sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Hoje e 2ª feira: duas grandes corridas na Festa do Toiro-Toiro em Samora!



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Domingo: Sónia, Caetano e Guerra em Santo Aleixo (Monforte)

As sugestões para hoje- Sexta-feira 19 de Agosto

João Moura Jr substitui o seu pai, João Moura

A sequência da aparatosa queda de João Moura ontem no C. Pequeno


A esmagadora maioria dos sites taurinos lusos não deram à estampa (ou simplesmente não captaram o momento ou preferiram "ignorá-lo", como se estes casos não fizessem parte do espectáculo e da Festa) imagens da aparatosa e impressionante queda do Maestro João Moura ontem no Campo Pequeno, quando iniciava a lide do seu segundo toiro, montando o cavalo "Mel e Noz".
As primeiras fotos, que reproduzimos com a devida vénia e os nossos agradecimentos, da autoria do repórter Rui Minderico (site de fotógrafos associados a-gosto.com), foram esta manhã dadas à estampa pelo site www.touroeouro.com, que ontem não tinha na trincheira de Lisboa o seu fotógrafo João Dinis (estava em Alcochete, a fazer o "directo" da última corrida da feira).
João Moura, como já anunciámos, apesar da forte lesão que sofreu no joelho, prosseguiu a sua actuação, encastando-se e desenhando faena magistral com o cavalo "Merlín". Posteriormente foi assistido na enfermaria da praça e ainda hoje deverá deslocar-se a Lisboa para fazer um exame médico (ressonância magnética), não toureando, como estava anunciado, na corrida nocturna de Santana da Serra - onde é substituído por seu filho João Moura Jr. naquilo a que se pode chamar um verdadeiro mano-a-mano, já que do cartel faz também parte seu irmão Miguel e ainda Tito Semedo e os Forcados de Cascais, na lide de toiros de Benjumea (Nuñez del Cuvillo).

Fotos Rui Minderico/a-gosto.com/cortesia www.touroeouro.com

Exclusivo: o provável cartel "da polémica" na Azambuja



Exclusivo "Farpas" - Depois de toda a polémica que nos últimos dias envolveu a formação do cartel do próximo dia 25 de Setembro para a corrida de inauguração da nova praça de toiros da Azambuja (uma obra impulsionada pelo aficionadíssimo presidente da Câmara Joaquim Ramos, na foto da direita), o "Farpas" adianta em primeiríssima mão a (muito) provável formação do cartel: seis toiros de Ortigão Costa (em tarde de homenagem à memória do ilustre ganadeiro e lavrador azambujense) para os cavaleiros António Ribeiro Telles, Rui Salvador, Moura Caetano, Duarte Pinto, Tiago Carreiras e o praticante Paulo D'Azambuja. Pegam os grupos de Forcados da Azambuja e de Alcochete.
O elenco, sublinhamos, não nos foi ainda confirmado ou desmentido pela empresa "Aplaudir", mas fonte segura adiantou-nos esta formação... caso, entretanto, não venha mesmo a existir acordo entre os toureiros Manuel Jorge de Oliveira e Ana Rita com a empresa de João Pedro Bolota - o que, neste momento do "campeonato", já parece de todo impossível, adianta a mesma fonte.

Fotos D.R.

Lesão no joelho sem melhoras: Cartagena dá por finda a temporada


O rejoneador Andy Cartagena anunciou a decisão de dar por finda a sua temporada, a conselho dos médicos, a fim de poder recuperar a cem por cento da lesão no joelho direito que se agravou em Julho passado e o impediu de tourear em Lisboa na Corrida TVI.
Cartagena fora novamente operado ao joelho no passado dia 12 de Julho no Hospital Quirón, em Barcelona.

Foto D.R.

Dois anos depois do acidente que o cegou de um olho: Salvação fez rija pega ontem em Alcochete


Dois anos depois do trágico acidente com uma bandarilha que o cegou do olho esquerdo (foto de baixo), o valente cabo dos Forcados Amadores do Aposento do Barrete Verde de Alcochete, João Salvação, voltou ontem à noite a brilhar na mesma arena, pegando com técnica e valentia o quinto toiro da nocturna que encerrava as festas do Barrete Verde e das Salinas (foto de cima).
A noite foi, aliás, de grande triunfo para o Grupo do Barrete Verde, que executou as três pegas à primeira - além do cabo, foram "caras" os forcados Pedro Bicho e Diogo Timóteo.
Pelos Amadores do Aposento da Moita, pegaram ontem na praça de Alcochete, naquela que foi a IX Corrida da "Casa das Enguias", Francisco Baltazar (à primeira), Diogo Gomes e José Maria Bettencourt, ambos ao segundo intento. O novilho lidado a abrir praça pelo amador Luis Rouxinol Jr. foi pegado por Marcelo Lóia "ex-aequo" pelos dois agrupamentos de forcados.
Como já referimos anteriormente, lidaram-se toiros nada fáceis de Ortigão Costa e actuaram os cavaleiros Luis Rouxinol, Manuel Lupi e João Telles Jr.

Fotos João Dinis

3 de Setembro: "Aplaudir" dá mais uma corrida (mista) em Setúbal



O site "sol e sombra", de João Silva, acaba de anunciar a realização de mais uma corrida (mista) na noite de 3 de Setembro (sábado) na praça "Carlos Relvas", de Setúbal, este ano reaberta pela empresa de João Pedro Bolota, dando como certa a participação do matador Luis "Procuna" (na foto) como único espada.
A "Aplaudir" confirmou ao "Farpas" essa terceira corrida na praça de Setúbal, adiantando que "terá preços populares para a aficion encher a praça".
Actuam ainda dois cavaleiros - um dos quais, segundo a empresa, pode ser Rui Salvador - e provavelmente dois grupos de forcados.

Fotos D.R.

Alter, amanhã: toiros de Caldeira substituem espanhóis de Villamarta


Devido a "problemas sanitários", os anunciados toiros espanhóis de Villamarta serão amanhã substituídos na corrida de Alter do Chão por toiros da ganadaria portuguesa de Francisco Luis Caldeira, de Campo Maior - que chegaram a estar destinados para este ano em Madrid.
O cartel é formado por Pedro Salvador, Marcos Bastinhas e o praticante João Soller Garcia, pegando os Forcados de Évora e de Alter do Chão.

