domingo, 10 de maio de 2009

Palha, Passanhas e Forcados em Moura!!



Viveu-se a 9 de Maio a Corrida Olivomoura 2009. Um cartel caro e digno das maiores praças, com um preçário condizente, mas justificado e por isso não chocante. O publicou compreendeu isso mesmo e acorreu a preencher, com ¾ fortes a lotação do tauródromo Mourense.

O curro de Passanha, ferrado com o 5 e 4, estava muito no tipo da ganadaria, bem rematado e cuidado. Desigual de jogo, sendo de maior interesse o primeiro do espectáculo. Foi pena não se terem dado mais vantagens aos toiros na tarde, pois a presença que evidenciaram e a forma como saíam a procurar capotes e cavalo, fazia supor que teríamos maior transmissão e mais emoção, se lhes tivesse sido dada mais primazia de investida, nos inícios das lides.

Rui Salvador lidou como quis o primeiro que lhe tocou, de enorme codicia foi o parceiro ideal para uma lide de acerto na ferragem, depois de preparações criteriosas e em curto, chegou á bancada de forma séria e com correcção. Sofreu um encontrão forte contra tábuas...enraçou-se e terminou com poderio...Bem e a dizer que tem um passado de 25 de alternativa, rico e cheio de triunfos e um lugar de figura merecido! O seu segundo evidenciou problemas de visão, especialmente “ao perto”, bem toureado á voz, não recarregava e adiantava-se nas sortes. O cavaleiro Tomarense deu-lhe lide possivel e sem compromisso. Nota para a frequente manifestação de dor de Salvador, provavelmente ainda não refeito da lesão na virilha que o apoquenta desde inicio de época.

A base do Cartel estava em Diego Ventura. A maior parte do publico tinha nele a maior curiosidade. Diremos que ambas as lides se dividiram em duas fases distintas. Uma antes das tareias de capote aos toiros (durante as trocas de montada) a outra depois. Teve de tragar para parar ambos os Passanhas, chegou mesmo no primeiro a sofrer forte encontrão contra tábuas. Na segunda fase de cada toiro vieram então os numeros dos adornos e a colocação de ferros, com cites frontais em curto e de colocação de alto nível a receber o toiro, aproveitando as meias investidas, com batida ao píton contrário antes da reunião. Chegou ás bancadas por ferros pontuados com emoção. Provocou o delírio do conclave com algo que não consigo qualificar e que vale prémios, trofeus e publicidade. O público é soberano. Se todo o mundo aplaude e vibra com o número do cavalo a morder o toiro, lá saberá porquê. Para nós isto não é toureio! Assim como meter ferros de adorno em excesso, sobretudo a toiro parado sem dar passo, como no caso do seu primeiro. De qualquer forma, viram-se ferros de muita importância e trabalho e parece-nos que esse será o caminho, tem os cavalos na mão e com trabalho em cima, uma doma de gabarito e é valente. Por isso um pouco mais de classe, associada a alegria e garra que põe na praça e chegará a algo que, vimos menos de 48 horas antes no Campo Pequeno, ao seu grande competidor do momento.

Francisco Palha, “estagiário” de Diego, tem um conceito de toureio a cavalo muito parecido ao de seu primo Antonio Telles. O “miúdo” que tomará a Alternativa brevemente, teve uma actuação de classe, de toreria, de faculdades e conhecimento no seu primeiro. Com uma presença a cavalo impressionante para um jovem, preocupou-se em bregar o suficiente, para deixar o toiro nos terrenos que queria, viajou de frente, cravou de alto a baixo e ao estribo, rematou a rodar o píton e triunfou. Excelente a sua primeira actuação. No seu segundo, mais reservado e desde cedo a adiantar-se ao ferro com intenção de colher, vimos um Francisco que perdeu alguma chama apartir do momento em que sofreu um encontrão forte. Mas não deixou de evidenciar vontade em fazer bem feito, com critério mostrou que sabia o que tinha por diante e ainda assinou ferros de nota alta, assim como será de certo, o lugar a que chegará, se continuar a evoluir, como se pode hoje confirmar em relação ao ano passado. Boa presença em Moura e deixou muito ambiente.

No capitulo das Pegas um curro de Toiros a sério, que com facilidade aprendia de tentativa para tentativa. Assistiram-se a grandes pegas e a momentos de drama e emoção. E a dois Grupos á altura dos acontecimentos.

Por Montemor abriu João Cabral, duas tentativas perfeitas (faltou ajuda na primeira), João Caldeira, muito bem em todos os sentidos, revela um bom momento, o Grupo ajudou e a pega resultou vibrante à primeira. Fechou Noel Cardoso à segunda num Passanha que metia cara com violência, na primeira tentativa não foi rápido a fechar-se, na segunda corrigiu, foi bem ajudado de frente para trás e consumou uma grande pega.

O Grupo da casa, Real de Moura, teve em Rui Ameixa (2ª) o cara a um duro Passanha que se parava para bater, na primeira não “alegrou” a investida ao toiro e não mandou na reunião. Boa ajuda de José Marques. O conhecido “Penalty”. O mesmo que no segundo do Grupo, “pôs a carne no assador” para ajudar o lesionado Luis Monge em duas tentativas ( nunca se conseguiu sacar dos terrenos de um toiro que não via “ao perto” e vinha com a cara por cima “à voz”) e mais duas do valente Valter Rico, que vincaram o orgulho do forcado, ante as dificuldades e numa fase em que o toiro já sabia tirar a cara para trás na reunião, ao ponto de cara e 1º ajuda, terem ficado de pé na posição de agarrados ao toiro e este ter metido e tirado a cara, numa rapidez de muito sentido na terceira. Fechou com uma pega de poder à primeira, Cláudio Pereira, a um toiro que não se podia facilitar e se empregou na reunião e viagem, a coesão do Grupo foi decisiva.

Dirigiu sem problemas José Tinoca acessorado pelo Dr. João Infante a primeira corrida da época 2009 na cidade Salúquia. Uma época em que se segue um encierro de Miura, numa mini-feira a 17 e 19 de Julho. Uma nota de registo positivo para a forma organizada, coerente e profissional, como a Gestoiro está a conduzir a sua missão na praça de Moura.

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