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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Amareleja – O “ Toiro – Toiro “ ditou as leis na “Corrida da Mulher”


Na noite de S. António, a praça de toiros da Amareleja abriu a temporada 2010; a empresa GESTOIRO montou um cartel que em temporadas anteriores encheu praças da nossa geografia taurina, a denominada “Corrida da Mulher”, e trouxe um curro de toiros sério, com idade e com trapio, da mesma divisa que no ano anterior, tinha causado muitas baixas nos grupos de forcados intervenientes.

Porém os aficionados não responderam positivamente a este esforço dos empresários, a meteorologia até deu uma ajuda(noite de temperatura amena e sem vento), mas infelizmente registou-se uma fraca entrada de público. É muito fácil agora tentar adivinhar causas para o sucedido (muitas corridas neste sábado, meteorologia instável durante o dia, data não tradicional nesta praça), enfim, são os riscos que as Empresas correm na montagem dos espectáculos. Teremos que dar destaque, nesta crónica, ao elemento fundamental da Festa, o Toiro, e numa altura em que muito se fala e critica a pouca raça, bravura e apresentação dos toiros que já foram lidados esta temporada nas nossas praças, à arena da Amareleja saíram seis toiros “cinquenõs”, com trapio, sérios, com cara, hechuras, irrepreensível apresentação e muitos kilos, dignos de serem lidados nas principais praças do país e pelas primeiras figuras dos nossos cavaleiros. Toiros da ganadaria espanhola de José Luís Pereda Garcia, divisa azul e ouro, que deram bom jogo e que fizeram pairar a emoção, o suspense e o medo entre os toureiros e os presentes nas bancadas.



SÓNIA MATIAS abriu a função, lidando o toiro mais pesado da corrida, um flavo chorreado, que foi também o melhor da noite, revelando bravura e codicia. A cavaleira esteve diligente com a ferragem comprida, deixando duas tiras, com brega adequada.Com os ferros curtos e já mais confiada com o seu oponente, citou de largo, deu vantagem ao toiro que se arrancava para a montada e cravou bons ferros curtos a quarteio, sempre bem rematados, causando as primeiras explosões de alegria nos tendidos. Com o cavalo “Atrevido”, um bonito exemplar que chega facilmente ao público, Sónia cravou dois bons ferros em sorte de violino, deixando a arena debaixo de forte ovação.

Com o quarto da tarde, um toiro castanho albardado, a lide foi de êxito; de inicio sentiu alguma dificuldade com a ferragem comprida, o seu oponente era encastado e cedo desenrolou sentido, mas a cavaleira soube tornear esses obstáculos e com a ferragem curta a lide foi em crescendo. Pisou terrenos de compromisso, as reuniões foram ajustadas e vibrantes, demonstrando que está bem preparada para triunfar forte nesta época em que comemora 10 anos de alternativa. Utilizou de novo o “Atrevido”, para deixar dois ferros de palmo, também em sorte de violino, com que terminou a participação nesta corrida e sair da arena muito aplaudida e acarinhada pelos presentes.



A cavaleira ANA BATISTA, também esta temporada a cumprir 10 anos de alternativa (Coruche, 8 de Julho de 2000) e grande rival de Sónia Matias, veio também disposta a triunfar nesta corrida e podemos dizer que não defraudou os presentes. Lidou em segundo lugar um toiro negro listão, sério, com trapio, mas que apresentava defeito na visão. Com a ferragem comprida pouco há a assinalar, algumas passagens em falso e duas tiras regulares. Já com a ferragem curta Ana Batista teve alguns bons apontamentos, o toiro parou-se nos médios e desenrolou sentido e a cavaleira teve de arriscar em terrenos de compromisso para cravar quatro bons ferros, numa lide mais esforçada que conseguida.

A segunda actuação foi para mim a melhor da noite; coube-lhe em sorteio um exemplar castanho, também sério e com trapio, que cumpriu muito bem. Logo de inicio, com a ferragem comprida, a cavaleira aproveitou as arrancadas bruscas do toiro e os dois compridos causaram frisom. Trocou a montada e assistimos a uma lide séria, toureira e com muito oficio. O cavalo que utilizou esteve extraordinário, desde o cite, até pisar terrenos do toiro e depois a sair-se muito bem das reuniões e a dobrar-se bem no remate da sorte. Saiu também debaixo de forte ovação e visivelmente satisfeita.



Completava este cartel de mulheres cavaleiras, a jovem JOANA ANDRADE, que recentemente tomou a alternativa. Esteve correcta nas duas lides, notando-se menos argumentos do que as suas companheiras de cartel, para resolver os problemas que os seus oponentes lhe criaram, fruto também das poucas montadas que possui (apresentou dois cavalos apenas nas duas actuações).O seu primeiro oponente, um castanho albardado, o mais pequeno do curro, não a ajudou; era reservado, parou-se e depois tinha meias-investidas, mas a tentar colher a montada. Esteve bem com os ferros compridos, mostrando-se e citando de largo.Com os curtos teve de porfiar bastante e faltou-lhe romper para a lide ser triunfal. Encerrou a corrida, com outro toiro castanho albardado, sério e com pata. Deixou dois compridos, sofrendo forte toque na montada, aquando da cravagem do segundo. Depois foi resolvendo os problemas que o hastado lhe colocou, bregando bem e em sortes a quarteio cravou a ferragem da ordem. Foi também muito acarinhada pelos tendidos.



Como era esperado, a noite foi dura para os grupos de forcados; e realmente existem grupos que não estão devidamente preparados para as dificuldades que estes tipos de toiros colocam, compreendemos perfeitamente que as empresas tragam os grupos da região, numa tentativa de chamar mais gente à praça, mas depois as consequências e os danos físicos nos homens das jaquetas são graves e ontem isso ficou bem patente.

Pelo grupo de Moura, pegaram JOÃO CABRITA, que apenas consumou a pega à terceira tentativa e com ajuda carregada, e JOÂO CABEÇAS que só à quarta e a sesgo (também com ajuda carregada) pegou o seu oponente.

FÁBIO CAÇADOR do grupo de Safara protagonizou uma emocionante pega, ao fechar-se rijamente à córnea, com o toiro a desbaratar o grupo. ANTÓNIO CAMPANIÇO igualmente do grupo de Safara, pegou à segunda tentativa, depois de na primeira as ajudas não terem sido eficientes.

Finalmente o grupo da casa teve uma noite para recordar, pela negativa, e para ponderarem seriamente o futuro. Para a primeira intervenção saiu para a cara TIAGO GRILA, que se fechou à terceira tentativa (esteve fora da cara mas conseguiu recompor-se), nas anteriores o toiro estranhamente fugiu ao grupo, onde foi visível a má colocação dos restantes ajudas.Com o último toiro da corrida, aconteceu aquilo que não se devia ver num grupo de forcados. JOSÉ CAMPANIÇO foi para a cara, sendo violentamente derrotado, e tendo necessidade de recolher à enfermaria. Gerou-se logo desnorte entre os restantes elementos e novo cara foi tentar a pega, duma maneira realmente suicida, avançando em velocidade despropositada para o toiro, logo sem hipóteses de recuar e receber em condições, ficando por isso também muito maltratado e recolhendo tambem à enfermaria. Estava definitivamente instalado o pânico no grupo, e sem que alguém desse instruções aos forcados (onde estava o cabo) ainda disponíveis, que de repente eram já muito poucos, resolvendo-se então pegar o toiro de cernelha. Sairam os cabrestos, e sem coordenação nenhuma, um dos forcados tenta agarrar o toiro, em terrenos de tábuas, e sofre violento derrote que o projecta desamparado contra a trincheira, temendo-se o pior. Já com o público a protestar muito, o toiro acaba por recolher aos currais sem que a pega seja consumada.

Dirigiu a corrida com acerto, o antigo bandarilheiro Sr. Francisco Farinha (natural

da vizinha freguesia da Granja).

A Banda Filarmónica Amarelejense abrilhantou o espectáculo, e a embolação e ferragem esteve a cargo do sr. José Paulo.



Como nota final, apenas registamos as constantes alterações na iluminação da praça,

com focos a apagarem-se várias vezes e a criarem muitas sombras no piso e trincheira da praça, prejudicando as lides.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Aldeia da Luz: Variedades taurinas, com Gonçalo Fernandes, em destaque


Na praça de toiros da Aldeia da Luz/Mourão, realizou-se no feriado do Dia de Portugal, um espectáculo de Variedades Taurinas (é de apoiar estas iniciativas, pois a Festa não se resume aos grandes cartéis, nas praças mais mediáticas, também é necessário dar oportunidades aos menos vistos, em locais onde também é difícil montar grandes corridas).

Tarde de sol, por vezes encoberto, com vento que incomodou o toureio apeado, e público (quanto baste) nas bancadas.

