sábado, 7 de agosto de 2010

Na Corrida das Mulheres em Alpalhão Mandaram os Toiros

- Praça de Toiros: Alpalhão

- Data: 06 de Agosto de 2010, pelas 22.00 horas
- Empresa: Gestoiro
- Ganadaria: Ganadaria Espanhola de Dehesa de Guadarrama
- Cavaleiros: Sónia Matias, Ana Batista e Joana Andrade
- Grupo de Forcado: Forcados Amadores de Portalegre e de Arronchas, capitaneados por Fernando Coelho e Ricardo Nunes, respectivamente.
- Assistência: ¾ fortes de casa
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico sr. Manuel Jacinto, assessorado pelo médico veterinário Dr. Francisco Barata.

Mais uma corrida da mulher, desta vez integrada nas Festas de Verão da localidade alentejana de Alpalhão. No cartel as duas cavaleiras mais consagradas do panorama taurino nacional, que este ano comemoram dez anos de alternativa e uma recém doutorada. Para as pegas dois grupos de forcados alentejanos em saudável competição. O público correspondeu preenchendo a quase totalidade dos lugares desta castiça praça.

Os toiros – como vem sendo hábito nesta temporada – vieram da ganadaria espanhola Dehesa de Guadarrama e estavam todos marcados com o 7 na espádua, o que indica que eram novilhos. Bem apresentados e com trapio, em termos de comportamento, no geral, foram mansos, sem excepção, distraídos e desinteressados, dificultando o labor de cavaleiros e forcados. Destaque, pela negativa, para o 5º da noite – a contrariar o ditado taurino de que no hay quinto malo – um manso perdido e de lide quase impossível, negando-se a investir, fossem quais fossem os terrenos.

Iniciou a noite de lides equestres a cavaleira Sónia Matias que na sua primeira presença em praça não esteve no seu melhor. Perante um novilho reservado – como todos os desta noite – não conseguiu dar-lhe a volta e esteve uns furos abaixo daquilo que era desejável. Não mexeu no novilho como este requeria e esteve desastrada na cravagem dos ferros, ora falhando o novilho, ora sofrendo toques na montada. No final saiu espontaneamente para agradecer nos médios. A sua segunda lide foi diferente, se bem que composta por duas partes bem distintas. Começou por deixar dois ferros compridos de forma correcta, com destaque para o segundo, colocado em sorte à tira bem desenhada. Continuou com a mesma montada nos curtos e com ela colocou dois ferros de bom nível, em sortes frontais e com reuniões ajustadas. Mudou de montada e mudou de critérios: um curto e um palmo em sortes de violino e mais um palmo, fizeram com que o público a aplaudisse de pé.

Ana Batista, para além de ter pela frente o pior novilho da corrida, esteve um pouco irregular na sua primeira prestação. Saiu a deixar um ferro comprido de alto nível, em reunião emocionante e de excelente colocação, mas depois foi alternando bons ferros com outros menos conseguidos, fruto de uma maior preocupação com os alardes do que com o momento supremo que é a cravagem dos ferros. No seu segundo, um manso perdido e de lide quase impossível, que se negava à peleia, foi deixando ferros como pôde, com a preciosa ajuda dos seus subalternos, resolvendo o problema da forma possível. No final saiu espontaneamente para a volta.

Joana Andrade, que há bem pouco tempo tomou a alternativa de cavaleiro profissional, denotou ainda bastantes carências. Saiu com ganas de triunfar, recebendo o toiro com um ferro comprido à porta gaiola, em que sofreu um toque na montada, mas que valeu pelas intenções demonstradas. Depois nada mais de positivo conseguiu fazer, misturando ferros pescados, com outros de defeituosa colocação. Apenas o 2º curto e o violino com que encerrou a lide foram correctos na colocação. No final, também espontaneamente, saiu para a volta. Para a sua segunda lide as coisas melhoraram, mas pouco. Pecou novamente na colocação, abrindo o novilho com um comprido de colocação descaída e dos restantes, em sortes aliviadas, apenas os primeiros dois curtos resultaram com alguma correcção. Para o final guardou um violino em terrenos apertados de tábuas e um palmo que foi colocado com a ajuda do bandarilheiro.

Para os forcados a noite também não foi nada fácil. Abriu praça o Grupo de Forcados Amadores de Portalegre por intermédio de Ricardo Almeida, que, perante a arrancada pronta do novilho, com pata e a derrotar alto, não conseguiu reunir. À segunda entrada, encurta distâncias, consegue reunir, mas não aguenta os fortes derrotes do novilho. Consumou à terceira tentativa com o grupo em cima e em reunião imperfeita. Para a cara do terceiro foi André Rodrigues, que citou com calma, fixando bem o novilho, reuniu muito bem, viajou sempre sozinho na cara do toiro, aguentando todos os derrotes até ser despejado junto às tábuas, com os ajudas a verem passar. À segunda, embora com o novilho já mais reservado, o grupo corrigiu e conseguiu consumar uma boa pega, desta vez vem ajudado. O pior novilho e o mais pesado da corrida, foi para o experiente e valoroso Nelson Nabiça, que perante um astado que não investia, teve que desfazer por duas vezes e mudar os terrenos, colocando o novilho praticamente nos médios. Ainda assim, só saiu para o forcado avisado pelos capotes. O forcado reuniu bem, aguentou os fortes derrotes e o grupo apenas conseguiu consumar a pega com a colaboração de ajudas extras.

Pelo Grupo de Forcados Amadores de Arronches saiu para pegar o segundo da ordem e primeiro do seu lote o forcado Paulo Florentino que, perante um novilho também muito reservado, que pedia que o forcado entrasse nos seus terrenos, consumou à segunda tentativa, com algumas dificuldades nas ajudas e numa reunião menos conseguida, depois de não conseguir a reunião na primeira entrada. Fábio Mileu citou de largo, o novilho arrancou com pata, recuou e reuniu bem para uma boa pega, bem ajudado pelo grupo que mostrou coesão. Para o último da noite foi escolhido Fábio Meira que concretizou uma pega sem complicações por parte do novilho, apesar da arrancada pronta e com pata, com boa ajuda dos restantes elementos do grupo.

O Mais e o Menos
+ A presença de muito público nas bancadas.
- A duração do espectáculo (mais de 3 horas).
- A entrada de público no decorrer das lides.
- A falta de silêncio durante as pegas.
- O pessoal de serviço na porta dos curros que atrasou a recolha do 4º novilho da corrida.

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