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No próximo Arte & Emoção, vamos até ao campo bravo alentejano, visitar a ganadaria do Eng. Luís Rocha, onde encontramos um dos toiros que no ano passado brilhou em Lisboa.

Estivemos presentes na Chamusca, onde se apresentou pela 1ª vez em praça, a Ganadaria Isidro dos Reis, numa corrida marcada pela despedida de Tiago Prestes. Vamos ainda dar-lhe conta da presença da tauromaquia na Universidade e continuaremos a desvendar termos da gíria taurina. A Praça de Toiros de Sevilha, será outro local a visitar.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Paulo d'Azambuja desliga-se de Alféola

O jovem cavaleiro Paulo d'Azambuja informou por e-mail que a relação de apoderamento que existia entre ele e o apoderado Pedro Alféloa terminou.
A decisão, segundo o cavaleiro, foi tomada de mútuo acordo e em ambiente de profundo respeito e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelo Pedro Alféloa. Paulo d'Zamabuja expressou ainda um agradecimento pela "colaboração, empenho e disposição que o Pedro teve enquanto esta relação de apoderamento durou, estou-lhe grato pelos esforços realizados e quero desejar-lhe as melhores e maiores felicidades para o seu futuro".

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Crónica Serpa - Festival Taurino

Depois de ter sido adiado por alturas da Páscoa, devido ao mau tempo, o já tradicional Festival Taurino a Favor dos Bombeiros Voluntários de Serpa finalmente teve lugar no passado dia 28 e, desta vez, tendo como finalidade específica a aquisição de um Grupo Energético de Desencarceramento. Mais uma vez se provou que os Homens dos Touros sabem sempre dizer sim às Causas Nobres.

S. Pedro que da primeira vez não teve certamente tempo de cuidar deste pormenor desta esmerou-se, compreendeu a Nobreza do Gesto e, apesar das nuvens negras que pairavam sobre o horizonte, acabou por brindar a bonita Cidade Branca da Margem Esquerda do Guadiana com uma bela tarde soalheira, uma autentica tarde de Touros.


Para lidar 5 toiros de Varela Crujo, um novilho de Passanha e outro de Ascensão Vaz apresentaram-se em praça os Cavaleiros António Ribeiro Telles, Luís Rouxinol, Tito Semedo, Brito Paes e pela primeira vez em público o jovem Luís Rouxinol Jr. . A lide apeada esteve a cargo do Maestro Vítor Mendes e do matador Espanhol Salvador Cortés. Das pegas encarregou-se um Grupo formado por Forcados Amigos de Serpa.


Iniciou a função António Telles que teve como opositor um Varela Crujo que viria a cotar-se com muito boa nota e que proporcionaria ao Ginete da Torrinha desenvolver lide a seu gosto. Recebeu-o no russo ferro Paím em que apontou dois compridos à tira. Muda de montada deixa mais dois curtos de bom nível, recreia-se na brega e nos remates e finalmente com o Veneno cita em Terra a Terra finalizando a sua actuação com mais um ferro como mandam as leis, cite ,viagem e cravagem dentro dos melhores
moldes clássicos.


Rouxinol mais uma vez soube fazer jus ao nome que ostenta recebendo, mais um Varela Crujo que não deixou os créditos da sua divisa por mãos alheias, a correr as tábuas, cravando dois bons compridos. Muda de montada e no Vinhas aponta um bom curto rematado por dentro, ladeia na cara do toiro, e no momento em que este parece crer ir a menos o Ginete soube dar-lhe a volta, encrençá-lo na montada e com a égua russa remata a sua actuação com o ferro de palmo e o par de bandarilhas que são a sua imagem de marca.


Tito Semedo parece-nos não estar no melhor momento da sua carreira, há ferros falhados, passagens em falso, hesitações, enfim, tudo situações que facilmente comprometem uma lide. A quadra também não está à altura daquilo que o Cavaleiro tem capacidade mais que suficiente para realizar.
Talvez fosse o momento indicado para parar, meditar sobre o que está bem e o que está mal, e reaparecer quando tudo estivesse no seu lugar. Um nome e uma carreira leva anos a construir, é preciso muito esforço, muito sacrifício e dedicação mas tudo se pode deitar a perder em duas ou três actuações mal conseguidas. Força Tito.


