segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Corrida de toiros da Feira das cebolas em Portalegre

- Praça de Toiros: José Elias Martins, em Portalegre
- Data: 12 de Setembro de 2010, pelas 17.30 horas
- Empresa: Gestoiro
- Ganadaria: Francisco Luís Caldeira
- Cavaleiros: João Moura, João Salgueiro e Ana Batista
- Grupos de Forcados: Amadores de Évora e de Portalegre, capitaneados por Bernardo Patinhas e Fernando Coelho, respectivamente.
- Assistência: ½ casa fraca
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. José Tinoca, assessorado pelo médico veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva.

É já tradição no meio taurino português a corrida por ocasião da feira das cebolas em Portalegre. Este ano não fugiu à tradição e, em praça, três figuras do toureio a cavalo e dois grupos de forcados e uma ganadaria da região, na expectativa de chamar gente à praça, o que não aconteceu, talvez pelo intenso calor que se fazia sentir.

A ganadaria de Francisco Luís Caldeira enviou um curro de novilhos bem apresentado, com trapio a condizer com a categoria da praça, com excepção do último da corrida, de apresentação menos condigna. Apresentavam pesos entre os450 e os 490 kg e, no geral, saíram mansos, a procurar tábuas e pouco colaboradores com os cavaleiros.

João Moura abriu a tarde com uma lide morna, ao sabor do novilho que lhe calhou em sorte. Preocupou-se pouco com a colocação do oponente, levando-o em vistosos ladeios e colocando a ferragem onde o toiro ficava. Depois de dois compridos aos quais não deu qualquer importância, deixou quatro ferros curtos e um palmo a encerrar, com destaque, pela positiva, para os curtos que cravou em primeiro e terceiro lugares. Na segunda actuação teve pela frente um novilho complicado, que não saía de tábuas e limitou-se a despachar a ferragem da ordem, sempre em sortes a sesgo e sem brilho. Mesmo assim, saiu para a volta á arena com o forcado.

A João Salgueiro tocou um primeiro novilho manso e sem grandes opções de lide. Cravou a ferragem da ordem com alguma dificuldade e, no final, limitou-se a agradecer nos médios a insistência do público. No seu segundo, um novilho com mais opções, vimos muitos alardes, demasiadas intervenções dos seus bandarilheiros, que foram tirando poder de investida ao astado e demasiadas provocações ao público, após os remates com piruetas, numa lide a que vulgarmente se chama de asseada e que pecou ainda por ser prolongada demais.

Ana Batista teve, quanto a nós, a melhor lide da tarde, no primeiro do seu lote. Perante um novilho encastado, que era preciso saber lidar, a cavaleira entendeu-o na perfeição e deu-lhe a lide mais adequada, cravando bons ferros, em reuniões ajustadas, de frente e de alto a baixo como mandam as regras. O seu segundo novilho foi mais um sem grandes opções de lide e, embora esforçada, a cavaleira não conseguiu dar-lhe a volta e sair por cima do astado. Apesar disso saiu espontaneamente para a volta.

No capítulo das pegas, pelo Grupo de Forcados Amadores de Évora saiu para a primeira pega o cabo Bernardo Patinhas que teve um cite exemplar, recebeu muito bem e consumou uma pega sem grandes dificuldades por parte do novilho. Para pegar o terceiro da noite saltou Gonçalo Sequeira, que, com o toiro fora de tábuas, citou um pouco precipitadamente, o toiro saiu avisado pelos capotes, de forma solta e o forcado, apesar de se ter fechado bem, saiu já junto a tábuas, com os restantes elementos do grupo a serem pouco lestos nas ajudas. No segundo intento, entrou nos terrenos do toiro, conseguiu reunir, mas saiu antes de chegar às ajudas. Consumou à terceira entrada, com o grupo a evidenciar alguma dificuldade nas ajudas. Apesar disso saiu lesto para a volta à arena. João Leitão citou de largo para a pega ao quinto da tarde, carregou de largo, não recebeu o novilho da melhor forma e não conseguiu fechar-se. Consumou à segunda tentativa, à barbela e, mais uma vez, com alguma falta de coesão do grupo.

Pelo Grupo de Forcados Amadores de Portalegre, a pegar em casa, saltou tábuas para a pega ao segundo novilho da tarde o forcado Luís Cabaço, que citou de largo, com muita calma e consumou uma pega sem grandes complicações por parte do astado. Miguel Zagalo foi à cara do segundo do grupo. Citou a interessar o novilho, que se mostrava reservado, entrou-lhe nos terrenos, reuniu bem e consumou uma boa pega à córnea, bem ajudado pelo grupo, com destaque para a boa primeira ajuda. António Cary foi o escolhido para pegar o último novilho da corrida e fê-lo da melhor forma. Na primeira entrada, o toiro investe com a cara alta e a derrotar e despeja o forcado antes da chegada das ajudas. Na segunda tentativa o toiro reserva-se, o forcado vai lá acima buscá-lo, saca-se bem, fecha-se de braços e pernas e consuma uma muito boa pega, com o grupo a mostrar coesão.

O Mais e o Menos
+ Nada a registar.
- A ausência de campinos e cabrestos na recolha dos novilhos, durante toda a corrida, contrariando o que regulamentarmente se encontra estipulado e que deve ser cumprido.
- O pó que se fez sentir nas bancadas durante a segunda parte do espectáculo.

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