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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vulgar, polémica e acidentada Corrida na Ovibeja

- Praça de Toiros: Varela Crujo, em Beja
- Data: 7 de Maio de 2011, pelas 17 horas
- Empresa: Aplaudir Unipessoal, Lda
- Ganadaria: António Silva
- Cavaleiros: Tito Semedo, Sónia Matias e João Moura Caetano
- Grupos de Forcados: Real G. F. Amadores de Moura, Cascais e Beja capitaneados por Pedro Acabado, Pedro Marques e Manuel Almodôvar, respectivamente.
- Assistência: ½ casa
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. Agostinho Borges, assessorado pelo médico veterinário Dr. Matias Guilherme.

Muitas vezes torna-se difícil escrever o que quer que seja sobre determinadas corridas de toiros, principalmente quando não há muito para dizer sobre o que se passou no que ao toureio diz respeito e muito a contar sobre as “peripécias” que rodearam as actuações de cavaleiros e forcados. Infelizmente é o que vem sucedendo cada vez com mais frequência nas praças de toiros deste nosso Portugal. Nesta tarde, em Beja, numa data tradicional e por ocasião de uma das mais importantes feiras agrícolas nacionais, assistiu-se a pouco toureio, muita polémica e alguns acidentes…

Os toiros, um dos maiores atractivos desta corrida (senão o maior) pertenciam à Ganadaria de António Silva, estavam ferrados com o 8 na espádua e acusaram na balança pesos que oscilaram entre os 500 e os 540 kg. De excelente apresentação e trapio, o seu comportamento foi gravemente afectado pelos intensos e constantes capotazos que logo de início lhes foram ministrados pelos bandarilheiros de serviço, de modo a perderem toda a sua capacidade de investida. Se nuns casos são os ganaderos que seleccionam os toiros de modo a saírem à praça de investida suave, sem apertarem em demasia os cavaleiros e forcados, nesta tarde foram os bandarilheiros de serviço, com a conivência dos cavaleiros, que se encarregaram de o fazer.

Tito Semedo teve duas lides muito irregulares, cravando, quase sempre, em sortes aliviadas, e a cilhas passadas e consentindo toques na montada. Insistiu em terminar com ferros de violino e de palmo, que cravou com alguma dificuldade e de forma ortodoxa, que nada vieram adiantar ao que já havia feito. No último toiro do lote de Sónia Matias só à terceira tentativa conseguiu deixar um ferro de palmo, terminando com outro em que sofreu forte toque na montada. Na primeira lide, após a colocação do primeiro comprido foi colhido, felizmente sem consequências.

Sónia Matias saiu com vontade de fazer as coisas bem, mas a sorte não esteve do seu lado e, após a cravagem do segundo ferro comprido, sofreu uma aparatosa colhida que a levou a ter que ser assistida no hospital, não mais regressando à corrida. E foi aqui que se instalou a polémica… Nos termos do Regulamento, deveria continuar a lide o cavaleiro com alternativa mais antiga, neste caso Tito Semedo. Contudo, alegando que o piso da praça não se encontrava em condições, recusou-se a terminar a lide. Gerou-se enorme confusão, com o director de corrida a mandar recolher o toiro com os forcados do grupo de Cascais a não o permitirem e, contrariando as suas ordens, a saltarem à praça para efectuarem a pega. Após isso os cavaleiros presentes, juntamente com apoderados e subalternos dirigiram-se ao director de corrida invocando o mau estado do piso e pretendendo que o mesmo fosse regularizado, so pena de não continuarem a corrida. Perante estas cenas lamentáveis, que em nada dignificam a tauromaquia nacional, devem deixar-se algumas interrogações: Não terão os cavaleiros e/ou seus apoderados e subalternos o dever de verificar previamente o estado do piso da praça? E a empresa organizadora não tem esse mesmo dever? E o director de corrida?

João Moura Caetano assinou, nesta tarde os melhores momentos na lide do segundo do seu lote. Embora não tendo começado da melhor forma, teve uma lide em crescendo que terminou com um grande ferro, a sesgo, em reunião apertada e com o toiro a sair por cima da garupa do cavalo. Foi, sem sombra de dúvidas, o melhor ferro da tarde. Já nos dois anteriores o cavaleiro tinha estado em bom nível. No seu primeiro andou algo aliviado nas sortes, conduzindo a montada sempre com as duas mãos e consentindo alguns toques.

Os forcados, apesar de terem pela frente os “terroríficos silvas” tiveram uma tarde fácil. Abriu praça o Real Grupo de Forcados Amadores de Moura por intermédio de João Cabrita, que, perante uma viagem ensarilhada do toiro, não reuniu da melhor forma e consumou uma pega sem grandes dificuldades. Para a cara do quarto da ordem saiu Cláudio Pereira que citou de largo, fixando o toiro e embora não reunindo da melhor forma, conseguiu fechar-se, mas as ajudas a tardarem e o forcado a sair com forte derrote. Consumou à segunda tentativa, com o grupo a rectificar e a fechar bem.

O Grupo de Forcados Amadores de Cascais apenas pegou um dos toiros já que no primeiro, em clara desobediência às ordens do director de corrida, cuja autoridade vem sendo posta em causa cada vez mais com mais frequência, efectuou uma pega apressada, sem citar e com o grupo todo em cima. Para pegar o último da corrida e 5º da ordem saltou o forcado Luís Camões que, perante a arrancada pronta do toiro, conseguiu reunir bem, aguentando fortes derrotes, com o grupo a ajudar bem e a consumar uma rija pega, que, no final, viria a ganhar o troféu para a melhor pega. Também aqui, perante os acontecimentos menos dignos que se verificaram e que se vão vendo cada vez com mais frequência nas nossas praças, deixamos algumas perguntas a que urge dar resposta, de modo a que possam ver-se reduzidas ou até completamente eliminadas cenas como as que hoje presenciámos: Não deveria ser seriamente punido quem desobedece às ordens ou instruções do director de corrida? Não deveriam ver-se divulgadas as sanções que são aplicadas nestes casos? Não deveriam a ANGF e a Associação Nacional de Toureiros, perante a passividade de um Regulamento já completamente ultrapassado e que tarda em ser revisto, aplicar sanções acessórias? É que, se não forem tomadas medidas, a anarquia tornar-se-á uma constante nas praças portuguesas (se é que não o é já…).

