
“S” de Solidariedade. Corrida organizada na Praça Dr. Antonio Semedo pela Associação do Futuro de Garvão e cuja receita visa a construção de um Centro de Cuidados Continuados de Saúde. O público acorreu em massa e casa cheia até à bandeira. Como à muito não víamos em Garvão.
“S” de Semedo. Atravessa talvez o melhor momento dos seus quase 16 anos de alternativa. Surgiu no seu primeiro toiro com um Josué, de seu ferro, que apontou bons indicadores de vir a servir, nesta sua estreia diante de um toiro (não só em Praça). Foi o triunfador da tarde. Entendeu os seus dois toiros na perfeição e lidou-os com critério e cuidado, dado que ambos eram de muita casta, em particular o segundo e havia que andar ligado e fazer tudo muito bem feito na sua frente. Deixou ferros que empolgaram as bancadas como o comprido com que recebeu o primeiro, o segundo curto a quiebro perfeito e o terceiro, recto a quartear-se na cara do toiro e ao estribo, no seu segundo toiro. Andou com sobriedade, valentia e classe artística a que não é alheia a boa quadra de que dispõe, em particular para os curtos, quase toda originaria na sua coudelaria. Fortalecemos a convicção com que ficámos da Corrida Ovibeja 2009, está em condições de outros vôos...
O outro “S” da tarde, que não o inferior, é o de Santos. Célio Santos, “reforço 2009” dos Amadores de Cuba. Exemplo de estoicismo, entrega, espirito de sacrifício, querer, raça, alma.....essa alma que caracteriza o Forcado. Mas que nesta tarde parecia estar num só homem a de vários Grupos juntos. Acreditem... não estou a exagerar. Ante o quinto da ordem, com poder a empregar-se na viagem e a bater com dureza, de cima para baixo e para os lados, a tirar a cara com uma violência impressionante. O Forcado de cara fez três tentativas enormes (1ª,3ª e 4ª em que pegou já a sesgo e a resolver)e uma segunda soberba, onde aguentou uma barbaridade, bem mais de uma dezena de derrotes violentos, a maior parte deles sozinho ( ele... acreditou sempre que “lá ficava” o seu Grupo nem tanto, assim como nós), num esforço heróico e de determinação invulgar.
O curro espanhol de El Madroñal ostentou o seis na espádua direita. Bem apresentado e desigual de jogo, nota mais alta para as condições evidenciadas pelo quinto da ordem, de extrema nobreza, transmissão e bravura. Na generalidade foram encastados, alguma nobreza nos capotes, com muito “motor”, revelaram sentido, aprendendo com facilidade e o último da corrida o mais complicado e difícil, manso de solenidade.
Joaquim Bastinhas puxou da tarimba dos anos de toureio que leva no activo e resolveu de forma asseada a papeleta sem comprometer, deixou a ferragem da ordem no manso com sentido que abriu praça, com muita inteligência e eficiência. Andou mais ao seu estilo alegre e comunicativo no quarto, deixou o seu tradicional par de bandarilhas como remate de uma lide mais contagiante. No entanto, distante das suas grandes e “populares” tardes.
Quem também esteve longe das suas tardes contagiantes foi Sónia Matias. Tocou-lhe o pior lote, claramente. O seu segundo, manso fechado em tábuas sem dar um passo, nada mais permitia que deixar com muita transpiração a ferragem da ordem. O seu primeiro com sentido e a adiantar-se, foi para dentro com a ferragem deixada com mais valor que brilhantismo. Com recuso ao árabe novo, precioso na forma como se chegou ao toiro para deixar a ferragem.
Emoção enorme nas pegas.
Tarde de dureza para os três Grupos em Praça. Onde a alma, a tal.....que é preciso nestas ocasiões fez a diferença. Os Madroñales tinham muito motor, andavam pouco nas lides, investiam com a cara no sitio e pelo seu caminho, mas com muita pata e a derrotar alto e com poder, para além de muita facilidade em aprender a cada tentativa. Precisavam de muita coesão nas ajudas desde as primeiras até às terceiras. Sempre que houve coesão a ajudar, como os caras no seu papel, as tentativas consumaram-se em pegas.
A propósito o maioral da ganadaria confidenciou-nos que em Espanha, geralmente a novilhos como estes, metem-se três rojões de castigo para “poder” com eles.
Para além da já mencionada actuação dos Amadores de Cuba, referir que o primeiro toiro do Grupo, foi pegado por Nuno Rocha ( que recebeu mal) com decisiva ajuda de José Augusto o primeiro ajuda, tendo o grupo aberto na ajuda.
Pelos amadores de Cascais, Luis Camões fez uma tentativa enorme ao primeiro (saiu lesionado no fígado, felizmente sem a gravidade inicialmente apontada clinicamente) não foi ajudado com a coesão suficiente, assim como Joaquim Faísco nas três que fez a dobrar. Seguiram-se quatro entradas de cernelha (com um jogo de cabrestos “anão” e uma dupla de campinos, que não conseguia auxiliar a pega de forma eficiente, pois um dos elementos evidenciava muito “receio”, em chegar-se ao conjunto) por Francisco Troles e o já referido Joaquim Faísco (também ele longe da frescura física necessária, depois do desgaste das tentativas anteriormente realizadas), sem sucesso. De caras e já com a ameaça de recolha, resolveu Luis Amador a sesgo. O segundo dos Amadores de Cascais foi pegado por Hugo Bilro à segunda, depois de na primeira ter recebido o toiro descomposto.
Os Amadores de Beja pegaram o seu primeiro por Mauro Lança à quarta tentativa, a sego para resolver (o cara esteve sempre perfeito, em duas tentativas as ajudas não foram lestas a intervir e em outra, o toiro deu uma volta de “campana”, com o forcado na cara). O seu segundo o mais manso da corrida ( que deveria ter sido o terceiro da função, mas que teve de voltar aos currais para embolar, depois de ter rompido a embola e ficado com a “ponta” exposta) foi pegado por José Miguel Falcão na sua única tentativa, com ajuda de alto nível de Álvaro Sampaio (justamente chamado à praça no final) e todo o Grupo com decisão, a dobrar Aurélio Mendes, que recebeu mal e não se fechou na cara do último “comboio” que havia na estação de Garvão.
Exemplo de bom senso e tarimba de direcção de corrida por parte de Francisco Farinha, não desrespeitou o regulamento, percebeu que nas pegas com mais tentativas a luta era real e os Grupos podiam pegar os toiros, foi condescendente com os tempos e assim dirigiu de forma sóbria e diligente, sem nunca perder a autoridade, um espectáculo que fez aficcionados, devolveu ambiente à praça Dr. António Semedo e teve muitos pontos de interesse e sobretudo a raiz da festa: Arte e Emoção!!
Uma nota de particular significado para a homenagem que os cavaleiros prestaram à memória do falecido Cavaleiro Ouriquense, Jorge D’Ourique, que em dia de festa foi lembrado por seus conterrâneos e aficcionados que ali se deslocaram. Sendo essa Homenagem prestada na pessoa de seus filhos, Esposa e Pais, num acto carregado de forte emoção e que a todos sensibilizou, tal a forma como era querido entre os seus e os da festa...
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