segunda-feira, 14 de março de 2011

Boa forma dos Artistas em princípio de época e boa receita para a “Abrigo”

- Praça de Toiros de Alcochete
- Data: 13 de Março de 2011
- Empresa: Toiros e tauromaquia
- Ganadarias: Passanha, Fermin Bohorquez, La Dehesilla, José Lupi, Falé Filipe, S. Torcato e Ortigão Costa.
- Cavaleiros: António Ribeiro Telles, Fermin Bohorquez, Vitor Ribeiro e Manuel Lupi
- Matadores de toiros: Vitor Mendes, Dávila Míura e Luis Vital “Procuna”
- Grupos de Forcados Amadores: Amigos da Abrigo, capitaneados por João Simões, ex-cabo do Aposento da Moita
- Assistência:Casa cheia
- Delegados da IGAC: Delegado técnico tauromáquico Sr. Pedro Reinhardt, assessorado pelo médico veterinário Dr. Carlos Santos.
- Banda: Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete
- Cornetim: José Henriques.

No início do espectáculo foi guardado um minuto de silêncio em memória dos senhores Vaz Monteiro, Ortigão Costa e Mário Freire. Gente que tanto deu à festa e recentemente desaparecida do nosso convívio.

Mais uma vez, a quarta consecutiva, se realizou o festival em favor da Abrigo, associação que se dedica à causa das crianças e jovens em risco e o público correspondeu com uma enchente.
É com este festival que se abre a época em Alcochete e em boa a hora se o faz, não só pela causa em si, mas também pela entrega dos artistas e ganaderos que querem mostrar a sua forma e os seus produtos para a época que agora começa.

Com todos os artistas e ganaderos a actuarem de forma gratuita, estiveram presentes toiros e toureiros de ambos os lados da fronteira, mostrando quanto é internacionalista a solidariedade das gentes dos toiros.
No intervalo foram agraciados todos os intervenientes no espectáculo.
Os toiros vinham ferrados com o número 7: Fermin Bohorquez, Falé Filipe e Ortigão Costa, e número 8: Passanha, La Dehesilla, José Lupi e S. Torcato.

Abriu a função António Ribeiro Telles, com a forma de um mestre e as ganas de um praticante que quer subir na profissão. Com o Passanha a fechar-se em tábuas, mostra um querer e uma raça que o leva a levantar as bancadas com o seu toureio simples e directo, com vantagens ao toiro e um labor de quem sabe e quer dar a volta à situação, com ferros em sortes sesgadas ou de frente, rematando com uma rosa que chegou ao público.

Fermin Bohorquez tinha pela frente um toiro da sua ganadaria. Feio de tipo, com a córnea fechada a dar que fazer ao cavaleiro. As preparações foram longas, para os primeiros ferros tendo chegado o primeiro aviso, quando apenas estavam cravados dois curtos. Não dando ouvidos aos avisos, trocou de montada e cravou ferros contra a ordem do director de corrida. Com uma lide vistosa e alegre, pôs o público de pé. Pena foi a falta de respeito pelas ordens do director. Para além de não lhe ter autorizado os últimos ferros que cravou, também não lhe autorizou a volta à arena e ele deu duas.
Faltou bom senso a ambos!

Vitor Ribeiro veio dizer-nos que está em grande forma, toureando de frente, ao piton contrário, dando vantagens, com um reportório variado e bem montado. Boa noção das distâncias e dos tempos, deu lide adequada ao de La Dehesilla vendo-se muito a gosto no melhor toiro dedicado à lide equestre.

Manuel Lupi trouxe a calma e os vagares frente a um toiro da sua casa. Fazendo tudo sem pressas, frente a um toiro que o permitia, sem apertar, sempre num galope cadenciado bem ao jeito dos Murubes. Tudo supless, até perecia que era simples fazer aquilo.
Na lide a pé perfilou-se o Maestro Vitor Mendes, homenageado pela Abrigo, pelos seus 30 anos de alternativa e pela ajuda incondicional na preparação destes festivais.

Não teve sorte o matador de Marinhais. O “Falé Filipe” não quis participar na homenagem, e depois de o ter recebido com o capote com bonitas chiquelinas, primeiro a pés fixos e depois galeadas, tafalleras e parons, partilhou o tércio de bandarilhas com dois alunos seus, tendo, especialmente o segundo, cravado um excelente par de bandarilhas. O maestro cravou o seu par com toda a sua mestria e saber. Com a muleta o toiro acabou. Bem porfiou o matador Vitor Mendes, mas não havia nada a fazer. O público aplaudiu-o pelo que fez e pelo que gostava de o ter visto fazer. Fica para a próxima.
Embora solicitado pelo público, o toureiro não quis dar volta à arena.

Dávila Míura, matador também retirado, teve pela frente um S. Torcato, o melhor da lide a pé.
Recebido com uma série de verónicas rematadas com meia. O tércio de bandarilhas esteve a cargo dos alunos de Vila Franca. O primeiro foi volteado, o segundo esteve bem. Com uma lide cheia de temple e variada, em crescendo, com bonitas séries por ambos os lados e em redondo, foi um regalo para os olhos ver este novilho nas mãos de Dávila Míura.
Volta merecidíssima.

Coube a Luis Vital “Procuna” fechar o espectáculo com um Ortigão Costa com quatro anos e algum sentido. Pouco toureio de capote e um tércio de bandarilhas, onde sabe brilhar. Dois pares a quarteio, cravados em terrenos apertados, e um violino, fizeram vibrar o público. Na muleta, o toiro não repetia e foi preciso muito labor para conseguir algumas séries dignas de nota, mormente uma pela esquerda.
No fim o público permeou-o com uma volta

Quanto às pegas, João Simões, cabo dos forcados Amigos da Abrigo, escalou Fernando Quintela para pegar o primeiro da ordem. Bem no cite, encurtando distâncias, o toiro arrancou franco sem fazer mal, e a pega consumou-se com o grupo a ajudar bem.
Volta para cavaleiro e forcado.
Para o de Fermin Bohorquez, fechado de córnea, saltaram à arena Tiago Ribeiro e Bernardo Cardoso para a pega de cernelha. A pega foi consumada à segunda entrada, com espectáculo. Pena que o cernelheiro se agarrasse a uma bandarilha e não à cernelha do toiro. No final, o espectáculo de sempre de Tiago Ribeiro a rabejar, saindo com desplante.
Duas voltas com o cavaleiro.
Coube a Álvaro Dentinho pegar o de La Dehesilla, que havia sido o melhor até então, e não o foi menos nos forcados. Quando o forcado o mandou, arrancou e entrou franco pelo grupo, sendo parado junto às tábuas, sem complicar.
Volta merecida para cavaleiro e forcado.
Diogo Amaro foi o escolhido para fechar a corrida, no que às pegas dizia respeito.
Embora de pequena estatura, citou com calma e agarrou-se com alma. Pega vistosa, num toiro com muita pata, mas que também não complicou. Bem ajudado, o grupo fechou a preceito.
Volta para cavaleiro e forcado.

O Mais e Menos
+ O facto de todas as pegas de caras terem sido à primeira tentativa.
+ A entrega e a boa forma dos participantes.
+ O fim a que se dedicava este festival e a resposta do público, bem como a disponibilidade das gentes da festa, quando se trata de solidariedade.
+ Mais uma vez a presença do senhor secretário de estado da cultura, num espectáculo de toiros.
- A falta de bom senso de Fermin Bohorquez e do director de corrida.

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