Foto D.R.

Jorge D'Almeida regressa às arenas para apadrinhar "prova" de David Gomes



Ultimamente arredado das arenas, o cavaleiro Jorge D'Almeida (foto da esquerda) projecta regressar ainda este ano às lides, num festival de final de época, para apadrinhar a prova de praticante do promissor David Gomes (foto da direita), seu pupilo e a viver actualmente em sua casa, em Almeirim, que este ano debutou e no qual deposita as maiores esperanças.
David Gomes já somou nesta primeira temporada sonantes triunfos em Vila Franca de Xira (foto), Alcochete e na Malveira, sua terra, onde ombreou no passado domingo com o Maestro Moura, com Telles Bastos e Marcelo Mendes. Proximamente, actuará em Montemor-o-Velho.

Fotos João Dinis e Duarte Chaparreiro

João Cortesão evoca Domingos Barroca, histórico forcado do Grupo de Lisboa, falecido na última semana

Domingos Barroca, à direita, com Nuno Salvação Barreto e José Pedro Faro
Foto D.R.
A rabejar, numa pega de cernelha com outro grande nome do Grupo de Lisboa: Horácio Lopes
Foto C. Brito/Arquivo



Amigo Domingos Barroca,
Quis o destino levar-te bem cedo, da mesma maneira que te marcou para toda a vida naquela corrida no Campo Pequeno.
Não tinhas inimigos e, como forcado, ou te admiravam muito ou muitíssimo.
Foste forcado de caras, ajuda, rabejador e cernelheiro - e em qualquer destas posições dentro do grupo foste extraordinário. Não se pode ser mais completo.
Tive o privilégio de me fardar contigo e de ser teu amigo, e na altura em que sofreste o acidente tinhas uma seara de melão pegada com uma de tomate que eu fazia por conta da casa Ortigão Costa e nessa época convivíamos diariamente e tive ocasião de calibrar os projectos que tinhas para o futuro e que se perderam nessa noite.
O tempo que passaste em coma profundo, durante o qual todo o grupo ou quase ia ao final da tarde, de romagem ao Hospital de S. José antes de seres transferido para outro hospital, foi um tempo de angústia e os momentos que passávamos com o teu cabo e padrinho Nuno Salvação Barreto à espera que o Prof. Vasconcellos Marques fizesse de viva voz o ponto da situação, mordiam cá dentro.
Quando fui para o Ultramar não disse aos meus pais que ia, mas fui contigo e com o teu primo Zé Eugénio a Coimbra despedir-me, sem que os meus pais pressentissem que embarcava dois dias depois. Já no regresso e atingido o cimo da ladeira do Vale do Inferno, olhei para trás, vi Coimbra ao longe e comecei a chorar. Acalmaste-me então com uma palmada de carinho na cara que me abriu o lábio. Só tu meu caro amigo...
Ouvir-te falar dos forcados do teu tempo dava a ideia que todos eram melhores que tu.
A satisfação de pegar só por pegar era em ti nítida e tinha a força da raça.
Para ti pegar em praças importantes de França, de Espanha ou numa desmontável dum canto recôndito do nosso país tinha a mesma importância. A tua humildade e singeleza faziam de ti um caso único num mundo onde as vaidades são naturais.
Nascido duma família de Campinos, a forma como te referias às lides de campo e o valor que lhes davas, ultrapassava a visão vulgar de quem as aprecia, mas não as sente por não as conhecer como tu conhecias.
Perante a situação em que ficaste depois da célebre colhida no Campo Pequeno (anos 70), ultrapassaste sempre o desespero que seria natural, porém, seguiste o destino com frieza e com a coragem e naturalidade dos homens grandes.
Disse um dia Georges Bernanos: " Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero, porque quando chegamos ao fim da noite, encontraremos a Aurora".
É nessa Aurora do além, sem os condicionalismos de um mundo cão, que quero encontrar-te um dia, mas antes, escrevo-te esta carta - p'ra que a terra não esqueça!

Solange Pinto faz a retrospectiva da semana mais intensa da temporada

Pablo Hermoso com o "Ícaro" na quarta-feira em Coruche
Foto www.pablohermoso.net
SOLANGE
PINTO
David Gomes foi a surpresa no dia 14 na Malveira
Foto Solange Pinto



Esta foi uma intensa semana de toiros... Abundaram os espectáculos integrados nas típicas festividades de Verão. Agosto é tradicionalmente, o mais taurino mês do ano... A tradição mantém-se!

