È ingrato, absurdo e quiçá desnecessário escrever sobre um acontecimento que foi presenciado por milhões de pessoas por esse Mundo fora. Mas para lá da policromia e sonoridade da Festa, existe a parte sentimental, as emoções, final de contas aquilo que nós aficionados andamos incessantemente à procura.A praça de Vila Viçosa estava esgotada, António Telles esse catedrático da Torrinha veio leccionar à Princesa do Alentejo cátedra de grande valor, trazia pupilos de sangue cada um no seu estilo; Telles Bastos andou com o seu classicismo de sempre, faltou-lhe alguma matéria prima para demonstrar a sua arte, é um cavaleiro de arte. João Telles Jr foi quem mais animou a praça, tem um toureio contagiante, não falha nunca, a sua alegria e brio rapidamente inflamam as bancadas, é um toureiro que faz sentir.
Foi bom sentir também que nem todos os políticos são iguais, o Secretário de estado da cultura, Elísio Summavielle não perde uma oportunidade de apoiar a festa brava, lá estava ele com Eng. Caldeirinha Roma, Presidente do Município de Vila Viçosa, assim como Moita Flores que recolhia assinaturas para a Sua louvável iniciativa de apoio á Tauromaquia.
A forcadagem da Região deu conta do recado, pegou o Joaquim Branco e o João Passos, os cabos a darem o exemplo. Pegou o Manuel Vieira, pegou o Nuno Oliveira, e o Luís Figueira, este último sabemos que é um forcado de garra e de valor, no entanto os nervos pregaram-lhe uma partida; levanta a cabeça rapaz, a 5 de Outubro tens um Canas Vigouroux para levantares a praça da tua terra (Redondo) em pé.
Mário Pinto, esse pequeno grande forcado do Aposento do Alandroal, que na semana passada na sua Terra executou a pega que muitos apelidaram de: a pega do ano, ontem voltou a surpreender pela segurança e perfeição com que executou mais uma excelente pega; a época dos prémios está a chegar, prepara-te Mário que vais fazer muitos km.
Duas filarmónicas, a da casa União Calipolense, e a do vizinho Concelho de Alandroal tiveram e aproveitaram a oportunidade para brilhar.
O mais pequeno aficionado que conheço é o Manuel Maria, lá estava ele “sempre a bombar”, o futuro da festa está assegurado, nem que seja na fotografia…
Recebi noticias que durante a transmissão o José Cáceres falou do site Toureio.com e do programa de Tauromaquia da Rádio Campanário, que é o mesmo que falar de Hugo Calado; a sua dedicação e profissionalismo atingem níveis dificilmente alcançáveis, mas que ele com a maior aficcion e naturalidade do Mundo facilmente consegue.
A família Telles faz todos os anos a sua, e a nossa festa aqui por Vila Viçosa, dá gosto ver as bancadas salpicadas de loirinhos e loirinhas, um exemplo de união familiar que rareia nos nossos dias.
A convite do Hugo estive-mos em casa desse Toureiro da Terra que é José Luís Cochicho, que em dias de corridas faz questão de receber artistas e Amigos, diga-se de passagem que o faz com o maior gosto e recebe como ninguém.
Outro Toureiro da Terra é o Bandarilheiro Alegrias, figura carismática da brega Nacional, não fosse ter nascido ali mesmo ao lado do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, e ela ontem com o seu manto ter-lhe feito um oportuno quite, e o Alegria não podia passar as suas festas dos Capuchos em Paz, mas ele como Toureiro que é não vai de modas e executa o seu característico recorte colocando o toiro nos currais ao mesmo tempo que as suas Gentes o aplaudiam de pé.
A festa é feita de aficionados e ontem tive o gosto de conhecer mais um deles; José Rilhas é um dos membros da Associação Tauromáquica do Redondo que tem feito um trabalho extraordinário á frente da praça da sua Terra. Uma praça onde todos querem ir; público e artistas, um sitio com toreria que conquistou num curto espaço de tempo um espaço enorme na nossa tauromaquia; um verdadeiro caso de estudo no nosso panorama taurino.
Saí de Vila Viçosa com o peito cheio; contente por sentir que a Festa dos Toiros em Portugal está com uma vitalidade enorme, que nada nem ninguém vai conseguir extinguir. A força do sentimento, temperada com emoção nunca vai terminar. Pena tenho, que muitos que por razões “que até a própria razão desconhece” querem estupidamente interferir em sentimentos alheios; em razões que não lhe pertencem, mergulhando em intrigas desnecessárias, em histórias mirabolantes, em guerras sem sentido.
Na moda dos pseudónimos, hoje também não assino aquilo que escrevi; ou melhor, assino apenas como:
AFICIONADO; no fundo aquilo que todos os que amamos a Festa Brava deveríamos de ser: AFICIONADOS
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