Seguidamente teve lugar a Arte de Montes a cargo, primeiramente, do Maestro Vítor Mendes a quem coube um Ascensão Vaz e que esteve, como é seu timbre, bem com o capote por Verónicas e Chiquelinas templadas e justas. No tércio de bandarilhas o Maestro, depois de apontar um bom par, cedeu ao jovem João Ferreira, que prestava provas para bandarilheiro praticante, a complementaridade do tércio. Com a muleta trasteou pela direita e por naturais, mão em baixo e com o novilho humilhar. Aqui e acolá intercalou um ou outro mulinete . Finalizou simulando a estocada.


Para Salvador Cortés veio um Varela Crujo que o diestro aproveitou até a exaustão. Com capote toureou essencialmente por Verónicas . O tércio de bandarilhas foi preenchido pelo aspirante a bandarilheiro Miguel Murtinho. Com muleta esteve correcto igualmente em passes pela direita e esquerda, faz o pêndulo e remata simulando a estocada.


Voltámos de novo à Arte de Marialva com Brito Paes para quem sai um Colorao também Varela Crujo que o Ginete recebeu no Violino com ferro Ascensão Vaz e em que deixou dois compridos de boa nota. Nos curtos esteve mais irregular primeiro montando um Vinhas e melhorando um pouco a sua prestação depois de voltar a mudar de montada.


Para o jovem Rouxinol Jr. saiu pela porta dos sustos um novilho Passanha codicioso, a arrancar-se de largo e que permitiu à novel promessa de Pegões brilhar logo nos compridos montando o experiente Dólar. Muda de montada exibe sentido de lide, aponta ferros de boa nota e remata com um palmito entre tábuas. Temos toureiro.


Pelos Homens da Jaqueta de Ramagens estiveram na cara João Galamba do Grupo de Lisboa à terceira fechando-se à barbela, Xavier Cortegano de Moura de primeira, Luís de Camões de Cascais, também em boa pega à córnea, Miguel Sampaio do Grupo de Beja à terceira e finalmente Francisco Sampaio do mesmo Grupo de primeira.


Estava em disputa um prémio para a melhor pega que foi atribuído pelo Júri a Luís de Camões.
Dirigiu a corrida o Senhor Agostinho Borges assessorado na parte técnica pelo Dr. José Guerra.

domingo, 29 de maio de 2011

Crónica Concurso de Ganadarias

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Eu não sei que falta em Évora...

Já não é a primeira vez que começo uma crónica, como hoje vou começar esta. Mas a verdade é que fazer crónicas de corridas televisionadas é muito comprometedor. A grande maioria dos aficionados viu a corrida pela televisão e, apesar de muitas vezes, a caixinha mágica só mostrar o que lhes interessa, cada um pode tirar as ilações que quiser, obviamente condicionado pelas imagens e comentários. Mas para os que não tenham podido assistir à corrida via televisão e façam fé daquilo que escrevo, atrevo-me a mais um artigo de opinião sobre o que foi o 52º Concurso de Ganadarias.

O facto de ser hoje aficionada, mais não é que resultado de uma vivência num ambiente onde Corridas de Toiros, eram algo tão natural e habitual, como comer é necessário para sobreviver. Diria até que, cresci a viver tão intensamente a Tauromaquia, que creio não poder mesmo viver sem o toureio.

Desde que me recordo como aficionada, que há uma série de datas tradicionais que marcam a minha ‘formação’, duas delas passavam-se em Évora: o Concurso de Ganadarias e a Corrida de S. Pedro. Eram corridas que raramente não enchiam por completo, com os preços de bilheteira mais caros aqui da região, cartéis quase únicos e tudo isto, numa praça que nos últimos anos era…desconfortável.

Foi recuperada a praça em 2007. Totalmente remodelada, adaptada aos tempos modernos. São esses mesmos tempos, que por variados factores, lhe têm vindo a roubar história e vida, a essa que hoje carrega o nome de Arena d’Évora, e que parece talhada ao título de Catedral do Forcado.