Dia 14 de Agosto, a Malveira serviu de palco a um bonito e agradável espectáculo, encabeçado pelo Maestro Moura, que, em tarde inspirada, deu show de toureio, dentro do seu cunho pessoal. Bons ferros e remates ladeados com a marca de "Merlín".
Na mesma jornada, actuaram Telles Bastos e Marcelo Mendes. O primeiro com duas actuações, regulares, pautadas pelo classicismo, o segundo com duas exibições de repercussão mais popular, fruto de tourear na sua terra. Mas há que dizê-lo, a primeira actuação de Marcelo foi coesa, diversificada e com bons momentos de toureio.
Mas a surpresa da tarde esteve por conta do jovem amador David Gomes. Também ele da Malveira, David emocionou os seus paisanos ao triunfar de forma rotunda. Protagonizou lide com distintas fases, onde não faltaram dois "violinos" de grande nota.
Os astados de Cabral Ascensão deixaram-se lidar...
As pegas foram efectuadas de boa forma pelos Amadores de Lisboa, que nesta tarde comemoravam o 67º aniversário, e pelos de Cascais.
Da Malveira a Reguengos... toureiros diferentes, actuações distintas, sobretudo marcadas pelas dissemelhantes condições de lide dos oponentes, desta feita da ganadaria espanhola de José Luís Pereda.
Salgueiro, a quem coube abrir praça, exibiu um cheirinho daquilo que pode e sabe fazer. Depois de regular actuação, cresceu proporcionando uma segunda lide de nível elevado.
Sem toiro no primeiro e sem luz no segundo, não houve muito de Vitor Ribeiro que pudesse vir na retina... Telles Júnior andou bem ao seu estilo alegre e comunicativo, vivendo momentos de apuro, com uma impressionante colhida contra as tábuas, que o lançou directamente para a trincheira.
As pegas estiveram por conta dos rapazes de Montemor e Aposento da Moita, que, com ofício efectivaram as suas funções.
Se na Malveira houve casa cheia, em Reguengos meia praça ficou com cimento à vista...
De Reguengos saltamos para outra corrida com o selo da "Toiros & Tauromaquia". Dia 16 em Alcochete, estiveram em praça Moura, Salvador e Ribeiro. Houve grandes actuações dos três cavaleiros. Sem imitações nem confusões, o trio de artistas desenvolveu lides interessantes, triunfais, sobretudo se tivermos em conta o jogo dado pelos 'inimigos' (das ganadarias de Lupi e Contreras).
Além dos Amadores de Alcochete, os reis da festa foram os forcados mexicanos de Mazatlán... Bem nas consumações!
Desta meia casa forte, aos três quartos de Coruche, onde foi Pablo quem mais ordenou. Com "Chenel" e "Ícaro" armou o taco frente ao segundo do seu lote, levantando o público dos seus lugares.
Salgueiro, sem matéria-prima a abrir praça, apenas se valeu do segundo para evidenciar as suas potencialidades de figura, da figura que é!
Telles Júnior goza do poderio de ser filho de uma terra que o acolhe de forma incondicional. Mas na verdade, a sua primeira prestação mereceu bem a ovação que os coruchenses lhe tributaram.
Lidaram-se toiros Salvador Domecq e Passanha. Os três espanhóis menos rematados...
Semana intensa, que promete continuar sem dar tréguas! A Festa está viva e recomenda-se!

24 de Setembro: Abel prepara cartel do Montijo



O empresário Abel Correia está neste momento a ultimar o cartel da corrida de encerramento da temporada na Monumental do Montijo, que se realizará no sábado, 24 de Setembro, à tarde.
João Moura será o cabeça de cartaz. Hoje mesmo, Abel Correia deverá tratar da contratação de Luis Rouxinol - segundo apurámos. O terceiro cavaleiro pode ser Manuel Lupi ou João Telles Jr.
Três grupos de forcados (não designados, mas de que deverão fazer parte os dois grupos montijenses, Amadores e Tertúlia Tauromáquica) e provavelmente toiros de Francisco Romão Tenório.
A Monumental do Montijo, inaugurada em 1 de Setembro de 1957 (foto da esquerda), a cumprir a sua 54ª temporada, abrirá ainda as suas portas, como já anunciámos, a 9 de Outubro, para o festival de homenagem e a favor do forcado Luis Branquinho.

Fotos D.R. e João Dinis

Dois grandes cartéis no adeus à Monumental de Barcelona



A Casa Matilla anunciou ontem a formação dos dois últimos cartéis - 24 e 25 de Setembro - na Monumental de Barcelona, que a partir do próximo ano fecha as portas, a menos que se dê um volte-face na proibição das corridas de toiros decretada pelo Parlamento catalão...
Dia 24, frente a toiros de Nuñez del Cuvillo, actuarão Morante de la Puebla, "El Juli" e "Manzanares".
No dia 25, com toiros de El Pilar, toureiam Juan Mora, José Tomás e o matador catalão Serafín Marín.
Em jeito de homenagem, recordamos a notícia da "Ilustração Portuguesa" onde se fazia eco do triunfo do grande Manuel dos Santos na antiga praça de Barcelona, na sua campanha de novilheiro.

Fotos D.R.

Paulo Caetano: toiros de Madrid dia 26 em Arronches


São estes os seis toiros da ganadaria de Paulo Caetano que chegaram a estar "apartados" para a Monumental de Madrid e que na próxima sexta-feira, 26 de Agosto, vão ser lidados na arena de Arronches numa corrida anunciada como de "exaltação ao forcado".
Pegam três grupos de forcados, os Amadores de Portalegre, de Arronches e do Ramo Grande (Ilha Terceira), que disputarão quatro troféus num inédito concurso de pegas: melhor pega, melhor grupo, melhor primeiro-ajuda e melhor rabejador.
O cartel é formado pelos cavaleiros Marco José e Moura Caetano e o praticante João Branco. Preços desde 13 euros até 25 (barreiras de sombra - que à noite tanto faz...). A corrida terá início às 22 horas.

Fotos D.R.

3 corridas em 5 dias: Forcados do Ramo Grande no continente


O Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande, fundado há cinco anos na Praia da Vitória, Ilha Terceira e comandado por Filipe Pires, está no continente para uma importante "prova de fogo": três corridas em cinco dias!
Os forcados terceirenses, que deslocam ao continente dezoito elementos nesta digressão, pegam os toiros espanhóis de Dolores Aguirre na próxima segunda-feira, dia 22, em Samora Correia, ombreando com os Amadores da Moita e de Salvaterra de Magos; na terça estarão em Baião para pegar toiros do ganadeiro de Coimbra Santos Silva, ao lado dos Amadores do Ribatejo e de Coimbra e, por fim, de hoje a oito dias, 26 de Agosto, pegam em Arronches, numa corrida de "exaltação ao forcado", os seis imponentes toiros de Paulo Caetano que estavam destinados a Madrid, em competição nessa noite com os grupos de Portalegre e de Arronches.
Sorte para a rapaziada da Terceira! - um grupo ainda jovem, mas já com muitas cartas "deitadas" em arenas de destaque e que ainda este ano brilharam em Atarfe, no seu debute em Espanha.

Foto D.R.

Falso "movimento de apoio" ao bandarilheiro Pedro Gonçalves...