Pelo Grupo de Forcados Amadores de Beja foram caras o forcado João Fialho, que, com o toiro a sair solto de tábuas, reuniu bem e consumou uma pega sem dificuldades de maior e José Miguel Falcão, que, apesar de não ter mandado na investida e não ter reunido da melhor forma, consumou uma rija pega, com o grupo a ajudar bem.

O Mais e o Menos
+ Nada a registar
- O mau estado do piso e a polémica que se instalou devido a esse facto
- A clara desobediência às ordens do director de corrida por parte do Grupo de Forcados Amadores de Cascais, com cenas que em nada dignificam a Festa.
- As constantes intervenções dos bandarilheiros no decorrer das lides, com a clara intenção de diminuir as faculdades físicas dos toiros

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Corrida inaugural da Feira de Outubro em Vila Franca

- Praça de Toiros: Palha Blanco, em Vila Franca de Xira
- Data: 02 de Outubro de 2010, pelas 22.00 horas
- Empresa: Tauroleve
- Ganadaria: Veiga Teixeira
- Cavaleiros: Ana Batista, Pedro Salvador e Manuel Telles Bastos
- Grupos de Forcados: Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo, do Aposento do Barrete Verde de Alcochete e do Clube Taurino Alenquerense, capitaneados por João Machacaz, João Salvação e Jorge Vicente, respectivamente.
- Assistência: ½ casa
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. Ricardo Pereira, assessorado pelo médico veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.

Corrida inaugural da Feira de Outubro na Palha Blanco, uma das de maior tradição e prestígio no panorama taurino português, este ano sob o lema “A Feira da Imponência do Toiro Português”. Em praça três cavaleiros de alternativa já com provas dadas, com diferentes estilos e conceitos de toureio a cavalo. Para as pegas três grupos de forcados em acesa competição.

Os toiros pertenciam à ganadaria de Veiga Teixeira, todos com quatro anos cumpridos e a acusarem na balança pesos que oscilaram entre os 460 e os 555 kg. Bem apresentados, em termos de comportamento mostraram mobilidade, e foram colaboradores com os cavaleiros, manifestando alguma codícia nas investidas, com destaque para os 2º e 5º da ordem, que foram bravos e com nobreza. O terceiro da noite saiu à praça fisicamente debilitado e não deveria ter sido permitida a sua lide.

Ana Batista, diante do primeiro na noite, teve algumas dificuldades em entendê-lo e, de início, as coisas não correram bem. Mexeu bem no oponente que lhe tocou em sorte, deixando-o sempre bem colocado e a sua lide foi vindo a mais, terminando em bom plano, com um último ferro curto de boa nota. No quarto da ordem, vimos-lhe uma lide séria e muito correcta, mas sem o brilho que por certo desejava. Cravando em sortes a quarteio, terminou com um muito bom ferro, numa sorte bem ajustada. Não percebemos porque não escutou música durante a lide.

Pedro Salvador iniciou a sua actuação com três ferros compridos à tira de excelente colocação. Nos curtos, privilegiou as sortes frontais, deixando três ferros de forma correcta. Terminou com dois ferros em sortes cambiadas, sendo que a colocação do primeiro aconteceu já bem para lá do estribo e o segundo resultou muito aliviado, fruto do engano a que submeteu o toiro. O segundo do seu lote era um toiro encastado, mas bravo, que pedia que lhe provocassem a investida, entrando-lhe nos terrenos e o cavaleiro não o conseguiu. Os dois primeiros curtos foram colocados a cilhas bem passadas o primeiro e, o segundo foi pescado. Mudou de montada e optou novamente pelos quiebros, o que o obrigou a passar demasiadas vezes em falso e, quando conseguiu cravar, fê-lo de forma pouco conseguida.

Manuel Telles Bastos iniciou a noite perante um inválido que não deveria ter sido lidado. E se a direcção de corrida o permitiu, deveria ter sido o cavaleiro a ter abreviado a lide. Apesar de tudo, deixou bons apontamentos, sendo que os dois últimos ferros curtos foram de nota positiva. Escutou música quando não se justificava, mandou que parasse, mas o director de corrida, talvez para colmatar a decisão de não ter devolvido o toiro aos curros, insistiu para que continuasse. No final apenas agradeceu nos médios a pedido do público. No seu segundo vimos-lhe uma lide séria, diante de um toiro que não era fácil, que esperava no momento da reunião, investia aos arreões e tinha tendência para tábuas. Bem a lidar e a deixar o toiro em sorte, cravou de frente, de alto a baixo e ao estribo, com excepção do primeiro ferro curto que resultou ligeiramente para lá da cilha. Terminou com um grande ferro curto, de antologia, fechando com chave de oiro esta sua passagem pela Palha Blanco.

Quanto às pegas, iniciou a noite o Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo, por intermédio do seu cabo João Machacaz. Citou de largo, o toiro saiu solto e franco e o forcado reúne de forma correcta, consumando uma boa pega, sem que o toiro complicasse. Mário Gonçalves saiu para pegar o quarto da ordem e, com o toiro a sair solto de tábuas, muito por culpa do cabo, não conseguiu reunir. À segunda entrada, com as ajudas mais em cima, embora citando com alguma indecisão e não reunindo da melhor forma, conseguiu fechar-se muito bem à córnea, aguentando fortes derrotes sozinho na cara do toiro, com as ajudas a tardarem em consumar uma rija pega.

Pelo Grupo de Forcados Amadores do Aposento do Barrete Verde de Alcochete saiu para pegar o primeiro do seu lote o forcado Diogo Timóteo, que, no primeiro intento, esteve correcto no cite, mandou vir, mas não recebeu da melhor forma e não conseguiu reunir. À segunda, o forcado reúne bem, aguenta fortes derrotes, mas as ajudas tardam e é despejado no seio do grupo. Depois de sair no primeiro derrote, à terceira tentativa, consumou a pega ao quarto intento, com boa primeira ajuda do cabo João Salvação, que saiu para pegar o quinto toiro da noite. O astado sai para o forcado mal o avista, este reúne bem e consuma uma boa pega à barbela, com o grupo a ajudar.