Abriu o espectáculo o cavaleiro praticante FILIPE VINHAIS lidou um bravo e bem apresentado novilho; começou muito bem a lide do mesmo, bregando correctamente, levando o hastado na garupa da montada, quer pela direita, quer pela esquerda, e deixando três bons ferros compridos. Cravou ainda um ferro curto, após o mesmo trocou de montada e a lide veio a menos, pois foram evidentes as dificuldades que o cavalo lhe colocou, daí a ferragem curta ter sido muito irregular.

GONÇALO FERNANDES, também cavaleiro praticante (já com alternativa marcada para 21 de Agosto na Figueira da Foz), esteve uns furos acima da concorrência e rubricou a melhor lide da tarde, apesar das dificuldades que o seu oponente lhe colocou. Coube-lhe em sorte um novilho que de saída, começou por ser “andarilho”, e distraído com o que se passava entre barreiras, despegando-se facilmente do cavalo, para encrençar junto das tábuas. No entanto o jovem cavaleiro de Seia, esteve muito bem a bregar, trazendo o novilho para terrenos de médios, e depois partir para a cravagem dos ferros. Citou de largo e entrou recto, cravando a quarteio bons ferros curtos.Com o cornúpeto fechado em tábuas, cravou a sesgo, rematando por dentro. Terminou a actuação, com um ferro de palmo, em terrenos de compromisso, sendo justamente ovacionado pelo público presente.

O novilheiro PACO SERRA, lidou o terceiro da tarde, um exemplar feio de córnea, e com génio.Com o capote lanceou à verónica, mas com pouca expressão. O tércio de bandarilhas, a cargo dos subalternos, foi um pouco atribulado, pois o novilho também era incómodo. Na faena de muleta, o novilheiro andou sempre pouco confiado e à procura dos melhores terrenos, daí as séries de muletazos, não terem ligação. Pela esquerda, o melhor piton do novilho, Paco Serra ainda deu uns bons passes ao natural, mas faltando sempre o remate final. O melhor dele, foi mesmo as manoletinas, a terminar a faena.

De Espanha, veio VICENTE FORERO, um jovem novilheiro pacense, que ainda está pouco toureado, e isso foi evidente, com o decorrer da lide; no entanto mostrou boas maneiras. O novilho que toureou, bem apresentado, era nobre, mas escasso de forças, e Forero soube cuidar dele, levantando a muleta.Toureou quer pela direita, quer pela esquerda, sofrendo uma voltereta, sem consequências.

Para lidar o quinto da tarde, veio à arena, o cavaleiro JOSÉ CARLOS PORTUGAL, que teve pela frente um novilho bem apresentado que cumpriu; começou a lide dobrando-se muito bem com o seu oponente, e deixando ferragem comprida regular. Trocou de montada e embora o tom da actuação continuasse alegre, a cravagem dos curtos não foi a melhor, sempre a silhas passadas, e abusando da velocidade.

MANUEL COMBA fechou o festejo, lidando o pior novilho da tarde, que não lhe deu quaisquer hipóteses de luzimento, um manso, que cedo se parou, alheando-se completamente da montada. Ainda conseguiu o ginete, cravar três ferros compridos e um curto (sofrendo toque na montada), para de seguida as passagens pela cara do novilho sucederam-se, sem que este investisse para o cavaleiro.

Estiveram em praça quatro grupos de forcados, que não tiveram qualquer dificuldade em consumar as respectivas pegas à 1ª tentativa. Pelo grupo de Moura pegou AURÉLIO MENDES: por Arronches foi cara FILIPE REDONDO; pelo grupo da Póvoa de S. Miguel consumou a sorte MÁRIO CAEIRO e finalmente pelos amadores de Monsaraz pegou NÉLSON CAMPANIÇO.

Os novilhos lidados, pertenciam às ganadarias de Suzete Dias (toureio a cavalo) e Luís

Rocha (toureio a pé).

Dirigiu o espectáculo, com bom critério o sr. Nuno Nery, assessorado pelo médico-veterinário Dr. Matias Guilherme.

A parte musical esteve a cargo do grupo musical taurino “Los Taurinos”, e o cornetim de serviço, foi Ana Narciso. A embolação e ferragem, foi da responsabilidade de João Aleluia.

domingo, 18 de abril de 2010

Coliseu de Redondo – Tarde Triunfal


Foi auspiciosa a abertura da temporada 2010 no bonito e funcional Coliseu de Redondo, pena foi que não se registasse uma grande entrada de público, pois o cartel montado pela organização da corrida (Associação Tauromáquica Redondense)era bastante atractivo e competitivo. Os que estiveram presentes (+ de meia-lotação), não deram por mal empregue o dinheiro dispendido, foi uma corrida com emoção, muito bom toureio a cavalo e pegas limpas.

JOÃO MOURA apresentava-se pela 1ª vez neste remodelado tauródromo, e mais uma vez demonstrou o porquê de ao fim de 40 anos de toureio, ainda continuar como primeiríssima figura. É impressionante ver a garra, e o empenho que coloca nas suas actuações, como se ainda fosse um jovem em inicio de carreira. Duas actuações de muito valor; na 1ª, o toiro que lhe tocou em sorte ( ganadaria Lupi) e que cumpriu, era nobre e sonso, transmitindo pouco e aliado ao facto de o público ainda estar um pouco frio, a lide decorreu num tom morno. Começou por deixar dois bons ferros compridos, com boa brega. Depois montando o “Merlin”, cravou uma sucessão de curtos, sempre muito bem rematados, com o habitual ladeio da montada, bem junto do toiro .Fechou a actuação com um bonito ferro de palmo, numa altura em que o astado já vinha a menos. A sua 2ª lide foi triunfal, Maestro Moura “veio por todas”, e pôs de pé as bancadas, ao realizar uma soberba actuação, a um manso e difícil novilho/toiro de Rio Frio, que fugia da pellea. Entrega total, com uma brega irrepreensível, sempre bem perto do toiro e depois entrada de frente e com ligeira batida ao piton contrário, deixou ferros curtos de muito mérito; destaco o 3º, soberbamente rematado por dentro e em terrenos de tábuas.

MANUEL LUPI toureou também pela 1ª vez neste Coliseu, e também triunfou forte, nomeadamente na sua 2ª actuação. Recebeu bem o seu primeiro toiro, dobrando-se com ele nos médios, para depois citar de largo e provocar a investida ao seu oponente que se distraia e descaia para tábuas .Nos curtos teve de porfiar bastante para as coisas resultarem, dado que o toiro apenas tinha meias-investidas; citou em curto e entrando em terrenos de compromisso os ferros curtos causaram frisom nos tendidos. Destacam-se o 3º e 4º, bem como o de palmo, com que encerrou a actuação. O seu segundo toiro, que teve uma saída airosa à praça, foi sem dúvida o melhor da tarde, bravura e nobreza, subindo ao castigo, e Lupi aproveitou-o muito bem, desde o inicio da lide; voltou a recebê-lo, dobrando-se muito bem nos médios, e cravando-lhe dois bons compridos, rematados a preceito. Depois com duas montadas diferentes, para os curtos, o nível artístico atingiu patamar elevado. Boa brega, boa equitação, e citando em curto, quer a quarteio, ou com ligeira batida ao piton contrário, sucederam-se grandes ferros curtos, sempre bem rematados, que causaram alvoroço ao público presente. Um triunfo que neste inicio de temporada dará com certeza muito alento e força, a este ainda jovem cavaleiro, mas já com provas dadas, de que poderá ser figura nesta arte de marialva.

TIAGO CARREIRAS cavaleiro praticante, voltava a esta praça, depois de na temporada anterior ter deixado muita boa impressão, aquando da sua actuação, e efectivamente voltou para triunfar e conseguiu. Tal como aconteceu com os seus dois alternantes, foi na 2ª actuação que o triunfo aconteceu. Ao seu primeiro toiro, deu-lhe uma lide com altos e baixos, em que algum desacerto na colocação da ferragem e o facto de o cornúpeto vir a menos, tirou algum brilho à actuação; no entanto vimos muita força de vontade por parte do jovem cavaleiro, em fazer as coisas bem feitas.Com o sexto da tarde, apareceu o triunfo, e diga-se desde já que o toiro não era nada fácil, pois revelou-se um manso encastado, que de inicio na ferragem comprida mostrava-se algo distraído, e bastante parado. Carreiras saiu para os curtos, montando o craque da quadra o “Quirino” e a agitação entre as bancadas fez-se notar. Logo no 1º ferro o tom subiu, mas na cravagem do 2º o toiro sentiu o ferro e parece que se transformou, começando a acometer com impeto na montada, colhendo-a uma das vezes com bastante violência. Veio ao de cima o valor do jovem cavaleiro, que não se intimidou e continuou a cravar ferros emocionantes, rematando-os com o cavalo a recortar-se muito bem na cara do toiro. Os presentes levantavam-se dos seus lugares e aplaudiam o que se passava na arena, e obrigavam o cavaleiro a deixar mais um ferro, saindo o ginete debaixo de forte ovação.