Há brincalhões para tudo! Circula desde a última semana, por sms (mensagem enviada para inúmeros telemóveis de personalidades da Festa por um número já devidamente identificado) a "notícia" de que a Associação Nacional de Toureiros (nova designação do antigo Sindicato da Praça da Alegria) estaria a promover um "movimento de apoio" (sem razões aparentes...) ao bandarilheiro Pedro Gonçalves (na foto, ao seu melhor estilo, na Real Maestranza de Sevilha, onde agradeceu as ovações do conclave de montera em mão depois de um brilhante tércio de bandarilhas, há dois anos) e que o mesmo, "embora discreto", prometia vir a ter "a aderência de todos os bandarilheiros contactados".
Primeiro esclarecimento: a Associação Nacional de Toureiros, segundo nos referiram Hugo Ferro e David Costa, "não sabe de nada"... e até já se pôs em campo para apurar a origem da "gracinha".
Segundo esclarecimento: Pedro Gonçalves, contactado pelo "Farpas", disse já ter conhecimento do caso, que atribui a "uma brincadeira de mau gosto" e adiantou-nos que já entregou o assunto à polícia, "porque além dessa mensagem de um hipotético movimento de apoio, que não sei por que razão mo iriam fazer, soube também que houve outras mensagens insultuosas para importantes figuras da Festa, que terão sido enviadas em meu nome...".
Um caso estranho, mas não impossível num meio taurino onde por vezes continua a reinar a estupidez e a criancice...

Foto D.R.

11 de Setembro: Moura, Sónia e Carreiras em Mora


Exclusivo "Farpas" - Embora a contratação definitiva dos toureiros só deva ser fechada no início da próxima semana, podemos adiantar que o cartel deste ano da tradicional corrida na vila alentejana de Mora, no domingo 11 de Setembro, deverá ser composto por João Moura, Sónia Matias e Tiago Carreiras.

Foto D.R.

1 de Setembro: Moura Jr. de volta ao Campo Pequeno


Exclusivo "Farpas" - João Moura Jr. volta ao Campo Pequeno no dia 1 de Setembro, num cartel de três cavaleiros (ainda não rematado). Lidar-se-ão três toiros de Ortigão Costa e três de Vinhas.
Entretanto, a temporada prossegue em Lisboa na próxima semana com a tradicional Corrida do Sporting, que excepcionalmente se realizará na sexta-feira, 26 de Agosto - e não na quinta.
A corrida assinala o 30º aniversário da alternativa do Maestro Vitor Mendes, que regressa de luces à primeira praça do país num mano-a-mano com o "ás" António Ferrera. Lidam-se sete toiros de Falé Filipe (três para a lide equestre e quatro para a lide a pé) e actuam ainda os cavaleiros Rui Fernandes e Marcos Bastinhas e os Forcados do Aposento da Moita.

Foto D.R.

Esta noite: arranca a Feira do Toiro-Toiro em Samora!

Telles e Pinto sobressairam na Arruda - Pinto Barreiros e forcados da terra vencem troféus



António Ribeiro Telles (frente a um toiro de Veiga Teixeira que se adiantava, pequeno, mas a que o Mestre da Torrinha deu brilhantemente a volta) e Duarte Pinto (na foto da esquerda, com um toiro de Ruy Gonçalves de 5 anos a que ministrou faena de maestria com o cavalo "Visconde") foram, do sexteto de cavaleiros da segunda corrida das festas de Arruda dos Vinhos, na quarta-feira, aqueles que mais se destacaram.
Ana Batista lidou um toiro de Pinto Barreiros - que, contrariamente ao que constava, não foi o toiro que se lesionou, mas sim o de Coimbra - que venceu merecidamente o troféu de "bravura" em disputa, não tendo a cavaleira estado nos seus melhores dias, apesar da usual entrega e grande profissionalismo.
Marcos Bastinhas, com o toiro de Vinhas, esteve ao seu melhor estilo, na senda da popularidade paterna, triunfando sem contudo deslumbrar.
Tiago Carreiras, em aparente crescendo de forma, depois de um inexplicável "apagão", enfrentou o toiro de Jorge de Carvalho, mansote, que cedo procurou refúgio em tábias. O toureiro de Casa Branca (Sousel) esteve esforçado e com enorme profissionalismo e empenho resolveu a "papeleta" a sesgo.
Menos regular andou Marcelo Mendes com um toiro da Herdade de Pégoras que era bravo e pedia melhor lide.
Pegaram, sem facilidades de espécie alguma, antes pelo contrário, os grupos de Forcados da Azambuja, de Alenquer e da Arruda dos Vinhos, tendo o troféu da melhor pega sido ganho pelo grupo da terra, por intermédio de Fábio Correia na última pega da noite (na foto da direita, recebendo o prémio das mãos do representante da empresa, Rui Bento).
A praça registou três quartos de entrada.

Fotos Fernando Clemente/cortesia parartemplarmandar.blogspot.com

Pablo quebrou ontem "enguiço" em Tafalla: 3 orelhas e saída em ombros



Provavelmente inspirado com o espectacular triunfo da véspera em Coruche, Pablo Hermoso de Mendoza retomou ontem em Tafalla (Navarra) a sua caminhada de triunfos, ensombrada nas últimas corridas por falhanços a matar que o fizeram perder inúmeros troféus.
Ontem, Hermoso quebrou o "enguiço" nas duas brilhantes actuações que rubricou aos dois toiros da ganadaria portuguesa de Rosa Rodrigues que enfrentou. Cortou uma orelha ao primeiro e duas ao segundo, saindo em ombros.
A praça registou casa cheia e foram seus companheiros de cartel Roberto Armendáriz (silêncio e ovação) e Manuel Manzanares (silêncio após aviso e duas orelhas, também saindo em ombros).

