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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

PRÉMIOS NA TOURADA À PORTUGUESA

Começo por fazer uma distinção: chamo tourada à portuguesa por contraposição à corrida de toiros, entendida esta como corrida integral com morte do toiro na arena e
“Não basta conquistar a sabedoria; é precisa usá-la”, Cícero Começo por fazer uma distinção: chamo tourada à portuguesa por contraposição à corrida de toiros, entendida esta como corrida integral com morte do toiro na arena e aquela como o espectáculo onde actuam cavaleiros e forcados frente a toiros embolados e «matadores» ou novilheiros que lidam reses despontadas, sem intervenção de picadores e sem morte de toiro na arena. Enquanto que na corrida de toiros os prémios de ovação, volta, orelha, 2 orelhas, 2 orelhas e rabo, volta do toiro ou indulto do mesmo, se encontram não apenas perfeitamente regulamentados, entendidos e assimilados pelo público, com o Presidente da corrida a assumir a responsabilidade máxima pela sua concessão e os toureiros «disciplinados» para só de pois da manifestação popular se dirigirem à arena para agradecer esses mesmos prémios, o mesmo não sucede em Portugal. Desde logo, Portugal é terra de uma festa “sui generis”, em que se lidam toiros embolados, em que existem forcados que os pegam de caras ou de cernelha, em que os destinados ao toureio a pé saem com as astes despontadas, onde não existe sorte de varas nem se mata o toiro no final, o Director de Corrida, vulgo Inteligente, tem o privilégio da concessão do prémio de volta á arena após petição popular. Mas a verdade é que ainda o público não bateu palmas ao toureiro e já este está na arena a pedi-las para a tal volta. Mais comedidos são, na esmagadora maioria dos casos, os forcados, que até se recusam a algumas voltas à arena. Mas já repararam na quantidade de voltas à arena que a esmagadora maioria dos cavaleiros dão em cada lide? É uma depois de cada ferro, mais uma no final e outra ainda depois do toiro recolhido!!! Está tudo dito... Na verdade, se o público permite cinco voltas a cavalo à arena após cinco vulgares ferros, porque não há-de permitir mais uma volta de apoteose final, com ou sem forcado? E o director de corrida pode alguma vez opôr-se??? Por isso entendo que os toureiros, sejam eles quais forem e de que categoria forem, deviam ter um pouco mais de cuidado e usar de alguma moderação nessas voltas a cavalo após os ferros. O público vai à praça para se divertir e sentir emoções diferentes. Aplaude o que gosta, mas deve sentir que os toureiros também são exigentes consigo próprios e se recusam a dar voltas por dar voltas.

sábado, 14 de agosto de 2010

Luis Procuna triunfa na Malveira

Noite fria e algo ventosa, a de ontem na Malveira, com triunfo de Luis Procuna e boa actuação de Brito pais no quinto da ordem

A noite fria e com algum vento à mistura não estava convidativa para ir aos toiros mas a verdade é que na Malveira a noite valeu sobretudo pela vontade de triunfar do matador Luis Procuna e pela segunda actuação de “Mia” Brito Paes, perante um curro rematado de Murteira Grave que não deu facilidades e complicou a vida aos toureiros e aos forcados.

Luis Procuna esbarrou com um primeiro de muita presença e bonito de tipo que apenas lhe permiitu algum luzimento com capote e bandarilhas mas já aqui se começou a defender e a mostrar a pouca qualidade que tinha. Defendendo-se a tarrascar, buscando o corpo do toureiro em cada muletazo, com investidas rebrincadas e arreões de manso, não permitiu o luzimento apesar dos esforços de Procuna em sacar-lhe passes. No que encerrou a corrida pudemos ver o matador moitense em muito melhor nível nos três tércios, com uma faena de muleta valorosa por ambos os pitóns, com alguns derechazos de muita qualidade.

No toureio a cavalo Brito Paes destacou-se pela lide ao quinto da ordem onde conseguiu os melhores ferros da noite, metendo-se na cara do toiro e cravando bem com batidas ao piton contrário mais ajustadas. Cumpriu no seu primeiro apesar das muitas passagens em falso.

Ana Batista não teve sorte no sorteio e demorou a encontrar soluções para os dois toiros que lhe tocaram lidar. Se tem eleito outros terrenos talvez tivesse sacado mais partido. Cumpriu a papeleta ante dois toiros complicados.

