
- Praça de Toiros: Alcochete
- Data: 12 de Agosto de 2010, pelas 22.00 horas
- Empresa: Toiros & Tauromaquia, Lda.
- Ganadarias: Vinhas
- Cavaleiros: João Salgueiro, Leonardo Hernandez e João Telles Jr.
- Grupo de Forcados: Forcados Amadores de Alcochete e do Aposento da Moita, capitaneados por Vasco Pinto e Tiago Ribeiro, respectivamente.
- Assistência: Casa cheia
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. Júlio Gomes, assessorado pelo médico veterinário Dr. Carlos Santos.
Última corrida das Festas do Barrete Verde e das Salinas, a já habitual corrida Casa das Enguias, com um cartel rematado, constituído por dois cavaleiros já figuras do toureio a cavalo em Portugal – um veterano e um jovem – e um rejoneador figura cimeira em Espanha. Para as pegas um grupo da terra e um grupo vizinho, em saudável competição.
O curro de toiros enviado pela Ganadaria Vinhas, escassos de apresentação e trapio para uma festa onde o toiro é rei, tinham quatro anos de idade e pesos que oscilaram entre os 500 e os 585 Kg, a contrariar os anunciados soberbos Vinhas com mais de 550 Kg. Em termos de comportamento saíram mansos, sem força, mais parecendo “tourinhas amestradas” destinadas a um qualquer treino de cavaleiros e forcados.
João Salgueiro teve uma primeira lide vistosa, com ladeios e piruetas na cara do toiro. No momento de cravar os ferros não teve toiro que emprestasse emoção e verdade às reuniões e, quando assim é, a verdade do toureio sai defraudada. A sua segunda actuação não começou da melhor forma, com os dois ferros compridos a resultarem descaídos e, no segundo, a sofrer toque na montada. Para os curtos optou por ir de encontro ao toiro, fazer a “paradinha” e, com ligeira cambiada, a deixar os ferros, o que o obrigou a passar algumas vezes em falso. Para o final da lide rectificou as distâncias e os ferros resultaram mais ajustados na reunião.
Leonardo Hernandez baseou a sua primeira lide em ladeios ao longo das tábuas, conduzindo a montada com as duas mãos, para, depois, em cites de largo, deixar os ferros em sortes quase sempre aliviadas e de colocação menos conseguida. Terminou com o habitual número dos palmos (nada mais nada menos que quatro!!) em sorte de violino e ao mais puro estilo do rejoneio. No segundo toiro do lote que lhe calhou em sorte, as coisas não melhoraram. Iniciou com dois compridos descaídos na colocação e, nos curtos, apenas os dois primeiros tiveram alguma correcção. Viu-se forçado a utilizar quatro (!) cavalos durante a lide, sem nunca conseguir entender o toiro. Nota negativa para a falta de pedido para cravar os ferros para além do tempo regulamentar.
João Telles Jr., foi, apesar de tudo, o que melhor actuação teve nesta noite. Recebeu o seu primeiro toiro à porta dos curros, parando-o nos médios com toreria. Depois, em sortes à tira bem desenhadas, deixou três ferros compridos de nota positiva. Nos curtos andou algo irregular, deixando, contudo, bons pormenores de lide. Destaque para o segundo ferro curto, mais ajustado na reunião. No último da corrida, o jovem cavaleiro esteve uns furos mais acima e andou com muita correcção a lidar e a preparar as sortes, para depois deixar ferros de boa execução, apesar da falta de colaboração do astado que teve pela frente. Terminou com um par de bandarilhas em terrenos muito apertados.
O Grupo de Forcados Amadores de Alcochete voltou a estar ao seu melhor nível, consumando todas as pegas ao primeiro intento. Nuno Santana foi para a cara do primeiro da noite, que saiu solto de tábuas para o forcado, que recuou bem e reuniu para uma pega em que o toiro humilha muito e faz uma pirueta com o forcado sempre na cara. Boa pega, com o grupo a ajudar bem, sem que o toiro colocasse problemas de maior. Daniel Silva – que habitualmente vemos a rabejar – saiu para pegar o terceiro da ordem e, com o toiro reservado em tábuas, pisou-lhe os terrenos, provocando a investida, sacou-se bem e consumou a pega sem que o toiro complicasse. Para o quinto da noite foi escolhido o jovem Hugo Silva, que citou com voz, fixou bem o toiro, mostrando-se, reuniu com correcção e consumou uma muito boa pega, bem ajudado pelo grupo, que, uma vez mais, demonstrou coesão.
Para o Grupo de Forcados do Aposento da Moita as coisas não correram bem. José Broega, citou correctamente o 2º toiro da noite, fixando-o, mandou vir mas não o recebeu da melhor forma e não conseguiu consumar a pega. Nas duas tentativas seguintes saiu após o primeiro derrote, não permitindo nunca a entrada das ajudas. Consumou ao quarto intento, com ajudas carregadas e sem brilho. No final recusou sair de tábuas, num gesto de toureiro. Pedro Brito de Sousa foi quem saltou tábuas para tentar a pega do 4º da noite. Perante um toiro que humilhava muito, o forcado nunca conseguiu dobrar-se de forma correcta para poder reunir e consumar a pega. Concretizou-a à quarta tentativa, com ajudas carregadas. No final, recusou também sair para a volta com o cavaleiro. Para o último da noite saiu Nuno Inácio que, com um cite de largo, com o toiro de frente, mandou na sorte, marcando bem todos os tempos e viajou na cara do toiro até tábuas onde o grupo fechou uma muito boa pega.
O Mais e o Menos
+ O gesto de verguenza torera dos dois forcados do Aposento da Moita que recusaram dar volta, reconhecendo que não haviam estado bem.
- A escassa apresentação, a falta de trapio e o mau desempenho dos toiros.
- O jogo de cabrestos, que apenas estava constituído por cinco reses, contrariando o que regulamentarmente está estipulado (de seis cabrestos).
- A abertura das portas de acesso à praça, que só abriram meia hora antes do início da corrida
Sem comentários:
Enviar um comentário