- Praça de Toiros: Arena D' Évora- Data: 11 de Setembro de 2010, pelas 21.30 horas
- Empresa: Terra Brava
- Ganadaria: Palha
- Cavaleiros: Luís Rouxinol e João Salgueiro
- Cavaleiro Praticante: Tomás Pinto
- Grupo de Forcado: Forcados Amadores de Évora e de S. Manços, capitaneados por Bernardo Patinhas e Joaquim Branco respectivamente.
- Assistência: ½ casa
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. Agostinho Borges, assessorado pelo médico veterinário Dr. Matias Guilherme.
A expectativa era grande para corrida das casas do Benfica no Alentejo, principalmente pelos toiros, que pertenciam a uma ganadaria que habitualmente apenas lida em Espanha e que, pela segunda vez desde há muitos anos, aparece, com um curro completo, numa corrida em Évora, numa aposta audaz e corajosa da empresa que gere a praça. Pena foi que os aficionados não tivessem correspondido… Do restante cartel faziam parte duas das figuras cimeiras do toureio a cavalo à portuguesa e um cavaleiro praticante que tem pautado a época por boas actuações. Para as pegas dois grupos vizinhos em competição.
Os toiros, da centenária ganadaria Palha, com os pesos de 535, 525, 510, 560, 585 e 620 Kg, pela ordem em que saíram à praça, todos ferrados com o algarismo 6 na espádua direita, saíram com excelente apresentação e trapio, bem no tipo da ganadaria. Em termos de comportamento mostraram-se voluntariosos, com muita mobilidade, investindo com raça, a emprestarem emoção às sortes e a pedirem que os toureassem, sendo de destacar, pela sua nobreza e bravura, os primeiro e quarto da ordem, sendo que todos eles foram toiros sérios, a constituir um curro que não vemos habitualmente nas praças portuguesas. Pena foi que os intervenientes desta noite não estivessem à altura…
Ganharam e com grande diferença os toiros, sendo mais do que justa a chamada do maioral para a volta após a lide do último, que, quanto a nós, só pecou por tardia.
Ao contrário do que vinha anunciado nos cartéis, iniciou a noite de lides a cavalo Luís Rouxinol que, na primeira presença em praça, começou por prometer, com a colocação de dois ferros compridos de boa nota, mas que, na ferragem curta, desceu bastante de nível. Perante um público habitualmente um pouco frio, preocupou-se muito com os momentos do antes e do depois do ferro, descurando o momento crucial e mais importante. Cravou quatro ferros curtos, dos quais apenas o primeiro merece nota positiva, para terminar com um palmo cravado à segunda tentativa e o habitual par de bandarilhas, que nada acrescentaram à lide. No segundo toiro do seu lote as coisas mudaram para bem melhor. Perante um dos melhores toiros da noite – talvez também porque o cavaleiro o fez sobressair – o cavaleiro fez uma lide séria, com ferros colocados em sortes frontais e ajustadas, indo de encontro ao que o toiro pedia. Na colocação do segundo curto sofreu um violento toque, fruto de alguma precipitação, mas que em nada deslustrou os bons ferros a que assistimos, nomeadamente os primeiro e quarto curtos e o último ferro de palmo com que encerrou a lide.
João Salgueiro apresentou-se esta noite muito descontraído e com poucas ganas de triunfar. A sua primeira actuação assentou numa lide fácil, com ferros cravados em sortes com o quarteio aberto em demasia, demasiado aliviadas e sem conceder quaisquer vantagens ao toiro, ele que costuma assentar muitas das suas actuações em ferros colocados a dar primazia de investida aos seus oponentes. No seu segundo toiro subiu o nível da sua actuação, mas, ainda assim, faltou acertar mais as distâncias, o que só conseguiu na parte final. Citando em curto, sem dar vantagens, entrou pelo toiro dentro e, em reuniões ajustadas e com frontalidade, deixou ferros de muito boa nota, nomeadamente os quatro primeiros curtos, sendo que, no quinto ferro, sofreu um ligeiro toque ao cravar.
Tomás Pinto não esteve ao nível daquilo a que nos tem habituado em algumas das actuações da presente temporada. No primeiro do seu lote não começou da melhor maneira e foi deixando ferros descaídos (o segundo comprido), com toques na montada (o 1º curto) ou a falhar o toiro (o 4º curto). Pelo meio vimos dois bons ferros, a merecerem nota bastante positiva (os 3º e 5º curtos). No último toiro da noite, continuou na senda do que havia feito no primeiro do seu lote. Perante um toiro difícil, denotou algumas dificuldades em entendê-lo, deixando, contudo, alguns bons apontamentos, com ferros de nota alta, como os 2º e 5º curtos.
No que respeita às pegas, pelo Grupo de Forcados Amadores de Évora iniciou a noite Vasco Fernandes, que citou de meia praça, mandou vir, fechou-se de braços à córnea e viajou sozinho até tábuas onde embateu com alguma violência, saindo lesionado. Foi dobrado por João Pedro Oliveira que, na sua primeira tentativa, foi despejado em tábuas perante alguma passividade das terceiras ajudas, consumando a seguir, numa boa reunião e com o grupo a ajudar melhor lá atrás. No final recusou acompanhar o cavaleiro na volta à arena. Manuel Rovisco saiu para tentar a pega ao terceiro da ordem e, perante a arrancada solta do toiro, com muita pata, recua muito bem e reúne para uma boa pega, com o grupo a ajudar. A encerrar a actuação dos da terra foi à cara Ricardo Casas Novas, que, com o toiro colocado fora de tábuas, citou correctamente e, embora não se tivesse fechado correctamente de pernas, aguentou bem os derrotes e consumou a pega.
Após 23 anos sobre a última actuação do Grupo de Forcados Amadores de S. Manços na praça de toiros Évora, abriu praça por este grupo o seu cabo Joaquim Branco, que citou de largo, com o toiro de frente, fixando-o bem, mandou na sorte e consumou uma boa pega, bem ajudado pelo grupo que mostrou coesão. Nuno Leão saltou para a pega ao quarto da noite, que saiu solto para o forcado, com muita pata e a ensarilhar, conseguiu reunir e consumou uma boa pega, com o grupo a ajudar bem. Pedro Fonseca foi o escolhido para encerrar a noite de pegas. Citou a fixar bem o toiro, interessando-o, fechou-se com decisão, fazendo a viagem até às tábuas onde embateu violentamente e consuma uma rija pega, muito aplaudida, com o público a exigir que agradecesse nos médios após a volta.
O Mais e o Menos
+ O curro de toiros enviado pela Ganadaria Palha.
- As movimentações na trincheira durante as lides, nomeadamente as reportagens televisivas a serem feitas com a lide a decorrer.
- Os aficionados, que nesta noite não souberam corresponder ao desafio lançado pela empresa Terra Brava.
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