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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Emoção e bravura na Aldeia da Venda

Quando o toiro, que é o principal interveniente na festa, tem impetuosidade, nobreza, apresentação e sobretudo bravura, realmente a festa tem outro sabor, foi esse sabor que tive-mos oportunidade de saborear na tarde de Domingo na Aldeia da Venda.

O “Furacão” Algarvio veio á Aldeia da Venda (Concelho do Alandroal) para animar esta gente Alentejana com o seu toureio muito peculiar, alegre, vistoso, comunicativo, afinal de contas entre outras definições, o toureio apesar da sua seriedade é essencialmente uma festa, e quando um artista anima o público é sinónimo de que essa festa está a acontecer. Logo no que abriu praça deixou bom ambiente, sempre a arriscar e a tourear em terrenos de compromisso deixou ferros emocionantes cumprindo a cartilha; o terceiro mereceu fortes aplausos, pecou apenas por prolongar um pouco demais uma lide que já estava”ganha”. O segundo que lidou teve uma saída impetuosa, aliás como todos os outros; a que Filipe crava logo dois compridos de elevada nota, nos curtos o famoso cavalo que imagine-se: bate palmas, e efectivamente bate mesmo, com som e tudo; uma forma de citar de certa forma invulgar a que o respeitável achou bastante interesse reflectido nos aplausos que lhe tributou, teve uma lide bem conseguida com destaque para o par que cravou a duas mãos.

Duarte Pinto teve duas lides de muito boa nota, apresentou um toureio de certa forma clássico, mas sobretudo um toureio de verdade, em que se preocupa quase que obsessivamente em fazer as coisas bem feitas, o que de facto conseguiu mais uma vez esta tarde, saindo máximo triunfador. Brindou a primeira lide á Sra Virgínia e ao Sr Silvino que trabalham na sua casa á mais de trinta e quatro anos, portanto uma relação mais que profissional e de amizade certamente que atrevemos a dizer que são praticamente família.

Tomás Pinto sofreu no seu primeiro um aparatoso toque, que se prolongou um pouco mais muito por culpa da passividade dos bandarilheiros, realmente o toiro saiu com uma impetuosidade fora do normal e o Tomás nada pode fazer perante tal imprevisto, a lide não foi a sonhada e o toureiro dignamente não deu volta de agradecimento; no seu segundo elevou-se e conseguiu a lide da tarde que agradou sobejamente ao público presente, logo nos compridos ouviu grandes aplausos, cravado o primeiro curto e já soavam os acordes de Puerta Grande, dois violinos no final da lide foram a consagração e o remate foi com um de palmo também bastante aplaudido; um triunfo que vai motivar ainda mais esta jovem promessa para o compromisso da alternativa que se avizinha a dez de Junho em Santarém.

Tarde de rijas pegas; pelos do Amadores Ribatejo Bruno Nobre depois de uma dura primeira tentativa foi dobrado por Gonçalo Semeador que resolveu á primeira, o seu segundo foi pegado por Afonso Fófó que pegou á primeira depois de um emocionante brinde a essa grande glória da forcadagem que foi Chinita de Mira.

Pelos de Cascais Hugo Bilro que foi dobrado depois de três tentativas por Joel Zambujeira que pegou á primeira; e Luís Amador que pegou também á primeira tentativa.

Os forcados do Aposento do Alandroal pegou Alexandre Lopes numa boa pega á primeira tentativa e Mário Pinto á segunda tentativa também uma boa pega com o toiro a fugir aos ajudas.

Muito se tem discutido sobre a ferragem a utilizar nas corridas, pelo que vimos esta tarde, a ferragem utilizada apresentou alguns problemas tanto ao cravar, caindo sem explicação, como a ferragem comprida que depois de cravado o ferro, dava a ideia de que ficava como se não tivesse sido cravado, vendo-se na ponta do ferro cerca de um palmo de ferro balançando, algo a melhorar certamente.

Nota bastante positiva para o curro de novilhos toiros apresentado (Ganadaria São Martinho), tanto em apresentação como em comportamento; bravos e nobres; a transmitir aquela emoção e aquela pitada de perigo que tanta falta faz á nossa festa.

Fruto da politica de preços baixos da Empresa Apaludir, a praça quase encheu por completo; esta pratica é de louvar pois Aldeia da Venda (Concelho do Alandroal) é um dos Concelhos mais pobres da Europa; mas também um local onde pese embora as dificuldades a festa brava é vivida de forma bastante intensa e apaixonada pelas suas Gentes, pudemos comprovar isso mesmo na companhia de bancada que muito nos honrou um grupo de Idosos utentes da Misericórdia local que foram a prova provada disso mesmo.

domingo, 15 de maio de 2011

“No reino dos Bastinhas, os reis foram os Caetanos”

Histórica noite para os Académicos de Elvas; depois da sua apresentação na praça de toiros da Terrugem a três de Junho do ano dois mil, viraram mais uma página da sua história, com a despedida do seu cabo fundador Ivan Nabeiro e a entrada do novo cabo António Patrício, a quem só podemos desejar os maiores sucessos como foi o desta corrida com todos os toiros pegados á primeira tentativa, foram caras Ivan Nabeiro, António Patrício, Afonso Bulhão Martins, Paulo Barradas Maurício sobrinho desse grande forcado Elvense que foi Pedro Barradas com uma grande pega, Tiago Caldeira Fernandes e Gonçalo Machado o forcado estrela do grupo Elvense que fechou com chave de ouro esta brilhante actuação da formação académica.

Paulo Caetano cedeu a primeira lide a Joaquim Bastinhas, que depois de elevar o seu brinde aos céus certamente a seu Pai Sebastião Tenório que era justamente homenageado esta noite, lidou com a alegria que todos lhe conhecemos pese embora tenha faltado um pouco de emoção; a lide veio a mais principalmente na parte final com o clássico par de bandarilhas a duas mãos.

Paulo Caetano anunciou que esta era a única corrida que fazia na presente temporada, pois quanto a nós é uma grande pena dado a enorme lição de toureio que deu no coliseu Elvense; cuidando o mais pequeno pormenor, cumprindo as mais exigentes regras do toureio a cavalo; foi um gosto enorme ver tourear de uma forma tão templada e toureira, com uma brega enormemente cuidada deixou ferros em sortes frontais bastante emotivos; espelhou na sua lide a definição mais completa do que é tourear a cavalo.

Quando ouvimos no colóquio de aniversário da Rádio Campanário uma história contada pelo próprio Paulo Caetano sobre uns cadernos sobre lidar a cavalo em três tomos escritos por D. José de Atayde, em que dado possivelmente a “leveza” dos mesmos face ao que era tourear a cavalo; Mestre Simão da Veiga ironicamente lhe contrapôs dizendo: “Então faça lá para a gente ver”; hoje digo eu: Caetano fez o que Mestre Simão pedia, e nós tivemos a sorte de ver.

De seguida foi a vez de Moura Caetano mostrar que está num momento extraordinário, recebeu á porta gaiola com alegria, nos compridos arrepiou as bancadas, e na lide dos curtos deu espectáculo com o Passapé, vistosos ladeios na brega e no remate das sortes, quiebros, ferros ao piton contrário, foi um “levantar de pó” e de púiblico na arena de Elvas que nos emocionou a todos; grande lide e grande triunfo, Madrid espera este toureiro, assim certamente que no próximo vinte e oito de Maio Madrid poderá falar Português, e que a sorte o acompanhe, pois oficio leva de sobras.

Marcos Tenório escutou as maiores ovações da noite, a jogar em casa todo o carinho foi pouco para este jovem, mas quanto nós faltou um pouco de tempero, assim como sentido de lide á sua actuação; recebeu á porta gaiola, correcto nos compridos, os dois primeiros curtos não resultaram em pleno, um ferro em sorte violino, crava três rosas e um par de bandarilhas para fechar a actuação; estamos convictos que Marcos tem muito mais para dar.

Duarte Pinto mostrou que está em grande forma; desde o primeiro comprido que a sua actuação foi sempre em crescendo, com uma segurança própria de quem está á vontade no assunto. A felicidade do toureiro estava estampada no seu rosto, e era sinónimo da sua grande actuação.

Para toureiros de verdade, como é o caso; em praças não muito aficionadas, como é o caso também; resulta que na maioria das vezes a receptividade do público não acontece nem premeia as actuações como devia, foi isso que aconteceu. Mas uma coisa é certa e verdadeira: Duarte Pinto foi também um dos grandes triunfadores da noite.

José Luís Rodriguez mostrou desde a sua actuação do ano passado em Santa Eulália que melhorou bastante, apesar de ter tido uma lide muito correcta, falta-lhe um pouco de criatividade, e variedade tanto na execução das sortes como na escolha dos terrenos, algo a limar mas ainda assim gostámos da actuação deste Jovem Venezuelano que quer ser figura do toureio.

Paulo Caetano triunfou também nesta corrida como Ganadeiro, pois saíram bravos e nobres, os novilhos toiros da sua ganadaria, com excepção para o lidado em ultimo lugar que descaía constantemente para tábuas.