O Grupo de Forcados Amadores do Clube Taurino Alenquerense, começou a sua intervenção por intermédio de António Pedro que, perante um toiro inválido, que não deveria ter sido pegado, reúne de forma pouco correcta, mas, com o toiro a cair, consegue ficar na cara e consuma uma pega sem qualquer brilho. Apesar disso, no final, saiu lesto e com prontidão para a volta a arena, que só não deu porque o cavaleiro a recusou. A encerrar a corrida, saltou tábuas Ricardo Filipe, que citou com rapidez e alguma precipitação, o toiro arrancou com prontidão e com investida franca e consuma uma boa pega, com o grupo a ajudar bem.

O Mais e o Menos
+ Nada a registar.
- A lide e a pega do terceiro toiro, completamente inválido e a arrastar-se penosamente pela arena.
- A insistência do director de corrida em que a banda de música continuasse a tocar no decorrer da terceira lide, mesmo depois de o cavaleiro a mandar parar, reconhecendo que não merecia tal prémio.

Fotografia: Carlos Ramalhinho

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Corrida de toiros da Feira das cebolas em Portalegre

- Praça de Toiros: José Elias Martins, em Portalegre
- Data: 12 de Setembro de 2010, pelas 17.30 horas
- Empresa: Gestoiro
- Ganadaria: Francisco Luís Caldeira
- Cavaleiros: João Moura, João Salgueiro e Ana Batista
- Grupos de Forcados: Amadores de Évora e de Portalegre, capitaneados por Bernardo Patinhas e Fernando Coelho, respectivamente.
- Assistência: ½ casa fraca
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. José Tinoca, assessorado pelo médico veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.

É já tradição no meio taurino português a corrida por ocasião da feira das cebolas em Portalegre. Este ano não fugiu à tradição e, em praça, três figuras do toureio a cavalo e dois grupos de forcados e uma ganadaria da região, na expectativa de chamar gente à praça, o que não aconteceu, talvez pelo intenso calor que se fazia sentir.

A ganadaria de Francisco Luís Caldeira enviou um curro de novilhos bem apresentado, com trapio a condizer com a categoria da praça, com excepção do último da corrida, de apresentação menos condigna. Apresentavam pesos entre os450 e os 490 kg e, no geral, saíram mansos, a procurar tábuas e pouco colaboradores com os cavaleiros.

João Moura abriu a tarde com uma lide morna, ao sabor do novilho que lhe calhou em sorte. Preocupou-se pouco com a colocação do oponente, levando-o em vistosos ladeios e colocando a ferragem onde o toiro ficava. Depois de dois compridos aos quais não deu qualquer importância, deixou quatro ferros curtos e um palmo a encerrar, com destaque, pela positiva, para os curtos que cravou em primeiro e terceiro lugares. Na segunda actuação teve pela frente um novilho complicado, que não saía de tábuas e limitou-se a despachar a ferragem da ordem, sempre em sortes a sesgo e sem brilho. Mesmo assim, saiu para a volta á arena com o forcado.

A João Salgueiro tocou um primeiro novilho manso e sem grandes opções de lide. Cravou a ferragem da ordem com alguma dificuldade e, no final, limitou-se a agradecer nos médios a insistência do público. No seu segundo, um novilho com mais opções, vimos muitos alardes, demasiadas intervenções dos seus bandarilheiros, que foram tirando poder de investida ao astado e demasiadas provocações ao público, após os remates com piruetas, numa lide a que vulgarmente se chama de asseada e que pecou ainda por ser prolongada demais.

Ana Batista teve, quanto a nós, a melhor lide da tarde, no primeiro do seu lote. Perante um novilho encastado, que era preciso saber lidar, a cavaleira entendeu-o na perfeição e deu-lhe a lide mais adequada, cravando bons ferros, em reuniões ajustadas, de frente e de alto a baixo como mandam as regras. O seu segundo novilho foi mais um sem grandes opções de lide e, embora esforçada, a cavaleira não conseguiu dar-lhe a volta e sair por cima do astado. Apesar disso saiu espontaneamente para a volta.

No capítulo das pegas, pelo Grupo de Forcados Amadores de Évora saiu para a primeira pega o cabo Bernardo Patinhas que teve um cite exemplar, recebeu muito bem e consumou uma pega sem grandes dificuldades por parte do novilho. Para pegar o terceiro da noite saltou Gonçalo Sequeira, que, com o toiro fora de tábuas, citou um pouco precipitadamente, o toiro saiu avisado pelos capotes, de forma solta e o forcado, apesar de se ter fechado bem, saiu já junto a tábuas, com os restantes elementos do grupo a serem pouco lestos nas ajudas. No segundo intento, entrou nos terrenos do toiro, conseguiu reunir, mas saiu antes de chegar às ajudas. Consumou à terceira entrada, com o grupo a evidenciar alguma dificuldade nas ajudas. Apesar disso saiu lesto para a volta à arena. João Leitão citou de largo para a pega ao quinto da tarde, carregou de largo, não recebeu o novilho da melhor forma e não conseguiu fechar-se. Consumou à segunda tentativa, à barbela e, mais uma vez, com alguma falta de coesão do grupo.

Pelo Grupo de Forcados Amadores de Portalegre, a pegar em casa, saltou tábuas para a pega ao segundo novilho da tarde o forcado Luís Cabaço, que citou de largo, com muita calma e consumou uma pega sem grandes complicações por parte do astado. Miguel Zagalo foi à cara do segundo do grupo. Citou a interessar o novilho, que se mostrava reservado, entrou-lhe nos terrenos, reuniu bem e consumou uma boa pega à córnea, bem ajudado pelo grupo, com destaque para a boa primeira ajuda. António Cary foi o escolhido para pegar o último novilho da corrida e fê-lo da melhor forma. Na primeira entrada, o toiro investe com a cara alta e a derrotar e despeja o forcado antes da chegada das ajudas. Na segunda tentativa o toiro reserva-se, o forcado vai lá acima buscá-lo, saca-se bem, fecha-se de braços e pernas e consuma uma muito boa pega, com o grupo a mostrar coesão.

