sexta-feira, 17 de junho de 2011

Uma novilhada com um pouco de tudo

- Praça de Toiros: Campo Pequeno
- Data: 16 de Junho de 2011, às 22 horas
- Empresa: Sociedade do Campo Pequeno, S.A.
- Ganadaria: 6 Novilhos de Murteira Grave
- Cavaleiros Praticantes: Mateus Prieto e João Maria Branco
- Novilheiros: Jiménez Forte, Manuel Dias Gomes, Diego Silvetti e Tiago Santos
- Grupo de Forcados: Forcados Amadores de Coimbra, capitaneado por Luís Santos
- Assistência: ½ casa
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr. Francisco Farinha, assessorado pelo médico veterinário Dr. Moreira da Silva.
- Banda: Samouco
- Cornetim: José Henriques

A Praça de Toiros do Campo Pequeno recebeu o quinto espectáculo do Abono de 2011, mais concretamente, a novilhada de promoção dos novos valores do toureio. Uma jornada de promoção da Festa de Toiros, onde a empresa do Campo Pequeno apostou não só na competição entre as jovens promessas da Tauromaquia, como também na formação de novos aficionados, pondo em prática uma política de preços baixos nos bilhetes. A noite em si resultou numa novilhada onde houve de tudo um pouco… Oportunidades “agarradas”, oportunidade perdidas, novilhos que revelaram alguma bravura e novilhos mansos que dificultaram o trabalho dos artistas.

Desta forma, dos campos alentejanos da Granja vieram os novilhos da ganadaria de Murteira Grave. Um curro que saiu à praça com apresentação distinta, com pesos a variar entre os 475 Kg e os 455 Kg. Quanto ao comportamento, os novilhos da Herdade da Galeana revelaram-se também dispares, cumpridores os do toureio a cavalo, mansos os saídos em terceiro e quarto lugar e a revelar alguma bravura os saídos em quinto e sexto lugar.

No capítulo respeitante ao toureio a cavalo abriu praça o cavaleiro praticante Mateus Prieto. Deixou a ferragem comprida da ordem, mostrando boas maneiras a cavalo. Nos curtos mostrou algum cuidado a preparar as sortes mas esteve muito desastrado na cravagem, falhando várias vezes o momento da reunião. Perante um novilho que não complicou Prieto poderia e deveria ter estado melhor e assim ter “agarrado” esta oportunidade que teve no Campo Pequeno.

O cavaleiro João Maria Branco apresentou-se em praça com disposição e com querer. Perante um grave colaborador, o jovem ginete revelou sentido de lide e procurou desenvolver um toureio de verdade. Nos compridos deixou dois ferros de boa nota. Na ferragem curta procurou sempre citar de frente como mandam as regras, destacando-se o segundo curto, cravado com correcção. Pena ter sido tocado pelo novilho no último ferro, sem contudo manchar esta sua passagem pela primeira praça do país, onde deixou bom ambiente.

Quanto à forcadagem e para pegar os dois graves da parte à portuguesa, a noite foi de estreia no Campo Pequeno para o Grupo de Forcados Amadores de Coimbra. Abriu praça o forcado Nuno Cruz que na primeira tentativa revelou um cite alegre. No entanto no momento reunião, o primeiro ajuda adiantou-se prejudicando o forcado da cara, que foi desfeito. Na segunda tentativa, mandou vir o novilho, reunindo com decisão e aguentou na cara do oponente até à chegada das ajudas que fecharam a pega. Para o segundo da ordem foi à cara o forcado Luís Dinis. Na primeira tentativa esteve mal a reunir não conseguindo ficar na cara do novilho. Reuniu à segunda sem dificuldade, com o grupo a ajudar e a fechar nas tábuas, consumando assim esta pega.

Na parte apeada, o novilheiro Jiménez Forte mostrou-se com o capote, procurando sentir o novilho. Com a muleta, e tendo pela frente um novilho que se revelou manso e que não lhe facilitou o trabalho, o jovem novilheiro espanhol ainda se esforçou para tirar alguns passes ao oponente, mas não obteve qualquer colaboração.

O novilheiro português Manuel Dias Gomes lanceou bem de capote centrado com o novilho. No entanto, com o grave a vir a menos, a faena de muleta acabou por não ter qualquer história. Com a mão esquerda ainda tentou inicialmente aproveitar as investidas mais francas do novilho. Contudo, não houve profundidade nem ligação no toureio de Dias Gomes, sendo por isso de estranhar a razão pela qual deu volta à arena no final, sem motivos suficientes para isso.

Ao mexicano Diego Silvetti coube-lhe em sorte o quinto da ordem. O jovem diestro começou por lancear bem de capote, levando o novilho para o centro da arena. Pela frente, Silvetti teve um novilho que revelou nobreza e ligação e o mexicano soube aproveitar as boas condições de lide do oponente. Com a muleta desenhou bonitos derechazzos. Com a mão esquerda mostrou também um toureio de profundidade. Foi uma faena redonda, com temple e bons pormenores, que fez com que o novilheiro mexicano deixasse bom ambiente em Lisboa.

Para o último da noite, saiu à arena o novilheiro vila-franquense Tiago Santos, com um grave que se mostrou nobre nas investidas. Desenhou bonitas verónicas com o novilho no centro da arena, seguindo-se três pares de bandarilhas de boa nota. Com a muleta esteve superior, desenvolvendo um toureio ligado, com muita profundidade e com temple. Desenhou bonitos passes levando o novilho humilhado. Tiago Santos mostrou assim garra e muita vontade toureira, agarrando com todas as mãos esta oportunidade que teve na primeira praça país.

O Mais e o Menos
+ O bom ambiente da novilhada, com a presença de muitos jovens aficionados nas bancadas.
+ A determinação de alguns dos intervenientes no espectáculo, a aproveitar a oportunidade de tourear no Campo Pequeno.
- Continua a saga da presença dos burladeros dentro da arena na lide dos toiros a cavalo e nas pegas. Se tivermos em conta a sequência da corrida, ainda faz menos sentido: primeiro a parte à portuguesa, segui-se o intervalo e depois a parte apeada. Teimosia…

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