Numa corrida que os lucros revertiam a favor da APPACDM – Associação de Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão deficiente mental, o público preencheu o coliseu Elvense com três quartos de casa.

domingo, 17 de abril de 2011

Tarde poderosa em Alcochete

Agradável corrida da Juventude em Alcochete, um bom curro de António Ordoñez que transmitiram emoção, principalmente para uma enorme pega, o momento da tarde protagonizado por Daniel Silva dos Amadores de Alcochete, premio para a melhor lide ganho por Manuel Lupi.


A casa registou meia casa forte, numa tarde em que actuaram Brito Paes, com lide regular e acertada, Manuel Lupi, com uma boa lide, João Caetano, com grande classe, Telles Jr, foi aquele que mais arriscou, Tomas Pinto, com uma lide de mais a menos e Salgueiro da Costa, que esteve em bom plano.

No que diz respeito à forcadagem, a emoção foi a palavra de ordem.

Não perca em breve a crónica de Herlander Coutinho e uma reportagem fotográfica de Hugo Calado.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Boa tarde de touros no Redondo

A Associação Tauromáquica do Redondo resolveu e bem, abrir as suas portas neste final de temporada para dar uma oportunidade aos jovens valores; Manuel Telles Bastos, Duarte Pinto, Francisco Palha, o praticante Tomás Pinto e a amadora Maria Mira, seis toiros Veiga Teixeira, mais um de Santiago para a Maria.

O primeiro da tarde foi lidado a duo pelo Manuel Telles Bastos e pelo Francisco Palha, destaque para o primeiro que desempenhou o seu papel na perfeição, quanto ao Francisco a coisa não resultou; uma falta de afinação enorme, consentindo excessivos toques na montada que retiraram qualquer espécie de brilho á sua actuação.

Seguiu-se Duarte Pinto com uma lide com grande dignidade e ofício; nos compridos com destaque para o segundo, citando de praça á praça, indo até aos terrenos do toiro que se encontrava junto a tábuas, onde reuniu em sorte ajustada cravando assim um emocionante comprido. Logo após o primeiro curto soa o pasodoble, segue numa lide ascendente deixando quatro curtos de grande nota, sendo fortemente aplaudido.

Tomás Pinto apesar de ser ainda praticante não se deixou intimidar pelos colegas de cartel, muito pelo contrário; mostrou sim uma rara intuição toureira, e um á vontade próprio de quem faz as coisas com segurança e saber; nos compridos esteve perfeito, e na ferragem curta depois de três ferros segundo os cânones, crava mais dois em sorte de violino e um de palmo que deixaram o público absolutamente rendido a este Jovem toureiro tributando-lhe fortes aplausos.

O quarto da tarde foi para Maria Mira, que teve uma lide bastante correcta, pese embora acusasse um bocadinho a sua parca rodagem, faltando-lhe um pouco de temple e sentido de lide, deixando no entanto ferros de boa nota e pormenores que indicam que está no bom caminho; quanto a nós deveria ter dado a volta de agradecimento que pela actuação que teve sem dúvida merecia, mas ela assim não entendeu; este factor só por si revela o grau de exigência que a Maria quer atingir para que seja merecedora daquilo que todos os artistas anseiam: Os aplausos do público.

Manuel Telles Bastos perante um “quinto” de Veiga Teixeira “que foi mesmo o mais bravo” teve uma actuação de triunfo. Já várias vezes me referi a este cavaleiro, como sendo um dos poucos cavaleiros artistas a actuar nas nossas praças, e cada vez encontro mais razões para esta afirmação; se o seu Tio é o mestre do toureio clássico este Jovem da Torrinha ainda acrescenta mais e essa herança genética que leva dentro; contagia pela sua presença em praça e pelo corte das suas actuações; é um toureiro que além de emocionar faz sentir, foi isto que se passou no coliseu do Redondo, numa lide para recordar.

Francisco Palha teve no sexto toiro uma lide inversa da sua primeira, nos compridos deixa logo bom sabor, para nos curtos agarrar o público logo a partir do segundo que crava, mas é com os dois últimos em sorte de violino que chega mais ás bancadas, e com eles ouvir dos maiores aplausos da tarde, rubricando uma actuação onde se notou a mão dos ensinamentos que recolhe em Puebla del Rio.

O último da tarde estava destinado aos primos Pinto para uma lide a duo, cravaram e bem dois compridos cada um, seguindo depois uma lide que veio de menos a mais, terminando com dois bons ferros curtos, que o público exigiu a estes dois jovens e que serviram para terminar com chave de ouro esta temporada de triunfo e de afirmação do Coliseu do Redondo como uma das praças mais importantes da planície Alentejana.

As pegas estiveram a cargo dos Amadores de Alcochete, por: João Pedro e Luís Santos á primeira, Tomás Vale á terceira, dividindo ajudas com o grupo da casa, e Hugo Silva á segunda.

Pelos do Redondo pegou o João Azaruja, que se despediu á primeira tentativa, o Nuno Fitas com uma enorme pega á primeira tentativa, em que o forcado aguentou praticamente sozinho enormes e intermináveis derrotes; estoicismo e valentia foram os ingredientes desta grande pega que vai perdurar na memória de quem a presenciou e executou, e Rui Grilo que depois de duas tentativas foi dobrado por Hélder Delgado que resolveu á primeira.

Nota elevada para os toiros de Veiga Teixeira, que saíram na generalidade bravos e colaborantes.

Perante mais de meia casa, dirigiu com acerto o Sr. Agostinho Borges


sábado, 30 de outubro de 2010

Palavras taurinas...

Para refrescar as ideias e enaltecer os sentimentos, cavalgando um pouco pela arte da escrita, e colhendo faena nos terrenos das palavras, deixo-vos hoje: primeiro um excerto desse grande escritor mas sobretudo aficionado que foi Álvaro Guerra;

depois um poema de um Amigo, em que já “toureamos” juntos vai para trinta e oito temporadas, e muitas mais nos esperam. Passados dezanove anos desde que foi escrito aí está ele hoje “montera em mão” perante todos os aficionados.



"Regresso à tentação de comparar os riscos da escrita com os da tauromaquia. Mas não há comparação aceitável entre o perigo de vida e o perigo de morte. Por outro lado, é evidente que em nenhum ruedo ficará inscrita uma faena, ainda que seja a mais bela, contrariamente ao poema que a folha em branco acolherá. A memória compensará essa diferença essencial."

Álvaro Guerra



Tourada



Se a Vida fosse uma tourada

Ai como seria adorada!

Ter de ultrapassar obstáculos

Com lealdade e coragem

Com arte e sacrifício

Ai que bela seria a Vida

Se a honestidade fosse um vício

Se os obstáculos fossem encarados de frente

Se houvesse um toureiro em toda a gente!



Francisco Vieira (1991)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Noite de triunfo na ultima de Lisboa

O Campo Pequeno abriu as suas portas para a última corrida da temporada, era a corrida do Sporting que contava com o aliciante do regresso da família Moura á Catedral do Toureio.

O espectáculo iniciou-se com as variedades taurinas em que actuava Miguel Moura, que lidou um novilho da ganadaria Passanha (em substituição do anunciado de Mário e Herdeiros de Manuel Vinhas) uma lide cheia de alegria e toreria, foi aquilo que este jovem cavaleiro nos ofereceu; frente a um colaborante e bem apresentado Passanha, Miguel crava dois compridos excelentes e nos curtos deixa emocionantes ferros citando de praça a praça e cravando ao piton contrário, o público esteve sempre com ele demonstrando-lhe todo o seu carinho e reconhecendo o seu já muito valor e sentido toureiro; terminou com duas rosas de palmo bem cravadas e rematadas que deixaram o público rendido e satisfeito.

È impressionante como o Maestro Moura se apresenta em praça, começa a ser redundante falar deste Senhor do Toureio, que hoje, além da delícia que é vê-lo actuar, funciona como catedrático desta nobre arte, leccionando em cada actuação sua; sempre assim foi e sempre assim há-de ser; exemplo disso são os resultados dos seus pupilos mais chegados que hoje mais uma vez pudemos comprovar.

O primeiro toiro que lidou (talvez o que tivesse mais sangue Santacoloma) saiu com bastante pata, sendo recebido pelo cavaleiro de forma emocionante, parando-o como só ele sabe; crava-lhe dois compridos de boa nota, e na lide dos curtos crava-lhe cinco de antologia, rematados com vistosos ladeios (quais muletazos) que chegaram intensamente ás bancadas de onde surgiram fortes aplausos. Na sua segunda mais uma grande lide, sempre com exigência e categoria de sobras; quando este toureiro se monta num cavalo e entra numa praça, e ainda por cima de for na primeira do País, ele entra numa outra dimensão, a que só muito poucos tem acesso, mas a que felizmente muitos tem hipótese de assistir, de desfrutar…

João Moura Jr rubricou mais um grande triunfo ontem em Lisboa, na primeira lide depois de dois belíssimos ferros compridos, aparece no Merlin para nos curtos montar um alvoroço de toreria, destaque para o terceiro ao piton contrario a aguentar e a carregar um ferro de teve nota vinte, o público pede mais e Jr acedeu com um de palmo superiormente cravado, terminando uma lide de categoria. No seu segundo a fasquia vai mais alto ainda, os acordes da Sociedade Filarmónica do Progresso e Labor Samouquense enriqueceram ainda mais a lide logo após o primeiro excelente ferro curto que cravou, segue com um de praça á praça, e no quarto levantou as bancadas, crava dois de palmo a pedido do público que tiveram grande êxito, terminando uma lide que teve como prémio duas voltas á arena, diga-se de passagem merecidíssimas.