Os grupos de forcados presentes nesta corrida, tiveram a tarefa facilitada, dado que os toiros não lhes criaram grandes dificuldades, investindo quase sempre a empurrar e sem darem grandes derrotes, daí terem sido consumadas sempre à 1ª tentativa, as pegas realizadas. Por Vila Franca de Xira, pegaram o cabo RICARDO CASTELO, seu irmão PEDRO CASTELO E MÁRCIO FRANCISCO. Pelo grupo do Redondo, foram caras NUNO FITAS E JOÃO AZARUJA, esta a melhor pega da tarde, dado que o toiro derrotou de cara alta, com o forcado a aguentar e a fechar-se muito bem, até o grupo ajudar. De referir que o sexto toiro da tarde desembolou se do piton esquerdo, e fazendo cumprir o Regulamento, o director da corrida, não permitiu a sua pega, daí resultou que este grupo tivesse apenas efectuado duas pegas.

Dos campos de Alcochete, Herdade da Barroca D’Alva, vieram os seis toiros lidados, três com ferro e divisa de José Lupi e outros tantos com ferro e divisa de Rio Frio, de encastes e idades diferentes, que estavam bem apresentados, mas que deram jogo desigual, destacando-se o 1º e o 5º (ambos José Lupi)). Os pertencentes a José Lupi traziam o algarismo 6 na idade, e os de Rio Frio o algarismo 7, tendo os seus pesos oscilado entre os 560 e 460 Kg.

No final da corrida, o jovem cavaleiro amador MIGUEL MOURA, lidou um novilho da ganadaria de seu pai, e esteve bastante bem com o mesmo. De inicio sentiu alguma dificuldade, dado que o seu opositor era incómodo e saiu com muita pata, mas aos poucos o mais jovem da dinastia Moura foi deixando aquele olhar tímido e franzino, e deliciou os presentes com momentos de bom toureio a cavalo. Partiu sem medo, sempre de frente para a cravagem da ferragem da ordem, e rematando-a com recortes e ladeios. Fechou com ferros de palmo, sempre muito acarinhado pelo público. Este novilho foi pegado por um misto de forcados dos dois grupos, sendo cara HUGO FIGUEIRA, do grupo da casa, que não teve dificuldade em consumar a sorte à 1ª tentativa.

Dirigiu com acerto o espectáculo o Sr. Agostinho Borges, assessorado pelo médico-veterinário Dr. João Infante.

A Banda da Sociedade Filarmónica Municipal Redondense abrilhantou a corrida.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mourão: Temporada 2010 com estreia auspiciosa


Como manda a tradição a temporada 2010 iniciou-se na bonita e castiça praça de toiros de Mourão, temporada que se espera melhorias no que há para melhorar e que os agentes com responsabilidades na Festa tragam Seriedade e Verdade à mesma, e assim não tenho dúvidas que voltaremos a assistir a grandes espectáculos com grandes entradas de público.

Tarde de sol esplendoroso no inicio do festejo e acentuado arrefecimento à medida que o mesmo ía decorrendo, e também como já vem sendo hábito, “Praça Cheia”. Nas bancadas, junto do público anónimo, era notória a presença de muita gente ligada ao mundo dos toiros, (ganadeiros, toureiros,empresários) e visível satisfação no rosto de todos, por estarem de volta a um espectáculo que tanto gostam.

Abriu o Festival o cavaleiro LUIS ROUXINOL que lidou um bonito e bem apresentado novilho de Dias Coutinho, que proporcionou ao ginete de Pegões, uma boa actuação. Com a ferragem comprida, deixou três boas tiras, antecedidas de boa brega e correctamente rematadas.Rouxinol ( líder do escalafon 2009 com 51 actuações) estreou na ferragem curta, uma nova montada, o “Zézito”, ferro Lima Duarte, com o qual cravou dois bons ferros, um deles entrando bem de frente e cravando no alto; boas indicações deixadas por este novo cavalo que poderá vir a ser craque na quadra. A lide continuou em tom elevado, e com outra montada sucederam-se ferros de violino, de palmo e o inevitável par de bandarilhas,sempre pedido pelos tendidos.

GILBERTO FILIPE viu sair dos curros, com o corno esquerdo partido pela cepa e consequentemente desembolado do corno direito, o novilho que lhe tinha tocado em sorte, o mais pesado, sério e com mais trapio da tarde, da ganadaria de Santa Maria, daí a sua substituição pelo sobrero da ganadaria de Dias Coutinho, um bonito exemplar e que teve bom comportamento. Foi uma actuação muito correcta, a que assistimos, com dois bons ferros compridos e depois a quarteio e com batida ao piton contrário ferros curtos de boa nota, sempre com brega acertada e evidenciando o bom oficio que possui,esperando e fazendo votos que esta temporada seja a da afirmação definitiva deste cavaleiro.

MARCELO MENDES um dos triunfadores da temporada passada na sua categoria( praticante), não teve sorte com o exemplar que lidou na arena de Mourão; era um novilho da ganadaria Grave, manso, complicado e com sentido, que criou grandes dificuldades ao jovem cavaleiro. Logo de inicio não se despegava da montada e apenas a espaços os bandarilheiros lhe conseguiam cortar a investida, resultando daí ferragem comprida descomposta.Com os curtos Marcelo consentiu bastantes toques na montada e a ferragem ficou descaída, conseguindo o melhor da sua actuacão na cravagem do primeiro de dois ferros de violino, com que brindou o público presente, que como é habitual nestas circunstâncias, estava dividido entre as palmas e os assobios.

A parte apeada deste festejo não teve o brilhantismo que se esperava, muito por culpa dos hastados lidados. NUNO VELASQUEZ, lidou um novilho com divisa azul e amarela da ganadaria Grave, bem apresentado, mas que não revelou condições para o matador moitense triunfar.Com o capote ainda vimos lancear à verónica, mas depois de bandarilhado e já no tércio de muleta as coisas complicaram-se, pois o novilho não humilhava e apenas derechazos soltos saíram da muleta de Velazquez; pela esquerda, tentou o matador luzimento, mas o toiro mirava constantemente o seu opositor e não tinha qualquer recorrido.

Da extremadura espanhol veio o jovem matador cacereño JAIRO MIGUEL, que lidou também um novilho proveniente da Herdade da Galeana(ganadaria Grave), e que também não serviu para o toureiro espanhol mostrar os bons atributos que lhe dá a critica taurina espanhola. De capote nada pôde fazer, dado que o novilho saiu solto e nunca se empregou. Iniciou a faena de muleta com passes por baixo, dobrando-se muito bem e trazendo o novilho até ao centro do ruedo, onde depois começou a tourear por derechazos, com o toiro a investir a meia-altura, e não humilhando, fugindo da pelea, o que levou o diestro a abreviar a sua actuação.

JOÃO AUGUSTO MOURA lidou o sexto e último novilho da tarde, um exemplar da ganadaria de Dias Coutinho, que cumpriu e permitiu ao jovem novilheiro uma boa faena, numa altura em que o frio já era intenso e alguns espectadores já abandonavam os seus lugares. Foi essencialmente com a muleta que se assistiu a bom toureio, dado que com o capote nada de assinalável ocorreu.Começou o último tércio, trazendo por derechazos o novilho até ao centro, onde aí desenrolou séries em redondo, bem rematados e naturais de mão baixa, com o seu opositor a mostrar nobreza e a humilhar. O público gostava do que via e muitas palmas vinham das bancadas.Continuou toureando a gosto e com perfeito domínio do seu opositor, desenhando por isso bons circulares invertidos, acompanhados de desplantes toureiros, fechando da melhor maneira este primeiro festejo oficial de 2010.

O GRUPO DE FORCADOS AMADORES DE S.MANÇOS , que esta temporada comemoram 45 anos de existência, pegaram os três novilhos da lide a cavalo. NUNO PITÉU efectuou uma pega correcta à 1ª tentativa, citando muito bem, carregando a sorte e mandando na investida, para depois à córnea se fechar correctamente de braços e pernas e consumar com facilidade a pega. MANUEL VIEIRA apenas consumou a sua pega à 2ª tentativa, fechando-se à barbela, depois de longo tempo para colocação do toiro no terreno certo, sendo desfeiteado na 1ª tentativa por alguma falta de coesão das ajudas. Finalmente RUI PELADO pegou sem dificuldades, à barbela o último toiro do grupo, deixando aos presentes uma imagem bastante positiva do grupo e a esperança numa boa temporada.

Dirigiu o Festival o antigo matador Sr. ANTÓNIO DOS SANTOS, assessorado pelo médico-veterinário Dr. JOÂO INFANTE.

