domingo, 8 de agosto de 2010

Corrida de Homenagem à Mulher Alentejana na Terrugem


- Praça de Toiros: Terrugem

- Data: 07 de Agosto de 2010, pelas 22.30 horas
- Empresa: Francisco Leitão e Carlos Calado
- Ganadaria: Gregório Oliveira
- Cavaleiros:
Sónia Matias e Ana Batista.
- Cavaleiro Praticante: Verónica Cabaço
- Cavaleiro Amador: Maria Mira.
- Grupo de Forcado: Forcados Amadores de Portalegre, de Setúbal e de Monsaraz, capitaneados por Fernando Coelho, António Mirrado e David Rodrigues, respectivamente.
- Assistência: ¾ de casa
- Delegados da IGAC:
Delegado técnico tauromáquico sr. António dos Santos, assessorado pelo médico veterinário Dr. José Tenório Guerra.

Corrida de homenagem à mulher alentejana, na comemoração dos dez anos de alternativa de Sónia Matias e Ana Batista, por ocasião das festas em honra de Santo António da Terrugem e com a participação de duas jovens cavaleiras, uma praticante e uma amadora, uma delas alentejana. Para as pegas dois grupos alentejanos e um da Estremadura, mas com muitos elementos oriundos do Alentejo.

Os toiros pertenciam à ganadaria de Gregório Oliveira, tinham três e quatro anos de idade e pesos entre os 425 e os 480 kg. Bem apresentados e com trapio suficientes para uma praça desta categoria, mostraram-se reservados e mansos, com excepção dos primeiro e quartos da noite que tiveram mais mobilidade e voluntariedade nas investidas. O que saiu em 2º lugar pareceu-nos que era mal visto.

Sónia Matias teve pela frente o melhor lote da corrida e assinou os melhores momentos da noite. Na sua primeira lide deixou dois compridos regulares, para, nos curtos, brindar o público com dois ferros de muito boa nota (os 1º e 3º), deixados em sortes frontais e cingidas. Finalizou com o número que vem tornando habitual e de que o público das nossas praças aprecia: um ferro curto e um de palmo em sortes de violino. A sua segunda actuação não teve o nível da primeira, fruto das constantes intervenções dos seus subalternos, que não perderam um momento morto da lide para mostrarem os seus dotes toureiros. Na retina ficou um grande ferro curto, o primeiro da série, de bom nível quer na preparação, quer na execução da sorte.

Ana Batista, voltou a não ter a sorte do seu lado. No sorteio calhou-lhe o pior lote e a cavaleira não lhe conseguiu dar a volta por cima. No seu primeiro andou aliviada na execução das sortes, abrindo em demasia o quarteio na hora de deixar os ferros. No seu segundo optou por cravar os ferros antecedidos de batida ao piton contrário o que lhe retirava o toiro debaixo do braço no momento do ferro. Os melhores ferros foram cravados a sesgo, quando os astados já não saiam de tábuas.

Verónica Cabaço, perante um toiro reservado e tardo nas investidas, denotou um bom conceito na arte de montar a cavalo, mas não mostrou possuir soluções para resolver o problema do toiro que teve pela frente. Os ferros compridos não resultaram de todo correctos e, nos curtos, apenas os dois primeiros foram de nota positiva. Os restantes, com o toiro a descair para tábuas, foram deixados da forma possível e com muito esforço.

Maria Mira, a mais jovem da noite, mostrou alguns bons apontamentos, mas precisa ainda de melhorar muito, de trabalhar muito, tendo ainda um longo caminho para percorrer até alcançar os seus desideratos no mundo do toureio equestre. Está, contudo, no bom caminho. Pena foi que o director de corrida não tenha permitido a cravagem de mais um ferro para além do tempo regulamentar, quando anteriormente autorizou tudo e mais alguma coisa, pois são os mais novos que mais precisam de tourear e os que menos oportunidades têm para o fazer.

No capítulo das pegas abriu praça o Grupo de Forcados Amadores de Portalegre por intermédio de Miguel Zagalo, que citou de largo e, perante a arrancada pronta do novilho, fechou-se correctamente de pernas e braços para uma muito boa pega, bem ajudado pelo grupo. Para pegar o quarto da noite saiu Nelson Nabiça, forcado da terra, que consumou uma rija pega ao segundo intento, com o grupo mostrar coesão, depois de na primeira entrada, com o toiro a sair solto de tábuas, não ter conseguido reunir.

Pelo Grupo de Forcados Amadores de Setúbal saiu para pegar o segundo da ordem e Fábio Caeiro que iniciou o cite nos médios, fixou bem o toiro, mandou vir e reuniu correctamente para uma boa pega, com boa ajuda do grupo. Para o quinto da noite saltou o cabo António Mirrado que nas duas primeiras tentativas não esteve bem a receber o toiro, que arrancava pronto e com franca insvestida. Consumou à terceira, com ajudas carregadas e com algumas ajudas extra. Apesar disso, saiu espontaneamente para a volta à arena, esquecendo-se que, também nestes momentos, o cabo deve ser exemplo para os restantes elementos do grupo.

Foram solistas pelo Grupo de Forcados Amadores de Monsaraz, para pegar o terceiro da noite, David Feijão que, com um toiro muito reservado pela frente, que saiu para o forcado avisado pelos capotes, não recebeu da melhor forma, mas, com o toiro a não complicar, consumou a pega, com boa ajuda do grupo. Ricardo Cardoso, diante do toiro mais pequeno da corrida, consumou também uma pega limpa, sem dificuldades por parte do astado e com boa ajuda do grupo.

O Mais e o Menos
+ A organização cuidada da corrida, com um sistema de som que ajudou na identificação dos intervenientes no espectáculo.
- A atitude do director de corrida ao recusar a colocação de mais um ferro à cavaleira Maria Mira, sem qualquer motivo e/ou critério que o justificasse.

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