O Mais e o Menos
+ Nada a registar.
- A ausência de campinos e cabrestos na recolha dos novilhos, durante toda a corrida, contrariando o que regulamentarmente se encontra estipulado e que deve ser cumprido.
- O pó que se fez sentir nas bancadas durante a segunda parte do espectáculo.

domingo, 12 de setembro de 2010

Na Arena D' Évora, vitória dos toiros sobre os aficionados

- Praça de Toiros: Arena D' Évora

- Data: 11 de Setembro de 2010, pelas 21.30 horas
- Empresa: Terra Brava
- Ganadaria: Palha
- Cavaleiros:
Luís Rouxinol e João Salgueiro
- Cavaleiro Praticante: Tomás Pinto
- Grupo de Forcado: Forcados Amadores de Évora e de S. Manços, capitaneados por Bernardo Patinhas e Joaquim Branco respectivamente.
- Assistência: ½ casa
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. Agostinho Borges, assessorado pelo médico veterinário Dr. Matias Guilherme.

A expectativa era grande para corrida das casas do Benfica no Alentejo, principalmente pelos toiros, que pertenciam a uma ganadaria que habitualmente apenas lida em Espanha e que, pela segunda vez desde há muitos anos, aparece, com um curro completo, numa corrida em Évora, numa aposta audaz e corajosa da empresa que gere a praça. Pena foi que os aficionados não tivessem correspondido… Do restante cartel faziam parte duas das figuras cimeiras do toureio a cavalo à portuguesa e um cavaleiro praticante que tem pautado a época por boas actuações. Para as pegas dois grupos vizinhos em competição.

Os toiros, da centenária ganadaria Palha, com os pesos de 535, 525, 510, 560, 585 e 620 Kg, pela ordem em que saíram à praça, todos ferrados com o algarismo 6 na espádua direita, saíram com excelente apresentação e trapio, bem no tipo da ganadaria. Em termos de comportamento mostraram-se voluntariosos, com muita mobilidade, investindo com raça, a emprestarem emoção às sortes e a pedirem que os toureassem, sendo de destacar, pela sua nobreza e bravura, os primeiro e quarto da ordem, sendo que todos eles foram toiros sérios, a constituir um curro que não vemos habitualmente nas praças portuguesas. Pena foi que os intervenientes desta noite não estivessem à altura…
Ganharam e com grande diferença os toiros, sendo mais do que justa a chamada do maioral para a volta após a lide do último, que, quanto a nós, só pecou por tardia.

Ao contrário do que vinha anunciado nos cartéis, iniciou a noite de lides a cavalo Luís Rouxinol que, na primeira presença em praça, começou por prometer, com a colocação de dois ferros compridos de boa nota, mas que, na ferragem curta, desceu bastante de nível. Perante um público habitualmente um pouco frio, preocupou-se muito com os momentos do antes e do depois do ferro, descurando o momento crucial e mais importante. Cravou quatro ferros curtos, dos quais apenas o primeiro merece nota positiva, para terminar com um palmo cravado à segunda tentativa e o habitual par de bandarilhas, que nada acrescentaram à lide. No segundo toiro do seu lote as coisas mudaram para bem melhor. Perante um dos melhores toiros da noite – talvez também porque o cavaleiro o fez sobressair – o cavaleiro fez uma lide séria, com ferros colocados em sortes frontais e ajustadas, indo de encontro ao que o toiro pedia. Na colocação do segundo curto sofreu um violento toque, fruto de alguma precipitação, mas que em nada deslustrou os bons ferros a que assistimos, nomeadamente os primeiro e quarto curtos e o último ferro de palmo com que encerrou a lide.

João Salgueiro apresentou-se esta noite muito descontraído e com poucas ganas de triunfar. A sua primeira actuação assentou numa lide fácil, com ferros cravados em sortes com o quarteio aberto em demasia, demasiado aliviadas e sem conceder quaisquer vantagens ao toiro, ele que costuma assentar muitas das suas actuações em ferros colocados a dar primazia de investida aos seus oponentes. No seu segundo toiro subiu o nível da sua actuação, mas, ainda assim, faltou acertar mais as distâncias, o que só conseguiu na parte final. Citando em curto, sem dar vantagens, entrou pelo toiro dentro e, em reuniões ajustadas e com frontalidade, deixou ferros de muito boa nota, nomeadamente os quatro primeiros curtos, sendo que, no quinto ferro, sofreu um ligeiro toque ao cravar.

Tomás Pinto não esteve ao nível daquilo a que nos tem habituado em algumas das actuações da presente temporada. No primeiro do seu lote não começou da melhor maneira e foi deixando ferros descaídos (o segundo comprido), com toques na montada (o 1º curto) ou a falhar o toiro (o 4º curto). Pelo meio vimos dois bons ferros, a merecerem nota bastante positiva (os 3º e 5º curtos). No último toiro da noite, continuou na senda do que havia feito no primeiro do seu lote. Perante um toiro difícil, denotou algumas dificuldades em entendê-lo, deixando, contudo, alguns bons apontamentos, com ferros de nota alta, como os 2º e 5º curtos.

No que respeita às pegas, pelo Grupo de Forcados Amadores de Évora iniciou a noite Vasco Fernandes, que citou de meia praça, mandou vir, fechou-se de braços à córnea e viajou sozinho até tábuas onde embateu com alguma violência, saindo lesionado. Foi dobrado por João Pedro Oliveira que, na sua primeira tentativa, foi despejado em tábuas perante alguma passividade das terceiras ajudas, consumando a seguir, numa boa reunião e com o grupo a ajudar melhor lá atrás. No final recusou acompanhar o cavaleiro na volta à arena. Manuel Rovisco saiu para tentar a pega ao terceiro da ordem e, perante a arrancada solta do toiro, com muita pata, recua muito bem e reúne para uma boa pega, com o grupo a ajudar. A encerrar a actuação dos da terra foi à cara Ricardo Casas Novas, que, com o toiro colocado fora de tábuas, citou correctamente e, embora não se tivesse fechado correctamente de pernas, aguentou bem os derrotes e consumou a pega.

