domingo, 8 de agosto de 2010

Regressaram ao Alvor as noites de touros


Passados alguns anos do empresário Fernando Santos, ter organizado corridas de touros e outros espectáculos de cariz taurino na vila de Alvor, estes regressaram no dia 5 com uma corrida de touros com cartel a fazer inveja a qualquer taurodromo fixo cá do burgo.

Cumpriram em apresentação os três hastados de Manuel e Mário Vinhas e em comportamento os de Conde Cabral.

Com casa quase cheia, a direcção eficiente de Lourenço Luzio, assessorado na pelo Dr. Salter Cid e a Banda da Sociedade Portimonense fizeram as cortesias os cavaleiros João Moura, Felipe Gonçalves e Brito Paes, acompanhados das quadrilhas de peões de brega e os forcados do Aposento da Moita.

João Moura (pai), em local algum facilita a vida aso seus oponentes e aos seus companheiros de cartel. Logo no que abriu praça sentiu o calor das ovações nas farpas e com o cavalo Villa, “marcou 6 golos” fazendo jus ao nome do cavalo e a fazer inveja ao jogador da selecção espanhola. Ladeando na cara do hastado, primando na brega para depois cravar com o acerto de uma mão sábia habituada a milhares de movimentos repetitivos de colocação de bandarilhas. Moura adornou-se nos remates, no segundo e quarto partiu recto (para calar alguns) e acabou com duas rosas. Com o touro Conde Cabral, aproveitou a doçura do mesmo e se com o Da Vinci esteve asseado, com o Merlim proporcionou mais uma vez um quadro impressionante de beleza, arte, poderio e domínio total do hastado no remate das sortes, expondo a montada à colhida com o toiro a encostar os cornos na espádua ou estribo do ginete de Monforte.

Se o próprio Moura tinha colocado a fasquia elevada a si próprio, difícil seria igualar ou superá-la, mas desenganem-se aqueles que davam o Moura como acabado, foi buscar Descarado, e descarado esteve Moura e a montada na colocação do curto e a rosa com o público rendido, entregue o ovacionou de pé.

Felipe Gonçalves, de cognome furacão ou ciclone do Algarve, fez jus ao seu nome, tornou-se um cavaleiro popular, sem correr o risco de ser popularucho, lida com alegria, consegue uma ligação com o público que faz necessária a sua integração noutros cartéis. Esta integração faria certamente a quebra da monotonia de certos cartéis e teria outra alegria a certas praças.

Saiu nos dois hastados com o Açúcar, esta montada permite-lhe dobrar-se bem com os brutos e colocar as farpas ao agrado do conclave.

No Chibanga (ferro Varela Crujo), “picado” pela actuação de Moura, Felipe não quis ficar em plano inferior, e não ficou, ladeou, deu distância o touro, aguentou os derrotes do Conde Cabral. Tal como Moura, Felipe obrigou-se a superar a si próprio, e para tal foi buscar o Zidane para colocar um par de bandarilhas de valor com o hastado nos médios deixando-se ver o cavaleiro e levantando o público das bancadas.

No quinto da ordem com o Universo (ferro Felipe Gonçalves), muito labor teve na lide do Vinhas (manso e encastado dando os arriões próprios dos desta qualidade), ladeou na cara do hastado (a duas pistas como dizem os espanhóis) e depois a cravar rematando as lides com primor. No quarto curto a pirueta que fez na cara do hastado foi fortemente ovacionado e Felipe viu-se obrigado à colocação de um violino e um ferro de palmo.

Brito Paes, perante o aperto em que estava metido, só teve de ter cabeça, gerir as duas lides por forma a não sair em plano inferior, e cumpriu, muito fruto da sua entrega, da quadra de cavalos e do bom calção que é fruto da escola que teve. Com o Actor (Herdade da Caniceira) coloca uma tira de fazer inveja aos mais puristas e com o Nordeste (Vinhas) as quatro cambiadas resultaram em outros tantos ferros, adorna a lide com o Zarco. A fechar praça com o Violino (Ascenção Vaz) cumpre nos compridos e depois com o Triunfador (Vinhas) aguenta com serenidade as investidas do Vinhas bruto e agressivo tendo no terceiro curto o melhor de todos, partindo recto, elevando bem o braço e num movimento quase em câmara lenta deixa o ferro no morilho do hastado. Perante os aplausos do público com o Sueste crava com ligeira batida ao piton contrário e o público sai satisfeito da tourada.

Tiago Ribeiro comandou bem os seus rapazes, fez rodar jovens forcados, mostrou disciplina e estar a conduzir um grupo que se afirma e cimenta em cada temporada.

Tininho (João Garcia) 2ª, Vítor Epifânio 1ª e volta para o primeiro ajuda José Maria, Salvador Coelho 1ª, Frederico Morais 1ª com o grupo bastante homogéneo nas ajudas, Rui Pedro 3ª, Gustavo Murteira 1ª.

1 comentário:

  1. Foi com grande prazer que estive presente (não podia faltar) para assistir ao regresso das corridas de touros em Alvor.
    Minhas fotografias podem ser vistas aqui:
    http://www.flickr.com/photos/jctsoares/sets/72157624566074849/with/4876728343/

    Abraço deste Vilafranquense casado com uma Alvoreira :)

    João Carlos Soares

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