Como nota final e porque é de inteira justiça, salientar o excelente estado da praça de Mourão, sempre pintada e com melhoramentos que a tornam mais funcional, como foi o caso das novas instalações sanitárias e na arena a colocação de mais burladeros, revelando o gosto e aficion das gentes locais.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Opinião: Ecos de mais uma temporada


Chegámos ao fim de mais uma temporada taurina, altura em que se fazem as mais variadas análises e cada um opina do que gostou e do que não gostou. Entra-se no chamado defeso, período aproveitado pelas tertúlias para se fazerem debates, entregarem-se os prémios atribuídos aos protagonistas da Festa e visualizarem-se corridas que foram sendo gravadas ao longo da época.

De uma forma sucinta vamos fazer um repasso sobre aquilo que se apraz dizer sobre este espectáculo que faz parte das “nossas tradições”, apesar de uma minoria ainda teimar em não o reconhecer e aceitar. Sem dados estatísticos oficiais penso que se realizaram mais espectáculos taurinos em Portugal, as inúmeras praças desmontáveis para isso muito contribuiram, e o número de público que acorreu às nossas praças também aumentou fruto da boa politica de bilhetes a preços mais acessíveis à bolsa do cidadão; aqui destacamos a Empresa Aplaudir de João Pedro Bolota que vem pondo em prática essa politica nas suas praças e os resultados apareceram ( Santarém foi a praça que mais simbolizou essa aderência de público, tendo inclusive Esgotado a sua lotação na corrida de 10 de Junho). Esse exemplo de gestão, já começou a ser seguido por outros empresários, embora por vezes a quantidade dos já conhecidos “bilhetes de 10 e 15 euros” ficassem aquém da procura.

Já que falamos de muito público nas bancadas, temos de falar da nossa “Catedral do Toureio a cavalo” o Campo Pequeno, que também bateu recordes de assistência desde que foi reinaugurado, inclusive, também foi afixada por duas vezes a placa de ESGOTADO, a que não é alheio o facto de voltarem a ser transmitidas, em bom número, corridas em directo pela TV. O Campo Pequeno a par da praça de Albufeira foi a que deu mais espectáculos taurinos nesta temporada 2009.

Ainda relacionado com as nossas praças teremos que nos congratular pela inauguração de uma praça em Trás-os-Montes, mais própriamente em Vinhais, e também pela reinauguração da praça de Redondo, agora denominada “Coliseu de Redondo”, um moderno tauródromo coberto, multiusos, bem concebido arquitectónicamente, prático, funcional e cómodo. Na vila de Cuba foi também inaugurada uma praça de toiros desmontável nova, mas que ficará fixa,e que será transformada no futuro, num recinto multiusos.

Negativamente assistimos ao encerrar da praça de Viana do Castelo, a qual,o presidente da câmara local, pretende transformar num museu, privando assim os bons e muitos aficionados nortenhos de assistirem à tradicional corrida das Festas da Srªa da Agonia, que esgotava por completo a sua lotação. Estremoz e Setúbal também tiveram as suas praças encerradas, a primeira continua por resolver o problema das obras necessárias para a sua reabertura,( agora que a autarquia mudou de presidente, esperamos que se possa resolver a situação), e Setúbal também não realizou as obras necessárias, não tendo por isso realizado qualquer espectáculo, agora com a agravante de que o proprietário do imóvel, Sr.Jorge Pereira dos Santos ter falecido. Nas restantes praças do País, a temporada desenrolou-se nos moldes habituais, houve foi um acréscimo das corridas em praças desmontáveis, nas zona centro, norte e trás-os-montes.

O Toiro elemento fundamental da Festa, terá obrigatóriamente de ser focado neste artigo; houve alguns toiros bravos nesta temporada, mas continuaram a sair exemplares com pouco trapio, falta de raça e com 3 anos de idade (algarismo 6 na espádua) em praças de responsabilidade, tirando assim verdade e emoção às corridas. Falou-se também que faltaram toiros, não sei se foi por essa razão ou por factores económicos, o que é certo é que houve uma mini-invasão de toiros espanhóis. As ganadarias de Cortijoliva, La Dehesilla, José Luís Pereda, Alcurrucen, Miura, Victorino, Partido de Resina, El Madroñal, Los Millares, Arrucci, Romanis, Campos Peña, Conde de La Corte, Sepulveda e Los Adaines enviaram toiros para as nossas praças ( + de oitenta toiros), um número bem significativo.

Orgulhamo-nos de ser a Pátria do toureio a cavalo e felizmente continuamos a ter em actividade os melhores cavaleiros do Mundo taurino. Neste momento temos uma mescla de veteranos e juventude, que garante o futuro. Os veteranos João Moura,Bastinhas ( que terminou o apoderamentocom Rogério Amaro após 14 anos de ligação), A.Telles e Rui Salvador (que este ano comemorou 25 anos de alternativa) mantêm intactas todas as suas qualidades e os triunfos sucedem-se ; João Salgueiro efectuou uma das suas melhores temporadas, com actuações de grande nível, e Luís Rouxinol continuou a colecionar Troféus, mercê da sua regularidade, entrega e valor. Seria injusto não referir os nomes de Rui Fernandes,Ana Batista, Vitor Ribeiro, Moura Jr e Brito Paes, cuja temporada lhes trouxe bons êxitos; de entre aqueles que tiveram altos e baixos, e tardam a afirmar-se estão Manuel Lupi e Moura Caetano, de quem se esperava mais. Passando para os mais jovens, João Telles Jr obteve grandes triunfos nesta temporada, tal como Marcos Bastinhas, que é já um firme valor dos nossos cavaleiros. Houve três alternativas no decorrer desta temporada, Francisco Palha, Duarte Pinto e Agostinho Silva. Entre os cavaleiros praticantes houve muita e boa competência, Salgueiro da Costa,Tomás Pinto e Marcelo Mendes, são nomes a reter e de quem se espera um futuro muito risonho. Tiago Carreiras foi sem dúvida o melhor praticante de 2009, aliás apontado como um dos triunfadores da temporada, depois de ter obtido grandes êxitos em praças importantes, e teremos de destacar o cavalo “Quirino” que foi o seu grande trunfo e que contribuiu para os êxitos, na grande maioria das corridas que efectuou. De entre os cavaleiros amadores, Miguel Moura continua a encantar o público das praças por onde passa e Mateus Prieto foi uma revelação muito positiva, toureando e montando com boas maneiras e com à-vontade e segurança.

Com bastante tristeza teremos que recordar D.José João Zoio, um grande homem e um grande toureiro, 1ª figura em décadas passadas e que faleceu no final do mês de Agosto.

A temporada 2009 em Portugal e no que concerne ao toureio apeado, não foi pródiga em grandes acontecimentos; as corridas mistas ou até só com matadores ou novilheiros, voltaram a ser diminutas, apenas o Campo Pequeno, Moita e Vila Fran- ca,promoveram mais esses espectáculos.Três primeiras figuras espanholas, como foi o caso de Morante de La Puebla, El Cid e Miguel Angel Perera actuaram em Lisboa e Pedrito de Portugal limitou-se a actuações em Lisboa e na Moita e o tão propalado regresso ficou mais uma vez adiado. José Luís Gonçalves (que afinal não se despediu esta temporada) e Luís Vital Procuna, foram os que mais tourearam. Destacam-se ainda dois factos; Vítor Mendes vestiu-se de luces por duas vezes, actuando no Campo Pequeno e em Tomar, e o gesto de José Júlio que apesar da sua já longa idade, quis comemorar os 50 anos de alternativa, lidando um toiro na Palha Blanco, durante a feira de Outubro. As novilhadas também continuaram escassas, se atendermos ao facto de existirem meia-dúzia de jovens valores, e que acabam por rumar até ao País vizinho para aí poderem actuar com mais regularidade. Destaque para João Augusto Moura e Manuel Dias Gomes pelas boas actuações, quer entre nós quer em Espanha.

Esta temporada também foi de êxito para os forcados, enormes e rijas pegas foram protagonizadas pelos muitos grupos existentes na nossa geografia taurina. Os grupos mais antigos e de maior prestigio, como são os casos de Montemor,Santarém, Lisboa, Vila Franca, Évora, Ap.da Moita e Alcochete, tiveram compromissos muito importantes, os quais souberam honrar a jaqueta que vestiam. Assinalou-se o 70º aniversário do grupo de Montemor, para muitos o melhor do País, e realmente a temporada foi um sucesso, como ficou demonstrado na corrida em Junho no Campo Pequeno onde pegaram sózinhos seis toiros Grave. Houve também uma subida qualitativa numa boa parte dos grupos chamados mais pequenos, e isso também deveu-se ao facto de se terem realizado muitas corridas com três grupos em praça, o que fez aumentar o número de actuações a esses mesmos grupos.Tivemos entre nós os forcados de Mazatlan do México e os de Turlock da América, com boas prestações.Também devemos realçar, porque bem o merece, a despedida de Ntinu Wen, esse grande e valoroso forcado do Aposento da Moita, que na corrida forte da Feira de Setembro pegou pela última vez. Mas a tragédia e o drama estão associados à Festa dos toiros e um acidente provocado por uma bandarilha tirou uma vista a Joaõ Salvação, cabo dos forcados do Aposento do Barrete Verde de Alcochete; questiona-se para quando a obrigatoriedade das bandarilhas à espanhola, sabendo-se que há vozes discordantes de agentes da Festa, contra a sua utilizacão.

