- Praça de Toiros: Campo Pequeno, em Lisboa- Data: 8 de Julho de 2010, às 22h15
- Empresa: Sociedade do Campo Pequeno, S.A.
- Ganadaria: Pinto Barreiros
- Cavaleiros: Rui Salvador, João Salgueiro e Tiago Carreiras
- Grupo de Forcados: Amadores do Aposento do Barrete Verde de Alcochete e Amadores das Caldas da Rainha, capitaneados respectivamente por João Salvação e Nuno Vinhais
- Assistência: 3/4 de casa
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr. Ricardo Pereira, assessorado pelo médico veterinário Dr. José Luís Cruz
- Banda: Samouco
Depois da “injecção” de rejoneio que se assistiu na corrida da semana passada na Catedral Mundial do Toureio a Cavalo, a Praça de Toiros do Campo Pequeno abriu de novo as suas portas para receber a XII Corrida da TVI. Esta corrida já ganhou o seu espaço no panorama taurino nacional e tinha ingredientes suficientes para não deixar o público defraudado.
Dos campos alentejanos de Arraiolos vieram os toiros da ganadaria de Pinto Barreiros. Os exemplares quatreños da denominada “ganadaria mãe” das ganadarias portuguesas saíram à praça com excelente apresentação e com pesos a oscilar entre os 488 Kg e os 628 Kg, transmitindo emoção na generalidade. De destacar pela positiva o segundo toiro da corrida – nobre e bravo – e, em sentido contrário, o quarto toiro – muito reservado, refugiando-se desde o inicio da lide nas tábuas.
O cavaleiro Rui Salvador apresentou-se este ano pela primeira vez no Campo Pequeno. Figura já consagrada da nossa tauromaquia, Rui Salvador é um cavaleiro que se apresenta sempre com enorme profissionalismo e entrega. Com o seu primeiro toiro, um Pinto Barreiros colaborante, Salvador deixou a ferragem comprida da ordem. Já com os curtos o cavaleiro de Tomar desenvolveu uma lide asseada, destacando-se bons pormenores de brega, com o cavaleiro a procurar sempre os melhores terrenos para a cravagem. Destaca-se o quarto ferro curto, com uma reunião justa e com emoção ao bom estilo de Salvador. Já no segundo do seu lote, Rui Salvador teve pela frente o toiro mais complicado da corrida. Perante um oponente muito reservado, distraído e que cedo se refugiou em tábuas, Salvador limitou-se a despachar a ferragem comprida. Já nos curtos foi obrigado a encurtar terrenos para tirar algum partido do oponente. Numa lide esforçada evidencia-se o violino cravado em quarto lugar e o quinto curto bem cravado.
Ao cavaleiro João Salgueiro calhou-lhe o melhor toiro da corrida. O primeiro do seu lote e o segundo da noite foi um toiro bravo e com nobreza, permitindo a Salgueiro uma excelente lide, toureando com verdade, justificando totalmente as duas voltas que deu no final. Nos compridos o cavaleiro de Valada do Ribatejo deixou três ferros regulares. Mas foi na ferragem curta que Salgueiro levantou a praça, procurando sempre cravar de praça a praça e toureando com verdade o seu oponente. Bem a bregar e impondo o seu estilo muito próprio e alegre, Salgueiro deixou quatro ferros curtos plenos de emoção, destacando-se os dois últimos ferros, cravados de poder a poder e com reuniões justas e bem conseguidas. No seu segundo toiro João Salgueiro perdeu a oportunidade de brilhar e quem sabe ter um triunfo ainda mais redondo. Cravou dois compridos de boa nota mas nos curtos abusou dos quiebros, num toiro que exigia outro tipo de lide. Desta forma, as reuniões não foram tão bem conseguidas, chegando mesmo a levar um toque na montada na cravagem no terceiro curto. Ainda assim, destaca-se o quarto e quinto ferro curto, bem rematados.