Fotos www.pablohermoso.net

Colhido ontem no C. Pequeno: Moura faz hoje ressonância magnética em Lisboa



Vítima de aparatosa e preocupante queda quando ontem lidava o seu segundo toiro na corrida comemorativa do 119º aniversário do Campo Pequeno, João Moura esteve em observação na enfermaria da praça até ao final do espectáculo e vem hoje a Lisboa fazer uma ressonância magnética ao joelho, não actuando por isso na corrida desta noite em Santana da Serra - sendo substituído por seu filho João Moura Júnior.
A queda ocorreu mais "por culpa" de deficiências do cavalo "Mel e Noz" do que propriamente do toureiro. Na arena - e na praça - viveram-se momentos de grande pânico, com os dois filhos do Maestro a acudir ao Pai, entre muitos outros intervenientes do espectáculo. João Moura abandonou a arena a coxear e com a dor estampada no rosto, amparado pelo jovem bandarilheiro António Telles Bastos, mas num rasgo de casta e muita garra regressou à arena montado no "Merlín" e deu espectáculo deslumbrante, depois de já ter estado "acima da média" no toiro que abriu praça, ambos da ganadaria Passanha (mais adiante daremos notícia pormenorizada e publicaremos as fotos da nocturna de ontem, com casa cheia e em que triunfaram também Bastinhas, António Telles e os Forcados de Santarém, bem como a ganadaria Passanha).
João Moura não atravessou a praça no final, como agora é da praxe nas corridas de Lisboa, a seguir ao Hino (fizeram-no os bandarilheiros da sua quadrilha, fortemente ovacionados), seguindo para o Hotel Alif, onde o staff e alguns amigos o esperavam.
O cavaleiro, que no final desta temporada se preparava para ser operado ao joelho (lesionado por duas quedas em anos anteriores), sofreu agora nova lesão mas no outro joelho.
"Era o que estava bom... dentro do possível. É o mesmo joelho da queda em Portalegre há uns anos. Fui muitíssimo bem assistido pela grande equipa médica do Campo Pequeno, a quem presto a minha homenagem e agora vou ter que vir amanhã (hoje) a Lisboa fazer uma ressonância magnética. Não posso tourear em Santana da Serra, espero reaparecer na próxima terça-feira, dia 23, na corrida do Crato" - disse o Maestro ao "Farpas", a seguir à corrida, ainda visivelmente combalido da queda.
O toureiro ceou com a equipa no "Galeto", seu poiso habitual a seguir às corridas do Campo Pequeno e seguiu depois para Monforte, regressando hoje à capital para o referido exame médico.

Foto António Santos/Tobrantes/Arquivo

Rouxinol Jr. brilhou ontem em Alcochete


Luis Rouxinol Jr. brilhou ontem a abrir o espectáculo que encerrava a feira taurina do Barrete Verde e das Salinas na praça de Alcochete. Seguro de si e a evidenciar rara intuição, o filho de Luis Rouxinol voltou a deixar belíssima impressão nesta nova aparição em público na temporada da sua estreia nas arenas. Segue-se a Moita, em Setembro! E fica desde já a certeza de que temos Toureiro!
Ontem em Alcochete, frente a toiros de Ortigão Costa que não facilitaram, boas lides de Rouxinol, de Manuel Lupi e de João Telles Jr., pegas duras dos Amadores do Barrete Verde e do Aposento da Moita.

Foto João Dinis/www.touroeouro.com

Rui Fernandes aplaudido ontem em Málaga


Rui Fernandes rubricou ontem brilhante actuação no único toiro, de Flores Tassara, que enfrentou na corrida mista da Feira de Málaga, falhando a matar e sendo ovacionado no final da sua actuação.
Por ausência do lesionado Cayetano Ordoñez, a empresa anunciara nas vésperas que Fernandes enfrentaria dois toiros e não apenas um, lidando quatro os seus companheiros de cartel, os matadores Sebastián Castella e Miguel Ángel Perera - mas a isso ter-se-ão oposto os diestros, que exigiram lidar três toiros cada (das ganadarias de Carmen Lorenzo e San Pelayo), voltando assim a prestação de Fernandes ao formato inicial. O cavaleiro português, a viver a sua melhor temporada de sempre, brilhou, mas perdeu os troféus na hora de matar.
Castella foi silenciado em dois toiros e ovacionado noutro; Perera escutou ovação em dois e foi silenciado no último. Mais valia terem permitido que Rui Fernandes lidasse dois toiros...
Rui Fernandes volta a actuar esta tarde em Espanha, desta vez em Quintanar de la Orden, na província de Toledo, ao lado de Raúl Martín Burgos, Noélia Mota e Óscar Mota, frente a toiros de San Mateo Y San Pelayo.

Fotos Joaquim Bueno/aplausos.es e Maria M. Alba/burladero.com

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Em Coruche faltou TOIRO


Praça de Toiros: Coruche

Data: 17 de Agosto de 2011, às 18h00
Empresa: Toiros e Tauromaquia, Lda.
Ganadarias: 3 Santiago Domecq e 3 Passanhas
Cavaleiros: João Salgueiro, Pablo Hermoso de Mendoza e João Ribeiro Telles Jr.
Grupo de Forcados: Amadores de Coruche, capitaneados por Amorim Ribeiro Lopes
Assistência: ¾ fortes
Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr. Lourenço Lúzio, assessorado pelo Delegado técnico veterinário Dr. José Luís Cruz

Por estes dias de Agosto, Coruche vive com intensidade as suas festas tradicionais em Honra de Nossa Senhora do Castelo. A corrida desta tarde é a data forte da temporada coruchense e contou com uma boa entrada de público, num cartaz que estava rematado.

Contudo, a esta corrida faltou o factor fundamental da Festa, ou seja, o TOIRO. Desde logo, dos seis “soberbos” toiros de Santiago Domecq anunciados no cartaz três foram recusados, tendo sido substituídos por três toiros da ganadaria alentejana de Passanha. Esta alteração de última hora pronunciava aquilo que se veio a passar na arena, isto é, os seis toiros saídos à praça ficaram muito aquém do que é esperado num toiro bravo. Os três Domecq foram mansos e reservados, com pouco trapio e apresentação muito díspar. Os pesos oscilaram entre os 485 kg e os 525 Kg. Já os Passanhas saíram com boa apresentação, deixaram-se lidar mas faltou-lhes “chispa”. Os pesos variaram entre os 535 Kg e os 545 Kg.