Na parte apeada João Augusto Moura lidou dois toiros de Falé Filipe, o primeiro bravo e colaborante mas a acusar a falta da sorte de varas, o segundo um toiro bravo e nobre de investidas.

Começou a lide recebendo por verónicas sempre ganhando terreno e levando o astado até aos médios, na muleta teve uma faena praticamente baseada em derechazos, ficando a faltar a da verdade, o toureio experimentou mas o toiro não permitiu.

No seu segundo tem uma lide brilhante frente a um bom toiro de Falé Filipe, que permitiu grande brilhantismo tanto no capote como na muleta, iniciando a faena com a flanela com ajustados estatuários, causando grandes emoções nas bancadas, em que o perigo e o risco foram a tónica presente, segue por derechazos em várias séries chegando por fim os tão saborosos naturais, nas ultimas séries o toiro já ficava um pouco curto de investida mas ainda assim o toureiro soube estar por cima, mostrando oficio enorme para um Jovem que este ano esteve tão pouco placeado; teve duas merecidas voltas a uma lide que brindou ao céu, certamente a seu Pai e seu Avô.

A forcadagem também brilhou; o novilho de Passanha lidado pelo Miguel foi pegado pelo grupo de Évora que educadamente partilhou ajudas com Monforte e foi pegado por Gonçalo Guerreiro á primeira tentativa.

Os outros Eborenses a pegar foram o cabo Bernardo Patinhas muito bem á primeira e Ricardo Casasnovas também correcto á primeira.

A rapaziada de Monforte a quem coube os dois toiros mais pesados da corrida virava uma página na sua história com a mudança de cabo saindo Paulo Freire que fez uma grande pega á primeira tentativa e entra como novo cabo Ricardo Carrilho, a quem desejamos desde já as maiores felicidades na sua nova função; o Ricardo infelizmente não pode pegar pois encontra-se a recuperar de uma lesão, pegou Márcio Paulo apenas á terceira tentativa, nas duas primeiras falhou sempre por sua culpa pois adiantava as mãos na altura da reunião, pagou a factura sem hesitar pois recusou dar volta. Quanto a nós se calhar não foi a melhor opção a escolha deste forcado, teria sido interessante pegar o conhecido forcado Toni, pois se a noite era da família Moura, certamente este Jovem que é moço de espadas de Moura Jr também sente de forma especial esta Família e de certeza que tudo tinha feito para não defraudar, isto é apenas a nossa modesta opinião como aficionados, mais nada.

Os toiros de Mário e Herdeiros de Manuel Vinhas saíram bem apresentados e cumpriram na generalidade dando grande colaboração para que a corrida fosse de facto um êxito; na volta final de agradecimento dos Mouras, destaque para o Benjamim Tomás, que vestindo o seu primeiro traje curto, e não podendo ainda tourear calhou-lhe e bem o agradecimento dos fortes aplausos que todos recebiam, de “sombrero” em mão e de forma bastante toureira; foi tocante a maneira como agradecia, ou não fosse ele um Moura.

Perante três quartos de casa dirigiu com acerto mas com pouca vontade de ouvir música o Sr Ricardo Pereira.

A homenagem da Câmara de Monforte a alguns intervenientes e mais algumas personalidades logo após a lide de Miguel Moura, apesar de ser merecida pelas mesmas, julgamos não ter sido no local apropriado pois o público estava com ânsia de ver tourear e não de estar uma enormidade de tempo a ver entregar presentes, realmente os políticos por vezes tornam-se um pouco diga-mos: Aborrecidos…

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A noite foi dos Académicos


Passaram dez anos desde que na praça de toiros da Terrugem no dia dez de Junho do ano dois mil, um grupo de Amigos de Elvas, denominados Académicos e com o gosto pela festa brava se juntaram para pegar nesse mesmo dia toiros da extinta ganadaria Goes e Brito Limpo.

Volvido todo esse tempo temos o resultado de além de um grupo de Amigos que continua a ser, ser também um grande grupo de forcados; tudo rapaziada bastante jovem, e cerca de noventa por cento oriundos da própria Cidade ou Concelho que lhe dá o nome, portanto coisa rara e de que poucos grupos se podem orgulhar; já actuaram este ano em dezanove espectáculos, dois deles na Venezuela e na sua grande maioria pautados por grandes êxitos; e ontem para comemorar a sua primeira década de existência somaram mais um ao encerrarem-se em solitário na praça da sua Terra com um curro de Murteira Grave.

Pegaram o David Barradas, Roberto Ameixa, Joaquim Guerra, e Pedro Pimenta, todos á primeira tentativa; o Tiago Fernandes pegou á segunda, e Gonçalo Machado, uma das estrelas do grupo apenas consumou á terceira tentativa.

Joaquim Bastinhas fazia as honras da casa, ao abrir praça frente a um Grave pouco colaborante teve que puxar dos seus galões para conseguir uma lide bem ao seu estilo e com as consequentes marcas da casa: de que a maior referencia é, e foi o tradicional par de bandarilhas.

Rui Salvador teve uma lide bastante correcta, com uma cravagem exemplar e emotiva como é seu timbre, contudo faltou um pouco de ligação entre as sortes para que pudesse-mos dizer que foi uma lide exemplar.

Vítor Ribeiro teve uma passagem por Elvas bastante positiva, pese embora a lesão que o acompanha, este cavaleiro está num momento artístico bastante elevado e as suas actuações são sempre bastante positivas; esteve correcto nos compridos, assim como nos curtos sendo o quarto em sorte de violino bastante aplaudido; o público pediu mais e o toureio acedeu com um de palmo cravado em terrenos de grande compromisso, terminou assim debaixo de fortes aplausos.

Moura Caetano foi sem dúvida o triunfador da noite; com uma lide madura, de poderio e com um sentido artístico elevado, com ferros ao piton contrário de grande categoria e emoção. Aproveitou da melhor maneira o Grave menos mau da corrida ao qual imprimiu a lide adequada; os aplausos mais fortes do público aficionado foram para ele mesmo.

Com Marcos Tenório vieram os momentos de maior emoção da noite, recebeu á porta gaiola, pena foi o toiro não se ter interessado no cavalo, e depois com o toiro a saltar a trincheira e o consequente alarido que tal situação provoca; Marcos inicia a sua lide com um ferro ao piton contrário de grande nota e segue com mais do mesmo tipo, finaliza com um de palmo em sorte violino e termina com um excelente par de bandarilhas por dentro com o toiro a apertar; ouve grandes aplausos apeando-se da montada e agradecendo assim o carinho do público da sua Terra. Marcos leva no sangue a forma de tourear à Bastinhas, e isso está cada vez mais evidente, a sua lide foi a prova disso mesmo, assim, quando seu Pai se retirar os seus inúmeros fãs podem ficar descansados, ver o Marco é sinónimo de ver o seu Pai, com mais valia acrescida da sua irreverência, garra e juventude.

Na lide a duo dos Bastinhas a coisa não resultou como obviamente desejariam, o touro que lhe coube em sorte foi substituído depois de se ter inutilizado e o sobrero não apresentava condições para o brilhantismo; cumpriram com a ferragem da ordem e, pouco mais havia a fazer.

O curro de Murteira Grave que foi lidado em Elvas, apesar de estar irrepreensivelmente bem apresentado não evidenciou grandes qualidades de lide, principalmente bastante falta de força, e com excepção para o lidado por Moura Caetano, todos os outros roçaram a mansidão; de salientar pela negativa o destinado para a lide a duo, que logo após a saída e apesar de já vir debilitado dos curros, esta condição veio a agravar-se logo na fase inicial da lide; depois uma voltareta a quando do cite de um bandarilheiro acabou com o resto; presume-se que a pata anterior esquerda ficou partida, e a partir daqui assistimos a um espectáculo degradante com o toiro a arrastar-se até aos currais, enfim tudo aquilo que jamais queremos assistir numa praça de toiros.

Não achamos assim explicação para a volta de agradecimento que o Ganadero Joaquim Grave deu no final da corrida; sem precisar de ir á profundeza das mais elementares regras de bravura e condições de lide de um touro bravo; A volta de agradecimento de pretenso triunfo nada acrescentou á Sua gloriosa trajectória como ganadero e sobretudo como aficionado.

Perante casa cheia dirigiu com bastante acerto o Sr. Agostinho Borges, coadjuvado pelo Médico Veterinário Dr. José Guerra.

