
Passados alguns anos do empresário Fernando Santos, ter organizado corridas de touros e outros espectáculos de cariz taurino na vila de Alvor, estes regressaram no dia 5 com uma corrida de touros com cartel a fazer inveja a qualquer taurodromo fixo cá do burgo.
Cumpriram em apresentação os três hastados de Manuel e Mário Vinhas e em comportamento os de Conde Cabral.
Com casa quase cheia, a direcção eficiente de Lourenço Luzio, assessorado na pelo Dr. Salter Cid e a Banda da Sociedade Portimonense fizeram as cortesias os cavaleiros João Moura, Felipe Gonçalves e Brito Paes, acompanhados das quadrilhas de peões de brega e os forcados do Aposento da Moita.
João Moura (pai), em local algum facilita a vida aso seus oponentes e aos seus companheiros de cartel. Logo no que abriu praça sentiu o calor das ovações nas farpas e com o cavalo Villa, “marcou 6 golos” fazendo jus ao nome do cavalo e a fazer inveja ao jogador da selecção espanhola. Ladeando na cara do hastado, primando na brega para depois cravar com o acerto de uma mão sábia habituada a milhares de movimentos repetitivos de colocação de bandarilhas. Moura adornou-se nos remates, no segundo e quarto partiu recto (para calar alguns) e acabou com duas rosas. Com o touro Conde Cabral, aproveitou a doçura do mesmo e se com o Da Vinci esteve asseado, com o Merlim proporcionou mais uma vez um quadro impressionante de beleza, arte, poderio e domínio total do hastado no remate das sortes, expondo a montada à colhida com o toiro a encostar os cornos na espádua ou estribo do ginete de Monforte.
Se o próprio Moura tinha colocado a fasquia elevada a si próprio, difícil seria igualar ou superá-la, mas desenganem-se aqueles que davam o Moura como acabado, foi buscar Descarado, e descarado esteve Moura e a montada na colocação do curto e a rosa com o público rendido, entregue o ovacionou de pé.
Felipe Gonçalves, de cognome furacão ou ciclone do Algarve, fez jus ao seu nome, tornou-se um cavaleiro popular, sem correr o risco de ser popularucho, lida com alegria, consegue uma ligação com o público que faz necessária a sua integração noutros cartéis. Esta integração faria certamente a quebra da monotonia de certos cartéis e teria outra alegria a certas praças.
Saiu nos dois hastados com o Açúcar, esta montada permite-lhe dobrar-se bem com os brutos e colocar as farpas ao agrado do conclave.
No Chibanga (ferro Varela Crujo), “picado” pela actuação de Moura, Felipe não quis ficar em plano inferior, e não ficou, ladeou, deu distância o touro, aguentou os derrotes do Conde Cabral. Tal como Moura, Felipe obrigou-se a superar a si próprio, e para tal foi buscar o Zidane para colocar um par de bandarilhas de valor com o hastado nos médios deixando-se ver o cavaleiro e levantando o público das bancadas.
No quinto da ordem com o Universo (ferro Felipe Gonçalves), muito labor teve na lide do Vinhas (manso e encastado dando os arriões próprios dos desta qualidade), ladeou na cara do hastado (a duas pistas como dizem os espanhóis) e depois a cravar rematando as lides com primor. No quarto curto a pirueta que fez na cara do hastado foi fortemente ovacionado e Felipe viu-se obrigado à colocação de um violino e um ferro de palmo.
Brito Paes, perante o aperto em que estava metido, só teve de ter cabeça, gerir as duas lides por forma a não sair em plano inferior, e cumpriu, muito fruto da sua entrega, da quadra de cavalos e do bom calção que é fruto da escola que teve. Com o Actor (Herdade da Caniceira) coloca uma tira de fazer inveja aos mais puristas e com o Nordeste (Vinhas) as quatro cambiadas resultaram em outros tantos ferros, adorna a lide com o Zarco. A fechar praça com o Violino (Ascenção Vaz) cumpre nos compridos e depois com o Triunfador (Vinhas) aguenta com serenidade as investidas do Vinhas bruto e agressivo tendo no terceiro curto o melhor de todos, partindo recto, elevando bem o braço e num movimento quase em câmara lenta deixa o ferro no morilho do hastado. Perante os aplausos do público com o Sueste crava com ligeira batida ao piton contrário e o público sai satisfeito da tourada.
Tiago Ribeiro comandou bem os seus rapazes, fez rodar jovens forcados, mostrou disciplina e estar a conduzir um grupo que se afirma e cimenta em cada temporada.
Tininho (João Garcia) 2ª, Vítor Epifânio 1ª e volta para o primeiro ajuda José Maria, Salvador Coelho 1ª, Frederico Morais 1ª com o grupo bastante homogéneo nas ajudas, Rui Pedro 3ª, Gustavo Murteira 1ª.
Foi com grande prazer que estive presente (não podia faltar) para assistir ao regresso das corridas de touros em Alvor.
ResponderEliminarMinhas fotografias podem ser vistas aqui:
http://www.flickr.com/photos/jctsoares/sets/72157624566074849/with/4876728343/
Abraço deste Vilafranquense casado com uma Alvoreira :)
João Carlos Soares