Muitos dos males da nossa Festa voltaram a estar presentes nesta temporada, e que alguns deles, com o novo Regulamento que todos esperamos há alguns anos por aprovação, sejam banidos e agora que parece que vamos ter um Governo mais dialogante, fazemos votos que esse Regulamento seja aprovado, assim haja algum deputado que faça força nesse sentido.

Como referi no inicio deste artigo cada aficionado terá o seu ponto de vista desta temporada, o meu ficou escrito nestas linhas, de certeza que divergirá em alguns pontos de outros aficionados, mas é salutar para a Festa a troca de impressões e de vivências para melhorarmos este espectáculo que tanto gostamos.

Encontramo-nos dia 1 de Fevereiro 2010 em Mourão.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Moura jr triunfa em Montemor com casa cheia


Realizou-se em Montemor-o-Novo a tradicional corrida da Feira da Luz, uma das mais marcantes do calendário taurino português. Tarde com muito calor e fazendo jus ao nome da Empresa que organiza as corridas, foi “Casa Cheia”. Anunciava-se um cartel de competição entre três jovens cavaleiros de dinastias toureiras e o grupo de forcados da terra, comemorava 70 anos de existência; tudo montado para que fosse uma grande tarde de toiros.

JOÃO MOURA JR. foi manifestamente infeliz com os dois toiros que lhe tocaram em sorte.O que abriu a corrida foi manso, logo de saída veio muito parado, sem qualquer ímpeto, não carregava quando recebia o ferro, e começou cedo a descair para tábuas, tornando infrutiferas as tentativas do cavaleiro em dar uma lide do agrado dos tendidos. Moura Jr. limitou-se a deixar a ferragem da ordem. A segunda lide foi melhor que a primeira, embora o toiro também não tenha servido para triunfar, não transmitia e parava-se nos médios,só quando recebia a ferragem acometia com meias-investidas na montada. O ginete ainda assim deixou bons ferros curtos e a espaços conseguiu os habituais ladeios junto de tábuas.

MANUEL LUPI teve duas actuações muito aplaudidas pelas bancadas; o seu primeiro toiro não colaborou, também era muito reservado, e com pouca investida, o que obrigou o cavaleiro a envolvê-lo de cavalo, bregando muito bem e depois pisar-lhe os terrenos para deixar a ferragem.Conseguiu-o com uma lide esforçada que o público soube reconhecer,aplaudindo efusivamente.O seu segundo toiro, 5º da tar- de, cumpriu, e a lide foi boa;voltou a evidenciar bom sentido de brega e escolha de terrenos para cravar, deixando curtos de boa nota, destacando-se o que encerrou a actuação.

JOÃO TELLES JR. foi o grande triunfador da tarde, com duas grandes lides a dois toiros que cumpriram.Em ambas as lides demonstrou um grande à vontade, fazendo as coisas bem feitas e sem pressas.No seu primeiro toiro, um dos melhores da corrida, desenvolveu uma brega muito boa, dobrando-se bem com o seu oponente, cravando em entradas suaves a quarteio,deixando a ferragem no alto e rematando sempre a sorte.Cravou também um grande par de bandarilhas e terminando com a habitual sequência do ferro de violino, seguido de um de palmo, montando o cavalo “Orey”. No último da tarde, o jovem cavaleiro veio de novo para triunfar, começando a lide à porta de saída dos curros, trazendo o toiro na garupa do cavalo. Deixou-lhe três compridos à tira, de boa colocacão e nos curtos citou sempre de largo, entrando de frente e depois na altura da cravagem, quarteando-se suavemente e com facilidade cravando bem no alto, cinco ferros curtos.Esteve sempre muito toureiro e mostrou também os seus bons dotes de equitação, ou não tivesse ele colhido os ensinamentos da “Torrinha”.

Os forcados de Montemor-o-Novo, assinalavam a passagem dos seus 70 anos de existência, daí a presença de muitos elementos, antigos e actuais na trincheira.Não tiveram uma tarde fácil, mas mesmo não concretizando as pegas sempre à primeira tentativa, tiveram muito mérito e revelaram porque são um dos melhores grupos do País. Foram caras nesta tarde, JOÃO TAVARES (à 2ª tentativa), NOEL CARDOSO (à 2ª tentativa), JOÃO MANTAS foi colhido com violência, recolhendo à enfermaria, daí ter sido dobrado por RODRIGO PIETRA (pegou à 1ª), o cabo JOSÉ MARIA CORTES pegou o quarto toiro à 2ªtentativa,PEDRO SANTOS (à 1ª tentativa) e finalmente JOÃO CALDEIRA também à 1ª tentativa.

O curro de toiros lidado e que pertencia à ganadaria de PÉGORAS, estava muito bem apresentado, com trapio, mas de desigual comportamento, revelando-se muito parados e com pouca transmissão. Tinham os pesos de 515,560,525,570,525 e 540 Kg respectivamente.

Dirigiu a corrida o antigo bandarilheiro Sr. Francisco Farinha e a embolação e ferragem eram da responsabilidade do sr. Gastão Miguens. Abrilhantou o espectáculo a Banda da Sociedade Filármonica Montemorense Carlista.

domingo, 6 de setembro de 2009

Estremoz: Praça cheia e agradável corrida


Inserida nas Festas da Exaltação da Santa Cruz, realizou-se em Estremoz, a 1ª grande Corrida da revista “In Alentejo”; o evento teve lugar numa praça desmontável, dado que infelizmente a praça fixa continua encerrada,à espera das necessárias obras de restauro, sem as quais as autoridades não autorizam a realização de quaisquer tipo de espectáculos. O slogan desta corrida era mesmo “Vamos levantar a nossa Praça” e os estremocenses e demais aficionados compareceram em muito bom número, enchendo praticamente por completo as bancadas do tauródromo.

Em praça estiveram três gerações de cavaleiros, de estilos diferentes o que é saudável e sempre bom para os gostos dos aficionados.

Maestro JOÃO MOURA, apesar dos mais de trinta anos de carreira veio a Estremoz demonstrar porque é ainda uma figura mundial do toureio equestre, é impressionante ver a vontade e a garra que põe em cada actuação, como de um jovem se tratasse. Na noite de Estremoz teve duas boas lides, a 1ª mais conseguida, dado que o toiro que lhe tocou em sorte cumpriu.Moura andou sempre muito ligado com o seu oponente, bregou como ele o sabe fazer,cravagem correcta e depois os habituais recortes usando o cavalo como se fosse uma muleta. A segunda lide foi de mais a menos, muito por culpa do toiro que cedo se apagou e se parou nos médios, arrancando a muito custo e só com o cavaleiro a pisar-lhe os terrenos; no entanto o ginete de Portalegre não quis defraudar os inumeros fans que continuam a acompanhá-lo e deu-lhe a lide possível.

FRANCISCO CORTES, jogava em casa e por isso a disposição que trazia para esta corrida era só uma , triunfar perante os seus conterrâneos. Logo na 1ª actuação, ao segundo toiro da noite, jogou forte, começando por receber o hastado à porta dos curros, trazendo-o muito bem colado à garupa da montada, um bonito cavalo ferro António Paím, e dobrando-se muito bem já no centro da arena. Rápidamente cravou dois ferros compridos e o alvoroço nas bancadas foi evidente; cravou mais um ferro curto e trocou de montada. O toiro evidenciava já as muito boas qualidades que possuía, era bravo e com codícia, arrancando de pronto para a montada, o que o cavaleiro soube aproveitar, pois deu-lhe distância e primazia na investida, citou de praça a praça e depois com uma batida ao piton contrário , cravou ferros curtos de muito boa nota. A segunda actuação começou num tom mais calmo, boa brega e cravagem em su sitio, rematando a sorte.Voltou a ter materia-prima para triunfo e isso foi acontecendo com o decorrer da lide. O seu toureio impulsivo e contagiante veio ao de cima e os tendidos voltaram a vibrar.Citou de longe e depois partindo para a cara do toiro com velocidade, cravou emocionantes ferros curtos, terminando a actuação com dois ferros de palmo.É pena não vermos Francisco Cortes com mais assiduidade em outros palcos mais importantes, pois a sua raça, entrega e toureio, atraem muitos espectadores.

