terça-feira, 5 de abril de 2011

Um ferro como mandam as regras - Crónica Almeirim

Depois de um longo Inverno, voltei aos toiros motivado e com vontade ver uma grande tarde, daquelas que enchem a alma e o coração aos aficionados. A praça escolhida foi a de Almeirim.

Foi um sonho de Primavera!! Depressa voltei à realidade. A festa continua igual, nada muda, infelizmente!

O Cartel estava bem montado: 2 consagrados e um que deveria querer ser(!); um confronto de ganadarias Luso-Espanhol, três toiros Murteira Grave e três Dehesilla de Jose Luis Pereda (encaste Nunez); dois grupos de forcados com créditos dados nas nossas praças – Amadores de Coruches e Amadores da Chamusca.

Primeira grande desilusão, o público não foi aos toiros. Meia casa justa, de um público que pouco sabe disto e que vai mais para estar com os amigos, conviver, falar e ver tudo menos do que passa na arena!
A segunda foi a apresentação de alguns toiros, alguns impróprios para saírem a uma praça como a de Almeirim, caso do quinto.
A terceira, alguns dos cavaleiros estão mais interessados em tourear o público que os toiros que têm por diante.
A quarta foi ter um director de corrida e um veterinário que estão no seu lugar só por estarem, que pouco vêm ou não querem ver o óbvio. Já agora, não seria melhor aferir a balança da praça de toiros? Alguns dos pesos dos toiros pareciam tem inflação a mais.


O 1º toiro da corrida, um castanho mal apresentado, justo de tudo, carnes, cara e fora do tipo da ganadaria Murteira Grave, foi encastado, carregou nas sortes, cumpriu com nota, foi mais toiro de aficionados que de público. Salgueiro cravou oito ferros, dois compridos e seis curtos!!!! Com destaque para o 4º, pouca coisa para tanto ferro, na brega andou dedicado a esta nova moda das piruetas fora da cara do toiro, do que deixar o oponente nos terrenos indicados para a lide.
No 4º da ordem, um bonito e bem apresentado toiro da Dehesilla que foi manso fugido para tábuas, mas que não complicou a vida a ninguém. Salgueiro voltou a debitar ferros, sete neste caso, dois compridos e 5 curtos, 3 deles a sesgo, com destaque para o último. Tarde de pouco acrescento para a sua carreira de 23 anos de alternativa.


Vitor Ribeiro lidou um bem apresentado Murteira Grave, negro bragado meano, corrido e gargantilho, que de comportamento foi reservado, com pouco andamento e derrotava alto no momento do ferro. O cavaleiro, meus caros, cravou o ferro da tarde, o segundo curto, deixando vir o toiro pelo seu caminho que investiu com raça, aguentando até ao fim e, quando a tinha debaixo do braço, cravou ao estribo como mandam as regras. Um ferro dos que fazem escola! Olé! Na restante lide andou bem na brega e cravou os ferros da ordem com limpeza e decisão.
O 5º era um Dehesilla castanho corrido e bragado meano, mal apresentado, escorrido de carnes e coxo com dificuldade de assentar a mão direita no chão, impróprio para ser lidado. Pergunto eu, para que há um director de corrida e um veterinário na praça? Também é verdade que nem um protesto se ouviu, a corrida já ia longa, o público estava com frio e a maçada de sair mais um toiro sobrero ia prolongar ainda mais o já demorado espectáculo! Coisas do nosso público, assim temos o que merecemos. Vitor Ribeiro andou bem na brega e irregular a cravar, mas perante o exemplar que tinha por diante pouco mais havia a fazer.


Manuel Lupi é um cavaleiro da nova vaga, que tem a obrigação e o dever de querer ser figura do toureio. Ia com vontade de o ver, saí desiludido com as suas duas actuações. Em terceiro lugar lidou um terciado toiro Grave, com bom tipo que teve 5 arrancadas vibrantes e com som, mas quando o cavaleiro insiste nas batidas ao piton contrário, sai da sorte uma e outra vez, os ferros saem pescados e fora de sítio e volta repetir os mesmos erros – não há toiros que lhe valham. Os toiros também se fartam, foi o caso deste.
Lide para esquecer de Manuel Lupi.
O sexto da corrida foi um Dehesilla castanho bem apresentado, com muito bom tipo, nobre e com som, Lupi voltou a andar desacertado na cravagem, passando muitas vezes em falso e falhando alguns ferros, deixou um ar da sua graça nos dois últimos ferros da lide, quando a tarde já ia longa e até os mais festivos estavam fartos de tanto desacerto e com pouca vontade de bater palmas. Pouca coisa se viu de Lupi nesta tarde! Melhores dias hão-de de vir!


Os forcados pagaram caro os poucos erros cometidos frente aos quatrenhos de Murteira Grave e os cinquenhos da Dehesilla.
Pelo Grupo de Coruche foram caras, à terceira tentativa Ricardo Dias, que dobrou Miguel Rijo, João Peseiro e José Tomas ambos à primeira.
Pelos Amadores da Chamusca, Diogo Cruz realizou a pega da tarde a um toiro a bater alto mas com o grupo a ajudar bem, à primeira tentativa, Rui Pedro também à primeira e Nuno Torrado só à terceira conseguiu consumar a última pega da corrida.


No fim da corrida, Duarte Alegrete tomou a Alternativa de bandarilheiro com um novilho de Rosa Rodrigues.
Na próxima corrida voltarei certamente com a mesma vontade de ver toiros bem apresentados, bravos e sérios, cavaleiros que cravem ferros como mandam as regras da nossa cavalaria, sem espalhafatos de maior, pegas rijas e vibrantes que façam levantar dos seus assentos os aficionados, um director de corrida que não tenha só o papel de dar música aos artistas e um público que saiba ver o que se está a passar dentro da arena.
Espero não ser este mais um sonho de Primavera!!!
Dirigiu a corrida o antigo matador de toiros
Júlio Gomes.

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1 comentário:

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