Um grande olé para a Banda Catorze de Janeiro de Elvas que com o seu novo maestro se apresentou mais taurina, e abrilhantou com rotundo triunfo esta corrida de touros.


domingo, 12 de setembro de 2010

Aficion esgotou Vila Viçosa

È ingrato, absurdo e quiçá desnecessário escrever sobre um acontecimento que foi presenciado por milhões de pessoas por esse Mundo fora. Mas para lá da policromia e sonoridade da Festa, existe a parte sentimental, as emoções, final de contas aquilo que nós aficionados andamos incessantemente à procura.

A praça de Vila Viçosa estava esgotada, António Telles esse catedrático da Torrinha veio leccionar à Princesa do Alentejo cátedra de grande valor, trazia pupilos de sangue cada um no seu estilo; Telles Bastos andou com o seu classicismo de sempre, faltou-lhe alguma matéria prima para demonstrar a sua arte, é um cavaleiro de arte. João Telles Jr foi quem mais animou a praça, tem um toureio contagiante, não falha nunca, a sua alegria e brio rapidamente inflamam as bancadas, é um toureiro que faz sentir.

Foi bom sentir também que nem todos os políticos são iguais, o Secretário de estado da cultura, Elísio Summavielle não perde uma oportunidade de apoiar a festa brava, lá estava ele com Eng. Caldeirinha Roma, Presidente do Município de Vila Viçosa, assim como Moita Flores que recolhia assinaturas para a Sua louvável iniciativa de apoio á Tauromaquia.

A forcadagem da Região deu conta do recado, pegou o Joaquim Branco e o João Passos, os cabos a darem o exemplo. Pegou o Manuel Vieira, pegou o Nuno Oliveira, e o Luís Figueira, este último sabemos que é um forcado de garra e de valor, no entanto os nervos pregaram-lhe uma partida; levanta a cabeça rapaz, a 5 de Outubro tens um Canas Vigouroux para levantares a praça da tua terra (Redondo) em pé.

Mário Pinto, esse pequeno grande forcado do Aposento do Alandroal, que na semana passada na sua Terra executou a pega que muitos apelidaram de: a pega do ano, ontem voltou a surpreender pela segurança e perfeição com que executou mais uma excelente pega; a época dos prémios está a chegar, prepara-te Mário que vais fazer muitos km.

Duas filarmónicas, a da casa União Calipolense, e a do vizinho Concelho de Alandroal tiveram e aproveitaram a oportunidade para brilhar.

O mais pequeno aficionado que conheço é o Manuel Maria, lá estava ele “sempre a bombar”, o futuro da festa está assegurado, nem que seja na fotografia…

Recebi noticias que durante a transmissão o José Cáceres falou do site Toureio.com e do programa de Tauromaquia da Rádio Campanário, que é o mesmo que falar de Hugo Calado; a sua dedicação e profissionalismo atingem níveis dificilmente alcançáveis, mas que ele com a maior aficcion e naturalidade do Mundo facilmente consegue.

A família Telles faz todos os anos a sua, e a nossa festa aqui por Vila Viçosa, dá gosto ver as bancadas salpicadas de loirinhos e loirinhas, um exemplo de união familiar que rareia nos nossos dias.

A convite do Hugo estive-mos em casa desse Toureiro da Terra que é José Luís Cochicho, que em dias de corridas faz questão de receber artistas e Amigos, diga-se de passagem que o faz com o maior gosto e recebe como ninguém.

Outro Toureiro da Terra é o Bandarilheiro Alegrias, figura carismática da brega Nacional, não fosse ter nascido ali mesmo ao lado do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, e ela ontem com o seu manto ter-lhe feito um oportuno quite, e o Alegria não podia passar as suas festas dos Capuchos em Paz, mas ele como Toureiro que é não vai de modas e executa o seu característico recorte colocando o toiro nos currais ao mesmo tempo que as suas Gentes o aplaudiam de pé.

A festa é feita de aficionados e ontem tive o gosto de conhecer mais um deles; José Rilhas é um dos membros da Associação Tauromáquica do Redondo que tem feito um trabalho extraordinário á frente da praça da sua Terra. Uma praça onde todos querem ir; público e artistas, um sitio com toreria que conquistou num curto espaço de tempo um espaço enorme na nossa tauromaquia; um verdadeiro caso de estudo no nosso panorama taurino.

Saí de Vila Viçosa com o peito cheio; contente por sentir que a Festa dos Toiros em Portugal está com uma vitalidade enorme, que nada nem ninguém vai conseguir extinguir. A força do sentimento, temperada com emoção nunca vai terminar. Pena tenho, que muitos que por razões “que até a própria razão desconhece” querem estupidamente interferir em sentimentos alheios; em razões que não lhe pertencem, mergulhando em intrigas desnecessárias, em histórias mirabolantes, em guerras sem sentido.

Na moda dos pseudónimos, hoje também não assino aquilo que escrevi; ou melhor, assino apenas como:

AFICIONADO; no fundo aquilo que todos os que amamos a Festa Brava deveríamos de ser: AFICIONADOS

sábado, 14 de agosto de 2010

São Romão: Prieto volta a dar nas vistas


O Jovem Mateus Prieto foi o triunfador da corrida realizada a 13 de Agosto em São Romão (Vila Viçosa).

No último toiro da noite, este Jovem Cavaleiro praticante mostrou que tem fortes argumentos para vingar nesta difícil arte de lidar a cavalo. Correctíssimo nos compridos, com um sentido de lide elevado, e criativo no desenhar das sortes, deixa uma série de ferros curtos de grande nota, sendo fortemente aplaudidos os dois violinos e um ferro de palmo com que rematou a sua lide, o público tem por ele um carinho especial a que ele retribui sempre com grandes actuações; nós apostamos neste jovem como futura figura do toureio.

Batista Duarte entrou em praça para matar a sede da sua aficion, teve uma lide correcta com os desacertos normais de quem toureia pouco, ainda assim a Banda de Música do Alandroal abrilhantou a sua lide logo após o primeiro ferro curto, deixou mais três e um a pedido do público que estava em grande ambiente festivo esta noite.

João Paulo (que substituía Francisco Cortes) é um cavaleiro mais rodado por terras de Espanha, e mostrou isso mesmo, bastante bem nos compridos á tira que deixou, teve um segundo curto de boa nota, e uma lide bastante conseguida que muito agradou ao público, podemos dizer que assim como o Jovem Mateus, João Paulo foi também um dos triunfadores da noite.

Marco José depois de alguma hesitação nos compridos, consegue nos curtos uma lide de menos a mais, com uma brega ajustada e emotiva, a cravar en su sitio, e com remates vistosos, termina com fortes aplausos para os violinos com que rematou a lide; as suas lides em crescendo mostram que se este cavaleiro tivesse mais oportunidades certamente teria muito mais para nos brindar.

Alberto Conde lidou uma tourinha sem ninguém para a empurrar, um toiro sempre parado a que o Cavaleiro bastante penou para colocar a ferragem da ordem que resultou toda ela dispersa, ainda assim insistiu em cravar mais um ferro que fruto da lide e do toiros que teve não compreendemos de todo.

Carlos Manuel deixou alguns ferros de interesse, mas evidenciando sempre a muita falta de rodagem que tem, no entanto há sempre um prémio para aqueles que fruto da sua imensa aficion se apresentam em praça para dar o seu melhor.

Os forcados de Bencatel pegaram Ricardo Prior á segunda tentativa e Joaquim Domingos e Carlos Polme ambos á primeira tentativa.

Pelos de Sousel foram caras, Diogo Peixei á segunda entrada, João Paulo e Ricardo Gonzalez ambos á primeira tentativa, este recente grupo tem como cabo Luís Cortes, mas é comandado por esse grande forcado que é João Gambiarra, antiga glória dos Lusitanos que recentemente pegou na Figueira da Foz na corrida do Jornal Farpas e que promete fazer do grupo de Sousel um grande grupo de forcados.

Os toiros (tinham algarismo 6) que vieram dos campos do Mondego pertencentes á ganadaria de José Isidro dos Reis mostraram comportamentos próprios de animais criados em “cativeiro” que na maior parte dos casos complicaram a vida aos cavaleiros, dando embora emoção e entrega quando chegaram ás pegas.

O público bastante entusiasta quase encheu a desmontável montada no campo de futebol desta simpática aldeia de São Romão, que por estes dias vive mais umas animadas festas de verão em honra do seu Padroeiro: São Romão

domingo, 8 de agosto de 2010

Touros Vila Galé levam emoção a Santa Eulália

Santa Eulália (Elvas) do cartel anunciado faltou o cavaleiro Francisco Cortes por motivos de doença, assim cada interveniente lidou dois toiros da ganadaria Vila Galé.

Marco José sentiu algumas dificuldades nas suas duas lides, talvez por falta de rodagem foi notória a escassez de argumentos para resolver os “problemas”, quanto mais para bordar o toureio; no primeiro toiro demorou uma enormidade até colocar o primeiro comprido, motivo que levou o director Sr António dos Santos a dar-lhe um aviso, coloca três curtos regulares conseguindo alguns aplausos com dois violinos sendo o ultimo a pedido do público, na sua segunda lide coube-lhe um toiro a “pedir contas” que se arrancava de largo e a alta velocidade, tendo agarrado a montada com alguma violência logo antes de colocar o primeiro curto; Marco José esteve muito por baixo do toiro, com humildade e justiça não deu volta á arena.



