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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tarde fria em Benavente


Foi uma ventosa e muito fria tarde de touros a que se viveu ontem em Benavente. Foi um festival em benefício do lar infantil CRIB, em que foram lidados novilhos das ganadarias Prudêncio, António Silva, Conde Cabral, Canas Vigouroux, Passanha, Vale Sorraia e Eng. Jorge Carvalho. Para a lide destas rezes estiveram em praça os cavaleiros Ana Batista, António Maria Brito Paes, Manuel Telles Bastos, Francisco Palha, Tomás Pinto, João Salgueiro da Costa e Sofia Almeida.
As pegas estiveram a cargo do Grupo de Forcados Amadores de Benavente. Para a cara foram Daniel Seabra rendendo o inicial Francisco Foguete, Luís Lola, Francisco Correia, Carlos Travessa, o cabo António Vasco e o jovem Luís André. Apenas as pegas ao primeiro e quinto toiros da ordem não foram consumadas ao primeiro intento, pelo que o saldo de prestações do grupo foi muito positivo.

Abriu praça a Ana Batista numa exibição reveladora do estado de maturidade em que se encontra a cavaleira de Salvaterra. Deu volta ao oponente que nem sempre denunciava as suas investidas. Deixou bons ferros numa tarde de entrega.

António Maria Brito Paes esteve muito bem e voluntarioso em tarde de estreia de novas montadas. Bem nos compridos e nos curtos, numa actuação com bons momentos.

Manuel Telles Bastos viu a sua actuação condicionada pelo facto do novilho se ter lesionado já na arena. Apenas cravou a ferragem comprida.

A Francisco Palha coube a mais redonda exibição da tarde. Sentiu-se a disposição logo nos primeiros momentos da lide ao cravar o primeiro de três compridos em sorte de gaiola. Os curtos foram cravados ao estribo e de alto a baixo como é seu apanágio.

Tomás Pinto foi autor de uma actuação com bons momentos mas morna por falta de transmissão do novilho que lhe coube em sorte.

João Salgueiro da Costa protagonizou uma lide de altos e baixos. Os baixos momentos não por sua culpa, mas muito por responsabilidade do novilho que se adiantava na viagem. Foi tocado nalgumas reuniões, mas acabou a sua prestação em plano ascendente.

Sofia Almeida esteve algo desacertada na hora das reuniões pelo excesso de velocidade que levava nas viagens. No entanto divertiu o público.

O espectáculo contou com perto de meia casa de assistência e foi dirigido pelo Sr. Francisco Farinha

Alter - Duros Pégoras complicaram pegas a forcados


No passado dia 25 de Abril houve touros em Alter. Houve literalmente touros, pertencentes à ganadaria de Herdade de Pégoras, embora não dessem bom jogo para as lides equestres, foram duros para as pegas, deram emoção e trabalhos redobrados aos forcados.

O troféu em disputa para a melhor pega foi ganho pelo Grupo de Forcados Amadores de Montemor, nomeadamente por João Tavares pela pega feita ao primeiro toiro da tarde. Noel Cardoso e Tiago Telles de Carvalho consumaram ao segundo intento, enquanto António Vacas de Carvalho concretizou pega com grupo misto à primeiríssima tentativa.
Ao Grupo de Forcados de Alter do Chão coube o mais “violento” lote de toiros e que em muito complicaram a vida do agrupamento alentejano. Para a primeira pega do lote saiu para a cara Hermínio Santos, sendo dobrado por Bruno Palmeiro numa função concretizada ao quinto intento. Sérgio Pires foi também dobrado por Elias Santos na pega ao quarto toiro da ordem de lide, sendo consumada à terceira tentativa. A ultima pega correspondente ao grupo da casa, foi tentada de caras pelo forcado Nuno Basso mas acabou por ser efectuada de cernelha pela dupla formada por João Saramago e Elias Santos.

João Moura realizou em Alter a sua primeira corrida da temporada. Como é seu apanágio, evidenciou experiência e armas para dar volta aos toiros do seu lote. Tinham pouca mobilidade e era preciso que o veterano cavaleiro se ligasse ao oponente. Moura esteve bem nos dois toiros que lidou, com especial destaque na sua primeira actuação, onde não faltaram bons ferros, mas sobretudo detalhes de temple na brega.