Após 23 anos sobre a última actuação do Grupo de Forcados Amadores de S. Manços na praça de toiros Évora, abriu praça por este grupo o seu cabo Joaquim Branco, que citou de largo, com o toiro de frente, fixando-o bem, mandou na sorte e consumou uma boa pega, bem ajudado pelo grupo que mostrou coesão. Nuno Leão saltou para a pega ao quarto da noite, que saiu solto para o forcado, com muita pata e a ensarilhar, conseguiu reunir e consumou uma boa pega, com o grupo a ajudar bem. Pedro Fonseca foi o escolhido para encerrar a noite de pegas. Citou a fixar bem o toiro, interessando-o, fechou-se com decisão, fazendo a viagem até às tábuas onde embateu violentamente e consuma uma rija pega, muito aplaudida, com o público a exigir que agradecesse nos médios após a volta.

O Mais e o Menos
+ O curro de toiros enviado pela Ganadaria Palha.
- As movimentações na trincheira durante as lides, nomeadamente as reportagens televisivas a serem feitas com a lide a decorrer.
- Os aficionados, que nesta noite não souberam corresponder ao desafio lançado pela empresa Terra Brava.

domingo, 22 de agosto de 2010

Noite morna na corrida de toiros em Alter do Chão

- Praça de Toiros: Alter do Chão
- Data: 21 de Agosto de 2010, pelas 21.30 horas
- Empresa: JC Toiros-Terra Brava
- Ganadaria: Passanha
- Cavaleiros: Joaquim Bastinhas e Vítor Ribeiro
- Cavaleiro Praticante: João Soller Garcia
- Grupo de Forcado: Forcados Amadores de Alter do Chão, capitaneados por João José Saramago.
- Assistência:
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. Francisco Farinha, assessorado pelo médico veterinário Dr. José Tenório Guerra.

Corrida de toiros à portuguesa por ocasião das festas em honra do Nosso Senhor Jesus do Outeiro e da Nossa Senhora da Alegria que tinha como máximo aliciante o facto de o grupo da terra pegar, em solitário, um curro da ganadaria Passanha. A completar o cartel dois cavaleiros consagrados e um jovem que procura afirmar-se no seio do toureio equestre nacional.

Os toiros da Ganadaria Passanha tinham apresentação e trapio a condizer com a categoria da praça e, na generalidade, cumpriram, denotando, contudo, falta de força e de raça, com investidas suaves e sem codícia.

Joaquim Bastinhas conquistou já o seu lugar e, agora, procura apenas mantê-lo sem grande esforço. Na primeira lide, com muitas intervenções dos seus bandarilheiros, esteve menos acertado na colocação da ferragem e andou aliviado, colocando os ferros em sortes a quarteio, que abria cedo demais. Na sua segunda actuação, praticou um toureio mais facilitista ainda, perante um toiro sem raça, lateralizando as viagens, com o quarteio bem aberto e em reuniões pouco ajustadas. Saiu debaixo de fortes aplausos após cravar os habituais pares de bandarilhas.

Vítor Ribeiro teve, nesta noite, duas actuações bastante diferentes. Na primeira preocupou-se mais com os ladeios e com o público do que com o momento da cravagem dos ferros. Cravou quase sempre em sortes a sesgo, com toques na montada e indo ao piton contrário antes de cravar, resultando, por isso, as reuniões menos cingidas. Destacou-se, pela positiva, o primeiro ferro comprido. A sua segunda lide foi já uma lide mais séria, diante de um oponente que apenas recebia os ferros, tendo o cavaleiro que pôr tudo. Depois de dois compridos correctos, deixou dois bons ferros curtos, entrando pelo toiro dentro e cravando de alto a baixo, resultando o terceiro, a sesgo, mais aliviado na reunião. Terminou com um ferro a quiebro, no Gordito, muito aplaudido pelo público.

João Soller Garcia, denotou um bom conceito de toureio, com sentido de lide, mas a ter que afinar mais a mão na colocação da ferragem. A sua primeira lide não começou da melhor forma, com o primeiro comprido a ser cravado com forte toque na montada e o segundo a ficar descaído. Nos curtos subiu o nível e deixou três bons ferros, em sortes frontais e ajustadas. O quarto ferro curto resultou à garupa e o palmo com que encerrou pecou pela colocação descaída. No seu segundo toiro, o último da corrida, começou por viver um momento de apuro, com um forte toque na montada contra as tábuas, para depois deixar dois bons ferros compridos, com destaque para o segundo, que resultou com emoção e aperto. Nos curtos optou pelas pronunciadas batidas ao piton contrário no momento da cravagem, enganando em demasia o astado e tirando-o da sorte. Cravou, por isso, em reuniões aliviadas, com ferros pescados e de colocação menos acertada. Corrigiu no final e deixou dois ferros curtos de boa nota, depois de mudar de montada.