A corrida era mista e a parte apeada estava destinada ao Matador Sérgio dos Santos “Parrita”, inicialmente iria lidar apenas um toiro mas com a falta de Francisco Cortes lidou dois, no primeiro recebeu á Verónica, segue com três bons pares de bandarilhas mas na muleta não consegue desenhar faena; no segundo talvez o maior toiro da corrida, o matador andou aliviado, sem encontrar terreno, onde faltaram as três regras básicas do toureio: Parar, templar e mandar, enquanto o público pedia música o toureiro simulava a morte do toiro e terminou assim a abreviada faena, reconhecemos que os toiros estavam sérios, contudo todos os toiros tem a sua lide, a vontade e a garra do toureiro tem sempre que ficar vincadas dentro da arena e não foi isso que aconteceu.



Marcelo Mendes teve duas boas actuações e deixou provado que pode ser um caso sério a ter em conta; coloca três compridos em cada toiro que lidou, todos de boa nota e nos curtos, deixa ferros de grande nota com os violinos a chegarem mais ao público, contudo demonstra grande à vontade e saber na brega e preparação das sortes, colocação e remate das mesmas, para um praticante podemos dizer convictamente que está com uma regularidade de triunfos extremamente importante.



Os toiros de Vila Galé saíram bastante bem apresentados para a praça em questão, e com a emoção que lhe é característica, e que tanta falta faz ás nossas praças, principalmente ás mais importantes, onde gostaríamos sinceramente de ver lidado um curro desta ganadaria, e se fosse por figuras melhor ainda.



Na forcadagem por Alter do Chão foram caras João Antunes á segunda tentativa e João Lopes á primeira naquela que foi a pega da noite; por Monforte o cabo Paulo Freire pegou apenas á terceira, sendo que na primeira tentativa ficou inanimado na arena o primeiro ajuda Dinis Pacheco, Luís Aranha pegou á segunda tentativa.



A praça registou cerca meia casa de entrada, dirigiu sem problemas o Exmo. Sr. António dos Santos, coadjuvado pelo Médico Veterinário Dr José Guerra.



Notámos que alguns dos bandarilheiros se apresentavam sem coleta, o que já temos vindo a notar de algumas corridas a esta parte; que eu saiba o corte da coleta é só para quando deixam de tourear.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Nisa: Triunfo de Marcelo Mendes e Bruno Cantinho


Grande triunfo do praticante Marcelo Mendes no último toiro da corrida, Marcelo aproveitou da melhor maneira a única oportunidade que dispunha, demonstrou conhecimento dos terrenos e do toiro que lidou de forma correctíssima, logo no inicio da lide escutou fortes aplausos; ferros variados, de cites frontais e rematados como mandam as regras, sempre com emoção e risco;

o público gostou do violino e pediu mais, ao que o cavaleiro acedeu com um magnífico par de bandarilhas terminando de forma apoteótica e festiva a sua actuação. Deixou bom ambiente e vontade de assistir-mos ás suas actuações.

Rui Salvador teve duas lides um pouco distintas; na primeira perante um toiro bastante parado, teve que esforçar-se para colocar a ferragem da ordem, depois de dois curtos clássicos, deixa como recurso dois ferros em sorte de violino, o último em terrenos apertados e por dentro, labor que o público reconheceu com fortes aplausos; na sua segunda lide a coisa veio a mais, e foi nítido o esforço e a garra que Salvador imprimiu á sua lide, é de salientar a obsessão pela perfeição e pelo triunfo que este cavaleiro demonstra, e quando assim é o artista sai sempre de consciência tranquila e o público também; “não defraudar nunca” é o lema que nós atribuímos a Rui Salvador.

O cavaleiro João Cerejo, teve um lote um pouco complicado, isto aliado á sua pouca rodagem reflectiu-se em duas actuações que não atingiram certamente o brilhantismo que público e toureiro queriam, no entanto fica a grande afición e querer deste artista, que apesar de tudo deixou em Nisa pinceladas de toureio, assim como o reconhecimento do público que soube valorizar correctamente as suas actuações consoante as capacidades do ginete.

Filipe Vinhais demonstrou um pouco a falta de “placeamento”, andou bastante aliviado e sem nunca encontrar sentido para a sua lide, é primordial saber as “regras” para que as possamos cumprir; falta um pouco de escola a este jovem, esta correcção certamente será resolvida com mais oportunidades.

Anunciava-se um concurso de pegas, que foi ganho por Bruno Cantinho doa Amadores de Cascais, a outra pega deste grupo foi executada por José Maria Rocha á quarta tentativa.

Pelo Grupo de Portalegre, que fazia a sua segunda corrida este dia, pegou; Luís Real á terceira tentativa, e Francisco Peralta que depois de duas tentativas foi dobrado por Ricardo Almeida que consumou á segunda tentativa a sua segunda pega deste dia, pois já tinha pegado um toiro na corrida da tarde em Cabeço de Vide.

Pelos forcados de Alter do Chão depois de três tentativas de Magalhães, foi pegado á primeira por Nuno Basso; o seu segundo toiro foi pegado á segunda tentativa por Elias Santos.

De destacar o bem apresentado curro de toiros de Vila Galé, que alem da excelente apresentação para a praça em questão, imprimiu á corrida a emoção que tanta falta faz hoje nas nossas praças.

Grande entrada de público; com mais de três quartos de casa preenchidos, e grande ambiente de festa nas bancadas, com o público saudavelmente interventivo, numa data fora de qualquer actividade festiva que suporte a afluência de público, leva-nos a crer que em Nisa a aficion está de boa saúde, fazendo lembrar os tempos de glória desta velhinha praça onde ao longo dos anos passaram as maiores figuras do toureio fazendo dela uma das mais carismáticas do Norte Alentejano.

Dirigiu o Exmo Sr António Garçoa coadjuvado pelo Médico Veterinário Dr José Guerra

Tarde quente em Cabeço de Vide


Tarde de muito calor e de pouco público (meia casa) em Cabeço de Vide.

Lidaram-se toiros de Rodolfo André Proença (1º,3º e 4º) e de João Moura os lidados em 2º e 5º lugar. Nota positiva para os de João Moura, os Proença apesar de bem apresentados demonstravam algum sentido, o que além de dificultar o trabalho dos artistas, tira o necessário brilho ás lides.

João Moura teve uma primeira lide regular dentro daquilo que o toiro permitiu, cravou quatro curtos de boa nota e rematou com duas rosas de palmo, no seu segundo tem uma lide mais interessante, depois de receber com emoção um toiro com bastante pata, foi buscar o Merlin logo no inicio dos ferros curtos e a coisa resultou; contudo hoje em Cabeço de Vide o Maestro Moura apresentou com uma das suas montadas um “número” que tanta controvérsia tem criado entre os defensores da arte de Marialva; apresentou um cavalo que tentava morder no toiro.

Desde que me conheço como aficionado e desde que ouço falar de toiros que sempre ouvi que João Moura é e sempre foi uma referência para todos, inclusive já ouvi da boca de Pablo Hermozo de Mendonza dizer isto mesmo; acredito que tenha sido apenas uma brincadeira, pois se há cavaleiro que não precisa destes “números” é precisamente João Moura.

António Maria Brito Paes teve uma primeira lide bastante agradável, deixou quatro ferros compridos de categoria e rematou com dois de palmo de igual calibre, mostrou que merece mais oportunidades. No seu segundo, um toiro mais reservado e com sentido em que o cavaleiro se esforçou bastante para lhe tirar alguma lide, contudo não rompeu e quanto a nós prolongou um pouco demais o seu labor perante um toiro que não queria de todo colaborar.

O amador Miguel Moura saiu a arena de Cabeço de Vide com a garra dos Mouras, lidou um novilho de seu Pai, e deixou ferros de grande categoria e emoção, podemos dizer que escutou os maiores aplausos da tarde, assim como a maior percentagem de triunfo foi para ele mesmo.

Os forcados de Portalegre pegaram Miguel Zagalo á primeira, José Ferreira á segunda, Ricardo Almeida á primeira, Manuel Cary á terceira, com uma excelente ajuda do Cabo Fernando Coelho que perante a ineficácia dos ajudas nas duas tentativas anteriores teve que saltar a arena para dar o exemplo e resolver assim o problema, o novilho lidado por Miguel Moura foi pegado á primeira por André Neves.

Dirigiu com normalidade e acerto o Exmo Sr Nuno Néry.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Boa noite de touros na Póvoa do Varzim


«Corrida TV Norte na praça de toiros da Póvoa do Varzim, mais um grande sucesso da Casa do Pessoal da RTP, com uma excelente entrada de público, e de público entusiasta alegre e participativo como é o público do Norte, com sede de ver corridas de toiros, mais de seis mil pessoas.