António Maria Brito Paes está num momento muito positivo da sua carreira. O jovem cavaleiro está motivado e isso nota-se em cada uma das suas prestações. Deixou frente ao primeiro do seu lote, um grande ferro curto, sendo que na lide do quarto toiro da ordem, destacou-se na brega de colocação do toiro e remates, numa actuação em que tentou ligar as sortes.

A João Caetano tocou um complicado toiro. Foi o sexto da ordem, um toiro parado quase desde o primeiro instante de lide, ao qual não foi possível transformar. Frente ao seu primeiro, Caetano esteve regular, numa prestação em que andou alegre, deixando bons curtos ao piton contrário montando o Passapé.

Miguel Moura fechou a tarde de toiros, desta feita com a lide de um novilho. Com a graciosidade que lhe está inerente, Miguel lidou, mexeu no oponente e colocou onde quis o colaborador novilho. Deixou ferros em terrenos de compromisso, terminando com palmos de excelente nota. Mais um triunfo do pequeno Miguel…

A praça de touros de Alter registou perto de três quartos de entrada, sendo que o espectáculo foi dirigido pelo Sr. Alberto Bartissol.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Olivença: 17 orelhas e 4 monstros do toureio


Não é fácil transcrever e contar todo um conjunto de emoções, sobretudo quando delas fazem parte toureiros tão distintos e com formas tão dispares de entender a arte de lidar toiros. Os debates continuarão na tentativa de encontrar o grande triunfador de uma feira com grandes faenas, grandes momentos e conceitos vertiginosamente opostos, todos eles, válidos… A arte nunca reunirá consenso sendo esse o grande e vitalício atractivo do mundo dos touros.
Foram dezassete as orelhas cortadas em dois dias em somente três corridas, poderiam ter sido muito mais tal não era disposição dos oito matadores que por Olivença passaram e que no início de temporada querem deixar bem claro as suas intenções.
Três praças cheias, com especial relevância para a corrida de sábado dia 7 de Março, em que a o cartel de “Agotadas las Entradas” foi colocado na bilheteira ainda o sol estava a romper.

Ambiente inesquecível, céu azul e temperatura primaveril, deram as boas vindas às grandes tardes de toiros.

Olivença (Sábado) Juli, Ainda e Sempre “A Figura”
A escassez de força e o jogo distinto dado pelos toiros da ganadaria de Fuente Ymbro condicionaram em muito o labor da terna actuante em Olivença na corrida de sábado.
Estávamos na Extremadura, mas o cheiro que pairava no ar tinha aroma profundamente sevilhano, lástima que o lote de José António “Morante de La Puebla” não ajudou e apenas se puderam ver pequenos detalhes do vasto cardápio do matador de La Puebla del Rio. Os detalhes e improviso do excêntrico diestro não se podem nunca quantificar ou mesmo qualificar, é de outra dimensão, nada é comparável… Foi injustiçado frente ao astado que abriu praça, um troféu seria mais que justo para tão perfumado toureio, sobretudo quando ao seu alternante Miguel Ángel Perera foi concedida uma orelha pela lide efectuada ao terceiro da ordem. Miguel mereceu, não sabe tourear de outra forma que não para vencer o duelo. Esteve bem frente ao primeiro do seu lote, mas não houve triunfo absoluto.
De triunfo, experiência, toureiria, discernimento e muito mais é feito Julián López “El Juli”. Passados já quase onze anos desde a sua alternativa, Juli é hoje um toureiro maduro e os toiros para si já não guardam segredos. Muita técnica e conhecimento do toiro, deram a Juli e ao público que esgotava a praça de toiros de Olivença a possibilidade de contemplar uma bela e profunda faena que culminou com o corte de duas merecidíssimas orelhas frente ao segundo do seu lote. Muletazos por ambos os pitons, circulares, passes de peito e uma estocada ao segundo intento deram a Julián o passe para a saída em ombros em solitário.

