segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Paixões esgotam Campo Pequeno em noite de sucesso!!


Praça esgotada em Lisboa para testemunhar a confirmação de passagem a profissional de Francisco Palha, numa noite de paixões por diferentes estilos de toureio actual, sinal de vitalidade da festa!

O toiro marca sempre qualquer espectáculo, está aí a sua mística. Este não fugiu à máxima e os “ Guiomares” fizeram jus ao comportamento típico do encaste actual, pastueños, com meias investidas sem apertar, cómodos, transmitiram quanto baste para não os tornar incómodos em demasia.

Francisco Palha abriu a função depois da cerimónia da confirmação. Inferiorizado fisicamente, pôs a garra que lhe é costume. Transpareceu muito o peso da responsabilidade de estar em Lisboa entre dois colossos. Teve o melhor lote. Foi uma actuação agradável ao público em geral, a primeira, devido á facilidade que tem em chegar às bancadas, e ao recurso aos violinos, pares de bandarilhas e rosas, depois de forte encontrão e de ficar a sensação de que havia mais toiro para tourear. No seu segundo, apertado pelos êxitos anteriores dos seus alternantes tivemos perfume do que é capaz, após forte encontrão nos curtos , veio a raça para no seu estilo sóbrio e comunicativo subir o tom e fechar uma serie de curtos conforme os cânones e a trajectória de praticante. 3 voltas no total que deveriam ter sido duas apenas.

Antonio Telles montrou mais uma cátedra de como se lidam toiros a cavalo. Não é novidade é certo. Mas teve 3 voltas e saiu a pé de uma arena, onde foi claramente o melhor cavaleiro tauromáquico em Praça e com larga vantagem. O seu primeiro, um bondoso Guiomar, permitiu que deixasse actuação de sobriedade toureira e quase de recreio caseiro. O seu segundo tinha mais que lidar, pareceu-nos com defeito de visão em curto. Foi aí que veio ao de cima o conhecimento do toiro e dos seus terrenos, da forma de o trazer sempre ligado, sem um toque, para que não fosse fechar-se em tábuas. Nos remates deixou-o sempre no meio e rapidamente foi buscar ferros para não quebrar a ligação, a par disto soube encontrar sítio para viajar de frente, quartear-se em curto e cravar no sítio. Domínio completo, respeito pelas regras e chegou com muita força ao público. Soube sair no tempo certo. Deu uma volta, o público pedia outra, António foi aos médios e aí todos aquilataram da vontade real do conclave. Maior força nos pedidos, sem assobios e em plena unanimidade passeou triunfal, não só o cavaleiro mas um último reduto do toureio a cavalo, protagonizado por um cavaleiro tauromáquico na sua catedral. O Grande triunfador para nós.

O “caballista” Diego Ventura voltou a Lisboa para manter o seu cartel, que também por cá faz com que o público acorra à bilheteira, deixado na última passagem. No seu primeiro saiu-lhe a lotaria quando preparava o cite e de forma extemporânea o toiro investiu com o cavalo em tábuas, valeu a toreria do Distinto, que instintivamente se quarteou para vencer o toiro e Ventura aproveitou para deixar o ferro. Incendiou as bancadas e encontrou a chave do sucesso. Mais dois curtos de igual forma, mas não tão emotivos, sempre rematados e preparados com base nos ladeios e passagens (excessivos em muitas vezes), valeram duas voltas. O seu segundo foi um toiro diferente, mais reservado e com sentido, pedia mais lide e menos “flores”, os aficionados presentes manifestaram o seu desagrado, quando os ladeios e “dentadas” foram o melhor recurso encontrado, para de novo incendiar parte importante do conclave. Viu-se e desejou-se para cravar a rosa final já no Ginés, com muitas passagens em falso e com o toiro já completamente rachado. Ainda pediu mais um ferro e criou um problema a César Marinho (Director de Corrida), alvo de injusta e monumental bronca por não ter, muito bem, concedido o mesmo. Duas voltas debaixo de forte divisão de opiniões, na ânsia única da porta grande. Mestre Antonio havia mostrado antes como se parte para uma segunda volta…

No capitulo das pegas ambos os Grupos tiveram noite fácil, melhor os ajudas que os caras, muitas reuniões descompostas, que a suavidade dos Guiomares permitiram corrigir e os ajudas colmatar. Por Vila franca de Xira, Pedro castelo à 2ª, Ricardo Patusco à 1ª e Márcio Francisco, na mais vibrante à 1º. Por Coruche, todas as pegas à primeira por Miguel Raposo, Pedro Galamba e Nuno Feijoca.

O Sr. César Marinho dirigiu de forma superior corrida com embolação e ferragem da dupla Simões e Alcachão e abrilhantada pela Banda do Samouco.


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