JOÃO TELLES JR. está em grande nesta sua 1ª temporada como cavaleiro de alternativa, muitas corridas em praças importantes, quer de Portugal, quer de Espanha,e triunfos na maioria delas.Veio a Estremoz depois de na noite anterior ter toureado no Campo Pequeno, em corrida televisionada e portanto vista por milhões de espectadores; no entanto a disposição era apenas triunfar e dar seguimento aos êxitos já conquistados.Teve azar com os dois toiros que lhe couberam por sorteio. O 1º (terceiro da corrida) era encastado e depois de receber a ferragem comprida começou a parar-se e quando recebia o ferro investia de cara alta tentando colher a monta- da, para de seguida dar fortes arreões para apanhar despre- venido o jovem cavaleiro que nunca perdeu os papéis.Boa brega e entrada correcta para a cravagem dos ferros.Voltou a fechar a actuação com a habitual sequência do ferro de vio- lino, seguido do de palmo, montando o “Orey”.A encerrar a corrida, Telles Jr. lidou um manso, que não lhe deu facilida- des, mas os toiros mansos também têm lide, e foi isso que o ginete da Torrinha fez. Voltou a demontrar o seu bom sentido de lide, e a escolha acertada dos terrenos onde depois com uma ligeira cambiada deixava a ferragem da ordem.

O jovem cavaleiro amador MIGUEL MOURA actuou também nesta corrida, lidando um novilho da ganadaria de seu pai, João Moura.Foi uma lide agradável, dado que o novilho criou muitas dificuldades ao mais jovem da dinastia Moura; começou andarilho, não se fixando para que o cavaleiro pudesse desenhar bem as sortes,e depois apagou-se, talvez também fruto dos inúmeros capotazos que lhe deram os peões de brega; no entanto o jovem Miguel com a sua graciosidade e juventude, tudo fez para agradar aos presentes, que se deliciaram com bons ferros e os habituais recortes e ladeioscom a montada.

Para as pegas estiveram em praça os grupos de forcados de Montemor e de Portalegre, que tiveram uma noite fácil e sem problemas de maior.O grupo de Montemor comemorava nesta data “70 anos de existencia”, a primeira actuação foi no dia “4 de Setembro de 1939”, e nesta corrida a oportunidade foi dada aos mais jovens; foram caras TIAGO TELLES DE CARVALHO (à 1ª tentativa), ANTÓNIO VACAS DE CARVALHO (à 2ª tentativa), FRANCISCO GODINHO (à 1ª tentativa) e ANTÓNIO DENTINHO (à 1ª tentativa).

Pelo grupo de Portalegre pegaram RICARDO ALMEIDA (à 3ªtentativa),MÁRIO SAMPAIO (à 1ª tentativa) e ANDRÉ RODRIGUES (à 1º tentativa).



O curro de toiros com a divisa amarelo e preto enviado pela Ganadaria de Herdeiros de Cunhal Patrício estava bem apresentado, mas tiveram comportamento desigual,destacando-se o 2º da noite, que foi bravo.



Dirigiu o espectáculo o sr. Lourenço Luzio, assesorado pelo Médico-veterinário Dr. António José Guerra, e a embolação e ferragem foi da responsabilidade do Sr. Luis Campino .

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

As corridas para este fim-de-semana


A temporada 2009 em Portugal continua em bom ritmo e os espectáculos sucedem-se atrás uns dos outros, desde o Algarve até Trás-os-Montes, passando pela totalidade das províncias deste País.
As praças desmontáveis levam as corridas de toiros, que fazem parte da nossa tradição, a lugares onde não existem as fixas, e com grandes afluências de público.
Este fim de semana os aficionados têm muito por onde escolher; deixamos os cartéis e desejamos sorte para todos.

Dia 14 - Castro Marim - Corrida de Toiros - 22h - Toiros Passanha para João Salgueiro, Rui Fernandes, Filipe Gonçalves e Isabel Ramos. Pegam os Amadores de Cascais, Moura e Beja.
Dia 14 - Casa Branca (Sousel) - Festival Taurino - 22h - Novilhos de Francisco José Caldeira para Jorge d'Almeida, Francisco Cortes, Gilberto Filipe, Nelson Limas, e João Soller Garcia. Pegam os Amadores do Portalegre e Alter-do-Chão.
Dia 14 - Abiul - Corrida de Toiros - Toiros Herds. Brito Paes para António Telles, Vítor Ribeiro e António Maria Brito Paes. Pegam os Amadores de Montemor e Vila Franca.
Dia 14 - Cabeça Gorda - Corrida de touros - Touros de Condessa de Sobral para Joaquim Bastinhas, Luis Cruz, Tito Semedo, Marcos Tenório, Joana Andrade e Tomás Pinto. Forcados Amadores Acad. Elvas e Pinhal Novo.
Dia 14 - Amareleja - touros de Vila Galé e Dias Coutinho para Manuel Telles Bastos e Marcelo Mendes, o matador José Julio e o novilheiro Júlio Antunes. Forcados Amadores de Safara e Amareleja.
Dia 14 - Aldeia dos Fernandes - touros de Rodolfo Proença para João Moura, Luis Rouxinol e Moura Caetano. Forcados Amadores do Ap. Barrete Verde de Alcochete e Cuba.
Dia 15 - Caldas da Rainha - Corrida de Toiros - 18h - Toiros Pontes Dias para António Ribeiro Telles, Manuel Telles Bastos, Francisco Palha e o amador Mateus Prieto. Pegam os Amadores de Santarém e Caldas da Rainha.
Dia 15 - Reguengos de Monsaraz - 18h30 - 1ª Grande Corrida Ruedo Ibérico -Concurso de Ganadarias Alentejanas com Toiros de Núncio, Castro, Grave, Dias Coutinho, Passanha e Luís Rocha para os cavaleiros João Moura, João Salgueiro e o praticante Tiago Carreiras. Pegam os Amadores de Montemor.
Dia 15 - Messejana - Touros de Pinto Barreiros para Joaquim Bastinhas, Tito Semedo e Marcos Tenório. Forcados Amadores de Cascais, Beja e Académicos de Elvas.
Dia 15 - Nazaré - Corrida de Toiros - 21h15 - Toiros de Cunhal Patrício para Sónia Matias, Ana Batista e Joana Andrade. Pegam os Amadores da Tertúlia T. Montijo, S. Manços e Azambuja.
Dia 15 - Urrós - touros de Luis Rocha para Vitor Ribeiro, Duarte Pinto e Salvador Ruano. Forcados Amadores de Monsaraz.
Dia 16 - Arruda dos Vinhos - Corrida de Toiros - Toiros do Eng.º Jorge de Carvalho para António Ribeiro Telles, Manuel Telles Bastos e João Telles Jr. Pegam os Amadores de Vila Franca.
Dia 16 - Figueira da Foz - X Corrida de Toiros do Jornal Farpas - 17h30 - Toiros de Romão Tenório (4) e de João Moura (3) para João Moura, João Moura Jr., João Augusto Moura e ainda o amador Miguel Moura. Pegam os Amadores de Portalegre e Coimbra.
Dia 16 - Izeda - Touros de Balancho para Sónia matias, Filipe Gonçalves e Gonçalo Fernandes. Forcados Amadores de Moura e Cascais.
Dia 16 - Freixianda - Touros de José Salvador Herds para Rui Salvador, Gilberto Filipe e Agostinho Silva. Forcados Amadores da Tertulia Tauromaquica do Montijo e Aposento de Tomar.
Dia 17 - Coruche - Corrida de Toiros - 18h15 - Toiros de Passanha para João Moura, António Telles, Rui Fernandes e Isabel Ramos. Pegam os Amadores de Coruche.
Dia 17 - Samora Correia - Concurso de Ganadarias (Homenagem a José Luís Brardo) - 22h - Toiros de Miura, Prudêncio, Lopes Branco, António Silva, Herd. Cunhal Patrício e Herd. Conde Cabral para Joaquim Bastinhas, Sónia Matias, Pedro Salvador, Marcos Tenório, Francisco Palha, Tomás Pinto e Verónica Cabaço (extra concurso). Pegam os Amadores de Vila Franca e Alcochete.
Dia 17 - Arruda dos Vinhos - Corrida Concurso de Ganadarias - Toiros de Pinto Barreiros, Eng.º Jorge de Carvalho, S. Torcato, Nuno Casquinha, Ascensão Vaz e Fernando Palha para Luís Rouxinol, Vítor Ribeiro e Ana Batista. Pegam os Amadores de Santarém e Montemor.

sábado, 8 de agosto de 2009

Coliseu do Redondo - Corrida das "Ruas Floridas"


Integrada nas Festas Populares das Ruas Floridas, realizou-se no recém-inaugurado Coliseu do Redondo uma corrida de toiros, que registou uma boa entrada de público(+ de ¾ da lotacão estava preenchida), com uma boa parte não residente que puderam pela 1ª vez ver in loco as excelentes condições que o novo recinto multiusos oferece.
Bom ambiente e muita juventude e caras bonitas nos tendidos.

