sábado, 12 de junho de 2010

Competição à Chuva em Santarém


- Praça de Toiros: Monumental Celestino Graça em Santarém.
- Data: 10 de Junho de 2010 (Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades), pelas 17:30 horas.
- Empresa: Aplaudir.
- Ganadaria: Fermin Bohorquez.
- Cavaleiros: João Moura, Diego Ventura e João Moura Jr.
- Grupo de Forcados: Amadores de Santarém e Alcochete, capitaneados por Diogo Sepúlveda e Vasco Pinto, respectivamente.
- Assistência: ¾ casa.
- Banda: Sociedade Imparcial 15 Janeiro 1898 de Alcochete.
- Delegados da IGAC: Delegado Técnico Tauromáquico Sr. Manuel Jacinto, assessorado pelo Médico Veterinário Dr. José Luís Cruz.

Aquele que foi designado do cartel do ano, era um grande atractivo, para a 2ª Corrida da Feira de Santarém, pois repetia o cartel de 2009 numa das mais importantes praças do país, à excepção dos toiros que este ano vinham duma ganadaria com muito cartel em Espanha para o Rejoneo, mais concretamente da província da Cádiz. Bons Toureiros de várias gerações e 2 bons grupos de Forcados, para completar o cartaz.

Os toiros de Fermin Bohorquez, saíram bem apresentados no geral, com pesos que oscilaram entre os 500 e 570Kg, sendo que 2 deles tinham 3 anos. Quanto ao comportamento foram mansos na sua maioria e sem qualquer transmissão, á excepção do quinto que mostrou boas arrancadas e se ficou sempre pelos médios. Com toiros que não andassem “em câmara lenta”, talvez nem a chuva tivesse “roubado” 1/4 de casa…

João Moura, recebeu o seu 1º oponente com 2 compridos de frente e de boa execução. Seguiu-se a faena dos curtos onde o ginete de Monforte esteve ao seu melhor nível, mostrando um grande sentido de lide, com uma brega chegadíssima e ferros de grande qualidade, não se percebendo quase que o hastado era um manso perdido, tendo que se destacar, o primeiro e terceiro ferros curtos. No segundo do seu lote voltou a estar bem com 2 bons compridos, e uma lide sempre em crescendo que terminou com 3 palmitos que levantaram as bancadas, pecando apenas pelo excesso de ferros (7).

Diego Ventura, vinha para a competição com vontade, mas no seu primeiro toiro, que também era manso, não teve muito acertado, apesar de ter tido bons momentos como o 2º comprido e o 2º ferro curto, não chegando sequer a cravar todos os ferros da ordem. Para o quinto da tarde Ventura tinha que dar tudo… E deu muito daquilo que tem de bom. Com o melhor toiro da corrida, o Luso-espanhol puxou dos seus trunfos e começou logo por receber muito bem o toiro de saída, parando-o de forma exemplar com a garupa do cavalo. Depois esteve em bom plano com 3 ferros de antologia, provocando a investida, recuando com a montada e cravando o ferro com uma batida ao píton contrário, tudo bem feito. Pecou por não ter rematado estas 3 excelentes sortes, por ter prolongado os ferros, só para mostrar ao público, “Morante” a morder no toiro, num espectáculo que quanto a mim, só estraga as suas boas actuações.

João Moura Jr., também vinha para competir com o seu pai e com o líder do escalafón espanhol. Começou com uma boa lide, com sortes bem preparadas e rematadas, tendo na ligação montada-toiro o seu grande trunfo, faltando apenas mais emoção por parte do oponente para empolgar um pouco mais a actuação, de onde se destacam o primeiro e quinto curtos, este último um palmito que entusiasmou o público. No segundo voltou a ter pela frente um toiro sem transmissão, fazendo tudo correcto, com destaque para o 1º comprido e para o 2º curto, e com excelente brega, mas faltou-lhe um pouco de alegria, talvez pelo público ter começado a sair das bancadas ainda enquanto decorria a lide.

O G.F.A. de Santarém, na época que comemora 95 Anos de existência, abriu a função com um forcado da terra, Gonçalo Veloso que brindou a todo o grupo, para começar por citar bem e mandar na investida enquanto a chuva caia com intensidade, para depois se fechar mal na cara do toiro pois este saia com perigo e metia mal a cara. Na segunda tentativa repetiu-se a dose, para se fechar muito bem na cara do toiro, á terceira tentativa, já com as ajudas carregadas, e com o público a fugir da chuva nas bancadas. Para o terceiro da tarde saltou a trincheira António Grave de Jesus, que fez uma boa pega citando muito bem, a mandar no toiro, para depois se fechar com boa técnica, e apesar de o toiro levantar a cabeça e bater, todo o grupo correspondeu também muito bem. Para fechar a sua actuação saltaram para uma sorte de cernelha, David Romão e Ricardo Romão Tavares, que entraram por duas vezes de formas diferentes; na primeira decididos e juntos sendo desfeiteados pelo toiro e pelos cabrestos, na segunda Ricardo entrou sozinho com o toiro a descoberto e o rabejador teve apenas que conseguir completar a pega, que podia ter tido mais brilho…

Pelo G.F.A. de Alcochete, saiu para o segundo da tarde, Nuno Santana, que citou bonito e aproveitou bem a viagem do toiro, fechando-se á córnea, mas saindo da cara quando o toiro afocinhou. Corrigiu na segunda tentativa e toureou mais o toiro no momento da reunião fechando-se desta vez melhor á córnea, com o grupo a ajudar bem, mesmo com o toiro a entrar com pata pelo grupo. Ruben Duarte, foi o forcado que se seguiu, protagonizando a pega da tarde. Citou, mandou e templou, num toiro que saiu com pata, mas á voz firme do forcado, que se fechou muito bem á córnea e aguentou os derrotes dos toiro, com todo o grupo a ajudar bem para completar uma excelente pega. No último toiro da tarde deram os rapazes de Alcochete boa réplica, também com uma sorte de cernelha, executada por Daniel Silva e Marco Mota, mas voltaram a não ter muita paciência para esperar pelos cabrestos e entraram com o toiro parado em tábuas, apenas mais decididos que a anterior parelha, resolvendo á primeira tentativa mas sem brilho.

O Mais e o Menos.
+ A excelente competição que todos os intervenientes puseram dentro de praça.
– A falta de emoção que estes toiros deram.
- A chuva que fez fugir muita gente da bancada durante a primeira pega.
- A falta de respeito do público pelos forcados, saindo das bancadas durante as pegas, principalmente durante a primeira e última pega.

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