domingo, 12 de setembro de 2010

Crónica da Corrida da Feira de Moura

- Praça de Toiros: Moura

- Empresa: Gestoiro
- Ganadaria: Cunhal Patrício
- Cavaleiros: João Moura, António Ribeiro Telles e Brito Paes
- Grupo de Forcados: Real Grupo de Forcados Amadores de Moura
- Assistência: Meia casa
- Delegados da IGAC: Delegado Técnico Tauromáquico Sr. Lourenço Luzio, assessorado pelo Médico Veterinário Dr. João Infante

Data principal do calendário taurino da praça de Moura acabou por ser prejudicada em termos de assistência pelo intenso calor que se fez sentir durante todo o dia , factor que poderá ter motivado a fraca entrada de publico.

Lidaram-se seis novilhos de Cunhal Patrício, todos entre os 450 e 460 kg , peso estimado , já que a empresa tornou a não publicitar o peso real . No geral o curro resultou sonso, sem casta nem transmissão, excepção do lidado em quarto lugar. Bem apresentados e rematados, para novilhos, acabaram por retirar algum brilho à prestação dos cavaleiros .

João Moura teve duas lides distintas. No que abriu praça, um cardeno que pouco colaborou, João Moura andou apenas em plano cumpridor e a despachar, nos compridos e nos curtos cravou sempre em sortes aliviadas, à tira e a cilhas passadas sem conseguir faena digna desse nome. Já no quarto da tarde a sua atitude mudaria radicalmente. Frente ao melhor novilho da corrida, Moura teve uma lide com base naquilo que é o seu conceito de toureio e que foi do agrado do publico. Cravou 2 compridos em sortes cingidas ainda que a favor da crença e, nos curtos, baseou o seu labor no ladear do cavalo sobre o morlaco para o deixar em sorte o que facilmente chegou às bancadas na ferragem curta. Contudo, dos 5 curtos cravados, todos em sortes cambiadas, 3 deles são claramente colocados já com o toiro bem longe do estribo.

António Telles deu uma autentica lição acerca do que é tourear a cavalo com o primeiro do seu lote. António Telles teve logo o condão de transformar um manso num astado que se deixou lidar. Destaque para a brega ao longo de toda a lide, sempre muito em cima do toiro, sempre a encher-lhe a cara de garupa do cavalo, sempre a escolher os terrenos de forma inteligente, a preparar de forma toureira, a cravar como mandam os cânones, ao estribo e a rematar ao piton e com ligação. Tudo isto foi o que António Telles fez, uma lide na verdadeira acepção do termo. Algo em que o temple, o toureio frontal e o mando estiveram sempre presentes.
No segundo do seu lote, um novilho bronco que se arrancava só em arreões, António esteve uns furos abaixo, ainda assim viu-se com agrado dando sempre nota do seu sentido toureiro.

Brito Paes teve uma primeira actuação desastrada ante um adversario que também não ajudou. Ainda assim o cavaleiro não soube entender o seu oponente dando-lhe lide nos terrenos menos apropriados. Cravou 2 compridos vulgares e, nos curtos, andou claramente aos papéis. Na lide do seu segundo Brito Paes melhorou, ainda que abusando da velocidade. Cravou 2 compridos de poder a poder e nos curtos deixou 5 ferros de nota regular mas onde a emoção esteve presente.

Esta corrida de Setembro para o Grupo de Moura é sempre corrida de aniversário pelo que se fardam antigos actuais elementos. Daí alguns desacertos ante novilhos duros e tardos para as pegas. Pegaram João Cabeça à primeira a dobrar Luís Charata que se lesionou em 2 tentativas onde podia ter contado com melhor primeira ajuda. O segundo foi pegado por David Veríssimo em pega correcta ao segundo encontro. João Cabrita pegou o terceiro à primeira estando bem na cara do toiro e contando com ajuda coesa do grupo. O quarto foi pegado também ao primeiro encontro pelo já retirado Jaime Fialho que mostrou ainda boa forma e saber fechando-se com querer e com raça. Para o quinto saltou Cláudio Pereira que consumou à primeira numa pega eficaz onde o cara soube recuar e fechar-se. O sexto propiciou a Walter Rico a pega da tarde, ao segundo intento, um toiro daqueles quase impossíveis em que só a determinação de ferro deste forcado consegue levar a melhor. Em suma, uma tarde bastante positiva para o Grupo Mourense em época plena de acertos.

A parte gaga da tarde veio depois. Novas cortesias, quase 3 horas depois do início, e lide para o amador Miguel Moura. Ou seja, o dois em um, uma corrida e uma novilhada, só neste nosso país taurino.
O nóvel ginete Moura esteve despachado na lide do novilho cravando de forma correcta a ferragem e revelando a muita preparação que já leva. O novilho foi pegado por um conjunto de jovens forcados do Grupo de Moura, com o cara Xavier Cortegano, ao primeiro intento.

O Mais e o Menos da Corrida
+ a lide de António Telles ao segundo da tarde
- a fraca afluência de publico
- a inclusão da novilhada neste cartel

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