Este ano pela primeira vez esta corrida não foi organizada pelo saudoso Manuel Gonçalves mas sim pelo seu filho, que seguindo os moldes de seu Pai resultou mais uma vez em pleno.

Um cartel de seis cavaleiros não deixa de ser altamente competitivo, uma vez que cada artista apenas dispõe de uma oportunidade para brilhar, logo tem que jogar tudo numa única aposta, e assim foi; com duas partes distintas, em que na primeira actuaram os consagrados e na segunda a juventude; resultado foi uma salutar competição e variedade de estilos, sempre com o objectivo do sucesso.

Paulo Caetano abriu praça com o seu tradicional classicismo, teve uma lide com grandes momentos de toureio, apesar do seu oponente não se fixar nem transmitir como devia.

Joaquim Bastinhas sempre na mó de cima, e sempre alegre comunicativo e toureiro, não perde uma oportunidade para triunfar e na Póvoa aconteceu mais uma vez isso mesmo, depois de uma excelente lide com brega cuidada e ferros de emoção, deixa um de palmo e o tradicional par de bandarilhas debaixo de fortes aplausos terminando assim de forma apoteótica.

Luís Rouxinol não baixou a fasquia dos seus colegas e veio também para o triunfo, o toiro teve boa nota e Rouxinol aproveitou da melhor maneira as suas nobres investidas, remata com um excelente par de bandarilhas e um de palmo, ganhou o prémio em disputa para a melhor lide oferecido pela Casa do Pessoal da RTP.

A juventude também veio por todas; João Moura Caetano teve uma lide em que teve que colocar aquilo que o toiro não tinha, mas este cavaleiro já nos habituou que quando está inspirado toureia qualquer tipo de toiro, e foi isso que aconteceu, uma lide importante em que rematou com um ferro de palmo sob fortes aplausos.

Marcos Bastinhas depois de algum desacerto inicial , crava o primeiro curto ao piton contrário de antologia, segue a lide a surpreender e sempre com ferros de grande nível, com a garra e a alegria tradicional dos “Bastinhas”.

O Jovem praticante Tomás Pinto, foi também um dos grandes triunfadores da noite, teve uma actuação merecedora do prémio para a melhor lide, mas o júri é soberano e assim não o entendeu, recebeu á porta gaiola, o segundo curto de alto a baixo como mandam as regras, e uma lide sempre desenhada dentro das regras mais exigentes que ao toureio dizem respeito, sortes variadas, bem rematadas conhecimento, dos terrenos e entendimento do toiro foram qualidades que este jovem deixou bem patentes na mente de todos quanto presenciaram a corrida, um caso muito sério e a fazer falta ao nosso panorama taurino, deixa muita vontade de voltarmos a ver esta jovem Tomás.

A forcadagem Alentejana esteve em grande, os Académicos de Elvas, que vão com uma época de sucessos pegaram á terceira por Roberto Ameixa e Gonçalo Machado á primeira que ganhou o prémio para a melhor pega.

O Aposento da Chamusca pegou Francisco Montoya á primeira, e João Vinagre á terceira.

Os Forcados de Alenquer, Dinis Camacho á primeira e António Pedro também á primeira.

Os toiros de Maria Guiomar Cortes de Moura cumpriram sem emoção, o ganadeiro deu volta no final; o seu merecimento fica ao critério de cada um, pela nossa parte não se justificava.

Dirigiu o Exmo Sr Pedro Reinhard, coadjuvado pelo Médico Veterinário José Maria Nobre, abrilhantada pela Banda da Sociedade Filarmónica da Nazaré.

sábado, 10 de julho de 2010

A corrida de toiros é um espectáculo onde tudo é real

A corrida de toiros é um espectáculo onde tudo é real, que não permite ensaios prévios, onde as emoções são sentidas na sua essência mais digna e pura; assim depois do apagão que ensombrou as cortesias, fez-se luz com o brinde do Maestro Moura a Paulo Caetano; o confronto anunciado revelou-se na reconciliação e no abraço que todos esperávamos.

Moura derramou na praça de Portalegre toda a sua garra, toda a sua arte e saber. Numa lide á Moura, que justifica a intensidade do brinde; essa força e valor que também chegou ás bancadas de forma bastante intensa.

Caetano retribuiu o brinde a Moura, e presenteou-nos com uma lide cheia de classicismo como sempre nos habituou, quase não nota-mos que está retirado das arenas tal foi a sua entrega e oficio, deixa ferros de excelente nota numa lide inundada de temple.

João Moura Caetano vem por todas, numa lide que começou com uma explosão de emoção, risco e valentia; ferros ao piton contrário, de praça á praça, em terrenos de dentro, de tudo este jovem fez para alcançar um desejado triunfo, que efectivamente e de forma merecedora conseguiu, não atingiu a plenitude porque o toiro veio um pouco a menos no final da lide.

Era a vez de João Moura Jr, que depois de algum desacerto nos compridos, nos curtos causa um intenso alvoroço, primeiro com o Merlin, que desassossega o público mal entra em praça, trocando depois de montada e rubricando uma lide de valor tanto na colocação da ferragem, como no remate das sortes, onde levou nota vinte.

Terminado o quarto toiro fez-se um desnecessário intervalo; pois quando a tendência é para que as corridas não durem muito mais de duas horas, porquê perder tempo com um intervalo?

Na lide a duo os Mouras deitaram a praça abaixo, tiraram ao toiro tudo aquilo que havia para tirar, sem tempos mortos, escutaram musica logo no primeiro ferro curto que o Maestro cravou, e depois foi um encadeamento de excelentes ferros com intermináveis pedidos do publico para que cravassem mais, isto sempre debaixo de enormes aplausos, duas voltas á praça foi o prémio para esta excelente lide.

A lide a duo dos Caetanos, apesar de bastante correcta não atingiu o valor da anterior, muito por culpa do Passanha, que foi talvez o toiro menos bom da corrida, descaindo constantemente para tábuas e ganhando querença junto á porta dos curros, não permitiu o brilhantismo que os toureiros queriam, mas ainda assim não deixou de ser uma lide com nota bastante positiva.

Na forcadagem por Santarém, David Romão apenas concretizou á quinta tentativa com ajudas carregadas, Manuel Roque Lopes á primeira tentativa a pega da noite e João Vaz Freire também uma emotiva pega á segunda tentativa.

Pelo grupo da casa Miguel Zagalo, José Rodrigues e Ricardo Almeida todos á segunda tentativa; de referir que na segunda pega do grupo de Portalegre ficou um ajuda inanimado na praça, foi bonito ver o instinto altruísta e estóico do Dr Gomes Esteves de entrar em praça para socorrer o forcado, assim como dos seus colegas; e foi degradante ver como os bombeiros continuavam impávidos e serenos detrás da trincheira sem nada fazerem; é inquestionável o valor dos bombeiros, mas hoje á que referir que não estiveram de todo á altura do nome que carregam.

A praça registou três quartos de entrada fortes; o resto dos bilhetes foram “comprados” pela crise; se não fosse “ela” o resto do público teria esgotado certamente a praça.

O curro de Passanha, bastante bem apresentado e sem o inusitado excesso de peso que muitas vezes apresentam, justificou que na maioria das vezes o que sobra em apresentação falta em bravura; hoje estes Murubes na “linha” deram um excelente jogo na generalidade, chegando inclusive ás pegas com um andamento e investida cheia de alegria e emoção, mas a corrida era dos toureiros, e mais uma vez os toiros, que foram eles no fundo que permitiram o grande espectáculo a que assistimos, viram o prémio passar á roda, e a consequente volta do Ganadeiro quanto a nós merecidíssima ficou injustificadamente por dar.

Dirigiu com acerto o Sr António dos Santos coadjuvado pelo Médico Veterinário Dr José Guerra, e o Corneteiro Sr Hugo Narciso hoje também com grande triunfo; a banda Euterpe de Portalegre alegrou ainda mais as lides com os seus acordes.

Fica para a história o abraço entre dois Homens, esperado á muito por muitos; a nós Homens e aficionados nada mais podemos fazer que congratulamo-nos pelo exemplo e pelas emoções que hoje todos os intervenientes nos ofereceram na Elias Martins.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Morante encanta Badajoz

A um artista tudo se permite. Morante trata sublimemente o aficionado: se não tem nada de bom para lhe oferecer, pois também não o aborrece, foi isso que fez no seu primeiro toiro;

o aficionado conhecedor dos artistas, e acima de tudo conhecedor e seguidor de Morante desculpa e tolera tudo isso, pois sabe que o génio carregado de essências no seu intimo está ansioso de deixar o seu belo perfume a todo e qualquer momento.

Começa no seu segundo com verónicas de classe e temple sublime, quite por chicuelinas alegres e emocionantes, fixa-se nos médios para séries intermináveis, muletazos com cadência e temple de arte, de artista, Morantista. Que difícil é descrever emoções a preto e branco….

Falha com a espada e com o descabelho tomba á segunda, corta uma orelha que podiam ter sido duas, ou até duas e rabo; que importa isso a um artista? E que importa isso a quem desfrutou da Sua Arte??