Depois de tirar a Alternativa nesta mesma arena o cavaleiro Tiago Carreiras apresentou-se de novo em Lisboa. No primeiro toiro do seu lote, Carreiras cravou dois ferros compridos à tira de forma regular. Na passagem para os curtos, o cavaleiro alentejano de Sousel preocupou-se mais com o remate das sortes, em detrimento da preparação e consumação das sortes. O resultado foi uma lide morna, com os ferros cravados já na garupa do cavalo. Contudo, o destaque vai para o primeiro e quinto ferros curtos bem rematados. No último toiro da corrida Tiago Carreiras esteve desacertado na cravagem dos dois compridos, com duas passagens em falso aquando da colocação do segundo ferro. Perante um toiro que cumpriu e que veio a mais, Carreiras “encontrou-se” nos curtos e conseguiu uma lide mais acertada. Realça-se o terceiro ferro curto, com sorte bem preparada e rematada, bem como o quarto ferro cravado ao estribo.
No capítulo da valente rapaziada da jaqueta de ramagens coube ao Grupo de Forcados Amadores do Aposento do Barrete Verde de Alcochete abrir praça. À cara do primeiro toiro foi o cabo João Salvação. Com um cite vistoso, mandou vir o toiro, reuniu com correcção mas o toiro mudou de trajectória, chegando as ajudas tarde para conseguir fechar a pega. Na segunda tentativa, o forcado mandou na investida, reuniu com decisão e ficou na cara do toiro até o grupo fechar e consumar a pega. Diogo Timóteo foi o escolhido para pegar o terceiro toiro da corrida. O forcado citou com serenidade e o toiro arrancou logo à voz. Contudo, a reunião não foi a mais conseguida, tendo o forcado sido composto na cara do oponente com a ajuda de todo o grupo que conseguiu fechar com coesão e assim consumar a pega à primeira tentativa. Carlos Neves foi à cara do quinto toiro da corrida. Citando com querer, o toiro arrancou de pronto, tendo o forcado reunido, porém não ficando na cara do Pinto Barreiros que derrotou alto e não permitiu ao grupo fechar. Na segunda tentativa, com o primeiro ajuda mais perto, o forcado voltou a citar com determinação e fechou-se bem no momento da reunião. O toiro ainda baixou a cara mas o forcado aguentou até à chegada das ajudas que assim consumaram a pega ao segundo intento.
Quanto à actuação do Grupo de Forcados Amadores das Caldas da Rainha, Francisco Rebelo de Andrade foi o escolhido para abrir a actuação do grupo. Citou com muita calma, mandou vir o toiro, recuou o suficiente e reuniu com decisão até ao grupo fechar coeso correctamente. Óscar Carvalho foi o escolhido para pegar o quarto toiro da corrida. Com um cite sereno, foi decidido a mandar vir o toiro, conseguindo depois uma reunião correcta. O grupo esteve muito coeso a fechar, consumando-se a pega ao primeiro intento. Para o último toiro da corrida foi à cara o forcado Mário Cardeira. Com um cite bonito e vistoso, mandou vir o toiro que arrancou com pata em direcção do forcado que não conseguiu ficar na cara do toiro, que entrou pelo grupo dentro, originando algum aparato na arena. À segunda tentativa, o forcado citou de novo com garra mas nem chegou a reunir, deixando passar o toiro por todo grupo. Consumou a pega à terceira, já com ajudas carregadas, reunindo com querer e com o grupo a fechar já nas tábuas.
O Mais e o Menos
+ Os toiros de Pinto Barreiros. Um curro que transmitiu (com excepção do quarto) e com destaque para o segundo toiro que mostrou bravura.
+ A primeira lide de João Salgueiro, que toureou com verdade, merecendo dar as duas voltas à praça, ao contrário de muitas outras situações que temos visto na arena do Campo Pequeno. Um triunfo com outro sabor na arena da primeira praça do País.
+ O bom ambiente e o ritmo da corrida.
- Nada a destacar
Fotografia: José Fernando Potiier
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