Os Forcados Amadores de Lisboa pegaram de caras os 4 toiros destinados ao toureio a cavalo por intermédio de Pedro Gil que suportou fortes derrotes e consumou à primeira a pega da noite, secundado por Miguel Souto à 2ª, João Luz à terceira e muito em curto a dobrar Miguel Nunes que se lesionou na única tentativa efectuada, fechando praça Pedro Miranda que concretizou à 2ª.

Direcção de António Barrocal assessorado pelo veterinário José Manuel Lourenço.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A genialidade de Salgueiro em lide magistral!


Triunfo forte de João Salgueiro no Montijo, no passado dia 26 de Junho. Uma lide de outro mundo com o "Van Gogh" ante um toiro de Samuel Lupi

Um Salgueiro genial e uma lide imaculada, prenhe de emoçãoe de bom toureio, magistral nos cites e nas cravagens, foi aquilo a que assistimos na noite do passado sábado 26 na Monumental do Montijo frente ao segundo toiro da noite, como os restantes da ganadaria de José Lupi. Salgueiro encontrou as distâncias precisas em cada momento, elegeu os melhores terrenos consoante as querenças que o toiro foi mostrando. Depois, de praça a praça provocando a investida, ou em curto atacando o pitón contrário montando o “Van Gogh” levantou o público das bancadas e proporcionou-nos momentos para recordar.

João Moura abriu praça com uma lide em bom plano, bregando com classe e deixando o toiro em sorte para cravar uma boa série de curtos onde os remates também foram de boa nota e onde segundo e quarto, com batidas ao piton contrário que resultaram, foram os seus melhores. No quarto da ordem Moura teve de porfiar para sacar partido do mansote que lhe tocou lidar e fê-lo como é seu apanágio, rematando com um excelente ferro de palmo.

João Salgueiro, depois da extraordinária actuação no segundo da noite, confirmou no quinto da ordem o seu excelente momento e, com um toiro de distintas condições, desenhou outra grande lide com dois excelentes curtos a abrir, o segundo de muito mérito pelo sítio e distãncia a que citou e cravou. Mais uma grande actuação de Salgueiro a confirmá-lo como truinfador indiscutível desta corrida.

Manuel Lupi esteve bem a bregar mas não muito acertado a cravar no seu primeiro já que falhou o toiro por diversas vezes na ferragem curta, deslustrando um pouco a sua actuação onde deixaria dois ferros de boa nota. No que encerrou praça esteve bem melhor, procurando entrar de frente nos terrenos do oponente depois de citar a deixar-se ver e cravou uma meritória série de curtos rematada com dois de palmo.

Os dois Grupos de Forcados conseguiram também excelentes momentos com algumas das intervenções a serem de excelente nível. Pelos Amadores de Montemor foram caras Noel Cardoso que consumou à 3ª, António Vacas de Carvalho numa excelente pega de caras á 1ª e que viria a vencer o troféu em disputa para a melhor pega, e Manuel Ramalho numa rija intervenção á 1ª. Quanto aos Amadores do Montijo, João Paulo Damásio concretizou boa pega de caras à 2ª, Pedro Santos esteve irrepreensível a citar e a recuar para consumar uma grande pega de caras à 1ª e Hélio Lopes apenas à 3ª conseguiu concretizar a última pega do seu agrupamento.

Os toiros (neste caso novilhos-toiros pois todos tinham o 7 na mão direita) da ganadaria de José Lupi, cumpriram no geral em diversos graus e ajudaram ao bom espectáculo a que assistimos.

Na direcção de corrida esteve António José Martins coadjuvado pelo veterinário Daniel Patacho de Matos, registando-se meia casa forte em termos de assistência.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Salvador, Rouxinol e Sónia impõem-se em Santarém!


Rui Salvador, Luis Rouxinol e Sónia Matias foram os três cavaleiros que mais se destacaram em Santarém frente a um imponente curro de António Silva...

Apesar da crise financeira que asfixia cada vez mais as famílias portuguesas, quase cinco mil espectadores presenciaram a primeira das três corridas da Feira de Santarém, realizada ontem domingo, na “Celestino Graça” e vibraram com as actuações de Sónia Matias, Rui Salvador e Luis Rouxinol, os mais destacados dos 6 cavaleiros em praça, frente a um imponente curro com ferro de António Silva, com trapio e média de 599 kilos, com boas condições de lide no geral e que, por isso, deveriam ter merecido os aplausos do público. Nesta corrida foram homenageados o grande radialista e comunicador António Sala e a cavaleira Sónia Matias pelos 10 anos de alternativa (18.06.2000).