Verdade seja dita que o que se passa na Arena d’Évora, passa-se também noutras praças. Pouca afluência de público, reflexo de uma crise económica. Mas sinceramente, não pode ser só isso. Perdeu-se afición em Évora? Não creio. Pelo contrário, em Évora desacreditou-se do mau toureio. Não se come gato por lebre, nem admitem areia nos olhos com os triunfos de ‘loja dos trezentos’, que se vão vendo neste nosso Portugalzinho das ‘toiradas’, e que em tantas outras praças são tidos como tardes e noites de glória.

Pena é, que em Évora o desagrado pelo toureio de pouca qualidade se manifeste pela ausência de público, e não em praça, protestando in loco contra o que haja de pouco interesse. A Arena d’Évora merecia assim um voto de confiança por parte dos aficionados.

Ser o 52º Concurso de Ganadarias já era por si um marco histórico. É o concurso mais antigo e dos que sempre foi tido como de maior prestigio. Mas a partir do momento em que as corridas de toiros, passam a ser vistas como algo comercial e não como algo que se ama e que eu considero um espectáculo de ‘arte’, o prestígio desce de patamar. E digo isto, desta vez não para criticar toureio…mas sim, o toiro. O Toiro de Lide, principal figura da Festa. A matéria-prima que tanto tem sido lapidada e moldada ao longo dos anos, ganhando em ‘manipulação’, o que perdeu em pureza. É que na grande maioria, os toiros hoje em dia não são ‘produzidos’ para serem lidados, mas sim para serem vendidos.

No 52º Concurso de Ganadarias, onde se avalia Bravura e Apresentação, estavam representados toiros de seis das ganadarias que mais se têm distinguido no nosso país. E sabendo de antemão que bravura não se adivinha, pelo menos em apresentação, para um concurso deste nível, podia ter havido mais brio. Desde bizcos, avacados, sobreros de outras corridas…um pouco de tudo havia. Mas se pensarmos em tanto do que se vê noutras praças…

Há quem possa achar que esteja a ser dura e exigente, mas porque não hei-de exigir qualidade na Tauromaquia em Portugal? Mas vamos resumidamente aos factos.

O toiro de Palha, com 610 kg, tinha em peso o que não tinha em cara. Mas cumpria na apresentação e isso valeu-lhe o troféu. Tocou em sorte a João Moura que o recebeu com boa brega e lhe administrou uma lide ao seu estilo, que resultou bem conseguida, aproveitando-se de um toiro, que ainda que pouco codicioso, foi colaborador. No entanto a actuação ecoou fria nas bancadas.

O toiro de Fernandes de Castro, com 555 kg, foi esperado por Vítor Ribeiro à porta gaiola. De cara alta, avacado, demonstrou-se inicialmente desinteressado, mas foi crescendo conforme o cavaleiro se foi arrimando, com quiebros acentuados na cara do toiro. Houve disposição por parte do cavaleiro que fez soar as primeiras ovações fortes da noite.

O Murteira Grave, com 550 kg, tinha sentido, e o ‘bailarico’ que por vezes se vê tanto na trincheira como nas bancadas, aguçava ainda mais essa característica. Notou-se que humilhava bem no capote do peão de brega, mas foi mais reservado ao cavalo. Marcos Tenório optou por uma actuação mais de adorno, estando já ao terceiro curto a tentar cravar um ferro violino, que no entanto resultou sem sucesso. Destaco o segundo curto, de frente e com poder. Culmina com o par de bandarilhas, herança por parte do pai, que o público já se vai habituando a exigir-lhe.

O toiro de Passanha, com 606 kg, córnea aberta, foi nobre e não trazia consigo grandes complicações para ser lidado. Moura é que, talvez certo de mais confiança nesta rês, acabou por complicar. A começar pelo primeiro curto, cravado (espetado) tal qual uma seta, e a resultar na…barriga do toiro. Bem o terceiro ferro curto, de alto a baixo. E depois de adornar com dois palmitos, insiste, já ‘avisado’, em ladeios que já não acrescentavam nada à lide... e o público protestou.

O toiro de Pégoras, bonito,estava no tipo da ganadaria, castanho, com 560 kg, e foi logo recebido com ferro à porta gaiola por Vítor Ribeiro. Adiantava-se ligeiramente à montada, mas o cavaleiro voltou a ter uma actuação de arrimo, aguentando as investidas e indo acima do toiro para cravar. Ainda que nem sempre a ferragem resultasse regular.