ANTÓNIO TELLES abriu a corrida lidando um toiro sério e com trapio; recebeu-o de frente para a porta dos curros, sem ajuda dos bandarilheiros, e cravou-lhe um bom comprido, dado que o toiro rompeu praça.Continuou a lide deixando mais dois ferros compridos, mas o toiro já denotava pouca raça e muito reservado, sendo necessário pisar-lhe terrenos para a consumacão das sortes. Boa brega e apenas três ferros curtos nesta primeira lide do Maestro da Torrinha. A segunda lide foi sempre em crescendo, o toiro saiu algo debilitado dos curros (recompôs-se com o decorrer do tempo) e a mesma começou morna nos compridos, para depois de mudar de montada assistirmos a uma verdadeira lição de toureio clássico (genuíno e nosso). Boa brega, com excelente equitacão, cites de frente, e cravagem ao estribo, levantando bem a mão.

LUIS ROUXINOL atravessa um grande momento de forma, e por isso os triunfos sucedem-se naturalmente.Ontem rubricou duas boas lides, mas distintas. Na primeira o toiro não ajudou, cedo mostrou desinteresse pela montada e parou-se nos médios; foi necessário o ginete de Pegões pisar terrenos de compromisso;de frente entrou pela cara do hastado e deixou ferragem curta de muito valor.O ferro de palmo a fechar esta 1ª lide foi disso o exemplo. Com o quinto toiro da noite, o de melhor comportamento, Rouxinol triunfou forte, com toureio alegre e vibrante.O toiro, codicioso, arrancava de pronto e o cavaleiro pôde desenvolver boa brega, levando o toiro empapado na garupa da montada e lateranzilando para um lado e para outro, pondo o público em delírio nas bancadas. Bons ferros curtos e o habitual ferro de palmo, seguido do par de bandarilhas, encerraram esta primeira passagem pelo Redondo.

JOÃO TELLES JR. não foi feliz na lide do terceiro da noite, toiro sério mas também a mostrar desinteresse das montadas e que transmitia pouco, daí a lide ter decorrido com altos e baixos; os ferros curtos foram de boa execução, mas depois teve dificuldade na escolha de terrenos e distâncias para cravar a ferragem curta. O público demonstrou o seu desagrado e ouviram—se assobios . Para a sua segunda lide, última da corrida, Telles Jr. veio com disposição para triunfo e consequentemente emendar o menos bom da 1ª lide. Teve toiro, dado que o mesmo (propriedade de seu avô, Mestre David Ribeiro Telles), cumpriu bem permitindo uma boa actuação que começou logo com a ferragem comprida.Trocou de montada e depois assistimos a uma série de ferros curtos de valor, com a habitual entrada ao piton contrário. Sucederam-se o ferro de violino (que não ficou por ter batido noutro que estava cravado no toiro) seguido do de palmo à meia-volta, fechando a actuação com um par de bandarilhas a duas mãos.

Em competição para as pegas estiveram em praça os amadores de Évora (apresentaram-se pela 1ª vez na antiga praça do Redondo em 11 Agosto de 1963), que não tiveram uma noite redonda. NUNO LOBO pegou à 1ª , fechando-se bem à córnea, com o toiro a derrotar e o grupo a tentar fechar –se o mais rápido possível. FRANCISCO GARCIA, apesar da sua larga experiência, apenas à 3ª tentativa consumou a pega, a um toiro que derrotava forte e com a cara alta, não permitindo a entrada das ajudas. ANTÓNIO ALFACINHA esteve mal a receber o toiro que arrancou muito de largo e depois não deu veleidades ao forcado.Corrigiu e já em distância correcta e mandando na investida fechou-se bem com o grupo a demonstrar boa coesão.

Os Amadores do Redondo voltavam a actuar perante o seu público, e se na corrida de inauguração do tauródromo as coisas não tinham corrido como desejavam, desta vez estiveram bem melhor, o que se sauda. JOÃO AZARUJA fechou-se bem sem dificuldades à 1ª, com o toiro apenas a empurrar. ROBERTO MATALOTO pegou à 2ª , depois de na tentativa anterior não ter reunido correctamente, ficando descomposto da cara do toiro. Finalmente JOÃO CARRIÇO encerrou a prestação do grupo da terra, consumando à 1ª tentativa uma pega fácil ( a sua última dado que no final despiu a jaqueta debaixo de fortes aplausos das bancadas);citou bem e fechou-se à barbela, com o toiro apenas a empurrar.

Estavam em disputa dois prémios; “Simão de Veiga Jr” para a melhor lide, que foi atribuído ao cavaleiro Luís Rouxinol e o prémio “Miguel Capinha Alves” para a melhor pega, que foi atribuído ao grupo do Redondo ( ficando na dúvida dos presentes a quem realmente se destinou, pois primeiramente foi entregue na mão do forcado João Carriço e posteriormente este entregou-o ao cabo João Santana).

O curro de toiro enviado pela ganadaria de David Ribeiro Telles, divisa vermelha e preta, estava bem apresentado, 4 anos de idade e com seriedade e trapio, tendo-se destacado os lidados em 5º e 6º lugres, respectivamente.
Dirigiu a corrida a antiga glória dos toureiros de prata Sr. José Tinoca, assessorado pelo médico-veterinário Dr. Matias Guilerme

A embolação e ferragem da corrida foi da responsabilidade do sempre alegre e divertido Sr. Gastão Miguens.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Rouxinol triunfa em Alcácer numa acidentada corrida



Numa noite amena, a praça de toiros “João Branco Núncio”em Alcácer do Sal, abriu as suas portas para a realização da já tradicional corrida integrada na PIMEL; o público compareceu em bom número e mais de metade da lotação estava preenchida.

O grande triunfador da noite foi sem dúvida o cavaleiro LUIS ROUXINOL, a atravessar um excelente momento de forma, para o qual muito contribui as excelentes montadas que possui. O seu primeiro oponente, 2º da corrida e o mais pesado, com uma apresentação imponente, não foi muito colaborador, mas desde o inicio da lide o ginete de Pegões fez questão de obrigá-lo a entregar-se à lide, ao cravar-lhe um 1º ferro comprido em terrenos de curros, como que dizendo “aqui mando eu”. Depois seguiram-se mais duas boas tiras, partindo sempre para pisar terrenos do toiro. Com os curtos a lide foi correcta e muito do agrado dos tendidos, ferros de frente, sempre bem rematados, terminando com ferro de palmo em terrenos de tábuas.
Com o 5º da noite,”no hay quinto malo”, o melhor toiro da corrida, o triunfo foi enorme, começando com bons ferros compridos, a um toiro que tinha codicia e arrancava de pronto para a montada. Trocou de montada e foi buscar o “Dólar” sem dúvida um grande cavalo, e a lide foi sempre em crescendo, boa brega e entrando de frente e a quarteio, os curtos sucederam-se para júbilo das bancadas. Como não podia deixar de ser, foi buscar o “Mustang”, e no centro da arena cravou um enorme par de bandarilhas.

RUI SALVADOR continua azarado nesta época em que comemora os seus 25 Anos de Alternativa; com o toiro que abriu praça, um manso, Salvador sofreu uma colhida bastante arrepiante e que poderia ter consequências muito graves, o cavalo quando passava pela cara do toiro em terrenos de curros, e na cravagem do 1º ferro comprido, sofreu um ligeiríssimo toque na garupa, indo-se abaixo , o toiro investiu e o cavaleiro ficou debaixo da montada, gerando-se o pânico na arena; Salvador saiu algo combalido, mas como a sua raça é enorme, voltou e deixou três ferros curtos, um deles de violino, embora se notasse pela expressão facial, que estava a fazer um esforço sobre-humano. Felizmente as bancadas compreenderam e carinhosamente tributaram-lhe uma forte ovação.
A sua segunda lide foi bastane diferente para melhor, o toiro cumpriu e Rui Salvador esteve bastante bem a bregar e preocupando-se sempre em mudar os terrenos ao toiro, o qual veio sempre a mais com o decorrer da lide; sortes frontais e ferros a quarteio com o poder que todos lhe reconhecem.