Sónia Matias apresentou-se com grande força e se nos compridos as coisas não rodaram muito bem, com os curtos esteve em toureira, mostrando-se nos cites, procurando as viagens frontais e a cravar bem no sítio em sortes a quarteio bem executadas. Na fase final e com um novo cavalo árabe deu show ao cravar de violino um ferro normal e outro de palmo que empolgaram a assistência.

A abrir praça esteve Rui Salvador que assinou uma boa lide frente a um cumpridor “Silva” mas que por vezes dificultava no momento da reunião por trazer a cara alta. Salvador assinou bons momentos, entrando nos terrenos do toiro, pisando esses terrenos para deixar bons ferros curtos, os quais chegaram ao público pela forma como decidiu abordar, sem facilitar, a lide.

Luis Rouxinol também esteve em bom plano quer nos compridos quer nos curtos, ligando-se bem com o toiro na brega e deixando-o bem colocado para a ferragem da ordem, deixada a sesgo e a quarteio, com mérito. Finalizou com um bom par de bandarilhas uma actuação interessante.

José Manuel Duarte não aproveitou as investidas do quarto toiro pois demorou demasiado a encontrar-lhe terrenos, distâncias e querenças. Nem sempre a ferragem foi deixada da melhor forma apesar do esforço do toureiro de Santarém. Outra vez será a sua para o triunfo ansiado.

Tito Semedo teve uma lide de menos a mais, melhorando bastante com a ferragem curta e encontrando terrenos idóneos para a cravagem. Uma actuação de altos e baixos do cavaleiro alentejano que teve no 4º curto o seu melhor ferro.

Tomás Pinto, jovem com valor e mérito para se impôr nesta difícil arte, procurou o toureio frontal, pisando terrenos de compromisso e mostrando vontade de agradar. Mas nem sempre à disposição do homem está a colocação da ferragem que ficou dispersa. Mesmo assim, nota positiva para a sua prestação pelo empenho colocado.

Os moços de forcado dos Amadores de Santarém levaram a melhor sobre os seus congéneres de Montemor que não tiveram tarde tão afortunada. Pelos Amadores de Santarém Joaquim Pedro Torres à 2ª, assim como António Gomes Pereira e João Vaz Freire, este à 1ª, consumaram boas pegas de caras. Pelos de MontemorJoão Tavares consumou à 2ª, João Cabral esteve bem e consumou á primeira e Pedro Santos apenas à 3ª conseguiu concretizar depois de ter sido mal ajudado nas anteriores tentativas.

Direcção correcta de Ricardo Pereira assessorado pelo veterinário João Maria Nobre.

FOTO: SoniaMatias.pt

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Moura e Marcelo triunfam na Encarnação


O mano-a-mano entre João Moura e Marcelo Mendes resultou num triunfo para ambas as partes. Miguel Moura deu também um ar da sua graça...

A tarde apresentou-se fresca e sem sol e o público quis render homenagem póstuma a Nuno Raposo um jovem entusiasta da festa brava, e a uma bonita moldura humana corresponderam os toureiros e os forcados com exibições de muito bom nível, pautadas pela seriedade e pela frontalidade do toureio praticado e com o praticante Marcelo Mendes a não se inibir perante o consagrado maestro João Moura, dando ambos uma boa tarde de toureio a cavalo.

João Moura, quando menos se espera destapa o frasco das essências. Entendeu na perfeição os dois novilhos-toiros de Cunhal Patrício que, como os restantes, cumpriram. Bons momentos na brega, cites vistosos e a encontrar toiro em todos os terrenos, permitiram ao maestro cravar uma série de curtos de muito boa nota, encurtando distâncias e provocando as investidas aos toiros. O primeiro comprido no segundo do seu lote é excelente pela viagem e pela forma como aborda o toiro e crava o ferro e dois curtos, em sortes frontais são também de muito boa nota em cada uma das lides. Rematou com os de palmo entre o forte entusiasmo popular.

Marcelo Mendes jogava cartada importante face ao alternante que tinha. E triunfou também mercê da sua entrega e da boa escolha dos terrenos para cravar a ferragem, o que fez com nível, rematando bem as sortes e deixando os oponentes colocados para o ferro seguinte. Deu distâncias para se deixar ver no cite e provocar a investida e soube encurtar as distâncias quando o andamento dos toiros diminuiu. Bons ferros curtos em ambos os toiros, culminando com um excelente par de bandarilhas a duas mãos sob fortes aplausos do público.