O Grupo de Forcados Amadores de Alter do Chão, que pegava em solitário na sua terra, decidiu dar oportunidade a alguns forcados menos rodados. Assim, para o primeiro saiu Diogo Bilé que citou de largo, com correcção, o toiro sai solto e o forcado desequilibra-se ligeiramente ao recuar e não recebe bem. À segunda entrada não conseguiu agarrar-se, consumando à terceira tentativa, com boa ajuda do grupo, com destaque para a boa primeira do cabo João José Saramago. O segundo foi para João Antunes, que citou de meia praça, a fixar bem o toiro, mandou vir e, embora não tivesse reunido da melhor forma, consumou a pega ao primeiro intento, bem ajudado pelo grupo. Nuno Basso iniciou o cite nos médios, a interessar o toiro, que saiu a ensarilhar na viagem, o forcado aguenta muito bem na cara do toiro, reúne perfeitamente e consuma uma muito boa pega, plena de técnica, bem ajudado pelo grupo. Para efectuar a pega ao quarto toiro da noite saltou tábuas João Veiga que, perante a arrancada pronta do toiro, não consegue aguentar o suficiente para reunir. Na segunda tentativa, com o toiro fixo no forcado, embora não tenha estado bem a receber, consegue fechar-se e aguentar os primeiros derrotes, com as ajudas a entrarem bem e a ajudarem com coesão. Gheorghe Nagy foi o escolhido para pegar o quinto da ordem. Citou de meia praça, com o grupo em tábuas, mandou vir e, perante a viagem ensarilhada do toiro, não o toureou bem e não conseguiu reunir. Na segunda entrada, encurtou distâncias, mandou vir, reuniu bem e viajou até tábuas, com os ajudas a ficarem pelo caminho, o toiro a ir com a cara ao chão e o grupo a recuperar e a fechar a pega. Para o último a opção foi pela pega de cernelha, por intermédio de Bruno Palmeiro e Elias Santos. O toiro tem dificuldade em encabrestar e misturam-se bandarilheiros com campinos na colocação do astado, gerando-se alguma confusão na arena. Parado pelos bandarilheiros o toiro permite a entrada dos forcados, que consumam a pega sem grande brilho.

O Mais e o Menos
+ O bom ritmo em que decorreu o espectáculo.
- O atraso verificado no início da corrida, que começa a tornar-se já um hábito nas nossas praças, a fazer lembrar os atrasos académicos da praxe estudantil.
- A ausência de campinos e de cabrestos aquando da recolha do primeiro toiro.
- A volta á arena do ganadero, após a lide do quinto toiro, perfeitamente injustificada.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Concurso de pegas com poucas pegas no Campo Pequeno


- Praça de Toiros: Campo Pequeno, em Lisboa
- Data: 19 de Agosto de 2010, pelas 22.00 horas
- Empresa: Sociedade do Campo Pequeno, SA
- Ganadarias: Manuel Coimbra
- Cavaleiros: Sónia Matias, António Maria Brito Paes, Paulo Jorge Santos, Manuel Ribeiro Telles Bastos, Duarte Pinto e José Luís Rodriguez, que tomava a alternativa
- Grupo de Forcados: Forcados Amadores de Mazatlán (México), Alter do Chão e Beja, capitaneados por J. Rene Tirado, João José Saramago e Manuel Almodôvar, respectivamente.
- Assistência: ¾ de casa
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. Lourenço Luzio, assessorado pelo médico veterinário Dr. Matias Guilherme.

Quando há cada vez mais cavaleiros portugueses a tirar a alternativa (pela primeiras vez uns e outros depois de a tirarem em Portugal) em Espanha, eis que da Venezuela vem o exemplo de um cavaleiro que sente a importância de se vir doutorar na pátria e na catedral do toureio a cavalo. Um olé para esta atitude!
Para além da alternativa de Jose Luis Rodriguez, outro atractivo existia em mais uma corrida de verão no Campo Pequeno: o concurso de pegas, com a participação de um grupo de forcados do México, que na época passada veio a Portugal fazer inveja a muitos dos grupos que por cá andam. Nota de interesse para a presença, também pela primeira vez no Campo Pequeno, do refundado Grupo de Forcados Amadores de Beja.

Os toiros vieram da Ganadaria de Manuel Coimbra, estavam bem apresentados e com trapio, com excepção do primeiro, com pouca cara e do terceiro, algo escorrido e não rematado. Ferrados com o 6 na espádua, apresentaram pesos que oscilaram entre os 510 e os 598 Kg. Em termos de comportamento foram reservados, mas cumpriram na generalidade.

José Luís Rodriguez, a quem a sua madrinha de alternativa cedeu o primeiro exemplar, não nos pareceu preparado para prova a que se submetia. A cravar ferros sem citar correctamente, em sortes muito aliviadas, com a montada atravessada nas reuniões, com ferros “pescados” e de colocação defeituosa, não esteve em noite inspirada o Nobel cavaleiro venezuelano, muito por baixo do astado que lhe tocou em sorte.

Sónia Matias teve uma lide de mais a menos. Iniciou com dois ferros compridos de nota positiva e continuou com dois curtos de igual nota, lidando com intencionalidade, colocando o oponente em sorte com critério e cravando de frente, mesmo que as reuniões pudessem ser mais ajustadas. Após o segundo ferros curto, falhou a colocação do seguinte e depois perdeu-se nos “números” das piruetas e dos violinos e palmos que nenhuma mais-valia trazem às suas lides. Nota negativa para as demasiadas intervenções dos bandarilheiros, que o público consente sem protestos de maior.

António Maria Brito Paes perdeu-se na preocupação do acessório em detrimento do principal. Lidou com vistosidade, levando o toiro embebido no cavalo, em ladeios apertados, com o cavalo a tirar-se bem ao toiro, mas esqueceu-se um pouco do momento principal, com os ferros a serem colocados à garupa ou em quarteios pouco ajustados. Salvaram-se os dois ferros compridos com que iniciou a lide e o ferro de palmo com que a encerrou, este em reunião um pouco mais cingida. Também nesta lide houve intervenções a mais do bandarilheiro de serviço.

Paulo Jorge Santos apresentou uma lide discreta, sem grandes alardes, mas também sem ponta de emoção nas sortes. A mexer pouco no toiro e deixando a ferragem em reuniões cada vez mais aliviadas, destacou-se, pela positiva, o quinto e último ferro curto, colocado a sesgo e com reunião mais apertada.

Manuel Telles Bastos assinou bons momentos de toureio, talvez os melhores desta noite, mas não conseguiu romper para uma grande lide. Iniciou com três tiras de correcta execução, pese embora um pouco dispersas. Mudou de montada e, com a elegância que se lhe conhece, colocou três ferros curtos de nota positiva, com destaque para o terceiro, um muito bom ferro, em sorte frontal e ajustada. A partir daí o toiro começou a apresentar mais dificuldades, defendendo-se no momento de cravar e o cavaleiro não lhe conseguiu dar a volta por cima, saindo em plano regular.