O Canas Vigouroux foi talvez o animal mais completo. Nem tão bem apresentado, nem tão bravo, mas o que reunia mais equilibrado as duas características. Pesou 500 kg e foi um toiro que podia ter mais para sacar. Pena o ter descaído duas vezes para tábuas. Marcos começou por apostar num toureio mais frontal e mais pensado e deixou bem três ferros curtos. Borrou a pintura quando no ‘toureio de adorno’, com um palmito de violino, que só conseguiu deixar à terceira tentativa. Voltou a encerrar função com um par de bandarilhas. Este toiro foi premiado com o Prémio Bravura.

No que tocou às pegas, pelo Grupo de Évora abriu funções o cabo, Bernardo Patinhas que pegou à primeira sem problemas; António Alfacinha à segunda com as ajudas muito carregadas depois de um forte derrote no primeiro intento; e Manuel Rovisco à terceira, também já com muita ajuda. Pelo grupo dos Amadores de Alcochete foram à cara dos toiros, Fernando Quintela que consumou à primeira; João Pedro de Sousa também ao primeiro intento, consumando a melhor pega da noite, e que lhe valeu o troféu por isso mesmo, onde a coesão do grupo e a preciosa função do primeiro ajuda foram indispensáveis; e o cabo Vasco Pinto à segunda, depois de um primeiro intento em que quase ficou debaixo do toiro e ainda se temeu o pior, quando o forcado se levanta e trazia uma bandarilha cravada na jaqueta (tanto se fala em ‘proteger’ a figura do Forcado, mas depois, pouco ou nada se faz).

Faço ainda dois reparos que aos telespectadores passaram ao lado. Um negativo, e ainda hoje me pergunto, porque só entrou público na praça, dez minutos antes da corrida ter início? E outro positivo, antes e durante o intervalo, demonstração de toureio de salão por parte dos alunos da escola José Falcão. Finalmente toureio a pé em Évora…como nos bons velhos tempos e dos quais não tenho mesmo memória, nem vida, mas que reza a História, a existência de toureio a pé na praça de Évora.

Dirigiu sem problemas o sr. Agostinho Borges, assessorado pelo veterinário Matias Guilherme, numa corrida que apesar de ter resultado agradável, ficou marcada pela ausência de público, e onde faltou um pouco mais dos toiros já que era não ‘um’, mas ‘o’ concurso de ganadarias de maior prestígio. Onde faltou também, como na grande maioria dos espectáculos, que os toureiros entendessem que é o toiro o objecto principal de uma corrida e que é dele que se deve tirar partido, e sacar ao de cima as suas qualidades, ao invés de tentarem procurar exibir-se noutras perfomances.

Sinceramente, não sei o que se passa em Évora…mas tenho pena.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

5ª no Campo Pequeno: Forcados da T.T. Terceirense


Glória e Honra ao Forcado Açoreano

Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, 38 anos de História

A tradição tauromáquica açoreana nomeadamente a terceirense fomenta umas das mais ricas, peculiares e emblemáticas páginas da História da Tauromaquia portuguesa. Nesse sentido a existência de forcados açoreanos é uma realidade desde meados do séc. XIX.

Em 1973, o já consagrado forcado João Hermínio Ferreira, decide fundar um grupo de forcados, com o objectivo de colmatar uma lacuna, em termos de grupo, criando um conjunto coeso e permanente, com conhecimentos técnicos, preparação física, que servisse de incentivo as novas gerações. É atrás deste sonho que João Hermínio funda o hoje consagrado Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense.

Em 1989, o seu fundador João Hermínio, despe a jaqueta e cede o comando do grupo a António Baldaya que se mantêm como cabo até ao ano de 2001.

A 27 de Junho de 2001, na praça de toiros da ilha Terceira e durante as Sanjoaninas, António Baldaya, despede-se das arenas após doze magníficas temporadas cedendo a condução do grupo a Adalberto Belerique, seu actual cabo.

Em vésperas de uma das mais expectantes corridas da temporada na monumental Praça de Toiros do Campo Pequeno, o NATURALES conversou com Adalberto Belerique.

