domingo, 13 de junho de 2010

Corrida do 95º Aniversário do Grupo de Forcados Amadores de Santarém


- Praça de Toiros: Celestino Graça, em Santarém
- Data:
12 de Junho de 2010, pelas 17.30 horas
- Empresa: Aplaudir, Lda.
- Ganadaria: Herdºs de Ernesto L. Fernandes de Castro
- Cavaleiros:
António Ribeiro Telles, João Salgueiro e João Moura Caetano
- Grupo de Forcados: Forcados Amadores de Santarém (antigos e actuais), capitaneados por Diogo Sepúlveda
- Assistência: ½ casa
- Delegados da IGAC:
Delegado técnico tauromáquico sr. Agostinho Borges, assessorado pelo médico veterinário Dr. José Luís Cruz.


Última Corrida da III Feira Internacional do Toureio Equestre de Santarém, por ocasião da Feira da Agricultura, em que se assinalavam os 95 anos da fundação do grupo de forcados mais antigo de Portugal em actividade. Em competição, pelo toureio equestre nacional, duas das mais destacadas figuras, que nesta temporada têm estado ao mais alto nível e um jovem cavaleiro que tarda em afirmar-se no panorama taurino português. Aliciantes que não foram suficientes para que o público comparecesse em força, mais que não fosse para celebrar o aniversário com o grupo de forcados da terra.

A anteceder o espectáculo, a presença, para mais uma acção de divulgação, da plataforma de defesa da festa “Protoiro”, com actuação do grupo de danças sevilhanas de Alcochete.

Os toiros vieram da conhecida Ganadaria de Herdeiros de Ernesto L. Fernandes de Castro e, para uma praça e para um evento desta categoria, apresentaram-se sem trapio (com excepção do primeiro), bem fora do encaste desta ganadaria, sendo que o último da ordem era um toiro para uma desmontável de um qualquer pueblo, mas nunca para uma das mais conceituadas praças no nosso país. Quanto a comportamento, cumpriram a sua função sem serem codiciosos e bravos o suficiente, com excepção do lidado em quinto lugar, que demonstrou nobreza e bravura, faltando-lhe, contudo, um pouco mais de chispa no momento da reunião.

António Ribeiro Telles
iniciou esta corrida cravando três ferros compridos, dos quais se destacaram os dois primeiros pela primorosa colocação. Perante um toiro que se adiantava muito e que se doía ao castigo, o maestro da Torrinha conseguiu dar a volta bem por cima. Sempre de frente e entrando pelo toiro dentro para cravar de alto a baixo, deixou cinco ferros curtos de bom nível (com excepção do quarto em que sofreu um toque na montada), com destaque para os 1º e 3º. Na sua segunda lide, perante um toiro mais colaborador, mas que faltava um pouco no momento de reunir, vimos mais uma grande actuação deste veterano cavaleiro, apesar de algumas passagens em falso por falta de toiro. Depois de três ferros compridos de execução bastante correcta, assistimos a momentos de brega primorosos e a cinco ferros curtos de excelente execução, sendo que o que cravou em quarto lugar foi de altíssimo nível.

João Salgueiro mostrou, uma vez mais o bom momento que atravessa, com duas lides de bom nível. Pena é que use e abuse das duas mãos nas rédeas para condução das montadas, um defeito que tarda em corrigir. Na sua primeira actuação deu mais importância aos remates com piruetas e à busca exagerada de aplausos por parte do público do que ao momento de cravar, o mais importante no toureio a cavalo à portuguesa. Depois de dois ferros compridos de boa execução, cravou quatro ferros curtos, com o primeiro e terceiro a acontecerem à garupa e o segundo a ser colocado em sorte a sesgo, para aproveitar a brega ao longo das tábuas. O último ferro curto, esse sim, foi de antologia, com colocação de frente, em reunião emocionante e com o toiro bem debaixo do braço. Ao segundo toiro que lhe coube em sorte, o cavaleiro da Valada deu uma lide baseada em sortes delineadas com base em forte batida ao piton contrário, o que, por vezes o obrigou a passar em falso. Deixou dois compridos de muito boa nota (pena o ligeiro toque na montada no 2º) e quatro de curtos de excelente nível, com excepção do terceiro que resultou um pouco a cilhas passadas. Nota negativa para as demasiadas intervenções dos seus subalternos no decurso da lide.

João Moura Caetano
teve pela frente o pior lote e não conseguiu entendê-los e dar-lhes as lides mais adequadas. Limitou-se a deixar os ferros da ordem e a sair sem pena nem glória. No final da primeira lide recusou-se a sair à arena e no final da sua segunda actuação limitou-se a agradecer no centro da praça. Tarde de poucas recordações esta do jovem cavaleiro de Monforte.

Para o Grupo de Forcados Amadores de Santarém a tarde era de aniversário e, portanto, de festa. Fardaram-se e pegaram antigos e actuais forcados, com grandes glórias da forcadagem a dar largas à sua aficion, compensando alguma falta de faculdades físicas com o saber de experiência feito. Abriu praça o cabo Diogo Sepúlveda que citou de largo, a fixar bem o toiro que queria ir-se, carregou e reuniu, fechando-se de braços, mas saiu com um forte derrote do toiro ao chegar às ajudas. Nas três tentativas seguintes não recebeu o toiro da melhor forma e não conseguiu reunir. Consumou à quinta tentativa com o grupo todo em cima, a resolver. No final saiu para saudar no centro da praça com o cavaleiro. Para o segundo da tarde saltou um dos antigos, Francisco Gameiro, que apesar de ter feito tudo depressa demais, conseguiu uma reunião com algum impacto e decisão, fruto da saída pronta e com pata do astado, para uma grande pega, bem fechada pelo grupo, apesar das ajudas extra, que eram desnecessárias. O antigo cabo do grupo Gonçalo da Cunha Ferreira foi à cara do terceiro toiro da tarde. Citou de largo e com voz, fixou o toiro que saiu a ensarilhar na viagem e o forcado não conseguiu reunir. No segundo intento não recebeu bem o toiro, consumando à terceira tentativa, com as ajudas carregadas. Nuno Varandas – mais um dos antigos – saiu para pegar o quarto da ordem. O toiro arrancou mal avistou o forcado e este não conseguiu a reunião, tendo o toiro passado ao lado. À segunda tentativa não se conseguiu fechar de braços e pernas, tendo concretizado à terceira entrada, com uma boa primeira ajuda. Gonçalo Veloso, um dos actuais e bons forcados, saltou tábuas para a pega ao quinto da corrida, cita de meia praça, o toiro arranca com prontidão e com muita pata, o forcado reúne muito bem e concretiza uma muito boa pega, com o grupo a fechar com coesão, destacando-se a primeira ajuda de Lopo de Carvalho. O último da tarde foi pegado de caras por Manuel Roque Lopes, numa rija pega e com os cabrestos na arena, depois de ser tentada a pega de cernelha por intermédio de António Cachado e Luís Assis, sem sucesso.


O Mais e o Menos
+ Os 95 anos do Grupo de Forcados Amadores de Santarém.
- A apresentação e trapio dos cinco últimos toiros, numa praça de 1ª categoria.
- O excesso de rigor (incompreensível) do director de corrida aquando da saída de Diogo Sepúlveda para agradecer os aplausos no centro da arena.
- A falta de critério do director de corrida na concessão de música durante as lides a cavalo, que deveria ser um prémio ao labor desenvolvido até aí e não uma mera formalidade que deve acontecer sempre e no mesmo momento.

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