SALGUEIRO DA COSTA cavaleiro praticante teve duas actuações em que alternou bons momentos de toureio a cavalo com falhas que serão fruto da sua juventude e pouco traquejo. Começou na sua 1ª lide por cravar um comprido muito defeituoso, a um toiro que era distraído, mirando tudo à sua volta, depois sofreu um violento toque na montada, a que habilmente conseguiu não sair de cima da sela. Com os curtos cravou dois ferros de muito boa nota, para de seguida falhar novo ferro, e a partir de aqui abusou também um pouco da velocidade. No toiro que encerrou praça, um bom exemplar e com bastante pata e codicia, e já com seu pai na trincheira vindo de Almeirim, onde actuou, o mais jovem da dinastia Salgueiro cravou-lhe dois compridos à tira de poder a poder no centro do albero, com o toiro a arrancar-se com pata e a deixar emoção aos presentes. Foi trocar de montada e inexplicavelmente um peão de brega deu uma série de capotazos ao toiro, quebrando-lhe a tal codicía e ímpeto que possuía, o que realmente condicionou o resto da lide que não teve nada de especial a assinalar; ferros alternando o bom com o menos conseguido. Realmente é um assunto que merece reflexão dos intervenientes na Festa, o facto de sistematicamente se abusar dos capotazos aos toiros, desde o momento em que saem dos curros e abusivamente durante a lide.

Os forcados amadores de Montemor-o-Novo pegaram em solitário o curro Branco Núncio nesta noite de Alcácer e também eles merecem destaque. Não começaram bem e apenas à 4ª tentativa Filipe Mendes pegou o toiro que lhe tocou. Esteve deficiente a receber e o grupo pouco eficiente a ajudar. João Romão Tavares fechou-se bem à córnea, numa rija pega, com o toiro a entrar pelo grupo adentro. João Braga consumou apenas a pega à segunda tentativa, pois na primeira o toiro desfeiteou o grupo. JOÃO CALDEIRA fechou-se bem de pernas e braços, consumando com eficiência uma pega à 1ª tentativa. FREDERICO MANZARRA também não sentiu dificuldades de maior e também à 1ª tentativa pegou o seu oponente.
Para o último toiro da noite a melhor pega, da autoria de GONÇALO SAÚDE que aguentou muito bem o forte derrote que lhe infligiu o toiro, que arrancou prontamente de largo e com muita pata.

A ganadaria de BRANCO NÙNCIO enviou um curro sério e de excelente apresentação, com uma média de 540 kg de peso, e se exceptuarmos o 1º lidado que era manso, os restantes cumpriram, principalmente os lidados na segunda parte, destacando-se o 5º da noite.

Dirigiu a corrida o antigo matador Sr. Júlio Gomes, sendo de louvar o bom critério na concessão de música durante as lides. Foi assesorado pelo médico-veterinário Dr.Patacho de Matos. O cornetim de serviço foi Hélio Tique e a embolação e ferragem da responsabilidade de José Paulo. Abrilhantou a corrida a Banda Filarmónica Amizade Visconde d’Alcáçer.

A terminar um gesto simpático da EMPRESA TERRA BRAVA que no final da lide do 1º toiro ofereceu ao cavaleiro Rui Salvador e a José Maria Cortes cabo do grupo de Montemor, uma lembrança (tricórnio e forcado em barro);ao cavaleiro para assinalar os 25 anos de alternativa e ao forcado para assinalar naquela data pegarem os seis toiros em solitário.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Festival taurino em Santo Amaro(Sousel)



Na localidade de S. Amaro/Sousel, realizou-se em Praça desmontável, um Festival Taurino, organizado pela Tertúlia Tauromáquica Nª.Srª. do Carmo-Sousel e integrado na Bênção do Gado. Apesar do tempo instável, com nuvens ameaçadoras, o público apareceu em bom número, e a lotação rondou os ¾ de casa.

Abriu função o cavaleiro FRANCISCO CORTES que lidou o mais pesado novilho da tarde (um exemplar de pelagem cárdeno) e que viria a revelar-se o mais bravo dos lidados. Dois compridos à tira a abrir a lide, um deles descaído, mas bem rematados. Com nova montada brindou os presentes com uma lide alegre, bem ao seu jeito e que chega facilmente às bancadas; aproveitou muito bem a bravura e codicia do seu oponente e citando de largo deixou bons ferros curtos, sempre rematados. Fechou a actuação com um ferro de palmo e foi muito aplaudido.
FÁBIO MILEU do grupo de forcados de ARRONCHES, fechou-se bem à 1ª tentativa, numa pega sem dificuldade, dado que o novilho limitou-se a vir pelo seu pé e a empurrar.

PEDRO SALVADOR veio a S.Amaro para triunfar, e consegui-o, mercê de uma lide acertada e onde patenteou o bom oficio que já possui e que é fruto dos anos que leva toureando. O novilho que lhe tocou em sorte também colaborou, o ginete recebeu-o bem de saída, dobrando-se com a montada, quer pela direita ,quer pela esquerda, e depois cravou dois compridos à tira, consentido no 2º um toque. Trocou de cavalo e o novilho que era incómodo, não se fixava, obrigou o ginete a brega aturada e escolha dos terrenos acertados para a consumação das sortes. Sucederam-se ferros curtos de boa nota muito do agrado dos tendidos.
Para a pega veio RUI CÁCERES do grupo de MONFORTE, e que apenas à 5ª tentativa consumou a sorte, porque nas anteriores tentativas esteve bastante mal a receber e a fechar-se de braços e pernas na cara do novilho.

Em terceiro lugar saiu à praça o cavaleiro praticante NÉlSON LIMA, que lidou um bonito e bem apresentado novilho, que lhe viria a propinar uma forte colhida aquando da cravagem do 1º ferro comprido, derrube violento da montada, mas felizmente sem consequências de maior. O jovem cavaleiro mostrou raça perante a adversidade citada, mas a lide teve altos e baixos, alternando bons pormenores de brega com sortes menos conseguidas; o novilho era encastado e não perdoava deslizes ao cavaleiro. Da ferragem curta destacamos o cravado em 5º lugar.
Voltaram para a pega os forcados de ARRONCHES e foi cara MANUEL CARDOSO o qual na 1ª tentativa viu o novilho desviar a cara no momento da reunião. Voltou à carga e sem dificuldade e à barbela consumou a pega.

O quarto novilho da tarde, o mais pequeno, tocou em sorte ao praticante TIAGO CARREIRAS, e diga-se em abono da verdade, já lhe vimos fazer muito mais do que aquilo que fez; foi uma lide de mais a menos, é certo que o novilho tinha pouca força, mas houve pouca emoção nas sortes e a constante mudança de montada, também esfriou a sua actuação. Mesmo assim o público gostou e as palmas vieram da bancada.
RUI RUSSO, por MONFORTE, citou correctamente o hastado, e sem dificuldade fechou-se bem à barbela, consumando a pega à primeira.

JOÃO SOLLER GARCIA, também cavaleiro praticante, brindou a sua actuação a António Telles que se encontrava na bancada, hoje nas funções de ganadeiro, e lidou outro bonito exemplar Vale Sorraia, que saiu com bastante pata, derrotando forte em tábuas. Foi uma actuação com sentido de lide, preocupando-se em fazer as coisas bem; boa brega a mostrar-se bem ao novilho e a quarteio deixava a ferragem da ordem, aqui com o senão de ficar díspar. Na parte final, e já com outra montada, melhorou a sua prestação e saiu debaixo de fortes aplausos.
JOÃO MARTINS do grupo de ARRONCHES, efectuou hoje a sua primeira pega em público e isso notou-se na forma deficiente como citou e mandou na investida do novilho e como o recebeu no momento da reunião, daí apenas à 2ª tentativa ter consumado a pega; no entanto daqui lhe enviamos alento e confiança para futuras intervenções.

Encerrou o Festival o jovem amador MIGUEL MOURA, que lidou um exemplar de pelagem colorau da ganadaria de seu pai (João Moura).O mais jovem da dinastia Moura continua a somar por êxitos as suas actuações. Começou por cravar um ferro comprido bem no alto do seu oponente, cativando logo os aplausos dos presentes. Na ferragem curta, o jovem cavaleiro não teve colaboração do novilho, que procurou o refúgio em tábuas, mas isso não constituiu qualquer problema e com os ensinamentos já recebidos, foi vê-lo com muita toreria trazer o novilho até aos médios, onde depois lhe deixou os ferros da ordem. O público estava totalmente entregue ao bom toureio do simpático e sorridente cavaleiro, que certamente irá seguir as pisadas de seu pai e irmão e será no futuro, mais uma figura do toureio a cavalo.
A terceira pega do grupo de MONFORTE, resultou fácil, e GONÇALO COSTA fechou-se sem dificuldade à 1ª tentativa, com o grupo a ajudar bem.

A ganadaria VALE DO SORRAIA, divisa azul e branco, enviou cinco novilhos que no geral estavam bem apresentados, tiveram comportamento desigual, cumprindo na generalidade, sendo de destacar o lidado em 1º lugar.

Dirigiu o espectáculo o SR. RICARDO PEREIRA, assessorado pelo médico-veterinário DR. JOSÉ GUERRA. O cornetim de serviço foi o jovem LUIS MARTELO e a embolação e ferragem da responsabilidade de SR. DIAMANTINO BARRIGA.