Os dois Grupos de moços de forcado não tiveram dificuldades de maior para pegarem os 4 exemplares de Cunhal Patrício. Assim, pelos Amadores do Ribatejo foi o cabo João Machacaz quem abriu praça com uma boa pega ao primeiro intento, secundado por Mário Gouveia também bem na cara do novilho-toiro e a consumar à primeira. Pelos Amadores de São Manços foram caras André Azeda numa boa intervenção ao primeiro intento e Nuno Leão consumou à segunda outra boa pega de caras.

Direcção de Pedro Reinhardt, muito preocupado com o cronómetro, assessorado pelo médico-veterinário José Manuel Lourenço. No início da corrida foi prestada homenagem, no centro da arena, a Nuno Raposo.

Espectáculo de Variedades Taurinas

O amador Miguel Moura lidou um novilho de Cunhal Patrício que teve os seus problemas e mais uma vez mostrou uma desenvoltura natural e um sentido de lide que é estranho num miúdo desta idade. Procurou o toureio frontal, fez cites de largo, cravou bons ferros e encantou o público que estava nas bancadas da praça de toiros instalada na Encarnação (Mafra). É um caso sério de intuição este Miguel Moura. Leonel Godinho, dos Amadores do Ribatejo, concretizou a pega de caras à segunda tentativa.

30 Anos de Alternativa comemorados com senhorio!


Paulo Caetano comemorou os seus 30 anos de Alternativa no Campo Pequeno, numa noite onde deixou bons apontamentos de toureio...

Quando há 30 anos recebeu a alternativa de cavaleiro tauromáquico, num momento em que as figuras apertavam forte em todas as corridas, Paulo Caetano procurava um rumo que descobriu, serenamente, voltando as costas ao mar (como no seu livro), se inspirou nas «tágides» (ninfas do Tejo cantadas por Camões), e rumou ao Alentejo profundo, encontrando aí o seu refúgio e base para uma carreira de altíssimo nível e que o guindou por mérito próprio ao estatuto de figura.

A corrida da comemoração dos 30 anos de alternativa de Paulo Caetano teve alguns bons momentos e a classe do toureiro de Almada esteve presente e permitiu ver esses cites bonitos e as entradas ao pitón contrário e alguns pormenores de brega, quer na colocação quer nos remates das sortes. Uma lide muito ao seu estilo pessoal, com um cunho próprio e inimitável, sublinhada com imensos aplausos.

Joaquim Bastinhas esteve com a garra e entrega habitual, apesar dos muitos anos de alternativa que também já carrega. Entrega na brega, nas sortes e nas cravagens, nos remates. E sempre com uma energia transbordante e contagiante. Rematou com o par de bandarilhas e deixou a praça de pé a bater-lhe palmas.

João Moura Caetano tem outra concepção do toureio, mais moderna e por vezes nem sempre com o acerto que se requer na colocação da ferragem. Mas desta vez esmerou-se em especial nos curtos com algumas reuniões ajustadas em ferros cambiados mas foi o seu terceiro em sorte frontal bem executada o melhor do seu labor.

Marcos Bastinhas esteve a contento no cômputo geral da sua actuação. Bem na brega, subiu de tom nos curtos, com um quarto de muito boa nota em sorte frontal, rematando a sua actuação com um de palmo.

Nas lides a duo estiveram melhor os Caetanos que os Bastinhas, sendo que os primeiros conseguiram mais e melhor ligação desde o início e os segundos só na fase final da lide conseguiram empolgar o público.

Os Forcados de Santarém estiveram em bom plano com intervenções seguras mas seria Gonçalo Veloso, esse pequeno gigante, a levantar o público das bancadas com uma enorme pega de caras suportando os derrotes e alguma ajuda menos boa, dando duas voltas á arena. Os Amadoresde Portalegre cumpriram nos seus primeiro e segundo toiro e sentiram bastas dificuldades para pegarem o último.

Numa corrida de toiros deveriam ter-se lidado toiros, mais ainda quando se trata da primeira praça do País. Sabemos que o regulamento não obriga a que tenham 4 anos cumpridos nem que tenham trapio. Mas os novilhos de Maria Guiomar Moura, que serviram para o espectáculo apesar da sua escassa emoção e transmissão, tinham 3 anos e escasso trapio na sua generalidade, retirando com isso importância à função.

Dirigiu a corrida José Tinoca com assessoria veterinária de Francisco Barata e com casa quase cheia.