Duarte Pinto não começou da melhor forma a sua actuação, falhando o primeiro comprido, mas corrigiu com duas tiras correctas na sua execução. Nos curtos não teve tarefa fácil a partir do primeiro ferro, um bom ferro, e os dois seguintes resultaram “pescados”, dianteiros e muito aliviados. A partir daí voltou a entender os terrenos do toiro e deixou mais dois ferros de muito boa nota, embora com os bandarilheiros da sua quadrilha a competirem entre si para ver quem primeiro dava capotazos no toiro.

Em noite de concurso de pegas, o júri quase não teve opções para escolher a melhor pega, já que apenas uma foi conseguida ao primeiro intento e quase todas elas se consumaram sem grande brilho. Pelo Grupo de Forcados Amadores de Mazatlán iniciou a noite de pegas Alejandro Sequeira, que citou correctamente, mandou e reuniu bem, aguentando o toiro e consumando uma boa pega, bem ajudado pelo grupo. Carlos Tirado foi à cara do quarto da noite, citou de largo, o toiro arranca com prontidão e com pata, aguenta bem, recuando-lhe na cara, mas não consegue agarrar-se. À segunda tentativa, a fazer as coisas depressa demais e a não reunir. Consumou a pega ao terceiro intento, com o grupo todo em cima e sem brilho. Mesmo assim, na primeira praça do país, deu volta à arena.

Pelo Grupo de Forcados Amadores de Alter do Chão, foi à cara do segundo toiro da ordem o forcado João Lopes. Com o oponente colocado muito fora de tábuas, o forcado cita, o toiro arranca mal o vê e não consegue ficar. À segunda entrada o forcado sai despedido por cima do toiro com um primeiro derrote forte. Consuma ao terceiro intento, com as ajudas carregadas e sem brilho, o que também não o impediu de, espontaneamente, sair para a volta. Para pegar o quinto da noite foi escolhido Elias Santos, que citou bem, mandou vir, fechou-se bem à córnea, aguentou fortes derrotes, as ajudas tardaram e saiu no seio do grupo. À segunda tentativa, com o toiro mais reservado, o forcado pisou-lhe os terrenos, mas não se sacou bem e não conseguiu reunir. Consumou à terceira entrada, uma rija pega, com o grupo a ajudar bem.

O Grupo de Forcados Amadores de Beja iniciou a sua prestação através do forcado Miguel Soares, que consumou ao terceiro intento, com ajudas carregadas, depois de não receber bem na primeira entrada e de, na segunda, não se conseguir agarrar perante a arrancada solta do toiro. José Miguel Falcão saiu para a última pega da noite. Citou de meia praça, o toiro sai para o forcado com pata, que, não recebendo da melhor forma, consegue reunir à córnea, aguenta fortes derrotes, mas as ajudas a tardarem e o forcado a sair. À segunda o forcado reúne bem, mas as ajudas tardam novamente e é despejado com um forte derrote já no meio do grupo que o deixa lesionado. É dobrado por Hugo Santana que, a sesgo, com o grupo a carregar, consuma uma rija pega. No final, em gesto de grande dignidade toureira, nenhum doa forcados saiu para a volta à arena, apesar da insistência dos cavaleiros e de grande parte do público presente.

O júri, constituído por elementos do Real Clube Tauromáquico, sem grandes opções, atribuiu o prémio para a melhor pega à primeira pega realizada pelo Grupo de Forcados Amadores de Mazatlán, por intermédio de Alejandro Sequeira.

O Mais e o Menos
+ A recusa de volta à arena por parte dos forcados do Grupo de Forcados Amadores de Beja, a demonstrar grande sentido de responsabilidade.
- A falta de conhecimentos taurinos demonstrada pelo público da primeira praça do país, quer nas lides a cavalo, quer nas pegas.
- As demasiadas intervenções dos bandarilheiros em algumas das lides a cavalo.
- A duração do espectáculo (bem mais de três horas!).

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Crónica do Concurso de Ganadarias da Arruda

- Praça de Toiros: José Marques Simões, em Arruda dos vinhos
- Data: 17 de Agosto de 2010, pelas 22.00 horas
- Empresa: Tertúlia “O Piriquita”
- Ganadarias: Pinto Barreiros, Vinhas, Conde de Cabral, António Charrua, Ruy Gonçalves e Herdade de Pégoras
- Cavaleiros: António Telles, Luís Rouxinol e Marcos Bastinhas
- Grupo de Forcados: Forcados Amadores de Santarém e Montemor, capitaneados por Diogo Sepúlveda e José Maria Cortes, respectivamente.
- Assistência: ¾ de casa
- Delegados da IGAC:
Delegado técnico tauromáquico sr. António dos Santos, assessorado pelo médico veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.


Com organização a cargo da empresa Sociedade do Campo Pequeno, S.A., em conjunto com a dinâmica tertúlia “O Piriquita”, realizou-se mais um concurso de ganadarias em Arruda dos Vinhos, por ocasião das festas em Honra de Nª Sra. da Salvação. Cartel aliciante, constituído por duas das máximas figuras do toureio equestre português e um jovem à procura de afirmação. Para as pegas dois eternos e antigos rivais na arte de pegar toiros, em acesa, mas saudável competição.