El Fandi está mais toureiro, mais maduro, no primeiro soube aproveitar a cadencia do toiro de forma inteligente, tirou o que tinha para tirar, e depois de brilhar como sempre em bandarilhas, na muleta deixou ares de bom toureiro e corta uma merecida orelha; no seu segundo não teve sorte pois o toiro rapidamente esgotou, aliado á pouca classe que tinha, nada houve a fazer pela parte do toureiro.

José Maria Manzanares teve uma faena valorosa no primeiro, uma faena larga e entretida provando sempre as duas mãos com profundidade, aproveitou as investidas do oponente com toreria, bastante confiado e arrojado conseguiu chegar de forma emocionante ao público, que lhe tributou uma orelha e pediu sem sucesso a segunda. No seu segundo Manzanares apesar da grande entrega nada havia a fazer perante a escassa transmissão do toiro.

Os toiros de Juan Pedro Domeq cumpriram na generalidade com destaque para o segundo do lote de Morante que foi um toiro com que todos os toureiros sonham, e que alguns encontram.

O público compareceu com meia casa preenchida, hoje sim com a presença de muitos aficionados Portugueses, o sol praticamente vazio; que pena essa maldita CRISE agora ter-se tornado também aficionada, ocupa bastantes lugares, e assim deixa de fora milhares de aficionados.

Dedicada a Victor Puerto, e mudando atrevidamente da minha parte Guadalquivir por Guadiana vos deixo o seguinte verso para a Faena de Morante:

“El rio Guadiana

Pasa llorando com pena

Porque passando tan cerca

No pudo ver la faena”


terça-feira, 22 de junho de 2010

12 Orelhas na Novilhada de Badajoz

Quando as coisas são bem feitas, só podem dar bons resultados, isso foi o que pudemos comprovar esta terça-feira á tarde na novilhada em Badajoz, o fruto do excelente trabalho desenvolvido pela Escola taurina de Badajoz.

Carlos Maria não conseguiu luzir com o capote, o novilho saia solto, sempre direito a tábuas, brindou aos seus colegas de escola e de cartel e traça uma faena interessante, com três boas tandas por derechazos, depois com naturais com o novilho a meter-se sempre por dentro, prolonga um pouco a faena mas sempre com entretenimento e interesse, escuta um aviso, estocada inteira á segunda e duas orelhas.

O Português Joaquim Ribeiro “Cuqui” foi uma excelente surpresa, nomeado melhor promessa da Escola Taurina de Badajoz no ano de 2009, pelo Clube Taurino de Badajoz com o troféu “Aquilino Claver” justificou e de que maneira a distinção atribuída, fez uma das faenas da tarde, bastante confiado e toureiro, recebeu com uma larga afarolada de joelhos, seguida por verónicas bem desenhadas, bandarilhou primorosamente e na muleta consegue uma faena completa e de bastante verdade e valor, mata de estocada inteira e duas justíssimas orelhas com ligeira petição de rabo (comparando com a faena anterior seria merecidíssimo).

Rafael Cerro recebe com verónicas templadas, na muleta começa logo com a mão da verdade e segue muito por esse caminho, pena a pouca força do novilho, porque tinha bravura e nobreza desmedida, ainda assim toureiro soube aproveitá-lo da melhor forma, cortando também duas orelhas.

José Manuel Garrido, depois de brilhar com o capote sempre ganhado terreno ao seu oponente, com a flanela vai de menos a mais, conseguindo a unanimidade do público na segunda parte da faena que lhe valeu duas orelhas.

Ruben Lobato recebeu com duas largas afaroladas, cravou três bons pares de bandarilhas e ouve forte ovação, brindou a António Ferrera que se encontrava na bancada, uma faena que veio um pouco de mais a menos, mas que ainda assim cortou também duas orelhas.

Posada de Maravilhas, foi realmente a maravilha da tarde; toureou com um temple e um saber enorme para um jovem que vai na segunda corrida (pois a primeira em Vila Boim – Elvas não foi autorizado a tourear por falta de idade) e toureou este ano uma em Jerez de los Cabelleros onde cortou duas orelhas e rabo, hoje só não igualou porque depois da segunda e com petição de rabo, o director saca o lenço para volta do novilho ao reudo e o público pensa que era a concessão do rabo, quando vêem o novilho a dar a volta a praça com o rabo protestam. Posada teve uma faena completíssima e enorme, com temple segurança e saber, baixando e correndo a mão, grande nota para as tandas de naturais, mata de estocada inteira e deixa a essência dos Posadas na arena de Badajoz.

Como nota final de referir a elevada preparação de todos estes novilheiros da Escola Taurina de Badajoz, grande tarde nos brindaram, o público divertiu-se e emocionou-se como se quer. Um cartel de sonhos e de esperanças que se transformou numa feliz e verdadeira realidade. Afinal o objectivo da Festa Brava é que todos saia-mos da praça, felizes emocionados e satisfeitos, foi aquilo que efectivamente hoje se passou em Badajoz. Que Deus acompanhe estes Jovens, e que possam ter tantas alegrias com as que hoje nos brindaram.

Grandes triunfadores foram também os novilhos de Bernardino Piriz, todos com excelente nota, nobreza e clareza de investidas sublimes, matéria prima ideal para estes jovens toureiros, volta do ganadeiro e volta do ultimo novilho da tarde.

sábado, 15 de maio de 2010

Noite solidária em Elvas


O Coliseu de Elvas abriu as suas portas para um Festival Taurino a favor da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Elvas. A nobreza da causa levou a que o coliseu tivesse uma excelente entrada de público com cerca de três quartos preenchidos.


Abriu praça o amador Mateus Prieto que prestava neste festival prova para cavaleiro praticante; começou da melhor forma a sua lide com dois bons ferros compridos, seguiu em bom tom nos curtos, com algumas imprecisões pelo meio; houve algum exagero na tentativa de querer fazer muito em apenas um toiro, ficou provado que por vezes, ou quase sempre a quantidade é inimiga da qualidade. Ainda assim mereceu sem sombra de dúvidas entrar com o pé direito nesta sua nova carreira de cavaleiro praticante.


Joaquim Bastinhas apesar de ter tido uma lide correcta e interessante, não teve uma lide “à Bastinhas”; basta dizer que nem colocou o tradicional par de bandarilhas, rematou a sua lide com um bom ferro de palmo; certamente que não era a lide que o cavaleiro Elvense sonhou para esta noite, mas o novilho toiro vindo de Fontalva a mais não permitia, chegou ao fim da lide quase sem forças sequer para entrar para os curros.

Rui Salvador, é um cavaleiro que pouco tem actuado esta época, contudo não podia ter corrido da melhor forma esta actuação do cavaleiro de Tomar,

foi logo no primeiro curto que a música começou a tocar para não mais parar, abrilhantou assim uma lide enorme e cheia de valor, mostrou em Elvas que está preparado para as grandes corridas e para os grandes cartéis por mérito exclusivamente próprio. Pena foi que o público (a grande parte dele) não tivesse reconhecido da melhor forma a actuação do cavaleiro, pois decidiu abandonar as bancadas para intervalo (sem que alguém tivesse anunciado ainda que havia) o que levou a que o cavaleiro tivesse dado volta de agradecimento com as bancadas meio vazias. Fica o reparo, pois além de uma das lides, senão a lide da noite, Rui actuou (como todos os outros) em Elvas de forma desinteressada e altruísta e só isto merecia todo o nosso respeito.

Ana Batista deixou o seu belo aroma em Elvas; toureou de forma templada e tocante, conseguiu transmitir da melhor forma a expressão toureira e feminina, a Ana é uma cavaleira que dá um toque de classe enorme em cada cartel que entra, tem uma áurea positiva e isso não deixa ninguém indiferente.

Marcos Tenório tem vindo a afirmar-se com o seu valor e garra em cada corrida que actua, e na sua terra então não facilita em nada, depois de uma enorme queda (entrou nos terrenos do toiro), felizmente sem consequências logo no segundo comprido, troca de montada e entra em praça com a garra própria do Clã Bastinhas, e ofereceu-nos uma lide de grande valor perante um toiro que descaia um pouco para tábuas, mas isso não foi problema para os fortes trunfos que este jovem cavaleiro possui, foi também um dos triunfadores da noite.

Duarte Pinto teve uma lide na linha do que nos vem habituando, no entanto a escassez de força do novilho não permitiu a Duarte Pinto aquele triunfo que ele certamente desejaria, contudo deve ficar bem claro o profissionalismo do Duarte, que o coloca num dos principais cavaleiros a seguir esta temporada.

A forcadagem podia ter tido uma noite perfeita, mas a prontidão de investida dos novilhos, com uma arrancada bastante alegre e rápida, levou a que os jovens forcados por vezes não “mandassem” nos novilhos, e quando assim é, é mais fácil a coisa não resultar logo á primeira, pois fica a faltar esse “toureio” que só o passar dos anos e o maior numero de pegas pode trazer.

Por Portalegre pegaram: Miguel Zagalo, Pedro Constantino e Ricardo Almeida, todos á segunda tentativa.