Ao cavaleiro João Salgueiro calharam-lhe as duas “favas” da corrida das duas ganadarias em praça. O primeiro Domecq revelou-se desde cedo manso, procurando as tábuas. Salgueiro procurou contrariar esta mansidão, tentando tirar o toiro da sua querença natural. Embora tenha trabalhado para tirar partido do oponente, não houve qualquer matéria-prima para brilhar. No segundo do seu lote - um passanha muito reservado – Salgueiro tentou colocar a emoção que faltou ao toiro. Mostrou-se mais a gosto, decidido e com um toureio com ritmo, pecando porém por ter colocado demasiada ferragem, sem ter toiro para o efeito por falta de bravura. Pouco mais se regista nesta tarde do cavaleiro de Valada.

O rejoneador espanhol Pablo Hermoso de Mendoza apresentou-se em Coruche com determinação e com respeito pelo público. Calharam-lhe dois toiros que não complicaram, o que permitiu ao cavaleiro de Navarra poder brilhar com as estrelas da sua excelente quadra. Na sua primeira lide, Pablo teve pela frente um toiro colaborante, desenhando uma lide asseada e ao seu estilo de toureio. Esteve bem a preparar a ferragem e rematou superiormente as sortes, com muita toreria. Destaca-se o segundo ferro curto, com uma boa reunião ao estribo. No quinto toiro da tarde – mais um passanha que não complicou – Pablo voltou a mostrar bonitos pormenores de brega. Destacam-se o quarto ferro curto, com ligeira batida ao piton contrário e com uma reunião justa, assim como o último ferro curto, com o rejoneador espanhol a conseguir tirar partido das investidas finais do toiro. O público esteve com Pablo!

A “jogar em casa” o cavaleiro João Ribeiro Telles Jr. apresentou-se em praça cheio de garra e com vontade de triunfar. Logo no primeiro do seu lote, Telles Jr. foi buscar o toiro à porta dos curros, deixando-lhe de seguida duas boas tiras. Na ferragem curta, o mais jovem ginete da Torrinha mostrou uma brega bem cuidada, com bonitos pormenores. Dos ferros colocados destaco o segundo curto, com o cavaleiro a vir buscar o toiro, a aguentar e a cravar ao estribo como mandam as regras. Terminou a lide com a sua marca, um violino bem cravado e um par de bandarilhas bem colocado, a colmatar um ferro de palmo que não ficou. No último toiro da tarde, Telles Jr. mostrou-se de novo com gosto. O toiro foi-se interessando pelo cavalo e o cavaleiro foi cuidando a brega, mostrando brio na preparação das sortes. É pena que as reuniões tenham sido quase sempre tardias e ligeiramente aliviadas. Fica na retina o último ferro de palmo, uma rosa cravada com verdade. Uma tarde importante para João Ribeiro Telles Jr..

No capítulo da forcadagem, a tarde era de compromisso para o Grupo de Forcados Amadores de Coruche, que este ano comemora o seu 40º Aniversário. Encerrando-se em solitário com os seis toiros, é sempre bonito ver fazer nas cortesias os mais novos e as velhas glórias do grupo. Foi pena - nesta que é a data forte de Coruche - não ter sido feita uma homenagem ao grupo da terra por tão importante efeméride. A abrir praça foi à cara do primeiro toiro o cabo Amorim Ribeiro Lopes que citou de forma decidida e mandou na investida. No momento da reunião o toiro baixou a cabeça mas o forcado mostrou braços e querer, ficando na cara do oponente até o grupo fechar com eficácia. Para o segundo, o escolhido foi o veterano Paulo Pinto. Depois de na primeira tentativa não ter conseguido ficar na cara do toiro, consumou à segunda, aguentando e reunindo com decisão, com o grupo a ajudar coeso. Para o terceiro saltou também à arena o forcado veterano António José Ferreira. Não foi feliz nesta tentativa tendo sido dobrado por Alberto Simões, que citou com calma, mandou vir o toiro e reuniu com determinação, aguentando na cara do oponente até o grupo fechar e assim concretizar esta pega. No quarto toiro foi à cara o forcado Pedro Crispim. Depois de duas reuniões difíceis com o toiro a complicar, o forcado consumou à terceira com as ajudas mais reforçadas mas reunindo com correcção e com o grupo a ajudar coeso. Ricardo Dias foi o escolhido para o quinto da tarde. Com um cite determinado, o toiro arrancou de largo e com muita pata. O forcado soube esperar e reuniu com muita decisão, aguentando depois a viagem pelo grupo dentro, com muito querer e ficando sempre na cara do passanha até o grupo conseguir fechar esta rija pega. Para o último toiro da tarde saltou a trincheira o forcado Pedro Galamba. Citou com muita alegria, mandou na investida e reuniu à córnea, ficando na cara do toiro com muita garra até o grupo fechar bem e assim consumar esta boa pega.

O Mais e o Menos
+ O bom ambiente da corrida. Praça muito composta e muitas famílias nas bancadas.
- A mansada e a falta de trapio dos toiros Santiago Domecq. Falta de cuidado em terra com tanta tradição ganadeira.
- Na data forte de Coruche faltou a homenagem aos 40 anos do Grupo da terra. Esta era a data certa pelo ambiente que se vive neste dia na capital do Sorraia.

Honestidade

- Praça de Toiros: Campo Pequeno
- Data: 11/08/2011 – Corrida de Homenagem Póstuma a José Falcão e José Varela Crujo
- Empresa: Campo Pequeno
- Ganadarias: 3 toiros de Veiga Teixeira (lide a cavalo) e 3 toiros e 1 novilho de José Luís Cochicho (lide a pé)
- Cavaleiros: Rui Salvador, Tito Semedo (Confirmação de Alternativa) e Duarte Pinto
- Forcados: Amadores de Vila Franca de Xira
- Matadores: Luís Procuna, António João Ferreira e Nuno Casquinha
- Novilheiro: Tiago Santos
- Assistência: Meia casa forte
- Direcção de Corrida: Delegado Técnico Tauromáquico Sr. Ricardo Pereira, asssessorado pelo Delegado Técnicio Veterinário Dr. Pedro Salter Cid