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  • Que importância tem para o grupo pegar em solitário numa corrida na Praça de Toiros do Campo Pequeno?

AB- Como é evidente, é bastante importante! Já actuámos várias vezes na primeira praça do país, no entanto nunca o tínhamos feito em solitário. Fazê-lo, na apresentação de uma ganadaria açoriana, à qual estamos bastante ligados, torna isso ainda mais especial.

  • Em comparação com a maioria dos grupos do Continente, o vosso grupo actua em menos corridas por temporada. Acha que é mais complicado manter um grupo de Forcados na ilha, ter treinos, arranjar novos elementos, etc. do que os grupos existentes aqui em Portugal Continental?

AB- Nós fazemos uma média de 10/12 corridas por ano, repartidas entre os Açores e o continente. A maior dificuldade que encontramos é a distância, e os custos a ela associados. Fazemos este ano 38 anos de existência, temos uma larga tradição, uma História de que nos orgulhamos muito, ao mesmo tempo que damos tudo tarde a tarde, para enriquecermos essa História. O facto de vivermos numa ilha, condiciona um pouco as coisas, mas temos várias ganadarias que nos cedem gado todos os anos para treinarmos, e fazemos sempre uma média de 15 treinos antes de começarmos a época. Em relação à captação de novos elementos, temos um Grupo Infantil e Juvenil, com um número elevado de miúdos a fazerem a sua iniciação nesta arte, que assegura o futuro desta Instituição.

  • A corrida do próximo dia 19 de Maio tem outro aliciante que é a presença dos toiros de Rego Botelho, também eles dos Açores. Para vocês esse facto torna ainda mais especial a corrida?

AB- Para nós a corrida do dia 19 é de facto muito especial por vários motivos. Em primeiro lugar, estrear-se-á na primeira para do país, a ganadaria Rego Botelho, quanto a mim, uma das melhores do país, sendo um dos proprietários, o cabo que me antecedeu, António Baldaya. Para além desse facto, julgo que nessa noite, nos vamos sentir a actuar na "nossa praça", tal é o número de terceirenses e açorianos em geral que se vai deslocar a Lisboa para assistir à corrida.

  • Como está já delineada a vossa temporada este ano? Terão mais actuações no Continente?

AB- Por enquanto, apenas pegámos num Festival. Nesta deslocação, para além da corrida do Campo Pequeno, actuamos também na Moita, no dia 22. Ainda antes destas duas corridas, faremos no dia 15, um treino em Sevilha, na ganadaria Partido de Resina, ex. Pablo Romero. Após o nosso regresso, faremos toda a época Açoriana, estando prevista mais uma deslocação ao continente no final de Agosto, para pegarmos mais duas ou três corridas.

Próximas Conferências do Sector 1

Amanhã realiza-se a segunda conferência de um naipe de três, organizadas para comemoração do 79º aniversário do Grupo Tauromáquico Sector 1.

Este ciclo terminará no dia 26 de Maio com a conferência dedicada a Histórias de Forcados. As conferências são abertas a sócios, amigos e aficionados em geral e realizam-se no Campo Pequeno, no auditório do Torreão por cima dos curros.

18 de Maio

21h30 – Conferência “Fado, Flamenco e Toiros” com os fadistas D. Vicente da Câmara e Ricardo Ribeiro, o investigador de fado Daniel Gouveia e o instrumentista Pedro Jóia.

26 de Maio

21h30 – Conferência “Histórias de Forcados” com os antigos forcados Sarmento Beja, Fernando Direitinho e Simão Comenda.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Crónica Salvaterra - Corrida do Melão


António Ribeiro Telles montou cátedra em Salvaterra

Aos 48 anos e um dia, Mestre António de Jesus Palha Ribeiro Telles mostrou e demonstrou o que é tourear a cavalo.

Sem enganos, floreados, espalhafatos, piruetas e voltinhas, mordidelas e coisas mais que agora se tornaram moda nisto do toureio a cavalo. Parabéns por mais um aniversário e pela tarde de toiros que proporcionou a todos que presenciaram a lide ao 4º da ordem!

