sábado, 11 de julho de 2009

Parabéns Rui e TVI! Obrigado João e Amadores de Évora e Alcochete


Na noite de dia 9 mais de meia casa acorreu á Monumental Lisboeta para celebrar as Bodas de Prata da carreira de Rui Salvador, enquanto profissional do toureio. Também as câmaras da mais aficcionada das TV’s lá estiveram e se associaram á efeméride na XI Grande Corrida TVI. Grande no postim granjeado ao longo de onze anos, foi grande também na sua duração, na sua espectacularidade, interesse e polémica.
Abriu a Corrida com a homenagem protagonizada pela SRUCP e pela Câmara Municipal de Lisboa, desde já o nosso olé, não teve medo e perante milhares largos de espectadores, associou-se á festa brava e concedeu justamente a Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro a Rui Salvador. Também o GFA Alcochete entregou uma lembrança evocativa da data ao cavaleiro e foi brindado com particular “carinho” pelos seus colegas de cartel, por ambos Grupos de Forcados ( aqui deixamos a nota para o facto de Salvador ser um dos poucos cavaleiros, que não poucas vezes saltou á arena em auxilio dos rapazes das jaquetas e com todos tem mantido uma relação de companheirismo e solidariedade, em particular na adversidade, exemplar) e por todos os que pudemos assistir.
Os toiros da Herdade Pégoras, deixaram-se lidar na generalidade, embora não tenham transmitido em grande escala. Estavam bem apresentados e de pelagem variada, todos com quatro anos e meio.
O Sr. Arquiteco quis corresponder, mas sobretudo quis dizer que não foram por acaso estes 25 anos. Duas actuações muito sérias, sem martingalas e de grande ligação aos oponentes. Esteve lidador, sobretudo no sobrero, depois de o seu primeiro ter saído inutilizado, contrariou-o até que pode, nunca o deixou ir para tábuas até ao final com brega de domínio, á voz e a enche-lo de cavalo, foi de frente e cravou a contento. Veio a sua imagem de marca quando o Pégoras se fechou de vez, “Raça e Valentia” para lhe entrar no “quintal” a arriscar e deixar um curto emocionante e que lhe valeu violento encontrão em terrenos impossíveis. Noite bonita a de Salvador na sua festa.
João Salgueiro foi o máximo triunfador da noite. Inspiradissimo tem duas lides de grande êxito. Saiu moralizado, notou-se pela forma como parou os dois oponentes e como apartir daí mandou em tudo na arena.Com sobriedade e em artista, deixou ferros com a sua marca característica, em passo lento a caminho do toiro, cites em curto, reuniões cingidas e ferragem ao estribo saindo a rodar o píton e adornado aqui e ali com piruetas e ladeios. Agradou-nos mais a primeira lide onde teve mais que tourear, já que na segunda percebeu ao primeiro curto, qual a distancia a que tinha de “abrir a guela” ao quase invisual que lhe tocou, para que este investisse á medida para a colocação cómoda. Não choca a Porta Grande.
Leonardo Hernandez era a curiosidade da noite. Mostrou algo que nos parece se acentua nestes rejoneadores modernos. Tem os cavalos muito postos, muito na mão e a fazerem coisas bonitas quando os toiros ajudam e tem investidas á medida para a colocação da ferragem, fazem-no com sobriedade e de frente. Depois recorrem aos ladeios e piruetas de adorno. Quando os toiros servem, como o ultimo da função, a lide resulta e o conclave agradece e entusiasma-se. Assim aconteceu. Só que quando os toiros tem mais que tourear, não são claros nas investidas, não se “amorcilham” ou apertam um pouco mais e os rojões para os parar não existem, o cenário muda de figura e as lides caem a pique de entusiasmo e transmissão, com ferros pescados e a cilhas passadas, sem grande interesse, assim aconteceu no seu primeiro, em que teve de recorrer a três palmitos em violino para que da bancada chegasse algum calor. Não justificou a saida a ombros.
A temporada 2009 no Campo Pequeno está indiscutivelmente a ser pautada por grandes actuações de Grupos de Forcados, temos visto boas pegas de compendio, sobretudo no cariz técnico da arte e em diferentes tipos de toiros, o nível está alto. A noite foi na mesma nota, quatro boas pegas á primeira tentativa do ponto de vista técnico, ante toiros que não complicaram é certo. Mas que havia, como é natural, que estar bem e puxar dos galões pela importância da noite e pergaminhos dos Amadores de Évora e Alcochete. Boas tecnicamente e eficientes as de José Miguel Barbosa “Vinagre” por Alcochete e Manuel Rovisco por Évora, igualmente boas mas mais artistas e toureiras as de Francisco Garcia por Évora e Vasco Pinto por Alcochete. Nuno Santana também á primeira por Alcochete, emendou-se na viagem depois de reunião se ter antecipado ligeiramente ao voluntarioso Pégoras. Os Amadores de Évora, quiseram assinalar a noite com a possibilidade de o seu convidado e amigo mexicano, Miguel Louceiro Alvarez (forcado da dinastia Louceiro, responsável pela introdução e consolidação da pega de caras em terras aztecas), pegar um toiro em Lisboa. Os defeitos de visão do toiro tornaram a sua saida e reuniões complicadas e o cara nunca se acoplou quando tal ocorria. Usou bem a voz, mas nunca conseguiu ficar quando teve oportunidade ( na primeira tentativa não teve tenacidade suficiente e na terceira a ânsia das ajudas, fez com que não houvesse reunião, depois de uma segunda em que o toiro lhe passou ao lado por não o ver). Bem a dupla Gonçalo Mira e Francisco Garcia na cernelha executada ao quinto da função.
Nota apenas para as Saidas em ombros de Salgueiro e Hernandez. Reafirmamos que não nos choca a do primeiro. Mas deixamos algumas questões para reflexão:
Será que vale a pena “puxar” segundas voltas, mesmo ignorando protestos de publico, para depois sair da Praça em ombros, sem calor, sem ambiente, com caminho aberto e sem publico á espera....sem a apoteose que lhe deveria estar associada?
Será que é assim que o público Português quer o nível de exigência da sua principal Praça?
Será que a maioria do publico que temos nas nossas Praças sabe da importância de exigir ou não permitir voltas, especialmente as segundas no caso do Campo Pequeno, aos toureiros?
Não deverão os toureiros parar nessa segunda volta quando se ouvem os protestos e deixar que aí o publico se manifeste e decida o que quer, saindo reforçada a volta e imagem?
Dirigiu com acerto o Sr. Lourenço Luziu.
Na próxima quinta-feira mais um teste a afición portuguesa em Lisboa, sobretudo a do toureio apeado. Para termos melhor regulamento nesta área, temos primeiro que ir ver e deixar o sinal de que gostamos e queremos. É importante para que quem tem de analisar, leve isso em real linha de conta e para que as empresas apostem em trazer figuras, que ajudem a recuperar o toureio apeado e sejam recompensadas com publico e financeiramente, bem como para que, as figuras queiram vir não só tourear, mas triunfar a Portugal.
Vitor Mendes e Alexandre Pedro, com toiros da mesma casa dos que toureou Morante, Ortigão Costa, na repetição de Hermozo de Mendoza e com os Amadores de Vila Franca, em ano de despedida de Vasco Dotti.

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