Pelos Académicos de Elvas foram caras: João Sequeira á primeira, Afonso Bulhão Martins também á primeira; na que foi a pega da noite, e Jorge Nazaré á segunda.

Mais um forcado ferido com uma bandarilha; desta vez foi Gonçalo Machado dos Académicos de Elvas, que ficou com uma bandarilha espetada na parte lateral direita do abdómen, quando dava uma ajuda, a qual lhe foi retirada já no hospital de Elvas onde ficou em observações.

Os novilhos toiros de José Luis Vasconcellos e Sousa D’Andrade cumpriram na generalidade, no entanto temos que referir a falta de apresentação e de força dos mesmos; animais que traziam o seis na espádua, apresentavam como se costuma dizer na gíria taurina “fome e cabelo comprido”, quanto a nós impróprios para terem saído a uma praça de toiros, ainda que para um festival como foi o caso.

Dirigiu com o máximo acerto o Sr. Agostinho Borges, coadjuvado pelo Médico Veterinário Dr. José Guerra.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sucesso no festival de Bencatel

Bencatel (Vila Viçosa) abriu as portas da sua castiça praça de toiros para receber em ambiente de festa um interessante festival taurino, integrado na II Festa Taurina e organizado pelos Amigos da Festa de Bencatel.

Anunciavam-se novilhos de Juan Albarran (Badajoz) no entanto estas apresentaram “atestado veterinário” e foram substituídos por seis novilhos de Santo Estêvão que apesar das escassez de força de alguns exemplares, cumpriram na generalidade.

Abriu praça Joaquim Bastinhas que deixou em Bencatel a alegria do seu toureio, como aliás é seu apanágio por todas as praças por onde actua sejam elas em que sítios forem, por isso Bastinhas tem o carisma que tem. Rubricou uma interessante lide terminando com um ferro de palmo e o inevitável par de bandarilhas a pedido do público, apeia-se do cavalo e recebe a primeira grande ovação da tarde.

João Paulo apareceu hoje em Bencatel bastante mais acertado do que na semana passada em Santo António das Areias, apesar do seu toureio não ser nada de transcendente, conseguiu resolver a “papeleta” com o acerto desejado, o público reconheceu o esforço e aplaudiu o cavaleiro.

Marcos Tenório não teve muita sorte no novilho que lhe tocou, apesar de ser colaborante tinha escassez de força, o que lhe tirava obviamente emoção, faltou-lhe assim “toiro” para que este toureiro pudesse demonstrar o grande valor que possui; ainda assim deixa quatro curtos de grande nota e remata a sua lide com dois emocionantes ferros de palmo.

Duarte Pinto lidou o novilho mais pesado da corrida; provou mais uma vez em Bencatel o grande inicio de época que tem tido, certamente que vai ser uma das grandes figuras do toureio em Portugal, perante um interessante novilho de Santo Estêvão Duarte traçou uma lide templada e perfeita, com ferros de grande categoria colocados no sitio. A pedido do público coloca mais dois excelentes ferros curtos, houve fortes aplausos, deixa uma grande lide, e leva consigo um grande triunfo.

O praticante Miguel Tavares também deixou boa impressão fruto do seu labor em praça, gostámos de ver este jovem cavaleiro que soube ultrapassar os obstáculos com distinção e profissionalismo; aproveitou da melhor forma a oportunidade que lhe foi oferecida, há a cuidar no entanto a questão da colocação dos ferros.

Rui Guerra toureava pela primeira vez como cavaleiro praticante, e ofereceu-nos uma excelente lide; a música toca logo a partir do primeiro ferro, coloca cinco curtos de boa nota, recortando e rematando de forma vistosa e emotiva, com uma colocação exemplar, coloca mais um a pedido do público, e escuta fortes aplausos, foi também um dos triunfadores da tarde. Provou mais uma vez que está no bom caminho, e preparado para agarrar com êxito todas as oportunidades que lhe apareçam pela frente.

Estava em disputa um troféu para a melhor pega que foi ganho por Ricardo Prior dos Amadores de Bancatel, estes que pegaram o outro novilho que lhe coube também á primeira tentativa por intermédio de Luís Janota.

Os Académicos de Elvas pegaram os seus dois toiros á segunda tentativa, foram caras: Diogo Belacorça e Tiago Fernandes. Pelo Aposento do Alandroal pegaram João Valentim e Alexandre Lopes ambos á primeira tentativa.

Dirigiu com acerto e sem problemas o Exmo Sr José Tinoca coadjuvado pelo Médico Veterinário Emo Sr José Guerra. Abrilhantou com grande valor a Banda da Escola de Música do Centro Cultural do Alandroal.



De realçar o êxito deste festival, tanto a nível artístico como de público, e dar os parabéns à organização tanto do festival, como da II Festa Taurina; que contou com demonstrações de toureio a pé e a cavalo, demonstrações de pegas, colóquios, e exposições de fotografia. Assim se promove a festa, assim se criam novos aficionados. Quando numa Aldeia, se promove a festa desta forma, e que apesar dos seus mil e poucos habitantes até tem um grupo de Forcados, é a prova bem real de que a festa brava está bem e recomenda-se. Faltou no entanto a presença dos órgãos de informação taurina nacionais para darem eco duma iniciativa destas; órgãos estes que para irem a certas corridas e iniciativas se acotovelam, neste sítios onde tinham por obrigação marcar presença optam simplesmente por ignorar.

domingo, 11 de abril de 2010

Boa tarde de touros em Barrancos


Por ocasião da Feira do Presunto, assistimos hoje a um agradável festival misto em Barrancos.

Luís Rouxinol abriu praça da melhor forma; depois de dois ferros compridos de boa nota, Rouxinol crava o primeiro curto em que dada a emoção do mesmo escuta logo música, segue com a cravagem de três ferros curtos de qualidade e um de palmo; termina com um inevitável e emocionante par de bandarilhas; marca da casa e sinal de que as coisas correram da melhor forma.

Francisco Cortes depois de brindar ao Presidente da Câmara local, Sr António Tereno, traçou uma lide em que depois de algum desacerto nos compridos, abranda o nervosismo e começa com três curtos de emoção sendo o terceiro por dentro com o toiro a apertar, coloca para terminar dois de palmo de correcta execução, adornando-se com piruetas na cara do oponente. Gostámos de ver este Cortes em que apareceu mais afinado e com a garra e a alegria de sempre.

O Real Grupo de Forcados de Moura pegou o primeiro touro por Carlos Sota numa rija pega á segunda tentativa, o segundo foi pegado de forma correctíssima por Xavier Cortegano com uma sublime primeira ajuda de José Marques (Pénalti); não nos esquecemos de repetir que este forcado é um dos grandes da forcadagem Nacional na posição de primeira ajuda, eu não consigo lembrar-me de nada parecido, quanto mais igual.

Na parte apeada pese embora a sua disponibilidade e o nosso respeito por quem se mete diante de um toiro, não nos deixou qualquer sombra de dúvida porque é que Canales Rivera não vingou ainda no toureio. Faz uma “faena” sempre com a mão direita, sem argumentos e sobretudo sem vontade.

Jairo Miguel, a coqueluche do toureio Espanhol, veio a Barrancos para triunfar; numa faena com arte e poderio; o novilho não o deixou luzir no capote, mas Jairo desforrou-se na muleta, com um toureio inicial por derechazos com emoção, escuta musica logo de inicio, a seguir deixa boas séries pela direita, sempre com “arrogância” toureira, experimenta e bem com a esquerda, onde consegue duas boas séries de naturais, deixou excelente ambiente e deu provas das grandes esperanças que toda a aficion lhe deposita.

António João Ferreira teve um inicio de faena logo por naturais, seguindo depois com derechazos; no entanto o vento impediu um pouco o seu labor, mas ainda assim deixou bom sabor de boca este jovem matador.

Nuno Casquinha está ai em força, e brindou-nos com uma boa faena; começa por derechazos de emoção, na segunda série remata da melhor forma com um passe de peito como mandam as regras, consegue um toureio ligado e em redondo, troca de mão e deixa mais uma boa série de naturais; uma faena bastante completa e emotiva a que este jovem novilheiro nos ofereceu.

Fica no entanto o reparo da pouca diversidade de passes tanto de capote como de muleta que os toureiros na generalidade nos mostraram esta tarde; a variedade de passes ainda é alguma, no entanto apenas vimos: verónicas, derechazos e alguns naturais.

Os novilhos cumpriram tanto em apresentação como em comportamento e pertenciam á ganadaria local de Couto de Fornilhos; a causa era nobre (Bombeiros Voluntários) e a praça praticamente encheu, no final era notória a satisfação a todos os níveis, do seu principal organizador: O grande aficionado local Sr Noémio Caçador, a quem deixamos um grande Olé.

Num dia em que na nossa geografia taurina apenas havia mais duas corridas de toiros, nota-mos a ausência da maior parte da comunicação taurina Nacional neste triunfante festival Barranquenho.

Dirigiu da melhor forma o Sr Francisco Farinha, coadjuvado pelo Médio Veterinário Matias Guilherme.