Em tarde de quente de Primavera, este Domingo 15 de Maio a praça de toiros de Salvaterra de Magos registou meia casa de público para assistir a uma corrida de toiros em que o cartel era composto por: António Ribeiro Telles, Ana Batista e Brito Paes, que lidavam seis toiros de D. José Luis Pereda, e Forcados do Aposento do Barrete Verde de Alcochete, Amadores do Redondo e Amadores de Salvaterra de Magos.

O curro de toiros foi muito desigual em tudo: idade, apresentação, tipo, peso e comportamento. Cá em Portugal temos de certeza melhores exemplares de raça brava para apresentar a quem paga o seu bilhete. As limpezas de currais vindas de Espanha começam a fartar. O primeiro toiro da corrida, um velho exemplar de 6 anos de idade que tinha sido sobrero já este ano em Alter do Chão e em mais algumas praças de Portugal e Espanha, foi exemplo de uma limpeza de currais quase vergonhosa que se tem vindo a verificar nos últimos anos nas nossas praças de toiros! Um caso a rever pelos empresários das nossas praças. O público começa a ficar farto de pagar lebre e ter que comer gato.

António Ribeiro Telles teve que se ver com esse animal velho, feio, escorrido de carnes, com poucas forças e com muito sentido, que acusou na balança 540kg muito duvidosos. Cravou três compridos aceitáveis, procurando tapar os defeitos do oponente, e quatro curtos ao som da música, com destaque para o terceiro. Lide sem grande história.

O quarto foi um cinquenho com cara e bom tipo, que pesou 565kg, nobre com bom som, investiu sempre ao cite, foi bravo. Mestre António mostrou o que é tourear a cavalo, recebeu o toiro na porta dos curros para o trazer embebido na montada e o deixar em sorte para cravar o primeiro comprido de praça a praça. O segundo comprido foi de livros, aguentando a vibrante investida do toiro e fazer levantar alguns dos lugares, o terceiro também foi de boa nota. O primeiro curto já foi cravado ao som do pasodoble e o que se viu a seguir foi tourear a cavalo com classicismo requintado, um temple só ao alcance de alguns predestinados. As sortes foram preparadas com toureria magistral, umas vezes com a mão direita detrás das costas, outras com tricórnio na mão, para depois cravar ao estribo de alto abaixo. As ovações brotaram dos tendidos espontaneamente. No último dos curtos a praça aplaudiu de pé uma lição de toureio rara nos dias que correm. Lide redonda de Mestre António. OLÉ!

Volta com chamada ao centro da praça para uma ovação de luxo dos aficionados de Salvaterra de pé.

Ai se fosse outro que eu cá sei, teria havido com certeza várias voltinhas à praça. E calhando alguma saidinha a ombros por uma portinha que se tornou muito pequenina para os grandes toureiros.

Ana Batista lidou em segundo lugar um toiro com 5 anos, de bom tipo e 540kg, escorrido de carnes e com falta de força dos quartos traseiros. Cortava terreno no momento de cravar o ferro mas cumpriu. Ana andou irregular nos compridos, falhando duas vezes o ferro. Nos curtos cravou os ferros algumas vezes com o cavalo atravessado e passando por vezes em falso – no quarto curto levou um violento toque na montada. Lide pouco conseguida.

O quinto foi um toiro negro salpicado, bragado, meano, algo gargantilho e luzeiro de 570kg. Manso encastado e a pedir contas a quem teve por diante. Ana Batista andou novamente irregular nos compridos e nos curtos sentiu algumas dificuldades para dar a volta ao toiro. Havendo alguns toque e passagens em falso. Houve toiro a mais e lide a menos!

O terceiro foi um quatrenho de 555kg, negro listão, feio de tipo e com pouca cara, manso e fugido para tábuas. Brito Paes andou irregular nos compridos, falhando duas vezes a colocação dos ferros, para nos curtos demonstrar bons pormenores de brega, cravando algumas vezes a cilhas passadas com alguns toques à mistura. A destacar o segundo curto, um bom ferro.

O sexto foi, segundo a balança da praça, o maior da corrida com 580kg, mas devia ter a taxa de IVA incluída. Este cinquenho, negro bragado e bisco de córnea foi um manso encastado que humilhou muito pouco durante toda a lide, mas acudiu sempre que solicitado com raça aos cites, cumpriu. Brito Paes cravou dois compridos de boa nota para nos curtos desenvolver uma lide agradável, mostrando novamente bons pormenores de brega. No momento de cravar algumas vezes andou aliviado. Rematou a lide com um palmito de boa nota.

