
- Praça de Toiros: Campo Pequeno, em Lisboa
- Data: 17 de Junho de 2010, às 22h15
- Empresa: Sociedade do Campo Pequeno, S.A.
- Ganadarias: 3 Toiros de Pinto Barreiros (lide a cavalo) e 4 Toiros de São Torcato (lide a pé).
- Cavaleiros: António Ribeiro Telles e Manuel Lupi
- Grupo de Forcados: Amadores de Coruche, capitaneados por Amorim Ribeiro Lopes
- Matadores: Francisco Rivera Ordoñez e António Ferrera
- Assistência: Meia casa forte
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr. Júlio Gomes, assessorado pela médica veterinária Dra. Francisca Claudino
- Banda: Samouco
Antes de começar esta crónica, não posso deixar de dar publicamente os Parabéns à nossa TAUROMANIA, pelos seus 5 anos de existência comemorados esta semana. São 5 anos de grande trabalho em prol da Festa de Toiros e que tornam este site num autêntico órgão de referência no panorama taurino nacional. O verdadeiro portal dos aficionados!
Quanto à corrida propriamente dita, a Praça de Toiros do Campo Pequeno abriu de novo as suas portas para a quinta corrida integrada no Abono 2010 – uma corrida mista com um cartaz interessante e de competição quer na parte à portuguesa, quer na parte à espanhola, com distintos estilos a apresentar-se na arena lisboeta, no toureio a cavalo e no toureio a pé.
Dos sete toiros anunciados de São Torcato acabaram por sair à praça 3 toiros de Pinto Barreiros (para as lides a cavalo) e 4 toiros São Torcato (para a parte apeada). Dos campos alentejanos de Montemor-o-Novo vieram dois curros de toiros desiguais de apresentação e comportamento, com destaque positivo para o 2º toiro da corrida e pela negativa o saído em 6º lugar. Os pintos barreiros tiveram pesos a oscilar entre os 540 Kg e os 560 Kg e os são torcato variaram entre os 470 Kg e os 510 Kg.
O primeiro toiro da corrida foi lidado a duo por António Ribeiro Telles e Manuel Lupi. As lides a duo são sempre muito peculiares e resultam, essencialmente, se os cavaleiros estiverem muito entrosados, o que não aconteceu esta noite. Telles não se mostrou muito inspirado e acabou por ser Lupi a “puxar” pela lide, mostrando mais vontade e procurando eleger os melhores terrenos para executar a cravagem. Destaca-se o quarto e quinto ferros curtos deixados respectivamente por Manuel Lupi e António Ribeiro Telles.
Nas lides a solo, ao maestro dos cavaleiros clássicos portugueses – António Ribeiro Telles – coube-lhe a lide do quarto toiro da noite. O mestre da Torrinha conseguiu ligar as suas montadas ao seu oponente, permitindo-lhe efectuar uma lide regular e com bons pormenores de brega. Deixou a ferragem comprida da ordem e nos curtos cravou seis ferros curtos, com destaque para o primeiro ferro cravado ao estribo, bem como o terceiro curto, onde mostrou bonitos pormenores de brega, cravando o ferro de forma justa e como mandam as regras.
Ao jovem Manuel Lupi calhou-lhe um toiro reservado e com investidas de manso. Lupi procurou inverter a tendência do toiro refugiar-se nas tábuas, contudo não foi bem sucedido no seu trabalho, obtendo assim uma lide bastante irregular. Na ferragem comprida deixou dois ferros da ordem e nos curtos destaca-se o terceiro ferro, com a sorte bem rematada. Já sem toiro cravou um quinto ferro curto deixado a cilhas passadas, que nada veio a acrescentar à sua lide.
Nesta 5ª Feira de “nocturna” na primeira praça do País, coube ao Grupo de Forcados Amadores de Coruche fazer as honras de representação da rapaziada da jaqueta de ramagens, pegando os pinto barreiros da parte à portuguesa. Abriu praça o cabo Amorim Ribeiro Lopes. Na primeira tentativa citou com serenidade, mandou vir o toiro que ensarilhou no momento da reunião. O cabo coruchense ainda reuniu mas não conseguiu ficar na cara do oponente que entrou pelo grupo dentro, saindo mesmo lesionado desta tentativa o primeiro ajuda. Na segunda tentativa não conseguiu reunir bem saindo logo da cara do toiro. Consumou à terceira tentativa, mudando de terrenos e com as ajudas reforçadas, numa reunião segura e com o grupo a mostrar coesão e segurança no momento de fechar. Para a segunda pega da noite foi à cara o forcado Ricardo Senigas. Citando com calma e decisão, mandou na investida e reuniu bem, aguentando com determinação e querer na cara do toiro, até o grupo fechar em segurança nas tábuas. Para a última pega da noite, o escolhido foi António Macedo. Na primeira tentativa citou alegre e vistoso, mandando vir o toiro e reuniu bem. Contudo, o seu oponente entrou pelo grupo que não conseguiu fechar, acabando o forcado por sair da cara. Consumou à segunda, citando com calma, mandando no momento da reunião e fechando-se à córnea. Uma bonita pega com todo o grupo a ajudar coeso e seguro.
O matador de toiros espanhol Francisco Rivera Ordoñez apresentou-se em Lisboa 15 anos depois do seu debute em 1995. Figura já consagrada e com forte ascendência toureira teve pela frente o melhor e o pior toiro da corrida. No seu primeiro toiro (o segundo da noite e o melhor de toda a corrida), “Fran Rivera” deixou uns capotazzos no centro da arena para “sentir o pulso” ao oponente. No tércio de bandarilhas cravou três pares de muito boa nota, revelando as suas qualidades de matador-bandarilheiro. Com a muleta iniciou com uma boa série com a mão direita. Pelos dois pitons aproveitou bem toda a nobreza do toiro, que humilhava e permitiu que o diestro espanhol conseguisse uma boa faena com passes ligados e com profundidade. Destaca-se a série de muletazzos desenhados com a mão esquerda. No sexto toiro da noite Ordoñez teve pela frente um toiro manso, distraído, solto e sem condições de lide. Limitou-se a “despachar a papeleta”.
António Ferrera é um toureiro de raça, que pratica um tipo de toureio consistente. Vinha com vontade de triunfar e entregou-se em toda a corrida. No primeiro toiro mostrou-se com o capote. Exímio bandarilheiro deixou três pares colocados com muito querer e raça toureira. Com a muleta desenhou um toureio com passes ligados entre si, destacando-se a terceira série de muletazzos com a mão direita e a segunda série com a mão esquerda. No último toiro da corrida Ferrera “agarrou” o público com os três pares de bandarilhas que deixou com raça no seu oponente e que levantaram o público presente nas bancadas do Campo Pequeno. Já com a muleta foi “puxando”pelo toiro, tentando ligar muletazzos pelos dois lados do são torcato. O toiro veio a mais e António Ferrera – com o público nas mãos – toureou a gosto, tirando todo o partido do seu oponente e imprimindo um conjunto de lances de muleta largos e com muito ritmo.
O Mais e o Menos
+ A dignidade do cabo dos Amadores de Coruche em não dar volta depois de pegar o primeiro toiro. Mais uma vez um forcado a dar exemplo a algumas das nossas figuras.
+ O segundo toiro da noite.
- A colocação de uma câmara de televisão no camarote presidencial da primeira praça do País. Mesmo não estando ocupado, este lugar é merecedor de respeito nem que seja de forma simbólica.
- O critério usado pelo director de corrida a dar música, principalmente, nas lides apeadas. Fica-se com a sensação que o triunfo é fácil e o nível de avaliação é baixo na primeira praça do País.
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