Quando o toiro falha, quando o artista não se encontra a gosto, inspirado ou simplesmente não tem a arte ou a técnica para resolver a “papeleta” ou quando por qualquer outra razão uma lide não decorre com o nível desejado por público e toureiros, há uma coisa de que estes nunca devem abdicar e a assistência deveria sempre exigir: Honestidade! É essa característica, que também poderíamos chamar de “verguenza torera” que permite ao cavaleiro, forcado, matador ou bandarilheiro ter o respeitável do seu lado, ainda que as coisas não estejam a correr pelo caminho do triunfo. Porque o bom aficcionado sabe e deve reconhecer ao artista, antes de mais, o seu empenho e esforço e o facto de, não se enganando a si próprio, também não tentar enganar aqueles que pagaram o seu bilhete para o ver. Nesta Quinta-Feira de Campo Pequeno, salvo uma ou outra situação pontual, podemos afirmar que a corrida, embora sem triunfos ou momentos verdadeiramente inesquecíveis, decorreu sob o signo dessa honestidade que tantas vezes falta por essas praças fora e isso só por si, já foi um factor bastante positivo na corrida lisboeta.

Em noite de homenagem a duas saudosas Figuras da nossa Festa, os intervenientes souberam honrar a sua memória, enveredando pelo caminho da verdade e rectidão, características bem patentes na vida e personalidade dos dois homenageados. Abriu praça o cavaleiro Tito Semedo que confirmava a sua alternativa, construindo uma lide equilibrada e sem “números circenses”, pese embora a fraca qualidade do seu oponente, um Veiga Teixeira grandote, com “cara de papelão” que só raramente se arrancou com verdadeira codícia ao cavalo, sempre do meio em direcção às tábuas, tentando apertar o oponente. Face a este comportamento, esteve inteligente o cavaleiro, aproveitando essas arrancadas e partindo sempre de terrenos de tábuas, procurando a emoção que o toiro não tinha, cravando os ferros (especialmente os curtos) com extrema correcção, com algumas bregas e preparações vistosas. Actuação extremamente digna, face à fraca prestação do toiro. Seguiu-se Rui Salvador, que fez gala das suas reconhecidas garra e maestria, para atingir uma lide quase perfeita, atendendo ao material que teve por diante, um outro exemplar falto de transmissão e também um pouco “destartalado” de “hechuras”. Cravou apenas dois compridos, para poupar o oponente (embora aquando da troca de cavalo o peão se tenha “entretido” a dar-lhe cinco ou seis trapazos), resultando bastante interessante o primeiro, pela maneira como aguentou a arrancada do toiro, executando apenas um ligeiro quiebro para deixar o ferro, que pecou por uma colocação um pouco traseira. Na série de curtos destaca-se aquele que, para mim, foi o ferro da corrida, o seu terceiro, em que aguentou a cavalo parado a brusca, inesperada e descomposta arrancada do manso e cravou um ferro de antologia, demonstrando que quando montada e cavaleiro são suficientemente bons e têm o coração necessário é possível receber-se um toiro no peito do cavalo, com este sacando-se e dobrando-se apenas no último instante, sem ter de recorrer ao engano da batida a piton contrário ou do “quiebro”. Um grande momento! Poderia ter repetido a dose no quarto, uma vez que o “Teixeira” deu exactamente os mesmos sinais no mesmo terreno de que poderia arrancar de forma semelhante, mas precipitou-se o cavaleiro e a coisa não saiu tão emocionante. De qualquer forma, saiu intocável no seu prestígio, rubricando uma actuação “marca da casa”, pautada pela honradez e pela procura da verdade e do risco. Fechou a noite, no que à “Arte de Marialva” disse respeito, o jovem Duarte Pinto, que mais uma vez agradou pelas suas boas maneiras e clássica monta, demonstradas na mais consistente lide da noite, executando bregas vistosas e cheias de sentido, para cravar todos os ferros “en su sitio” e como mandam as regras. Especial destaque para o arriscadíssimo quinto ferro, partindo do meio em direcção às tábuas, saindo por uma nesga de terreno, num poderoso encontro que levou a emoção ás bancadas. Ferro só possível de executar por alguém, com muita fé em si mesmo e nas suas capacidades, fiel intérprete da essência do toureio à portuguesa, em que o verdadeiramente importante é o momento da reunião com o toiro, concedendo-lhe todas as vantagens, cravando de alto abaixo e ao estribo e ainda assim saindo airoso e artista do lance. E Olé!

No capítulo da forcadagem, noite difícil para os Amadores de Vila Franca, uma vez que os “Teixeiras” chegaram às pegas e subitamente lembraram-se da força e do génio que levavam dentro, colocando sérios obstáculos aos rapazes da jaqueta às ramagens. Abriu praça o cabo Ricardo Castelo, que sofreu dois impressionantes derrotes nas duas primeiras tentativas, saindo visivelmente combalido do primeiro intento. O toiro arrancava pronto para o forcado que fez tudo bem, mas parecia adivinhar o momento exacto da reunião e lançava-se para o ar não dando a mínima hipótese ao adversário de se agarrar. Consumou à terceira com ajudas carregadas que não concederam veleidades ao bruto. Seguiu-se Ricardo Patusco que citou bem e recuou ainda melhor, toureando magistralmente a investida como é seu timbre, para consumar uma pega que tornou fácil, graças à sua experiência e fenomenal temple na cara dos toiros, contando como uma boa ajuda de André Matos. Encerrou a função Márcio Francisco, que sofreu uma duríssima série de derrotes na primeira tentativa, chegando já muito descomposto junto do primeiro ajuda, que pese a vontade férrea do cara em ficar, não consegui compô-lo. Voltou a citar com vontade e aplicou os seus braços de ferro, com o toiro a investir mais franco e a permitir que o bloco do Grupo de Vila Franca funcionasse como habitualmente, ou seja, perfeito.