No capítulo da forcadagem a tarde foi irregular e com os grupos a mostrarem poucas ajudas ao forcado da cara. Houve alguns toiros que tinham um primeiro derrote duro mas franco.

Pelo grupo do Aposento do Barrete Verde de Alcochete foram caras Diogo Timóteo, que resolveu sem problemas à primeira tentativa, e Marcelo, que só à terceira com ajudas muito carregadas conseguiu ficar na cara do toiro.

Pelos Amadores do Redondo foram caras Ricardo Silva, à primeira, e Ricardo Prior, que só à quarta se conseguiu fechar – nas duas primeiras tentativas nunca se fechou de pernas nem de braços, na terceira o grupo não ajudou e na quarta com ajudas carregadas conseguiu resolver a papeleta que tinha por diante. É verdade que o toiro tinha uma investida vibrante e forte, mas também é bem verdade que alguns ajudas deviam estar a pensar em outra coisa que não em ajudar a pegar o toiro. O forcado da cara mereceu o reconhecimento do público presente pela vontade que demonstrou nas quatro tentativas realizadas. Mas não se pega um toiro só com a vontade do forcado da cara. Todo o grupo é necessário.

Pelo grupo da terra foram caras João Pedro Damásio, à segunda numa boa pega (na primeira tentativa voltaram a faltar ajudas) e Joaquim Consulado também à segunda tentativa.

Havia um troféu em disputa para a melhor pega, que foi entregue ao forcado João Pedro Damásio do Grupo de Forcados de Salvaterra.

Ficará nas memória dos presentes uma lide que devia fazer escola entre alguns dos nossos cavaleiros. Ficou demonstrado que ainda há publico e aficionados que vibram e sabem ver uma lide a cavalo como mandam as regras de bom calção.

Dirigiu a corrida o Sr. Lourenço Luzio.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Entrevista a Ivan Nabeiro na hora da despedida


IVAN NABEIRO: "Hoje somos respeitados e além disso cada vez tem mais seguidores e rapaziada nova a querer fazer parte desta nossa família.

No próximo sábado, 14 de Maio, no coliseu Rondão de Almeida em Elvas, Ivan Nabeiro dará lugar a António Caldeira Patrício como cabo do Grupo de Forcados Amadores Académicos de Elvas.

A poucas horas de deixar o comando dos Académicos de Elvas, o NATURALES colocou 10 questões a Ivan Nabeiro, cabo fundador deste grupo.

NATURALES: Ivan quando no ano 2000 pensaste em formar os Académicos de Elvas passou-te pela cabeça que estarias tanto tempo neste exigente lugar de cabo?

Ivan Nabeiro: Só corrigir um pouco a pergunta, eu não pensei em formar o Grupo, mas foi sim um Grupo de amigos. Mas pensando bem no lugar que ocupei estes anos, nunca me passou pela cabeça, até porque quando o nosso Grupo entrou em praça pela 1a vez foi por um convite de um amigo e antes da corrida até pensávamos que seria a 1a e única mas após finalizar a corrida a nossa mentalidade mudou e a vontade de criar o Grupo que temos hoje foi fazendo parte dos nossos sonhos.

NATURALES: Vindo de uma família de tradições da arte marialva, como surgiu o gosto pela arte de pegar toiros?

Ivan Nabeiro: Surgiu como acredito que sucede a muitos forcados, através dos amigos, e além disso pensava que seria uma boa forma de participar na festa brava, criando com os amigos o Grupo que temos hoje, sempre com o máximo respeito que esta arte merece.

NATURALES: Quais foram as maiores dificuldades que encontraste para impor os Académicos neste mundo da tauromaquia?

Ivan Nabeiro: Criar um Grupo não foi nada fácil, ainda por cima numa cidade aficionada onde desde inicio encontramos muita gente a querer fazer parte do nosso Grupo. Uma das grandes dificuldades iniciais foi conseguir entrar nas corridas, pois como Grupo recém formado, é sempre difícil entrar nos carteis. Isto levou a ter que tentar que os forcados não abandonassem o Grupo, mas acho que nos tornou mais unidos, pois sabíamos do nosso valor. E com o tempo e paciência de todos conseguimos completar 10 anos e acreditamos que muitos 10 se vão repetir.

