sábado, 15 de maio de 2010

Noite solidária em Elvas


O Coliseu de Elvas abriu as suas portas para um Festival Taurino a favor da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Elvas. A nobreza da causa levou a que o coliseu tivesse uma excelente entrada de público com cerca de três quartos preenchidos.


Abriu praça o amador Mateus Prieto que prestava neste festival prova para cavaleiro praticante; começou da melhor forma a sua lide com dois bons ferros compridos, seguiu em bom tom nos curtos, com algumas imprecisões pelo meio; houve algum exagero na tentativa de querer fazer muito em apenas um toiro, ficou provado que por vezes, ou quase sempre a quantidade é inimiga da qualidade. Ainda assim mereceu sem sombra de dúvidas entrar com o pé direito nesta sua nova carreira de cavaleiro praticante.


Joaquim Bastinhas apesar de ter tido uma lide correcta e interessante, não teve uma lide “à Bastinhas”; basta dizer que nem colocou o tradicional par de bandarilhas, rematou a sua lide com um bom ferro de palmo; certamente que não era a lide que o cavaleiro Elvense sonhou para esta noite, mas o novilho toiro vindo de Fontalva a mais não permitia, chegou ao fim da lide quase sem forças sequer para entrar para os curros.

Rui Salvador, é um cavaleiro que pouco tem actuado esta época, contudo não podia ter corrido da melhor forma esta actuação do cavaleiro de Tomar,

foi logo no primeiro curto que a música começou a tocar para não mais parar, abrilhantou assim uma lide enorme e cheia de valor, mostrou em Elvas que está preparado para as grandes corridas e para os grandes cartéis por mérito exclusivamente próprio. Pena foi que o público (a grande parte dele) não tivesse reconhecido da melhor forma a actuação do cavaleiro, pois decidiu abandonar as bancadas para intervalo (sem que alguém tivesse anunciado ainda que havia) o que levou a que o cavaleiro tivesse dado volta de agradecimento com as bancadas meio vazias. Fica o reparo, pois além de uma das lides, senão a lide da noite, Rui actuou (como todos os outros) em Elvas de forma desinteressada e altruísta e só isto merecia todo o nosso respeito.

Ana Batista deixou o seu belo aroma em Elvas; toureou de forma templada e tocante, conseguiu transmitir da melhor forma a expressão toureira e feminina, a Ana é uma cavaleira que dá um toque de classe enorme em cada cartel que entra, tem uma áurea positiva e isso não deixa ninguém indiferente.

Marcos Tenório tem vindo a afirmar-se com o seu valor e garra em cada corrida que actua, e na sua terra então não facilita em nada, depois de uma enorme queda (entrou nos terrenos do toiro), felizmente sem consequências logo no segundo comprido, troca de montada e entra em praça com a garra própria do Clã Bastinhas, e ofereceu-nos uma lide de grande valor perante um toiro que descaia um pouco para tábuas, mas isso não foi problema para os fortes trunfos que este jovem cavaleiro possui, foi também um dos triunfadores da noite.

Duarte Pinto teve uma lide na linha do que nos vem habituando, no entanto a escassez de força do novilho não permitiu a Duarte Pinto aquele triunfo que ele certamente desejaria, contudo deve ficar bem claro o profissionalismo do Duarte, que o coloca num dos principais cavaleiros a seguir esta temporada.

A forcadagem podia ter tido uma noite perfeita, mas a prontidão de investida dos novilhos, com uma arrancada bastante alegre e rápida, levou a que os jovens forcados por vezes não “mandassem” nos novilhos, e quando assim é, é mais fácil a coisa não resultar logo á primeira, pois fica a faltar esse “toureio” que só o passar dos anos e o maior numero de pegas pode trazer.

Por Portalegre pegaram: Miguel Zagalo, Pedro Constantino e Ricardo Almeida, todos á segunda tentativa.

Pelos Académicos de Elvas foram caras: João Sequeira á primeira, Afonso Bulhão Martins também á primeira; na que foi a pega da noite, e Jorge Nazaré á segunda.

Mais um forcado ferido com uma bandarilha; desta vez foi Gonçalo Machado dos Académicos de Elvas, que ficou com uma bandarilha espetada na parte lateral direita do abdómen, quando dava uma ajuda, a qual lhe foi retirada já no hospital de Elvas onde ficou em observações.

Os novilhos toiros de José Luis Vasconcellos e Sousa D’Andrade cumpriram na generalidade, no entanto temos que referir a falta de apresentação e de força dos mesmos; animais que traziam o seis na espádua, apresentavam como se costuma dizer na gíria taurina “fome e cabelo comprido”, quanto a nós impróprios para terem saído a uma praça de toiros, ainda que para um festival como foi o caso.

Dirigiu com o máximo acerto o Sr. Agostinho Borges, coadjuvado pelo Médico Veterinário Dr. José Guerra.

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