Numa noite em que o nome de José Falcão esteve presente no pensamento, foi com alegria e emoção que se registou a presença de três jovens toureiros crescidos e formados na Escola Vilafranquense que leva o seu nome, acompanhados de Luís Procuna. Os quatro artistas tentaram ao máximo, cada um com os seus argumentos, levar as respectivas faenas a bom nível, embora com resultados diferentes. O primeiro exemplar de José Luís Cochicho foi um toiro de bandeira, com recorrido, repetidor e a humilhar, mostrando “fome de muleta”. Frente a tal matéria-prima, andou Procuna bulidor e variado, embora raramente tenha sacado partido da profundidade do oponente. Destacam-se algumas boas verónicas iniciais, rematadas com uma “meia” desmaiada e com sentimento, um arriscado e valente segundo par de bandarilhas e um câmbio de mão a iniciar faena com sabor e “toreria”. Perdeu-se depois o matador, num toureio de cercanias, meio-passes e “arrimón” não acorde com as características do toiro, que merecia um aplauso na recolha não obtido (coisas do público turista de Agosto). António João Ferreira deixou excelentes apontamentos, frente a um exemplar que teve um bom início, mas que logo se apagou, renunciando à luta. Demonstrou vontade e coragem ao tentar receber o toiro à porta gaiola, sendo “atropelado” sem consequências. Levantou-se o toureiro e sacudiu o pó do traje correndo as mãos e rodando a cintura com temple e profundidade num bom quite por verónicas, a que correspondeu Nuno Casquinha com algumas “gaoneras” comprometidas. Após um bom tércio de bandarilhas protagonizado pela quadrilha, António João recebeu o toiro com gosto e mando, dobrando-se com ele para lhe limar as asperezas, mas talvez tenha faltado um pouco de poder: o “dóblon” bem executado, quando o objectivo é dominar o oponente, exige que se carregue a sorte e se pratique um toureio sobre os pés, em que a perna de entrada, ainda a meio do passe se adentra no terreno do toiro, partindo-o e obrigando a rodar sobre si mesmo, veja-se o inimitável “Morante de la Puebla. Ainda assim, logrou duas séries de elevado nível, com a figura erguida e a muleta muito bem apresentada, templando magistralmente as investidas brutas e descompostas, num alarde de firmeza e colocação. Sentiu-se o toiro de tal domínio e começou a renunciar ao combate, momento em que o toureiro talvez se tenha equivocado ao não deixar a muleta posta e ao não tocar de imediato no remate de cada muletazo, permitindo ao adversário a fuga para as tábuas. Não obstante, registaram-se com muito agrado as maneiras, a disposição e o pundonor do jovem vilafranquense, que recusou uma volta por uma lide em que muitos teriam dado “meia dúzia”. Só isso bastaria para sair de cabeça bem erguida, numa lição de humildade que a muitos fazia falta. E se de humildade falamos, podemos dizer que não foi coisa que tenha existido em excesso na noite de Nuno Casquinha. Frente a um toiro manso, que procurou sempre o refúgio das tábuas, o novel matador vila-franquense conseguir arrancar-lhe uma meritória série nesses terrenos, melhor momento de um labor que se prolongou muito excessivamente, num mar de mios passes e num “arrimón” sem sentido. Não teve culpa Casquinha da fraquíssima prestação do toiro, mas foi da sua responsabilidade o facto de ter insistido ingloriamente uma e outra vez, chegando a enfadar parte do paciente e festivo público lisboeta, assim como responsável foi por não se ter retirado completamente para a teia após a sua lide, ficando dentro da arena á espera do aplauso e dando uma volta por sua conta, completamente injustificada, recolhendo depois entre barreiras com um olhar ameaçador em direcção a um sector do público, de onde jocosamente lhe haviam gritado “Mais uma volta!” De Casquinha, por ser toureiro valente, sincero e já curtido, esperávamos uma melhor atitude.… Para encerrar a função apresentou-se o jovem novilheiro da “José Falcão”, Tiago Santos, que voltou a confirmar as excelentes indicações que tem dado ao longo das suas actuações na presente temporada. Toureiro sereno e de excelente plástica, atesta uma boa capacidade de ler e compreender os oponentes, invulgar para a sua curta experiência. Esta lucidez na cara dos novilhos, permite-lhe eleger os melhores terrenos e dar a cada momento a lide mais adequada, encarregando-se a sua belíssima estética e excelente conceito toureiro de compor o quadro, com muletazos profundos e pintureros e também com um bom tércio de capote. Também se passou um pouco de faena e teve alguns desplantes finais um pouco em desacordo com o seu estilo e com a actuação conseguida, coisas que se perdoam pelas ânsias de triunfo e de agradar, normais em quem começa.

Para mim, enquanto vila-franquense, foi um enorme orgulho ver na arena alfacinha, os actuais expoentes máximos da minha terra, no que à tauromaquia diz respeito: o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, António João Ferreira, Nuno Casquinha e Tiago Santos, numa noite em que a memória dos dois homenageados saiu enaltecida, fruto, como dissemos inicialmente, da entrega e seriedade dos intervenientes, inclusivamente do Director de Corrida, o Ex.mo Sr. Ricardo Pereira, que não embarcou em triunfalismos na concessão de música, apenas pecando pela demora em atribui-la à lide do jovem novilheiro. Em resumo, uma noite que não foi inesquecível, mas que tão pouco defraudou. O meu agradecimento ao empenho e honestidade de todos os artistas.

O Mais e o Menos
+ Como já se disse, a atitude de cavaleiros, forcados e toureiros
- É uma absoluta VERGONHA que os burladeros continuem a estar montados durante as lides a cavalo, com o risco que acarretam para a integridade dos forcados, ainda para mais, quando houve intervalo a meio da corrida e só depois decorreu a parte do toureio apeado. Cai por terra o argumento da poupança de tempo, e só nos resta muito tristemente concluir que se trata nada mais do que uma questão de soberba e teimosia por parte da empresa. LAMENTÁVEL!!!

Nota: A Tauromania só hoje apresenta a crónica da corrio do passado dia 11 de Agosto, muito embora a mesma tenha nos tenha sido enviada no dia seguinte, mas infelizmente, por um acontecimento "informático" a mesma foi carregada mas não foi publicada. Pedimos desculpas aos leitores da Tauromania que diariamente nos acompanham e, em particular, ao autor da crónica João Diogo Câncio por só agora a estarmos a publicar.