sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A noite das jovens valores


- Praça de Toiros: Campo Pequeno
- Data: 12 de Agosto de 2010, às 22 horas
- Empresa: Sociedade do Campo Pequeno, S.A.
- Ganadaria: 6 Novilhos de Murteira Grave
- Cavaleiros Praticantes: Tiago Martins e Mateus Prieto
- Novilheiros: Nuno Casquinha, Daniel Nunes, João Augusto Moura, Manuel Dias Gomes
- Grupo de Forcados: Forcados Amadores de Alenquer, capitaneado por Jorge Vicente
- Assistência: ½ fraca
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr. António José Martins, assessorado pelo médico veterinário Dr. José Manuel Lourenço.

A novilhada popular integrada no Abono de 2010 da Praça de Toiros do Campo Pequeno tinha no cartaz bastantes atractivos, nomeadamente, o regresso da ganadaria Murteira Grave à arena lisboeta (depois do imponente curro enviado no passado dia 22 de Julho), bem como a promoção de jovens promessas do toureio português, que entraram no Campo Pequeno com vontade de triunfar e “segurar” esta oportunidade concedida na primeira praça do País.

Dos campos alentejanos da Granja vieram os novilhos da ganadaria de Murteira Grave. Um curro que saiu à praça com excelente apresentação e com pesos a variar entre os 480 Kg e os 585 Kg. Quanto ao comportamento, os novilhos da Herdade da Galeana revelaram-se dispares faltando alguma transmissão. Destacam-se pela positiva o primeiro, quinto e sexto novilho.

No que diz respeito ao toureio a cavalo abriu praça o cavaleiro praticante Tiago Martins. Colocou a fasquia alta ao receber o novilho à porta dos curros. Contudo, não se entendeu logo com o seu oponente levando um forte toque na montada, antes de cravar o primeiro ferro da ordem. Com um novilho que se mostrou colaborante deixou três compridos de forma regular e nos curtos foi em crescendo, destacando-se o segundo ferro rematado de forma vistosa. Terminou a sua lide com um ferro de violino e um ferro de palmo.

O jovem cavaleiro Mateus Prieto também entrou em praça com vontade de triunfar. Esteve bem a receber o novilho e deixou três ferros compridos de muito boa nota. Na ferragem curta mostrou vontade e ligação com o público. Contudo, teve pela frente um novilho reservado, com pouca investida. Mateus Prieto optou por cravar ao piton contrário, não tendo as reuniões resultado da melhor forma com o cavaleiro a deixar a ferragem à garupa do cavalo. Terminou a sua passagem pela arena lisboeta com um ferro de violino que levantou as bancadas.

Quanto ao capítulo da forcadagem coube ao Grupo de Forcados Amadores de Alenquer pegar os dois graves da parte à portuguesa. Abriu praça o forcado André Mata. Com um cite bonito e alegre, mandou vir o novilho, que investiu pronto. O forcado reuniu correctamente e aguentou firme até às chegadas das ajudas que fecharam coesas. Para a cara do segundo novilho foi à cara Ricardo Silva. Citando de forma decidida, carregou a investida mas o novilho no momento da reunião fez um feio, não conseguindo o forcado ficar na cara do oponente. Voltou a citar com decisão, chamou o novilho mas reuniu mal de braços e pernas, não conseguindo ficar de novo na cara do grave que entrou pelo grupo dentro. Consumou a pega à terceira, com ajudas mais carregadas, tendo reunido bem e aguentando um derrote alto. O grupo acabou por fechar correctamente já nas tábuas, consumando-se assim esta pega.

Na parte apeada, o novilheiro Nuno Casquinha lanceou bem com o capote, deixando-se mostrar ao novilho. Com a muleta e perante um oponente que não complicou, Nuno Casquinha executou diferentes séries de muletazzos, com a mão direita. Com a mão esquerda deixou também uma boa série, que saiu ligada. Toureando no centro da arena, voltou à mão direita para aí desenhar lances com alguma profundidade, aproveitando as investidas mais francas do novilho Daniel Nunes tinha deixado boa impressão na novilhada do ano passado. Nesta noite
calhou-lhe em sorte o pior novilho. Com o capote esteve correcto. Com o novilho a mostrar-se muito reservado e complicado de tourear (metendo a cabeça muito por baixo), Daniel Nunes foi-lhe sacando os muletazzos possíveis junto às tábuas, numa faena que acabou por não ter muita história.

João Augusto Moura tem já no seu currículo importantes triunfos que fazem dele uma jovem promessa que pode “romper” e fazer cartel. Com um novilho muito colaborante e que investia com codícia, João Augusto Moura procurou entender o seu oponente com o capote, estudando-lhe as investidas. Com a muleta desenhou várias séries com a mão direita, bem rematadas com passes de peito. Moura, desenhou um toureio ligado,
elegante e com passes largos. Embora o novilho mostrasse investidas francas pelo lado direito, ao jovem de Monforte faltou executar alguns passes com a mão esquerda e assim desenhar uma faena mais completa.

Para lidar o último grave da noite, saiu à praça o novilheiro Manuel Dias Gomes, um jovem já com créditos firmados. Foi do diestro lisboeta que saiu a melhor faena da noite. Centrado na arena, desenhou bonitos lances de capote, que fizeram levantar as bancadas do Campo Pequeno. Já com a muleta iniciou a faena com uma série de muletazzos com a mão direita, toureando em redondo. Com a mão esquerda mostrou-se correcto ao novilho. Mas é com a mão direita que volta a mostrar o seu toureio elegante e com verdade. Sempre ligado ao novilho (que humilhou e revelou-se nobre), Dias Gomes toureou a gosto, desenhando passes com muita profundidade e de bonito efeito. Um triunfo importante para a carreira deste jovem novilheiro.

O Mais e o Menos
+ A apresentação irrepreensível dos novilhos de Murteira Grave, dignos da primeira
praça do país.
+ A vontade de triunfar de todos os intervenientes.
- A permanência dos burladeros na arena na parte “à portuguesa”. Um perigo para cavaleiros e forcados

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