- José António Morante de La Puebla – Ovação/ Silêncio
- Julián Lopez “El Juli” – Silêncio/ 2 Orelhas
- Miguel Ángel Perera – 1 Orelha/ Ovação

Olivença (Domingo – Matinal) – A Arte de Cayetano
Trinta anos depois Juan António Ruiz “Espartaco” mostrou ao simpático e carinhoso público Oliventino que quem sabe nunca esquece. Recebido com forte ovação, acarinhado do princípio ao fim da sua estadia nesta localidade, Juan António cortou uma orelha frente ao toiro que abriu praça, toureando com suavidade e usando poderosas armas técnicas. Frente ao seu segundo passou discreto, mas no ano em que comemora o seu trigésimo aniversário de alternativa, interessava sim celebrar a importante efeméride.
José Maria Manzanares foi autor de duas faenas meritórias com passes de isolada beleza e profundidade. Está repousadíssimo e com uma segurança e maturidade que arrepia. Matou os dois toiros de estocada inteira e premiando o seu sério labor, cortou uma orelha a cada toiro.
Cayetano deixou muito mais que ambiente frente ao terceiro da ordem. Bom toiro e toureiro de estranho entendimento fizeram a dupla perfeita embruxando os tendidos, fazendo soar os mais estridentes olés da manhã. Abriu com bonitas veronicas, brindou ao maestro Espartaco e bordou o toureio. A primeira de muitas séries foi de joelhos cravados no chão, as seguintes foram magistrais, por ambos os pitons, suave, calado, quieto… Houve repetição, boa investida de um toiro que perseguia o engano humilhando. Estocada inteira e descabello valeram ao filho de Paquirri duas orelhas.
É de salientar o bom jogo dado pelo curro de toiros da ganadaria de Juan Pedro Domecq.

- Juan António Ruiz “Espartaco” – 1 Orelha/ Aplausos
- José Maria Manzanares – 1 Orelha/ 1 Orelha com Aviso
- Cayetano – 2 Orelhas/ Aplausos


Olivença (Domingo – Tarde) – Magistral Ponce, Encantador Perera

Excelente o curro de toiros com a marca Zalduendo. O terceiro, quarto e quinto foram ovacionados no arraste.
Quando se vê tourear Enrique Ponce é inevitável sentir que estamos frente a um toureiro que marcou e marcará época, é um Senhor, é uma senão mesmo a Figura que gravou a lacre uma vintena de anos, adquirindo por mérito próprio direito a constar nos livros da história da tauromaquia mundial. Quando se escreve de Enrique Ponce, há que fazê-lo sempre com maiúsculas, tal é a sua importância. A faena que fez ao quarto da ordem só poderá ser intitulada de Magistral. Esteve a gosto e isso sentiu-se. Saboreou e fez-nos saborear uma construção completa de passes, pensados mas interpretados com inteligência e experiência, e isso, isso nunca poderá ser um defeito. Iniciou com perna flectida e pelo piton direito desenhou bonitas séries de toureio em redondo. Não faltaram também séries de naturais candenciados e profundos. Cortou duas orelhas depois de ter cortado uma orelha ao toiro que abriu praça num labor não menos importante. Sacou tudo o que havia para sacar ao toiro de Zalduendo e mais, inventou matéria-prima.
António Ferrera representou o ar fresco de uma corrida séria. De capote esteve alegre e de bandarilhas armou o taco ao cravar os “palos” com alegria e exuberância. Esteve voluntarioso de muleta fazendo no conjunto das suas actuações vibrar os tendidos. Cortou três orelhas.
Temple, arte e quietude foram as palavras-chaves da actuação de Miguel Àngel Perera frente ao terceiro toiro da corrida. Ligação e suavidade na fase inicial da faena com muletazos cadenciados e de muitíssimos quilates abriram caminho a um término de faena de constantes arrepios na espinha quando Miguel cravou os pés no chão e de lá não mais saiu, daí resultando os mais emocionantes muletazos de toda a feira de Olivença. Cortou dois troféus nesta ocasião e mais uma orelha ao toiro que encerrou praça ficando bem patente que não quer ficar apenas na lista dos toureiros de alternativa. Perera está para ficar!

- Enrique Ponce – 1 Orelha/ 2 Orelhas
- António Ferrera – 1 Orelha/ 2 Orelhas
- Miguel Àngel Perera – 2 Orelhas/ 1 Orelha