- Praça de Toiros: desmontável em Samora Correia - Data: 13 de Agosto de 2010, pelas 22.00 horas
- Empresa: Aplaudir em colaboração com a A.R.C.A.S.
- Ganadarias: António Silva
- Cavaleiros: Sónia Matias, Pedro Salvador e Filipe Gonçalves
- Cavaleiros Praticantes: Nelson Limas, Tomás Pinto e Verónica Cabaço
- Grupo de Forcados: Forcados Amadores de Vila Franca e de Alcochete,
capitaneados por Ricardo Castelo e Vasco Pinto, respectivamente.
- Assistência: casa cheia
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. Ricardo Pereira, assessorado pelo médico veterinário Dr. José Luís Cruz.
É já uma corrida tradicional e marcante no panorama taurino nacional, por ocasião das festas em honra de Nª Sra. da Oliveira e Nª Sra. de Guadalupe. Este ano um cartel de seis cavaleiros, três de alternativa e três praticantes, em busca do troféu para a melhor lide e dois dos melhores grupos de forcados, em competição pelo troféu para a melhor pega. Esta corrida serviu também para homenagear postumamente o forcado Ricardo Mota, do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete, falecido em Abril passado em acidente de viação.
Os novilhos/ toiros vieram da Ganadaria de António Silva, estavam bem apresentados e com trapio e ferrados com o 7 na espádua. Em termos de comportamento, revelaram mansidão, sendo os dois primeiros dois mansos perdidos que fugiam à luta, negando-se a investir. Pela positiva destacou-se o que saiu em quarto lugar, que teve mobilidade, foi voluntarioso e colaborador. Os restantes elegeram as tábuas como terreno preferido para se fixarem.
Sónia Matias teve pela frente o primeiro manso da noite e sentiu muitas dificuldades para deixar a ferragem da ordem, num toiro que se tapava, esperava uma enormidade e que não investia. A cavaleira cravou como pôde, numa lide sem história alguma. Mesmo assim, a cavaleira saiu à arena no final para agradecer nos médios. Acabou por dar a volta a insistência do público da terra.
Para Pedro Salvador saiu outro manso perdido. O cavaleiro desenhava as sortes com o quarteio bem aberto e não conseguia deixar os ferros. Mudou de montada e optou pela cravagem em sortes cambiadas que também não resultaram. A prolongar a lide em demasia, com a conivência do director de corrida, acabou por sair sem conseguir cravar o último ferro. No final, sem hesitações, saiu para a volta à arena.
Filipe Gonçalves baseou a sua lide em ladeios ao longo das tábuas, a levar o toiro embebido no cavalo e conduzindo a montada com as duas mãos. Deixou dois ferros compridos com correcção, mas, nos curtos, apenas o segundo foi colocado em reunião mais ajustada. Terminou com um ferro em sorte de violino e um par de bandarilhas de boa nota. No final, o júri decidiu atribuir-lhe o prémio para a melhor lide.
Nelson Limas, que actuava também na sua terra, surpreendeu pela positiva. Apesar de ter utilizado quatro (!) cavalos durante a lide, executou as sortes com muita correcção, com cites de largo e cravando em reuniões bem cingidas. Nota negativa para as constantes intervenções dos bandarilheiros durante a lide. Dos ferros que colocou, destacaram-se, pela positiva, os 1º e 2º curtos, antecedidos de ligeira batida ao piton contrário e o 5º e último, o seu melhor ferro.
Tomás Pinto, que vinha de duas boas actuações em corridas da RTP, não esteve, esta noite, ao mesmo nível.Com a mão pouco certeira, deixou a ferragem muito dispersa e de colocação menos conseguida, parecendo-nos um pouco precipitado, querendo fazer as coisas depressa demais. Destaque para os dois primeiros ferros curtos executados correctamente.
A Verónica Cabaço, a mais jovem cavaleira desta noite, tocou um novilho que se recusava a sair de tábuas. A cavaleira não se intimidou e teve uma lide em crescendo, evidenciando que tem recursos para tourear oponentes como o de hoje. Começou mal, com ferros pescados e a caírem, mas, com grande determinação, foi entendendo o novilho e acabou por deixar bons ferros curtos, todos em sortes sesgadas, as únicas em que era possível cravar.
Perante toiros com pouca ou nenhuma mobilidade, a noite, para os forcados foi bastante dura. Pelo Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca, saiu para a primeira pega o forcado Márcio Francisco, que esteve correcto no cite, reuniu bem à córnea, viajou até tábuas, entrando pelo grupo e aí o novilho retirou a cara e fugiu, despejando todo o grupo. Na segunda tentativa o novilho arranca novamente com pata, o forcado fecha-se à córnea, o astado foge à trajectória do grupo, com o forcado sozinho na cara a aguentar fortes derrotes até chegarem as ajudas que consumaram uma grande pega que, no final, viria a ganhar o prémio em disputa. Pedro Castelo foi para a cara do terceiro da noite, citou com calma, interessando o toiro, mandou na sorte com saber e consumou uma boa pega, bem ajudado pelo grupo, com o senão de o novilho ter perdido as mãos. Ricardo Castelo, cabo do grupo, citou de largo para a pega do último da noite e, apesar de ter escorregado na cara do novilho, conseguiu fechar-se bem à córnea, consumando uma boa pega, com o grupo a mostrar coesão nas ajudas.
O Grupo de Forcados Amadores de Alcochete iniciou a sua noite de pegas por intermédio de Rui Baptista, um forcado experiente e já veterano. O novilho sai para o forcado com muita pata, este reúne bem à córnea, embate nas tábuas com grande violência, com as ajudas já em cima, a ajudarem com muita determinação, o novilho a empurrar com muita força e a infringir violentos derrotes, e o grupo a fechar uma grande pega, muito rija e que causou grandes problemas ao grupo que mostrou uma enorme coesão. O jovem João Gonçalves foi o escolhido para efectuar a pega ao quinto da noite. Na primeira entrada, esteve correcto no cite, mas não recebeu o novilho da melhor forma. Ao segundo intento, repetiu o erro na hora de receber mas conseguiu fechar-se à córnea, passou por todo o grupo, aguentou fortes derrotes sozinho, com as ajudas a tardarem, mas a consumarem a pega. José Miguel Barbosa (Vinagre) colocou o novilho fora de tábuas, citou com correcção, o novilho só arranca tocado pelos capotes, o forcado reúne rijamente à córnea, faz a viagem até tábuas onde embate violentamente e aí, com fortes derrotes é despejado. À segunda, não recebe correctamente e não consegue a reunião. Consumou a pega à terceira tentativa, com as ajudas mais em cima, aguentando derrotes bem fortes, em mais uma pega muito dura e onde o grupo demonstrou, uma vez mais, grande coesão.
O Mais e o Menos
+ A boa entrada de público.
+ A presentação e trapio dos novilhos.
- O mau estado do piso da arena que prejudicou sobretudo os novilhos e os forcados.
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