terça-feira, 15 de junho de 2010

Pinhal Novo um caso sério de aficion


Um ano mais rumámos ao Pinhal Novo na data da sua corrida anual, neste ano um fim-de-semana taurino, com variedades também no domingo. É curiosa a carga aficionada que se respira numa localidade cada vez mais cosmopolita e menos arreigada aos costumes rurais, como tem acontecido com toda a margem sul ribeirinha do Tejo.

Não é diferente o ambiente de interesse e entusiasmo que por ali se respira em relação á festa brava, do que é actualmente perceptível em localidades com mais historia e vizinhas, como a Moita, Montijo ou mesmo Alcochete. Com outros eventos a decorrer em simultâneo e gratuitamente, ano após ano a casa se compõem de sobremaneira. Se for possivel ajustar a questão das sobreposições, é certa a lotação esgotada de novo. Parabéns á Associação Amigos da Festa Brava de Pinhal Novo. Um exemplo !



Quanto ao espectáculo teve de tudo, bom andamento, movimento, alegria e oportunidades de rodagem com vista ao futuro para os intervenientes, perigo e emoção.



No plano ganadeiro, embora pequenotes, os novilhos de José Lupi mostraram codícia na generalidade, andaram levantados (comportamento próprio da idade) mas deram jogo e houve mesmo belíssimos colaborantes.



As lides a duo não tiveram história embora movimentadas e com os toureiros a procurar ligar o possível. Modalidade a reequacionar, para bem do espectáculo, actualmente em nada ajuda ao mesmo. Ficaram assinaladas negativamente pela aparatosa colhida sofrida por Gilberto Filipe no último, em que montada lhe rolou por cima com o novilho a investir sobre o conjunto, momentos de aflição e que fizeram com que terminasse aí a mesma, por impossibilidade em o cavaleiro continuar e o colega Tito Semedo (muito bem), também não a continuou, quando esta já estava em fase final.



Luis Rouxinol andou fácil e comunicativo, em particular nos curtos deixados com a égua Viajante. Tito Semedo desembrulhou uma alegria positiva, sóbria, ligada com o público e que falta faz no seu toureio, a rodar montadas teve actuação de bom nível, com impacto e a deixar bom ambiente. Gilberto Filipe seguiu na nota dos seus companheiros de alternativa e embora inferiorizado por mazelas de queda recente (outra viria nesta noite), andou de frente com domínio e no russo Coimbra deixou ambiente e contribuiu para a noite. Marcelo Mendes, embora com um toque ou outro, não desmoralizou, ante um toiro reservado e foi para cima dele, encontrou soluções para deixar a ferragem com asseio e sair por cima, em plano de muito agrado por parte da audiência entusiasta.



No capitulo das pegas a noite não foi tecnicamente a melhor (longe disso), sobretudo no que toca aos forcados de cara. Mas levemos em linha de conta que foi muita a juventude chamada á responsabilidade.



Nos Amadores de Alcochete, Vasco Pinto operou uma revolução táctica, deixando na bancada a totalidade da formação habitual em todas as funções e deixando em miúdos a responsabilidade de resolver a papeleta, corresponderam, embora existam pegas para rever sobretudo ao nível dos caras e do reunir bem, com mando (assim se aprende para poder corrigir). Hugo Silva à 1ª, Joaquim Quintela à 1ª e Tomás Vale à 3ª.



Com excepção na extraordinária pega ao último da noite pelo cabo Sandro Patraquim (a um toiro com muita pata e com o qual esteve perfeito a mandar e a receber, aproveitando bem a saída extemporânea do oponente à 1ª). Os Amadores do Pinhal Novo padeceram do mesmo problema, falta de mando a receber os novilhos e a reunir de forma ortodoxa. José M. Tonaco despediu-se das arenas à 2ª e Pedro Coelho à 1ª foram os outros solistas pelo Grupo da casa.



Dirigiu o Sr. César Marinho, auxiliado pelo Dr. Patacho de Matos e com ferragem e embolação de Carlos Simões e José Alcachão.



Nota para a homenagem ao intervalo promovida pela Organização a elementos que tem, ao longo dos anos, ajudado a mesma. Prática que vem de edições anteriores, de um dia de festa e aficion em Pinhal Novo e que merece o reconhecimento de toda a aficion.

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