Quanto aos toiros – talvez porque apenas disputassem o prémio bravura – eram díspares em apresentação e trapio. O exemplar vindo da ganadaria de Pinto Barreiros, com quatro anos e 480 Kg, era pequeno e sem trapio, com pouca força e impróprio para um qualquer concurso de ganadarias. Em termos de comportamento, teve mobilidade e colaborou na lide. A ganadaria Vinhas enviou um toiro também com quatro anos de idade, acusando na balança 530 Kg, com boa apresentação e que se mostrou reservado e de investidas suaves e sem apertar. O toiro de Conde Cabral, com quatro anos e 500 Kg, era de mau tipo, com a córnea muito fechada, um pouco escorrido de carnes e saiu manso encastado, a investir aos arreões, mas servindo para a lide. António Charrua levou um toiro com quatro anos e 620 Kg, de excelente apresentação e com trapio a condizer, mas que se revelou manso, a procurar tábuas, muito reservado e a esperar pelo cavaleiro. O toiro da Ganadaria do Engº Ruy Gonçalves, ferrado com o algarismo 5 na espádua direita e com o peso de 580 Kg, tinha excelente apresentação e trapio, doía-se ao castigo, era reservado e tapava-se no momento da cravagem dos ferros, adiantando-se muito às montadas. O último da noite, da Herdade de Pégoras, ferrado com o 5 na espádua e com 490 Kg, mostrou-se colaborante, com mobilidade, servindo bem para a lide. No final, o júri, constituído pelos próprios ganaderos, apesar da falta de bravura, atribuiu o prémio de toiro mais bravo ao exemplar da ganadaria de Pégoras, prémio contestado por grande parte do público.

António Ribeiro Telles
esteve uma vez mais ao seu nível. No primeiro da noite, um toiro com pouca força e que não colaborava nas reuniões, deixou ferragem comprida algo traseira. Apenas o terceiro comprido resultou correcto em termos de colocação. Nos curtos, em sortes frontais e ao estribo, deixou quatro ferros de boa nota, sendo que o seu oponente não dava para mais. Já no segundo do seu lote, o mais pesado da corrida e um manso difícil de lidar, a lide do cavaleiro da Torrinha teve momentos de grande emoção, daqueles de fazer levantar as bancadas. Não foi, no entanto, nos compridos que tal aconteceu, com o primeiro a ser colocado às meia volta, sem citar e a cair, rectificando de imediato com a colocação de mais dois ferros de execução e colocação correctas. Nos curtos, com o toiro a fugir ao cavalo, negando-se a investir, o cavaleiro, sem qualquer intervenção dos seus subalternos, teve um trabalho de brega notável, indo buscar o toiro a tábuas, deixando-o em sorte e cravando de alto a baixo e ao estribo, com o toiro quase sempre a sair por cima da garupa do cavalo, em reuniões bem ajustadas e emocionantes. Quando o toiro já não saía de tábuas, optou por sortes sesgadas, mas de igual qualidade. Nota bem alta para os primeiro e quarto ferros, este em sorte a sesgo com reunião emocionante. No final da lide sofreu um forte toque na montada, depois de o toiro sair solto de tábuas, procurando fugir e apanhando o cavaleiro desprevenido, no momento em que se preparava para cravar.

Luís Rouxinol teve uma primeira lide de bom nível. Sempre de frente para o toiro na hora de cravar, deixou ferros em reuniões cingidas e como mandam as regras do toureio a cavalo à portuguesa, pese embora o toiro não emprestasse a emoção necessária nesses momentos. Rematou com vistosas piruetas na cara do toiro, sempre muito aplaudidas. Finalizou com um violino, um palmo a sesgo e um par de bandarilhas já sem toiro, o que o obrigou a duas passagens em falso antes de cravar. O quinto da noite, um toiro bem mais complicado, não permitiu ao cavaleiro de Pegões repetir o êxito que alcançou no seu primeiro. Optando por cravar com ligeira batida ao piton contrário, o toiro faltava debaixo do braço no momento de cravar, fruto do engano pronunciado. Rectificou, partindo de forma mais recta para o toiro, mas este adiantava-se e tocava na montada. Para levar os seus intentos por diante, teve que abrir o quarteio mais cedo para, assim cravar em sortes limpas e com correcção.

Marcos Bastinhas, ao lado de duas grandes figuras, não conseguiu estar ao seu melhor nível. Sempre a conduzir as montadas com as duas mãos nas rédeas, foi deixando ferros em viagens lateralizadas, com o quarteio muito aberto e algumas vezes já bem para lá do estribo. Nos ferros compridos da sua segunda lide andou bastante desacertado, com ferros a caírem e a falhar o toiro. No final da sua primeira actuação deixou um ferro curto e um de palmo em sortes de violino que foram muito aplaudidos pelo público.

Pelo Grupo de Forcados Amadores de Santarém abriu a noite Luís Sepúlveda, que citou com muita correcção, a andar bem para o toiro, mostrando-se e reuniu de forma correcta, para uma boa pega, bem ajudado pelo grupo e com o toiro a não complicar. Para a pega do terceiro da noite saiu João Brito, que aguentou bem o toiro e consumou uma muito boa pega à barbela, com o grupo mostrar coesão nas ajudas. A última pega do grupo foi executada por Manuel Roque Lopes, à 4ª tentativa, com o grupo em cima, sendo que na primeira saiu após o primeiro derrote do toiro, na segunda precipitou-se no cite e não recebeu da melhor forma, não conseguindo reunir e na terceira, com as ajudas mais carregadas não conseguiu agarrar-se. No final, num gesto de grande dignidade, não saiu para a volta, apesar da insistência do público, o que é de louvar.

O Grupo de Forcados Amadores de Montemor teve uma boa actuação, com três pegas ao primeiro intento. Para pegar o segundo toiro da noite saltou tábuas Frederico Caldeira, que citou com correcção, reuniu com impacto, fruto de não ter recuado com o toiro, aguentou bem os primeiros derrotes e consumou uma boa pega, com o grupo a ajudar bem. Filipe Mendes foi o escolhido para pegar o quarto da ordem, um toiro sério e difícil, que arrancou com muita pata mal avistou o forcado, que reúne bem, viaja até às tábuas, com entrada providencial do primeiro ajuda, aguenta fortes derrotes sozinho na cara do toiro, que foge ao grupo, que recupera bem, consumando uma grande pega já nos médios. No final duas voltas à praça merecidas, a primeira acompanhado do cavaleiro e do primeiro ajuda Hugo Melo. Para pegar o último toiro da corrida saiu António Vacas de Carvalho, que citou muito bem e, apesar de não reunir da melhor forma, consumou uma boa pega, sem que o toiro complicasse e bem ajudado pelo grupo.


O Mais e o Menos

+ O bom ritmo em que decorreu o espectáculo.
+ A proibição de entrada de público no decurso das lides.

- Nada a registar.