quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Emoção e Tragédia no Coliseu de Redondo

- Praça de Toiros: Coliseu de Redondo
- Data: 5 de Outubro de 2010
- Empresa: Associação Tauromáquica Redondense
- Ganadaria: 6 Toiros da Ganadaria de Canas de Vigouroux
- Cavaleiros: João Salgueiro, Sónia Matias e Ana Batista
- Forcados: Grupo de Forcados Amadores de Lisboa e Amadores do Redondo, capitaneados respectivamente por Pedro Maria Gomes e João Filipe Santana
- Assistência: Três Quartos (fortes) da lotação
- Delegados da IGAC: Dirigiu a corrida o delegado técnico José Tinoca, assessorado pelo médico veterinário Dr. Matias Guilherme
Abrilhantou a Corrida a Banda Sociedade Filarmónica Redondense

A Feira de São Francisco, na simpática localidade alentejana de Redondo, foi o mote para a realização de mais um evento taurino, levado a cabo pela Associação Tauromáquica Redondense, no seu novel Coliseu, que para tal reuniu um cartel de figuras, frente a um curro de toiros de Canas de Vigouroux, bem apresentado, mansos, alguns saltando as tábuas, para fugir à contenda, todavia, que se deixaram lidar, contudo sem deixar de causar alguns problemas aos artistas.

Em disputa dois troféus, um para a melhor lide a cavalo, que levava o nome de Simão da Veiga Jr e outro para a melhor pega denominado Miguel Capinha Alves, antiga glória dos Amadores de Montemor.

João Salgueiro, como mais antigo, abriu a função, frente ao um exemplar com 535 Kg, marcado com o nº 209, despachou a ferragem comprida, mudou de montada e já com as bandarilhas curtas, as coisas não começaram da melhor forma, com um toque na cravagem do primeiro ferro, emendou as distâncias e aí as função melhorou, cravando mais três ferros ao som de musica, comprometeu no penúltimo, mas redimiu-se no último. No seu segundo, um jabonero de 510 Kg, mais colaborante, o cavaleiro de Valada, teve o ensejo de nos presentear com um toureio mais alegre, onde a lide teve outra dinâmica, pena foi que o adversário terminasse cedo, pois o quinto curto já foi com o toiro parado, mesmo assim, mérito para o cavaleiro, que procurou pôr, aquilo que o toiro não tinha. Escutou musica em ambas as lides e deu volta de agradecimento no final.

Sónia Matias, continua a contagiar o publico com a sua alegria em praça, no Coliseu de Redondo, desenvolveu duas lides muito idênticas, que lhe valeram um saboroso triunfo, onde frente a adversários difíceis, soube dar a volta, sem nunca perder o sentido de lide, cravando em terrenos apropriados e rematando as sortes como manda a tradição. Terminou ambas as lides com ferros de violino, muito do agrado do público. Escutou musica em ambas as funções e deu volta, no final.

Ana Batista, ditou o sorteio, que lidaria em primeiro lugar o 210, da ganadaria de Canas de Vigouroux, com o peso de 505 Kg, o qual começou por saltar a trincheira e a carregar, sobre o cavalo de uma forma abrupta, deixando antever problemas de maior, confirmaram-se os receios, aquando da cravagem do terceiro curto, o toiro acometeu com violência sobre a montada, colhendo cavalo e cavaleira, deixando esta inanimada por terra, sendo retirada em maca, para a enfermaria e já não regressando, para terminar a lide. Temeu-se o pior, dada a violência do choque, mas felizmente não se confirmaram lesões de elevada gravidade, pois o profissionalismo e a raça toureira de Ana Batista, mantiveram-na em praça e acabou por lidar o último Canas de Vigouroux, por sinal o mais pesado do lote com 590 Kg, difícil na colocação, mesmo assim, a cavaleira de Salvaterra de Magos, apesar de debilitada, despachou a ferragem comprida e colocou três curtos de belo efeito, terminando com um ferro de palmo. Não deu volta no final das lides pela circunstância da colhida e no seu segundo pelo desacerto do grupo de forcados.


Tarde dura e complicada para os grupos em competição, os Amadores de Lisboa de Pedro Maria Gomes, e o grupo da terra os Amadores do Redondo de que é cabo João Filipe Santana.

Os Amadores de Lisboa, cedo se aperceberam das dificuldades que tinham por diante e por isso o cabo, mandou abrir praça ao experiente Francisco Mira, que tudo soube fazer com segurança, desde o brinde, ao cite, de largo, deixando-se ver, provocando a investida, mandando na trajectória, conseguindo uma viagem por alto até tábuas, onde foi eficazmente ajudado pelo grupo. Para o segunda da tarde, terceiro da ordem, o tal que colheu a cavaleira, foi escolhido o Pedro Gil, forcado de muitos recursos, que á primeira tentativa, consumou uma pega dura, contudo, prontamente ajudada, no sector das terceiras ajudas, sitio fundamental para este tipo de toiros. Encerrou a função o Pedro Miranda, numa pega vistosa em que se mostrou bem ao toiro, carregou no momento certo, recuou o suficiente e fechou-se à córnea, numa viagem que acabou nas tábuas, onde a coesão do grupo foi factor fundamental, para o sucesso da função.

Os Amadores do Redondo, não tiveram uma tarde fácil, para o primeiro do seu lote saiu o forcado, Roberto Matalouto, que em tarde de despedida, efectuou uma primeira tentativa, em que lutou até não conseguir mais, saíndo já em tábuas, por falta de ajudas, na segunda tentativa, as coisas correram melhor e acabou por consumar a pega, apesar do desacerto nas ajudas. O segundo, foi pegado por Nuno Oliveira, que denotou algum nervosismo, carregando o toiro com a cara no chão, felizmente que tudo se resolveu pelo melhor, logo á primeira tentativa, mesmo com as ajudas a tardar. Para encerrar a corrida, frente a um adversário reservado e que pouco se empregou durante a lide, foi mandado o forcado Rui Grilo, que com muito estoicismo e pouca convicção das ajudas, realizou quatro tentativas de caras, senda a ultima já a sesgo e com as ajudas carregadas, sem êxito, onde mais uma vez pairou o pânico na arena, tendo sido retirados vários forcados com lesões preocupantes, foi ainda tentada mais uma vez a pega de caras, sem sucesso, a confusão instalou-se, sairam os cabrestos, para com recurso à pega de cernelha, através dos forcados Pedro Roma e Bruno Xavier, tentar resolver o problema, mas não percebemos bem o desacerto da parelha, que após várias tentativas de entrada, lá conseguiram, um de cada vez, agarrar o toiro e certamente dar a pega por consumada, com a benevolência do senhor Director de Corrida, pois tudo isto durou mais de meia hora.

No final foram atribuídos os trofeus em disputa, para a melhor lide a cavalo, trofeu Simão da Veiga Jr, a Sónia Matias e o prémio Miguel capinha Alves para a melhor pega a Francisco Mira dos Amadores de Lisboa.

O Mais e o Menos
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As lides de Sónia Matias, a raça e o profissionalismo de Ana Batista e a actuação dos Amadores de Lisboa
- A duração do festejo

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