NATURALES: Ao longo destes quase 11 anos quais foram os grandes momentos que recordas?

Ivan Nabeiro: Desde logo a 1a corrida em que participamos no ano 2000, foi um momento em que os que estivemos presentes nunca vamos esquecer. Seguidamente em 2004 a nossa 1a digressão até aos Açores nomeadamente à ilha Graciosa. Depois houve a inauguração do Coliseu Rondão de Almeida em Elvas, que foi para nós uma grande alegria ter um praça com esta categoria na nossa terra, além disso temos realizado ali corridas que nos fizeram crescer bastante enquanto Grupo. Houve também a nossa 1a corrida no Campo Pequeno, algo sem dúvida que nos encheu de orgulho a nós e à nossa cidade. E para finalizar a digressão à Venezuela, um país que vive a festa brava de um modo que nos fez ficarmos fascinados. Mas estes momentos só puderam existir porque um dos principais valores deste Grupo é a Amizade e ela tem estado sempre presente.

NATURALES: E de negativo, o que te fica na memória?

Ivan Nabeiro: Aquelas corridas em que as coisas não nos saíram da melhor maneira e o publico não ficou contente connosco.

NATURALES: Dez anos à frente de um grupo de forcados, ser o seu fundador, não vai ser fácil ficar agora a torcer por fora? Irás continuar a 100% a dedicar-te aos Académicos?

Ivan Nabeiro: Sem dúvida, vou ser um fã a 100% e vou acompanhar e colaborar no que estiver ao meu alcance

NATURALES: Qual a importância que têm o Coliseu de Elvas para o seu grupo de forcados?

Ivan Nabeiro: Foi fundamental para o crescimento do Grupo, isto porque as pessoas da nossa cidade puderam finalmente ver que o nosso Grupo é um Grupo sério e com capacidades das quais podiam existir algumas dúvidas. Hoje somos respeitados e além disso cada vez tem mais seguidores e rapaziada nova a querer fazer parte desta nossa família.

NATURALES: Devido as relações familiares conhecidas, seria fácil aos Académicos realizarem com facilidade duas dezenas de corridas por ano, mas optaram por realizar pouco mais de uma dezena. Preferem crescer sustentadamente?

Ivan Nabeiro: Não penso dessa maneira, pois um Grupo sem experiencia não é contratado para qualquer corrida ou cartel. Começamos por realizar nos primeiros anos cerca de uma dezena de corrida, no ano 2010 fizemos o maior número de corridas da nossa curta existência, realizamos 20 corridas. Sempre foi uma decisão do Grupo que o crescimento fosse feito desta maneira até porque todos os elementos do Grupo começaram a sua vida de forcado neste Grupo. Quisemos crescer com calma e conhecendo as nossas limitações para formarmos um Grupo coeso e que um dia pudesse participar em qualquer cartel. Hoje somos um Grupo com alguns forcados no auge das suas carreiras, com uma mistura de elementos novos que trazem a irreverência e a vontade de os mais velhos continuaram por mais anos. Temos a noção que nada esta seguro por isso continuamos a apostar na formação e que a entrada de jovens seja feita gradualmente e sem pressas com tem sido habito neste grupo.

NATURALES: Um grupo de Forcados é antes de tudo um grupo de amigos, decerto que grandes amizades ficarão para toda a vida. Queres deixar uma mensagem para todos os forcados que vestiram a Jaqueta dos Académicos?

Ivan Nabeiro: Muitos dos forcados que vestiram a nossa jaqueta cresceram juntos desde os tempos do infantário, e ainda hoje essa amizade perdura. Vestir a nossa jaqueta só veio reforçar os nossos laços de amizade. Sinceramente a mensagem que deixa é que não esqueçam os valores sobre os quais este Grupo foi fundado, e que mais que tudo somos amigos com ou sem jaqueta.

NATURALES: A última pergunta. Vais ficar ligado à Festa Brava?

Ivan Nabeiro: Vou claro, vou ser um Aficionado a 100% e defender a festa como puder.